SAÚDE “Respirar mal pode começar muito antes de sentirmos falta de ar” By Revista Spot | Julho 19, 2026 Julho 20, 2026 Share Tweet Share Pin Email Não há botão de pausa para a respiração. Ainda assim, adiamos consultas, normalizamos a falta de ar e convivemos com noites mal dormidas como se o corpo não estivesse a deixar pistas. Ana Isabel Pestana, Pneumologista e Alergologista, passou mais de 30 anos a decifrá-las. Hoje, defende uma abordagem que vai além do pulmão e aproxima a especialidade da medicina da longevidade: prevenir, detetar cedo e agir antes de a doença limitar a vida. Tosse, pieira, cansaço, ressonar ou perda de capacidade física não são detalhes inevitáveis da idade. Podem ser o início de uma história que ainda é possível mudar. Entre o diagnóstico, a reabilitação e o acompanhamento personalizado, a missão é preservar função, independência e futuro. Porque a respiração é a infraestrutura silenciosa de tudo o que fazemos. Ao longo de mais de 30 anos a acompanhar pessoas com doenças respiratórias, o que mudou mais? Ao longo destes anos, evoluímos muito no diagnóstico e no tratamento das doenças respiratórias. Hoje valorizamos mais a prevenção, a deteção precoce e uma abordagem global da pessoa, promovendo hábitos de vida saudáveis. Os doentes também estão mais informados, mas continuam a existir atrasos na procura de ajuda. Ainda desvalorizamos demasiado sintomas como tosse, cansaço ou falta de ar? Sim. Muitas pessoas consideram estes sintomas “normais” da idade, do tabaco ou da falta de condição física e adiam a avaliação médica. No entanto, podem ser sinais de doenças respiratórias ou cardiovasculares. Quanto mais cedo forem investigados, maiores são as possibilidades de tratamento e de melhoria da qualidade de vida. O que muda numa consulta quando há tempo para ouvir, explicar e ligar sintomas que, à partida, parecem separados? Uma consulta sem pressa permite ouvir verdadeiramente o doente, compreender a sua história e relacionar sintomas que muitas vezes parecem não ter ligação. Isso conduz a diagnósticos mais precisos, tratamentos mais personalizados e melhores resultados. Ainda há quem associe asma e alergias a crises pontuais ou à primavera. Como é que estas doenças podem afetar o sono, o rendimento, o exercício e o dia a dia? A asma e as alergias podem afetar muito mais do que a respiração. Podem prejudicar o sono, reduzir a capacidade para o exercício, diminuir o rendimento no trabalho ou na escola e comprometer significativamente a qualidade de vida quando não estão bem controladas. Na DPOC e na cessação tabágica, a consulta é também um trabalho de reconstrução da confiança do paciente no próprio corpo? Sem dúvida. O tratamento da DPOC e a cessação tabágica passam também por devolver ao doente a confiança para respirar melhor, voltar a ser ativo e recuperar autonomia. Mesmo após anos de doença ou de tabagismo, é possível melhorar a qualidade de vida com acompanhamento adequado. Porque é que o sono deve entrar na avaliação respiratória? O sono é uma parte essencial da saúde respiratória. Ressonar, acordar cansado, ter pausas respiratórias durante o sono ou sonolência excessiva durante o dia podem ser sinais de apneia obstrutiva do sono. Esta doença está frequentemente associada a hipertensão arterial de difícil controlo, dificuldade em perder peso, diabetes e aumento do risco cardiovascular. O diagnóstico e o tratamento podem melhorar significativamente a qualidade de vida e a saúde global. No seu trabalho, realiza exames como espirometria, testes alergológicos e registo poligráfico do sono. Como é que estes exames ajudam o paciente a perceber melhor o diagnóstico? Os exames complementares são fundamentais para um diagnóstico preciso. A espirometria com prova de broncodilatação permite diagnosticar e avaliar doenças como a asma e a DPOC, distinguindo obstruções reversíveis das irreversíveis. Os testes alergológicos identificam os alergénios responsáveis pelos sintomas, permitindo um tratamento mais dirigido e eficaz. O registo poligráfico do sono diagnostica a apneia obstrutiva do sono, orientando o tratamento adequado e prevenindo complicações cardiovasculares e metabólicas. O cancro do pulmão continua muito associado a diagnósticos tardios. Quem deve estar mais atento e que papel pode ter o rastreio numa abordagem preventiva? O rastreio do cancro do pulmão destina-se a pessoas com elevado risco, sobretudo fumadores e ex-fumadores com idade entre os 50 e os 80 anos, exposição a substâncias cancerígenas e história familiar de neoplasia pulmonar. É realizado através de uma tomografia computorizada (TAC) torácica de baixa dose, um exame rápido, sem contraste, capaz de detetar lesões muito pequenas numa fase inicial. Quando o doente cumpre os critérios, o rastreio deve ser realizado uma vez por ano, permitindo aumentar significativamente as probabilidades de tratamento curativo e de sobrevivência. O que pode a reabilitação respiratória devolver em termos de função, autonomia e qualidade de vida? A ideia de que “já não há nada a fazer” é um mito. A reabilitação respiratória é um tratamento cientificamente comprovado que ajuda a reduzir a falta de ar, aumentar a capacidade para o esforço, melhorar a força muscular e recuperar a autonomia nas atividades do dia a dia. Além dos benefícios físicos, aumenta a confiança do doente, reduz o número de exacerbações e internamentos e melhora significativamente a qualidade de vida. O objetivo não é apenas viver mais, mas viver melhor. Porque é que o pulmão não pode ser visto isoladamente e como se cruza essa visão global com a Pneumologia e com a prevenção de doenças crónicas? A Medicina Respiratória 3.0 representa uma evolução da forma como cuidamos da saúde. Não se limita a tratar a doença quando ela aparece; procura identificá-la precocemente, atuar sobre os fatores de risco e promover a longevidade com qualidade de vida. Na Pneumologia, isto significa olhar para a pessoa como um todo, integrando a saúde respiratória com o sono, o exercício físico, a alimentação, o controlo do peso, a cessação tabágica, a saúde cardiovascular e o bem-estar mental. O objetivo é preservar a função pulmonar durante mais tempo, prevenir doenças e ajudar cada pessoa a viver mais e melhor. Que mensagem gostaria de deixar a quem adia sintomas ou só procura ajuda quando já está muito limitado? Respirar é um ato tão natural que só lhe damos importância quando começa a falhar. A minha mensagem é simples: não ignore os sinais que o seu corpo lhe dá. Tosse persistente, falta de ar, pieira, cansaço inexplicado, ressonar intenso ou sono não reparador não fazem parte do envelhecimento normal. Procurar ajuda cedo permite diagnosticar a doença numa fase inicial, iniciar o tratamento atempadamente e, muitas vezes, evitar complicações. Cuidar da saúde respiratória é investir na sua qualidade de vida, na sua autonomia e no seu futuro. Afinal, respirar bem é viver melhor. Instagram: @dra.anaisabelpestana Morada: Clínica CMR – Rua de Raimundo de Carvalho 110, 4430-184 Vila Nova de Gaia Centro Clínico da Maia – Rua Luciano Silva Barros, 58, 4470-193 Maia Contacto: 937 086 559 (chamada para a rede móvel nacional) Marcação de consultas: https://bio.site/draanapestana “O sucesso começa quando o joelho deixa de ser o centro da vida” E se no pós-parto o cuidado lhe tocasse à campainha? Mafalda Gomes leva a fisioterapia dermatofuncional a casa de centenas de mulheres
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