EMPRESAS & EMPRESÁRIOS “O verdadeiro líder é aquele que constrói uma organização capaz de resolver os problemas sem depender dele” By Revista Spot | Agosto 2, 2026 Agosto 2, 2026 Share Tweet Share Pin Email Há empresas que crescem à volta do fundador. Outras crescem o suficiente para já não dependerem dele. Nuno Forte quer construir a segunda. Depois de transformar a Forte Store num grupo com escala, integrar a Unifato e assumir a operação de marcas internacionais, como a Mango, percebeu que o verdadeiro desafio está em criar uma organização capaz de decidir, evoluir e preservar a sua cultura sem esperar pela sua resposta. Isso obrigou-o a trocar a certeza pela disponibilidade para ouvir quem discorda. Num retalho cada vez mais tecnológico, acredita que a inteligência artificial jamais substituirá a relação humana. Porque o legado de um líder não se mede apenas pelo que construiu, mas por tudo o que continua a crescer quando ele já não precisa de estar no centro. A empresa tornou-se muito maior e mais complexa. Há alguma caraterística do empresário dos primeiros anos que já não funcionaria nesta fase? No início acreditava que um bom empresário era aquele que resolvia tudo. Hoje acredito exatamente no contrário. Um grande empresário é aquele que constrói uma organização capaz de resolver os problemas sem depender dele. Tive de aprender a delegar, a confiar e, sobretudo, a aceitar que nem sempre a minha forma é a melhor. À medida que a empresa cresce, o papel do líder deixa de ser executar e passa a ser criar direção, cultura e pessoas capazes de tomar boas decisões. A ambição continua exatamente a mesma. O que mudou foi a forma de a concretizar. A aquisição do Grupo Unifato trouxe novas marcas, lojas, equipas e formas de trabalhar. Comprar uma empresa é também saber aprender com ela? A aquisição da Unifato foi muito mais do que comprar lojas. Foi integrar pessoas, conhecimento e uma história construída durante décadas. Nunca tive o ego de pensar que tudo o que fazíamos era melhor. Pelo contrário. Encontrámos processos, pessoas e formas de trabalhar que fizeram sentido manter e integrar. Um líder inteligente não quer ter sempre razão. Quer encontrar a melhor solução, independentemente de onde ela venha. Acredito muito nesta ideia: quando compramos uma empresa, não compramos apenas ativos. Compramos experiência. O que representa hoje a operação das lojas Mango? A Mango representa um voto de confiança numa empresa portuguesa. Mostra que conseguimos operar marcas internacionais com elevados níveis de exigência, respeitando os seus padrões e, ao mesmo tempo, acrescentando valor através da nossa capacidade de gestão. Naturalmente gostava que este fosse apenas o início. O nosso objetivo é sermos reconhecidos como um dos melhores operadores multimarca da Península Ibérica e parceiros naturais das grandes marcas internacionais quando procuram crescer nesta região. A intuição ainda é suficiente? A intuição continua a ser muito importante. Mas hoje já não chega. Os dados ajudam-nos a tomar melhores decisões e a inteligência artificial veio acelerar ainda mais essa capacidade. A minha experiência permite-me levantar boas hipóteses. Os dados servem para as confirmar ou para me mostrar que estou errado. Já mudei várias decisões porque os números mostraram uma realidade diferente daquela que eu acreditava existir. Ter razão é menos importante do que tomar a melhor decisão. Formar líderes é prepará-los para discordarem de si? Sem dúvida. Se toda a gente concorda comigo, significa que provavelmente não construí uma verdadeira equipa de liderança. Quero pessoas que pensem pela própria cabeça, que defendam ideias e que tenham coragem para me desafiar quando acreditam que existe um caminho melhor. O verdadeiro líder não procura seguidores. Procura formar outros líderes. Quando isso acontece, a empresa torna-se muito mais forte do que qualquer pessoa individualmente. Como sabe que a cultura chega a todas as lojas? A cultura não está escrita nas paredes. Vê-se na forma como um cliente é recebido, como uma equipa resolve um problema e como as pessoas se tratam entre si. Uma empresa pode ter excelentes vendas durante algum tempo, mas se perder a cultura acaba por perder tudo o resto. Há comportamentos que nunca aceito: falta de respeito pelas pessoas, desonestidade ou colocar resultados acima dos valores da empresa. Os números recuperam-se. A cultura, quando se perde, é muito mais difícil reconstruir. O que nunca poderá ser automatizado? A inteligência artificial vai transformar profundamente o retalho. Vai ajudar-nos a comprar melhor, gerir stocks, prever vendas e tornar a operação muito mais eficiente. Mas há algo que nenhuma máquina consegue substituir: a capacidade de criar confiança. As pessoas continuam a comprar a pessoas. A empatia, a liderança, a inspiração e a relação humana continuarão a ser as maiores vantagens competitivas. A tecnologia deve libertar tempo para aquilo que realmente nos torna humanos. Como se aprende a dizer “não” às oportunidades? Durante muitos anos achei que crescer significava dizer “sim” a quase tudo. Hoje penso exatamente o contrário. Uma oportunidade só é boa quando encaixa na estratégia da empresa. Nem todas as boas oportunidades são oportunidades para nós. Prefiro perder um negócio interessante do que desviar a organização do caminho que definiu. No longo prazo, o foco vale muito mais do que a velocidade. O que aprendeu fora das empresas? As maiores lições da minha vida não vieram dos negócios. Vieram das pessoas, da família e dos momentos difíceis. As dificuldades ensinam-nos a relativizar os problemas, a valorizar as pessoas e a perceber que nenhuma empresa vale mais do que aqueles que amamos. Também gosto muito de estudar líderes, empresários e modelos de gestão de sucesso. Aprender com quem já percorreu o caminho permite-nos evitar muitos erros e acelerar o crescimento. Continuo a acreditar que investir em conhecimento é um dos investimentos com maior retorno que existe. Depois de crescer, o que significa verdadeiramente ter sucesso? Hoje o sucesso não se mede apenas pelo número de lojas ou pelo volume de faturação. O verdadeiro sucesso será construir uma empresa que continue forte durante muitas décadas, independentemente de quem esteja na liderança. Quero criar uma organização que desenvolva pessoas, forme líderes e seja reconhecida pela excelência, pela ética e pela capacidade de inovar. Se um dia disserem que a Forte Store foi uma empresa que fez crescer pessoas, clientes e parceiros, sentirei que valeu a pena. Quem é o Nuno para lá do trabalho? Sou alguém profundamente ligado à família. Gosto do mar porque me obriga a desligar do ritmo acelerado dos negócios. Navegar lembra-nos que, por muito que planeemos, a natureza continua a ensinar-nos humildade. Também gosto de desporto, de viajar e de conhecer empresas, cidades e culturas diferentes. Muitas vezes encontro inspiração fora do escritório. Tenho uma enorme curiosidade em aprender. Acredito que um líder nunca está acabado. Quanto mais crescemos, mais percebemos o quanto ainda temos para aprender. Facebook: Forte Store Instagram: @forte_store_ Loja Online: www.fortestore.com/pt/ “A fotografia conquista o comprador. O tempo avalia o construtor” “O lipedema não é falta de disciplina”
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