Restaurantes No verão, Braga volta a encontrar-se à mesa da Belga By Revista Spot | Agosto 3, 2026 Agosto 3, 2026 Share Tweet Share Pin Email Há uma espécie de ditadura gastronómica que chega todos os anos com o primeiro dia de calor. De repente, tudo deve ser fresco, leve, cru, cítrico e fotografado junto a uma piscina. A francesinha continua quente, excessiva, coberta de queijo e mergulhada num molho capaz de transformar uma simples batata frita num acontecimento. E ainda bem. Na Taberna Belga, o verão não exige que finjamos desejar uma salada quando aquilo que verdadeiramente nos apetece é sentarmo-nos numa esplanada, pedir uma cerveja com espuma impecável e desafiar a meteorologia com uma francesinha à frente. Talvez a verdadeira liberdade do verão seja precisamente essa: deixar de comer de acordo com a estação e começar a comer de acordo com a vontade. O prato que se recusa a mudar de estação A francesinha da Taberna Belga não precisa de mudar de guarda-roupa. O calor pode subir, os dias podem prolongar-se até às nove da noite e metade da cidade pode trocar os sapatos por sandálias: ela continua a chegar à mesa com a mesma segurança de quem sabe que não precisa de seguir tendências. Dentro do pão encontram-se fiambre, bacon, linguiça de porco preto e bife de entrecôte do Uruguai. Por cima, queijo derretido e ovo. Depois chega o molho secreto, quente, intenso e suficientemente abundante para justificar o pedido de mais batatas. Porque ninguém mergulha apenas uma. Existe sempre uma segunda, uma terceira e aquela última que alguém jurava já não conseguir comer. É um prato construído por camadas, mas também um pequeno exercício de logística: cortar sem desmontar, distribuir o molho, decidir se o ovo deve rebentar logo ou permanecer intacto mais alguns minutos. À mesa, cada pessoa tem uma teoria. E poucas discussões são tão pacíficas como aquelas em que todos acabam a comer. Há verões que começam quando a cerveja chega Na esplanada, os copos transpiram antes de nós. A espuma pousa no topo da cerveja, o vidro embacia e, durante alguns segundos, tudo parece estar exatamente no lugar certo. A Taberna Belga nasceu também como cervejaria e continua a tratar a escolha da cerveja como parte da refeição, não como um detalhe colocado ao lado do prato. Há opções que vão das mais simples Lager às Ale, IPA e cervejas de inspiração monástica. Entre as cervejas da casa, a Belga 2008 é uma Strong Ale escura e frutada; a IPA apresenta notas tropicais e lúpulos americanos; e a Belga 2013, uma Double NEIPA, acrescenta um perfil frutado e um amargor equilibrado. Nem todas as cervejas são iguais e uma francesinha parece compreender particularmente bem essa diferença. Escolher a cerveja torna-se, por isso, uma espécie de casting líquido. Há quem procure frescura, quem prefira amargor e quem peça a mais intensa com a confiança de quem ainda não consultou o teor alcoólico. O verão também é feito destas decisões otimistas. A esplanada como sala de estar da cidade Ao fim da tarde, a esplanada começa a funcionar como uma sala de estar sem paredes. Chegam casais, grupos de amigos, famílias e emigrantes que regressam a Braga trazendo na mala presentes, saudades e uma lista muito concreta de lugares onde precisam de voltar. Dizemos “vamos à Belga” com a mesma naturalidade com que dizemos “encontramo-nos em casa”. Não é necessário explicar o menu, combinar o ambiente ou negociar demasiado. A francesinha resolve a parte gastronómica; a cerveja ajuda com o resto. Porque o verão não fica apenas nas praias que visitámos ou nos quilómetros que viajámos. Fica também nos lugares onde voltámos a encontrar alguém, nas conversas que duraram mais do que o previsto e naquele prato quente que, contra todas as regras da estação, soube exatamente ao que o verão devia saber. Nota: durante os meses de verão, a Taberna Belga 1 e a Taberna Belga 2 encerram aos domingos. Taberna Belga 1 Rua Cónego Luciano Afonso dos Santos Loja 3, 4700-371, Braga 253 042 708 Taberna Belga 2 Rua Mário de Almeida 67, 4700-395, Braga 253 062 269 Facebook: Taberna Belga Instagram: @tabernabelgaoficial www.tabernabelga.pt “Há casos em que a melhor decisão é adiar o transplante capilar” No Astória, os fins de tarde de verão começam às 17h30 e sobem até ao rooftop
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