ORTOPEDIA “O sucesso começa quando o joelho deixa de ser o centro da vida” By Revista Spot | Julho 19, 2026 Julho 23, 2026 Share Tweet Share Pin Email Uma escada pode separar duas versões da mesma vida: a que sobe sem pensar e a que calcula cada degrau. É nesse intervalo, entre o movimento automático e o corpo condicionado pela dor, que trabalha Tiago Frada. Especialista em cirurgia do joelho, acompanha desde atletas de alta competição até pessoas que querem voltar a caminhar, dormir sem dor ou brincar com os netos. Na sua prática, cada joelho é diferente porque cada pessoa tem objetivos, expectativas e desafios próprios. Numa especialidade em constante evolução, onde a inovação amplia as possibilidades do tratamento, permanece a mesma pergunta: a que vida precisa esta pessoa de regressar? O que é que o levou à Medicina e, mais tarde, à Ortopedia e à patologia do joelho? Entrei em Medicina com a ideia clara de querer ser ortopedista, uma certeza que nasceu ainda antes da universidade. Pratiquei voleibol desde os 12 anos e, ao longo desse percurso, tive algumas lesões que me permitiram contactar cedo com a Ortopedia e perceber o impacto de um diagnóstico rigoroso e de um tratamento bem orientado. Cresci também num ambiente ligado ao desporto e à ciência. O meu pai, professor de Educação Física, esteve durante muitos anos ligado ao futebol profissional e acompanhava a recuperação de atletas lesionados. Com ele, percebi que recuperar uma lesão não significa apenas cicatrizar um tecido, mas devolver desempenho, confiança e, muitas vezes, uma carreira. A minha mãe, professora de Ciências da Natureza e Biologia, despertou-me a curiosidade pelo funcionamento do corpo humano. Sempre gostei de compreender problemas, identificar a sua causa e encontrar soluções. A Ortopedia estabelece uma ligação muito direta entre o diagnóstico, a decisão terapêutica e o resultado. É profundamente gratificante ver um doente recuperar a mobilidade, regressar ao desporto ou simplesmente voltar a viver sem dor. Dentro da especialidade, a cirurgia do joelho surgiu naturalmente. É uma articulação biomecanicamente fascinante, onde ligamentos, meniscos, cartilagem, músculos e ossos funcionam como um sistema integrado. Pequenas alterações podem comprometer todo o seu equilíbrio. Permite também acompanhar pessoas em diferentes fases da vida: desde um jovem atleta com uma lesão ligamentar a um adulto com uma lesão meniscal ou a alguém com artrose avançada. Em todos os casos, o objetivo é recuperar a função e permitir que cada pessoa volte a fazer aquilo que valoriza. É também uma área em permanente evolução. A artroscopia, as técnicas de preservação articular, a cirurgia personalizada, a robótica, a inteligência artificial e os avanços da biomecânica estão a transformar os tratamentos. É esta combinação entre ciência, precisão, inovação e impacto na vida das pessoas que mantém o meu entusiasmo pela área ao longo dos anos. O que torna esta articulação tão desafiante, e tão determinante, na qualidade de vida de uma pessoa? Enquanto funciona bem, praticamente ninguém pensa no joelho. Mas basta surgir dor, instabilidade ou limitação para percebermos o papel central que desempenha. Caminhar, subir escadas, levantar de uma cadeira, conduzir, trabalhar, brincar com os filhos ou praticar desporto podem transformar-se em desafios. A marcha bípede libertou os membros superiores e moldou a forma como vivemos, mas colocou uma enorme responsabilidade sobre os membros inferiores. Todos os dias, o joelho suporta milhares de ciclos de carga, absorve impactos, adapta-se a superfícies irregulares e mantém um equilíbrio extraordinário entre mobilidade e estabilidade. Esse equilíbrio depende da interação entre ossos, ligamentos, meniscos, cartilagem, músculos e tendões. Quando uma destas estruturas deixa de funcionar corretamente, todo o sistema pode ser afetado. Pequenas alterações podem, por isso, provocar limitações muito significativas. Uma patologia do joelho raramente afeta apenas a articulação. Pode comprometer a autonomia, a atividade profissional, a prática desportiva e a vida familiar ou social. Muitas vezes, não se perde apenas a capacidade de caminhar, mas a liberdade de viver como antes. Por isso, o nosso trabalho vai além da interpretação de uma radiografia ou de uma ressonância magnética. Procuramos compreender aquilo de que cada pessoa precisa. Para um atleta, pode ser voltar a competir; para outra pessoa, conseguir passear sem dor ou acompanhar os filhos e os netos. Tratar o joelho é, muitas vezes, devolver independência, confiança e liberdade de movimento. É recuperar uma parte importante da própria vida. Muitas pessoas vivem meses ou anos com dor no joelho. Que sinais não devem ser desvalorizados e em que momento é importante procurar um ortopedista especializado? Um dos maiores equívocos é pensar que a dor no joelho faz parte da idade ou é uma consequência inevitável do desporto, do trabalho ou do aumento de peso. Embora estes fatores possam elevar o risco de algumas patologias, a dor não deve ser considerada normal. É um sinal de que a articulação não está a funcionar como deveria e precisa de ser compreendida, não apenas tolerada. Mais importante do que a intensidade da dor é o impacto que começa a ter no quotidiano. Quando persiste durante várias semanas, se repete, provoca inchaço, instabilidade, bloqueios ou limita atividades como caminhar, subir escadas ou levantar de uma cadeira, deve procurar-se uma avaliação especializada. Uma lesão traumática com incapacidade para apoiar o membro, deformidade ou perda significativa de função deve ser observada precocemente. Muitas pessoas adaptam-se gradualmente à dor: deixam de correr, evitam caminhadas, abandonam o exercício ou recorrem apenas a analgésicos. Como essa mudança acontece lentamente, acabam por aceitar limitações que poderiam ter sido evitadas. Uma avaliação atempada permite identificar problemas numa fase em que ainda existem opções conservadoras e menos invasivas. Pode ser possível corrigir alterações biomecânicas, preservar estruturas da articulação, controlar a evolução da doença ou planear uma cirurgia no momento adequado. É também essencial perceber que a dor no joelho não corresponde a um único diagnóstico. Pode resultar de lesões ligamentares, meniscais ou cartilagíneas, alterações do alinhamento, sobrecarga mecânica ou doença degenerativa, entre outras causas. Por isso, um bom diagnóstico continua a ser o tratamento mais importante que podemos oferecer. Antes de decidir como tratar, é fundamental perceber por que razão aquele joelho dói. Só assim podemos escolher a solução mais adequada e evitar problemas maiores no futuro. Tendo acompanhado clubes como o Moreirense FC e o Gil Vicente FC, no passado, e atualmente como consultor no Vitória SC e Rio Ave FC, que diferença existe entre tratar uma lesão num atleta profissional e num praticante amador? A lesão pode ser exatamente a mesma: a anatomia, a biomecânica e os princípios científicos do tratamento não mudam. O que varia são as exigências colocadas sobre o joelho e aquilo a que cada pessoa pretende regressar. Na alta competição, a margem para o erro é praticamente inexistente. Uma pequena perda de força, alguns graus de mobilidade ou um ligeiro défice de estabilidade podem comprometer o rendimento ou aumentar o risco de nova lesão. O objetivo não é apenas aliviar a dor ou permitir que o atleta volte a jogar, mas recuperar um joelho capaz de responder às exigências extremas da competição. Isso exige um diagnóstico rigoroso, uma decisão terapêutica individualizada e uma reabilitação especializada, com médicos, fisioterapeutas, preparadores físicos e treinadores a trabalhar de forma integrada. Tratar um praticante amador não implica, porém, uma responsabilidade menor. Voltar a correr, fazer um trilho ou trabalhar sem dor pode ter o mesmo significado que disputar uma final para um profissional. O contexto muda, mas a importância do resultado é igual para quem está do outro lado da consulta. E o que é que o desporto de alta competição ensina à medicina do joelho? A grande lição da alta competição é a atenção ao detalhe. Foi nesse ambiente que se desenvolveram reconstruções ligamentares mais anatómicas, protocolos modernos de reabilitação, critérios objetivos para o regresso ao desporto e uma compreensão mais profunda da biomecânica do joelho. Esse conhecimento acabou por beneficiar todos os doentes. Hoje, muitos dos princípios utilizados para permitir que um futebolista regresse à competição são os mesmos que ajudam um pai a brincar com os filhos, uma avó a caminhar sem receio ou um corredor amador a recuperar a confiança. No fim, o sucesso não se mede pelo nível competitivo, mas pela capacidade de ajudar cada pessoa a regressar à vida que valoriza. As lesões do ligamento cruzado anterior continuam a ser muito marcantes, sobretudo em modalidades como futebol, andebol, basquetebol ou esqui. O que mudou nos últimos anos no diagnóstico, na cirurgia e na recuperação destas lesões? Durante muito tempo, a rotura do ligamento cruzado anterior era vista como uma lesão isolada. Hoje sabemos que altera profundamente a biomecânica do joelho e pode afetar os meniscos, a cartilagem e outras estruturas estabilizadoras, condicionando a articulação muito além da instabilidade. Por isso, o diagnóstico já não termina na confirmação da rotura. Avaliamos as estruturas associadas, a anatomia do joelho, o perfil funcional do doente, o desporto praticado e as exigências a que pretende regressar. Só esta visão global permite definir a melhor estratégia. A cirurgia tornou-se mais anatómica, precisa e personalizada. Já não existe uma técnica única para todos. A escolha do enxerto, a posição dos túneis, a necessidade de reconstruções extra-articulares e a preservação de outras estruturas são decididas em função de cada joelho. Mas talvez a maior evolução tenha acontecido fora do bloco operatório. Uma cirurgia tecnicamente perfeita não garante, por si só, um bom resultado. O sucesso depende da reabilitação, da recuperação da força, do controlo neuromuscular, da confiança do atleta e de critérios objetivos que confirmem que o joelho está preparado para regressar ao desporto. Também avançámos muito na prevenção. Existem programas de treino neuromuscular capazes de reduzir de forma consistente o risco de rotura do LCA através da preparação física, do controlo do movimento e da educação do atleta. O desafio já não é apenas reconstruir um ligamento. É devolver um joelho estável, adaptado às exigências de cada pessoa e protegido a longo prazo. Ao tratar um atleta de 18 ou 20 anos, não pensamos apenas na próxima época, mas também no joelho que terá aos 40, 50 ou 60 anos. Durante muito tempo, muitas lesões meniscais eram tratadas com remoção total ou parcial do menisco. Hoje fala-se cada vez mais em sutura, reparação e preservação. Porque é que esta mudança de paradigma é tão importante para o futuro do joelho? O tratamento das lesões meniscais mostra bem a evolução da cirurgia do joelho. Durante muitos anos, era frequente remover a parte lesionada do menisco para aliviar rapidamente a dor e os sintomas mecânicos. Hoje sabemos que essa solução, embora eficaz a curto prazo, poderia comprometer o futuro da articulação. O menisco não é uma estrutura acessória. É essencial para distribuir cargas, absorver impactos, estabilizar o joelho, proteger a cartilagem e contribuir para a perceção do movimento. Sempre que se perde tecido meniscal, aumenta a sobrecarga sobre a cartilagem e o risco de alterações degenerativas precoces. A pergunta deixou, por isso, de ser “quanto devemos retirar?” e passou a ser “quanto conseguimos preservar?”. Sempre que a lesão o permite, procuramos reparar o menisco e conservar o máximo de tecido funcional, porque preservar o menisco é proteger o futuro do joelho. Nem todas as roturas podem ser reparadas. A decisão depende do padrão e da localização da lesão, da qualidade do tecido, da idade do doente, da forma como ocorreu e das suas expectativas funcionais. A escolha deve ser sempre individualizada. Ao planear uma cirurgia meniscal, não pensamos apenas nos sintomas atuais, mas também no impacto da decisão daqui a dez, vinte ou trinta anos. Cada milímetro preservado pode representar maior proteção da cartilagem e melhores condições para manter a articulação saudável. Por isso, o sucesso da cirurgia meniscal moderna não deve ser avaliado apenas pela recuperação imediata, mas pela capacidade de proteger o joelho a longo prazo. Muitas vezes, a melhor cirurgia não é aquela que retira mais e permite recuperar mais depressa, mas aquela que consegue preservar mais. As lesões da cartilagem são complexas e nem sempre têm uma solução simples. Que avanços existem hoje, do tratamento biológico ao transplante autólogo de cartilagem, e que expectativas devem ser realistas para os doentes? A cartilagem continua a ser um dos grandes desafios da Ortopedia, porque tem uma capacidade muito limitada de cicatrização. Ao contrário de outras estruturas, quando é lesionada dificilmente recupera espontaneamente com as mesmas caraterísticas biológicas e biomecânicas. Nos últimos anos, surgiram técnicas capazes de tratar defeitos localizados e estratégias biológicas que, em doentes bem selecionados, podem reduzir a dor, melhorar a função e atrasar a progressão da doença. Entre elas estão a estimulação da medula óssea, os transplantes osteocondrais, o transplante autólogo de cartilagem particulada, o transplante de condrócitos e outras abordagens regenerativas, cada uma com indicações específicas. A medicina regenerativa, incluindo o plasma rico em plaquetas, pode também ter um papel no controlo da dor e na melhoria funcional. No entanto, é essencial distinguir aquilo que a ciência já comprovou do que continua a ser uma promessa. Não existe ainda um tratamento capaz de regenerar cartilagem normal em qualquer doente. Por isso, é fundamental definir expectativas realistas. Muitas vezes, o objetivo não é criar cartilagem nova, mas reduzir a dor, recuperar função, manter a atividade física e adiar procedimentos mais invasivos, como uma prótese. A cartilagem também não pode ser tratada isoladamente. Se existirem instabilidade ligamentar, alterações do alinhamento, défices meniscais ou sobrecarga mecânica, qualquer procedimento poderá falhar. Tratar a cartilagem é tratar o joelho como um todo. A biologia, a engenharia de tecidos, a inteligência artificial e a cirurgia personalizada deverão trazer novos avanços. Ainda assim, sempre que possível, preservar a cartilagem saudável continuará a ser melhor do que substituí-la. A artroplastia do joelho ainda é vista por muitos doentes como uma cirurgia “último recurso”. Em que casos é realmente indicada e que impacto pode ter na dor, na mobilidade, no sono, na autonomia e na vida social? A palavra “prótese” continua a provocar ansiedade, por estar associada ao envelhecimento ou à perda de autonomia. Na realidade, quando é indicada no momento certo, pode devolver uma qualidade de vida que muitos doentes já consideravam perdida. A artrose não é apenas desgaste da cartilagem. Afeta também o osso, a membrana sinovial, os meniscos, os ligamentos e a função muscular, comprometendo progressivamente todo o joelho. A decisão de colocar uma prótese nunca deve basear-se apenas numa radiografia. O mais importante é perceber o impacto da doença na vida da pessoa: a intensidade da dor, a perda de mobilidade, as limitações funcionais e a ausência de resposta aos tratamentos conservadores. A dor pode fragmentar o sono, impedir caminhadas, limitar viagens, afastar a pessoa da atividade física e dificultar gestos simples, como brincar com os filhos ou acompanhar os netos. Aos poucos, a artrose reduz a autonomia e o raio de ação. Quando a cirurgia é bem indicada e acompanhada por uma reabilitação estruturada, os resultados podem ser transformadores. A prótese pode aliviar a dor e devolver mobilidade, confiança, independência e qualidade de sono. A pergunta decisiva não é se a radiografia está suficientemente alterada, mas se a artrose está a impedir a pessoa de viver a vida que deseja. Quando isso acontece e os tratamentos conservadores deixaram de resultar, a cirurgia deixa de ser apenas um último recurso e pode tornar-se a melhor oportunidade para recuperar autonomia. A tecnologia robótica tem vindo a ganhar espaço na cirurgia de substituição do joelho. O que muda, na prática, para o cirurgião e para o doente? A cirurgia robótica é uma das evoluções mais relevantes da artroplastia do joelho. O seu valor não está apenas na presença de um robot no bloco operatório, mas na possibilidade de planear e executar a cirurgia com maior precisão e personalização. Cada joelho tem uma anatomia, um alinhamento, tensões ligamentares e uma biomecânica próprios. A robótica permite adaptar a cirurgia às caraterísticas individuais de cada articulação, em vez de aplicar a mesma abordagem a todos os doentes. Antes da intervenção, possibilita um planeamento muito detalhado. Durante a cirurgia, fornece informação sobre a anatomia e o equilíbrio dos tecidos moles, ajudando o cirurgião a ajustar o posicionamento dos componentes com elevada precisão. Para o doente, o objetivo é alcançar um joelho mais equilibrado, natural e previsível na recuperação. A evidência mostra maior precisão no posicionamento dos implantes e menor variabilidade técnica, embora os benefícios a muito longo prazo continuem a ser estudados. É importante esclarecer que o robot não opera sozinho nem substitui o cirurgião. É o médico que interpreta a informação, define a estratégia e toma todas as decisões. A tecnologia permite executar esse plano com maior rigor. No futuro, a integração da robótica com inteligência artificial, realidade aumentada e modelos biomecânicos poderá permitir simular diferentes opções antes da cirurgia e escolher a solução mais adequada para cada doente. A tecnologia continuará, porém, a ser um instrumento ao serviço da decisão clínica. O seu verdadeiro valor está em ajudar o cirurgião a decidir melhor e a executar com maior precisão. Olhando para os próximos anos, onde acredita que estará a grande evolução da Ortopedia do joelho? O futuro da cirurgia do joelho será marcado por uma medicina cada vez mais personalizada. Estamos a compreender que não existem dois joelhos iguais nem dois doentes com as mesmas necessidades. A prevenção terá um papel crescente, através da análise biomecânica, da inteligência artificial e de sistemas de monitorização capazes de identificar movimentos associados a maior risco de lesão. Em vez de esperarmos que o problema aconteça, teremos mais ferramentas para o antecipar e, em muitos casos, evitar. A cirurgia será progressivamente menos invasiva, mais precisa e adaptada à anatomia e às exigências funcionais de cada pessoa. A robótica, a realidade aumentada e a inteligência artificial não substituirão o cirurgião, mas permitirão planear melhor, executar com maior rigor e tomar decisões mais informadas. Na área biológica, surgirão novas estratégias para preservar tecidos, retardar a progressão da doença e prolongar a vida das articulações, embora ainda estejamos longe de conseguir regenerar uma articulação completa. Também a reabilitação será mais personalizada. Sensores de movimento, plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial permitirão acompanhar objetivamente a recuperação e ajustar o tratamento à evolução de cada doente. A grande mudança estará na pergunta que fazemos. Em vez de procurarmos apenas a melhor técnica, procuraremos a melhor solução para aquela pessoa, naquele momento da sua vida. O verdadeiro objetivo será permitir que menos pessoas precisem de uma prótese e que mais consigam manter o seu joelho saudável durante mais tempo. Porque o maior sucesso de um cirurgião nem sempre é operar melhor; muitas vezes, é conseguir adiar ou evitar a cirurgia. Depois de acompanhar tantos doentes em fases de dor, limitação e recuperação, o que continua a emocioná-lo quando vê alguém voltar a caminhar, treinar, subir escadas, brincar com os filhos ou simplesmente viver sem medo do próprio corpo? Aquilo que mais me marca nunca é a cirurgia em si, por mais exigente que tenha sido. É o momento em que o joelho deixa de ocupar o centro da vida do doente. Passamos muitas horas a analisar exames, estudar biomecânica e planear tratamentos. Mas, para o doente, o sucesso raramente se mede por uma radiografia. Mede-se no dia em que volta a subir escadas sem pensar no joelho, regressa ao trabalho, corre atrás dos filhos ou faz uma caminhada que julgava impossível. Há momentos que continuam a emocionar: o atleta que regressa à competição, o doente que diz que já nem se lembra de ter sido operado ou alguém que volta a dormir uma noite inteira sem dor. São sinais de que a cirurgia deixou de ser protagonista e a vida recuperou o seu lugar. Também aprendi que não existem vitórias pequenas. Para um atleta, o objetivo pode ser voltar a competir; para outra pessoa, ajoelhar-se para brincar com um neto, caminhar nas férias ou levantar-se sem ajuda. Todas representam a recuperação de algo que a doença tinha retirado. Esse é um dos maiores privilégios da profissão: acompanhar pessoas num momento de vulnerabilidade e vê-las recuperar autonomia, confiança e liberdade. A cirurgia é apenas uma etapa de um processo construído pelo doente, pela família e por toda a equipa. A Ortopedia permite-me reconstruir ligamentos, reparar meniscos, implantar próteses e tratar lesões complexas. Mas o que dá sentido ao meu trabalho é ajudar alguém a recuperar uma parte importante da sua vida. Porque nunca se trata apenas de um joelho. Trata-se sempre da pessoa que vive através dele. Instagram: @tiagofrada Marcações: https://www.lusiadas.pt/corpo-clinico/dr-tiago-frada https://clinicaespregueira.com/doctores/dr-tiago-frada/ “Os dentes podem ser o último capítulo de uma história que começou na respiração, no sono e na postura” “Respirar mal pode começar muito antes de sentirmos falta de ar”
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