Cirurgia/Saúde Infantil “Ser Cirurgião Pediátrico é operar sem nunca perder de vista o adulto que ali começa a formar-se” By Revista Spot | Abril 8, 2026 Abril 8, 2026 Share Tweet Share Pin Email Quando uma criança precisa de Cirurgia, nada é pequeno para uma família. Há o medo, a incerteza, a ansiedade dos dias antes, o peso das decisões e a tentativa de encontrar segurança no meio do desconhecido. A Cirurgia Pediátrica vive precisamente nesse lugar frágil e exigente, onde não basta operar bem, é preciso cuidar de tudo o que envolve a criança e de todos os que a acompanham. Norberto Estevinho, Cirurgião Pediátrico, conhece esse território há 30 anos. Ao longo do seu percurso, entre Malformações Congénitas, Cirurgias Reconstrutivas exigentes, Anomalias Vasculares, Cirurgia Oncológica e tantas outras situações delicadas, foi defendendo uma ideia simples, mas decisiva: uma criança não é um adulto em miniatura. Exige outro olhar, outro tempo, outra forma de intervir. Numa época em que os pais chegam muitas vezes à consulta carregados de medo e informação confusa, acredita que a medicina também tem de saber explicar, tranquilizar e criar confiança. Porque, em Cirurgia Pediátrica existe, acima de tudo, a responsabilidade de cuidar de um futuro adulto em formação. Viajando 30 anos no tempo, o que é que o levou a escolher a Cirurgia Pediátrica? Entrei em Medicina já com a certeza de que queria ser Cirurgião. A Cirurgia fascinava-me pela exigência, pela precisão e pela possibilidade de intervir de forma muito concreta na vida das pessoas. No início, interessava-me a Cirurgia Geral, até porque é uma área muito abrangente. Mas tudo mudou quando tive contacto, ainda na faculdade, com as primeiras aulas de Cirurgia Pediátrica, num hospital infantil de referência em Florianópolis. De repente, percebi que era aquilo que eu queria fazer. Impressionou-me essa possibilidade de tratar quase tudo, passando por situações muito diferentes entre si, sempre num contexto profundamente delicado, o início da vida. Fiz primeiro a formação em Cirurgia Geral, como era exigido na altura, e depois concorri à especialidade de Cirurgia Pediátrica. Entrei em primeiro lugar e nunca mais tive dúvidas. A Cirurgia Pediátrica é uma área muito exigente, mas também extraordinariamente completa e humana. O que é que o público, em geral, ainda desconhece sobre o trabalho de um Cirurgião Pediátrico? A maioria das pessoas não tem a verdadeira noção da dimensão do trabalho de um Cirurgião Pediátrico. Muitas vezes, chegam à consulta a pensar que estão perante um urologista, um dermatologista ou outro especialista, quando, na verdade, a Cirurgia Pediátrica abrange uma enorme variedade de situações. Estamos presentes em momentos muito diferentes da vida de uma criança: ainda na consulta pré-natal, quando há malformações identificadas antes do nascimento; nas urgências, perante uma Apendicite, uma Torção do Testículo, um Traumatismo ou uma Queimadura; e também em muitas patologias mais frequentes, como Quistos, Hérnias ou pequenas lesões. Mas fazemos também Cirurgia do Pulmão, do Fígado, Malformações Congénitas, Cirurgia Reconstrutiva e muito mais. É uma especialidade muito vasta, que acompanha crianças dos zero aos 18 anos, e isso exige uma preparação muito sólida. O problema é que, por ser uma área menos visível para o público, nem sempre é reconhecida com a importância que realmente tem. O que é que estes anos de prática lhe ensinaram sobre a diferença entre operar uma criança e cuidar, na verdade, de uma família inteira? Ensinaram-me, antes de mais, que uma criança não é um adulto em ponto pequeno. E também que, quando uma criança precisa de ser operada, quem entra em sofrimento não é só ela, é toda a família. Ninguém está verdadeiramente preparado para ouvir que um filho vai ter de fazer uma Cirurgia. Surgem logo muitas perguntas, muito medo, muita angústia: será grave, como vai correr, como será a anestesia, que consequências pode deixar no futuro? Na Cirurgia Pediátrica, lidamos com isso todos os dias. E há uma particularidade muito importante, ao contrário de grande parte da Cirurgia do Adulto, que muitas vezes é mais mutiladora, a Cirurgia Pediátrica tem uma dimensão fortemente reconstrutiva. O nosso objetivo não é apenas resolver o problema imediato, mas fazê-lo com o menor impacto possível numa vida que ainda está a começar. Mesmo quando tratamos situações mais graves, como o cancro, temos de pensar sempre no futuro daquela criança, nas sequelas, na funcionalidade, na cicatriz, na qualidade de vida. Por isso, tratamos uma criança, mas cuidamos sempre de uma família inteira. Hoje, muitos pais chegam à consulta depois de horas de pesquisa online. Sente que um dos grandes desafios da Cirurgia Pediátrica também passa por desmontar ruído, corrigir mitos e devolver clareza às decisões? Sem dúvida. E isso não acontece só na Cirurgia Pediátrica, acontece em praticamente todas as áreas. Hoje, os pais chegam muito mais informados, ou pelo menos muito mais expostos à informação. Leram, pesquisaram, viram vídeos, passaram por fóruns, redes sociais, até ferramentas de inteligência artificial, e muitas vezes chegam à consulta já com respostas feitas ou com receios construídos a partir de informação que nem sempre está contextualizada. O nosso papel passou também a ser esse: esclarecer, organizar, distinguir o que faz sentido do que não faz. Na Cirurgia Pediátrica, isso é particularmente importante porque, fora das verdadeiras urgências, muitas situações não exigem uma decisão imediata. Uma hérnia, uma circuncisão ou outras Cirurgias frequentes podem ter tempos diferentes, e os pais precisam de perceber isso com clareza. Ao mesmo tempo, ainda existe a ideia errada de que o Cirurgião quer sempre operar. E muitas vezes a consulta serve precisamente para explicar que não é necessário intervir já, ou até que não é necessário operar de todo. Hoje, comunicar bem, reduzir o medo e devolver confiança faz tanto parte do trabalho como o ato cirúrgico em si. Tem falado publicamente sobre anestesia, dor e experiência cirúrgica. Continua a sentir que, para muitas famílias, o maior medo não é propriamente a Cirurgia, mas tudo o que imaginam à volta dela? Sem dúvida. Na maioria das vezes, o maior medo das famílias não é a Cirurgia em si, mas a anestesia e tudo o que a rodeia. Existe ainda muita ansiedade em torno da anestesia pediátrica, muitas vezes alimentada por ideias erradas. Na verdade, quando é feita por anestesistas com experiência em pediatria, é muito segura. A criança é anestesiada no momento certo, a Cirurgia decorre, e depois o despertar costuma ser rápido. Muitas vezes, ao fim de 10 ou 15 minutos já acordou, e passado pouco tempo já está novamente bem. Ao contrário do que acontece nos adultos, a recuperação costuma ser mais simples e mais rápida. Além disso, tentamos que toda a experiência tenha o mínimo de stress possível. A maioria das Cirurgias Pediátricas é feita em ambulatório e, em crianças saudáveis, muitas vezes nem é preciso fazer análises, precisamente para evitar sofrimento desnecessário. Há todo um cuidado com o jejum, com os horários, com a entrada dos pais, com a forma como a criança é acolhida. Tudo isso faz parte da Cirurgia. Não se trata apenas de operar, trata-se de garantir uma experiência o mais tranquila e humana possível. Aborda publicamente temas como Circuncisão, Criptorquidia e Hipospádia, que continuam a gerar muitas dúvidas nas famílias. O que é que ainda é mais mal compreendido nestes diagnósticos e porque é que o tempo certo de intervenção pode ser tão importante? O que continua a ser mais mal compreendido é a ideia de que, por não serem urgências, estas situações podem ser sempre adiadas sem consequências. E não é bem assim. No caso da Circuncisão quando existe indicação médica, quanto mais cedo for feita, melhor tende a ser a recuperação, tanto do ponto de vista físico como psicológico. Em crianças pequenas, o pós-operatório costuma ser mais simples e menos angustiante do que na adolescência. Já a Criptorquidia, em que o testículo não desceu para a bolsa escrotal, deve mesmo ser operada no tempo certo. Sabemos hoje que, se se esperar demasiado, o testículo pode sofrer alterações que aumentam mais tarde o risco de infertilidade, torção ou até de cancro. A Hipospádia, por sua vez, também beneficia de uma abordagem atempada. Há casos mais simples e outros bastante mais complexos, que podem exigir mais do que uma Cirurgia. Quanto mais tarde se começa esse processo, maior pode ser o impacto no desenvolvimento e no bem-estar da criança. Por isso, mais do que alarmar, é importante explicar bem às famílias que há um momento certo para intervir e respeitá-lo pode fazer toda a diferença. No seu posicionamento clínico, o Pectus Excavatum surge como uma área particularmente distintiva. Numa adolescência cada vez mais exposta ao olhar dos outros, à comparação e à pressão sobre a imagem corporal, até que ponto uma deformidade torácica deixa de ser apenas uma questão anatómica para passar também a ser uma questão de autoestima, bem-estar e qualidade de vida? O Pectus Excavatum não pode ser visto de forma simplista. Em muitos casos, tem uma dimensão estética evidente, mas isso não significa que seja uma questão menor. Há adolescentes com deformidades mais acentuadas que vivem bem com isso e não sentem qualquer necessidade de operar. E há outros, com alterações aparentemente ligeiras, que se sentem profundamente limitados, evitam expor o corpo, não vão à praia, não se sentem confortáveis socialmente e sofrem muito com isso. É preciso sensibilidade para perceber essa diferença. Ao mesmo tempo, também sabemos que o Pectus Excavatum nem sempre é apenas uma questão estética. Em alguns casos, pode haver impacto cardíaco ou respiratório, sobretudo no esforço, e isso tem de ser avaliado com rigor. A decisão de operar deve resultar dessa leitura global: anatómica, funcional e emocional. Além disso, a cirurgia evoluiu muito. A técnica de Nuss, que introduz uma barra para corrigir o tórax de forma menos invasiva, veio mudar completamente a abordagem. É uma cirurgia importante, naturalmente, mas muito menos agressiva do que as técnicas antigas, e com resultados muito bons em casos bem indicados. As Anomalias Vasculares continuam a ser um território que gera muita incerteza nas famílias, até porque nem sempre são corretamente reconhecidas ou diferenciadas. Porque é que continua a ser tão importante aumentar a literacia em torno destes casos e evitar leituras simplistas de situações que podem ser bastante complexas? Porque é uma área onde ainda existe muito desconhecimento, e esse desconhecimento leva frequentemente a diagnósticos errados e a tratamentos inadequados. Mesmo em centros muito diferenciados, há muitas crianças que chegam já depois de terem sido avaliadas várias vezes sem que se tenha percebido corretamente o que tinham. E as Anomalias Vasculares são muito diferentes entre si. Podem ir desde um Hemangioma pequeno, relativamente comum, até Malformações Venosas ou Linfáticas mais complexas, que exigem abordagens muito específicas. Nem tudo se resolve com espera, nem tudo se resolve com medicação, e nem tudo se resolve com Cirurgia. Há casos em que o tratamento passa por esclerose, embolização, laser ou uma combinação de várias abordagens. Por isso, o mais importante é ter um diagnóstico certo para definir o tratamento certo. É precisamente por reconhecer essa complexidade que hoje faz tanto sentido trabalhar em equipas multidisciplinares, com diferentes especialidades a discutir cada caso. Quando isso não acontece, muitas destas crianças acabam por andar perdidas entre consultas, exames e decisões pouco ajustadas. E é aí que a literacia faz toda a diferença. A Reconstrução Auricular e a Cirurgia do Pavilhão Auricular cruzam técnica, crescimento, imagem e identidade. O que é que mais o desafia nestes casos: a exigência cirúrgica, o momento certo para intervir ou o impacto emocional que estas diferenças podem ter na infância e na adolescência? Na verdade, desafia-me tudo isso ao mesmo tempo, porque estamos a falar de situações muito diferentes entre si. De um lado, temos a Otoplastia, que é uma cirurgia muito frequente para corrigir as chamadas orelhas proeminentes. Durante muitos anos, era algo a que quase não se dava importância e que se operava mais tarde, muitas vezes já na idade adulta. Hoje, as famílias procuram ajuda cada vez mais cedo, muitas vezes aos cinco ou seis anos, porque o bullying começa muito mais cedo e com muita crueldade. E isso obriga-nos também a olhar para estas situações com outra sensibilidade. Quando se diz que é “só estético”, esquece-se muitas vezes que a estética, para uma criança, pode ter um peso enorme na forma como se sente, se relaciona e ocupa o seu lugar na escola e na vida. Do outro lado, temos a Reconstrução Auricular em crianças com micrótia, que é uma realidade completamente diferente, rara, complexa e de grande exigência técnica. Aí, além da cirurgia, entra uma responsabilidade ética muito grande. Só faz sentido intervir quando temos a convicção de que vamos realmente melhorar a vida daquela criança e entregar um resultado à altura dessa decisão. Trabalha também áreas menos conhecidas do grande público, como a Tiroide, os Quistos Congénitos ou a Patologia da Face e Pescoço. O que é que gostaria que os pais percebessem melhor sobre estes diagnósticos, que muitas vezes assustam logo pelo nome? Gostava, antes de mais, que os pais percebessem que um nome difícil não significa automaticamente um problema grave. Muitas destas situações, como os Quistos Congénitos do Pescoço, são benignas e têm boa resolução quando são corretamente diagnosticadas e tratadas no momento certo. O mais importante é precisamente perceber bem o que se está a observar. Às vezes, aquilo que parece um Quisto pode estar muito próximo de uma malformação vascular, por exemplo, e é essa distinção que faz toda a diferença no tratamento. Há casos em que o risco principal é a infeção, noutros é a evolução futura, e por isso não podemos olhar para tudo da mesma maneira. No caso da Tiroide, embora os tumores em idade pediátrica sejam raros, eles existem e precisam de uma abordagem rigorosa. O mesmo acontece com outras Patologias da Face e do Pescoço, que podem ir de Malformações Congénitas a situações mais complexas. O que eu gostava mesmo de transmitir é que o medo diminui muito quando há um diagnóstico claro, uma explicação honesta e um plano bem definido. Há uma ideia ainda muito presente de que o mais importante é “a Cirurgia correr bem”, mas o cuidado começa antes e prolonga-se muito para além do bloco. O que é que a sua experiência lhe tem mostrado sobre a preparação da criança, a recuperação e a construção de uma vivência cirúrgica menos traumática? Tem-me mostrado que a Cirurgia começa muito antes de entrarmos no bloco operatório. Começa na forma como os pais são tranquilizados, na maneira como a criança é preparada e até no modo como se fala com ela em casa. É muito importante que a criança, de acordo com a sua idade e capacidade de compreensão, perceba que vai fazer um tratamento ou uma cirurgia para resolver um problema. O que não ajuda é enganar, porque isso quebra a confiança. A preparação emocional faz toda a diferença. Depois, no hospital, tentamos reduzir ao mínimo tudo o que possa ser vivido como traumático, evitamos exames desnecessários, privilegiamos técnicas menos invasivas, usamos pontos absorvíveis, pensos que não obriguem a manipulações constantes e procuramos tornar o pós-operatório o mais simples possível. A verdade é que, muitas vezes, a recuperação da criança corre melhor do que os pais imaginam. Ao fim de poucos dias, já está bem-disposta, com vontade de brincar e quase sem sinais do impacto que os adultos temiam. O nosso trabalho não é apenas operar bem. É fazer com que toda a experiência, antes e depois da cirurgia, seja o mais serena, segura e humana possível. Num tempo em que o médico também comunica fora da consulta, porque é que sentiu necessidade de ocupar esse espaço público e o que é que gostaria de ajudar a mudar na forma como se fala de Cirurgia Pediátrica em Portugal? Senti essa necessidade por uma razão muito simples, a Cirurgia Pediátrica continua a ser pouco conhecida. Ainda há muitas pessoas que nem sequer sabem bem que esta especialidade existe, o que faz e em que situações pode fazer a diferença. E isso tem consequências, porque aquilo que não se conhece tende a ser menos valorizado, menos compreendido e até menos procurado no momento certo. A minha intenção ao comunicar nunca foi expor a minha vida pessoal, mas sim abrir espaço para explicar, esclarecer e aproximar esta realidade das famílias. Acho importante que se fale mais de Cirurgia Pediátrica com rigor, clareza e responsabilidade, para que os pais percebam melhor o que está em causa e para que a especialidade tenha também a visibilidade que merece. No fundo, gostava de ajudar a mudar a ideia de que o Cirurgião Pediátrico é alguém que aparece apenas para operar. Muitas vezes, o que está em causa é muito mais do que isso, é acompanhar, orientar, decidir o momento certo, aliviar o medo e, em muitos casos, mudar de forma muito concreta a vida de uma criança e do futuro adulto que ela vai ser. Que ideias feitas ou mitos sente que ainda persistem sobre a Cirurgia Pediátrica e que gostaria realmente de ajudar a desmontar? Um dos mitos que mais gostava de contrariar é a ideia redutora de que a Cirurgia Pediátrica se resume a pequenas cirurgias ou a problemas muito localizados, como se fosse uma especialidade limitada e pouco complexa. Ainda hoje existe quem olhe para o Cirurgião Pediátrico como alguém que faz apenas circuncisões ou procedimentos mais simples, e isso está muito longe da realidade. A Cirurgia Pediátrica é uma área vastíssima, exigente e absolutamente central no hospital. Trata patologia do pulmão, do fígado, da tiroide, do aparelho digestivo, malformações congénitas, trauma, oncologia e tantas outras situações altamente diferenciadas. O que acontece é que grande parte dessa realidade não é visível para o público, porque está concentrada nos hospitais centrais e longe do olhar do dia a dia. No privado, naturalmente, aparecem mais os casos pequenos e mais frequentes, e isso também ajuda a criar uma perceção incompleta da especialidade. Mas a verdade é que estamos a falar de uma área com enorme responsabilidade, que exige preparação, versatilidade e capacidade de resposta em contextos muito diferentes. E talvez seja isso que mais importa esclarecer, a Cirurgia Pediátrica não é uma especialidade menor. É uma área importantíssima e muitas vezes decisiva na vida de uma criança. Ao fim de 30 anos de profissão, numa área tão exigente e tão diversa, o que é que continua a apaixoná-lo? O que continua a apaixonar-me é precisamente essa mistura entre exigência, diversidade e sentido de missão. É uma área em que nunca deixamos verdadeiramente de aprender, porque os casos são muito diferentes, os desafios renovam-se e o estudo é permanente. Dentro da Cirurgia Pediátrica, há duas áreas de que gosto particularmente: a Cirurgia Plástica Pediátrica, numa perspetiva reconstrutiva, e a Oncologia. E gosto delas porque, de formas diferentes, ambas têm um impacto muito profundo na vida futura da criança. Não estamos apenas a resolver um problema naquele momento; estamos, muitas vezes, a proteger qualidade de vida, função, imagem, autoestima e futuro. Na Oncologia Pediátrica, isso sente-se de forma muito intensa. Quando uns pais recebem a notícia de que um filho tem cancro, tudo muda de repente. É um momento de enorme dor e de enorme responsabilidade para quem está do outro lado. Mas é também uma área onde sabemos que podemos fazer uma diferença real. O que me continua a mover é a ideia de que o nosso trabalho pode mudar, de forma muito concreta, a vida daquele futuro adulto. Instagram: @norbertoestevinho Site: linktr.ee/norbertoestevinho “A relação da criança com a comida começa muito antes da primeira colher” “Amamos, muitas vezes, a partir daquilo que nunca chegámos a curar”
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