Restaurantes La piola, um conto de natal à moda do Piemonte By Revista Spot | Dezembro 1, 2025 Dezembro 2, 2025 Share Tweet Share Pin Email Há lugares que nos fazem viajar sem pegarmos num casaco, sem entrarmos num avião, sem sequer sairmos da rua onde estamos. O La Piola é um desses lugares. Em dezembro, quando Braga começa a vestir luzes e o frio se instala nos passeios, a porta deste pequeno recanto italiano abre-se como quem abre um livro antigo cheio de memórias que não são nossas, mas que reconhecemos como se fossem. Lá dentro, o Natal tem o sabor doce do pandoro, o aroma profundo dos queijos de montanha e o rubor quente dos vinhos que aquecem mãos e conversas. E entre prateleiras de produtos que contam histórias, regressam também tradições que sobreviveram aos séculos: o cepo que ardia na lareira, os provérbios que previam o ano novo, a Befana que voa na última noite. Em Braga, o La Piola devolve-nos tudo isso, como quem devolve uma memória perdida da infância. Onde o Natal acende a lareira e a memória No Norte de Itália, a noite de Natal começava sempre com um ritual ancestral: antes de sair para a missa do galo, a família entrava em casa com um grande cepo, o süc ’d Natal, que tinha passado dois anos a secar sob o alpendre. Aquele tronco, de madeira antiga e paciência infinita, era colocado na lareira como quem pousa uma promessa. Chamava-se-lhe “altar doméstico”, porque era ali, no calor lento das brasas, que o Menino Jesus seria acolhido quando passasse para deixar os seus dons. Enquanto ardia devagar, o cepo esperava em silêncio o regresso da família. E dizia-se que o fogo falava. Se a chama estivesse forte quando voltavam da missa: bom sinal, haverá paz na família e entre vizinhos. Se, pelo contrário, a madeira hesitasse em pegar: este ano não vai correr lá muito bem… Os carvões eram guardados como talismãs contra as trovoadas de verão. E dezembro, cheio de provérbios e presságios, ensinava que o Natal não era só uma festa: era o primeiro capítulo do ano agrícola. Foi esse espírito, feito de lume, simplicidade e superstição doce, que Alex Davico trouxe para Braga quando abriu o La Piola. Uma porta discreta na cidade, uma janela enorme para o Piemonte. A mesa italiana que chega ao Natal Em dezembro, o La Piola transforma-se numa pequena embaixada do inverno italiano. Nas prateleiras brilham caixas de pandoro macio, polvilhado de açúcar fino como neve, panettones altos e aromáticos, queijos de montanha e vinhos que aquecem as mãos e o coração. É entrar e sentir que alguém abriu uma gaveta cheia de Natais antigos. Alex sorri quando fala desta época. “No Piemonte, o Natal tem cheiro a manteiga, a castanhas, a vinho quente. Aqui em Braga, quero que as pessoas sintam exatamente isso, que viajar também se faz pela boca.” E este ano, há novidades que contam histórias ainda mais bonitas: os gnocchi de outono com cogumelos selvagens, um prato que parece ter sido inventado para noites frias, passam a ter também versão glúten free. “Queremos abrir caminho para quem, infelizmente, convive com as intolerâncias alimentares”, diz Alex. “A mesa italiana é generosa. Cabe sempre mais um.” Há algo de profundamente natalício neste gesto: incluir quem antes ficava de fora. Entre provérbios, neve e presságios O Piemonte nunca chega sozinho, vem sempre acompanhado das suas lendas. Dizem, por exemplo: “Dsember trop bel, a marca pa ’n bôn ann nôvel” se dezembro estiver bonito demais, o ano novo não será tão bom. Ou ainda: “Fioca dsembiña, a dura fin ch’a dura la briña”, a neve de dezembro dura enquanto durar a geada. Quem conhece Alex sabe que ele adora estas frases, meio poesia, meio meteorologia de avós. Talvez porque o La Piola nasceu assim: da vontade de guardar tradições antigas num lugar moderno, urbano, cheio de vida. E é por isso que, em dezembro, a memória fica mais nítida: o cepo a arder, as famílias reunidas, o cheiro a polenta, o vinho novo, a mesa comprida onde sempre coube mais gente do que parecia possível. A Befana: a bruxinha boa que fecha o Natal Em Itália, o Natal não termina no dia 25. A história só acaba a 6 de janeiro, quando chega a Befana, uma velhinha de nariz comprido e saia remendada, que voa de vassoura de casa em casa. Deixa doces para as crianças bem-comportadas. Carvão para as outras, mas um carvão doce, claro, porque ninguém merece verdadeiras desilusões em janeiro. É uma figura que mistura paganismo e cristianismo, lendas rurais e poesia popular, e que todos, no La Piola, lembram com carinho. Alex recorda a cantilena infantil: “La Befana vien di notte, con le scarpe tutte rotte…” E enquanto conta, percebemos que é isso que o La Piola faz: pega numa tradição, acende-lhe luz nova e coloca-a na nossa mesa, com a mesma ternura das aldeias onde esta história nasceu. O Natal que se come, que se partilha, que fica O La Piola não é apenas um espaço italiano em Braga. É uma forma de viajar sem sair da cidade: pelo sabor do pandoro, pelos vinhos que contam a geografia dos vales, pelos queijos que têm a força do inverno, pelos gnocchi fumegantes que sabem à cozinha das nonnas. E este ano, o Natal chega também com um convite silencioso: sentar à mesa e experimentar novidades sem perder raízes. No fundo, o que o La Piola oferece é o mesmo que o süc ’d Natal oferecia às famílias piemontesas: calor, continuação e uma centelha de esperança para o ano que começa. Porque há lugares que não servem apenas comida. Servem memórias, histórias, servem Natais inteiros. E o La Piola é um deles. Morada: Rua D. Afonso Henriques nº 33, Braga Facebook: La Piola Instagram: @lapiolabraga Reservas: lapiola-cucinaconstoria.pt Antonius: Parcas italianas de corte perfeito e sobretudos intemporais, o must-have do Natal masculino Brick Store: A nova paragem obrigatória dos apaixonados por Lego em Braga
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