CLÍNICAS DENTÁRIAS/SAÚDE ORAL “Um sorriso bonito hoje não basta. O verdadeiro desafio é garantir que continua saudável e funcional daqui a 10 ou 20 anos” By Revista Spot | Junho 3, 2026 Junho 4, 2026 Share Tweet Share Pin Email A era do sorriso perfeito criou a ilusão de que todos devemos sorrir da mesma forma. Dentes demasiado brancos, alinhamentos instantâneos, promessas rápidas, transformações feitas para caber num antes e depois. Mas a verdadeira Medicina Dentária não começa na imagem. Começa no diagnóstico, na função, na biologia e numa pergunta essencial: este sorriso faz sentido para esta pessoa? Catarina Pereirinha, médica dentista com foco em Reabilitação Oral Estética e Ortodontia e diretora clínica da Clínica Médica Dentária de Baltar, defende uma estética mais consciente, natural e duradoura. Nesta conversa, desconstrói a ideia de que reabilitar um sorriso é apenas torná-lo mais bonito. Fala de mordida, estabilidade, facetas em resina composta, ortodontia em adultos e planeamento a longo prazo. Porque um sorriso verdadeiramente bem construído não deve parecer copiado. Deve parecer inevitavelmente nosso. O que é que a levou a escolher a Medicina Dentária e, dentro dela, a aproximar-se da Reabilitação Oral Estética e da Ortodontia? Houve algum momento em que percebeu: “é aqui que quero construir o meu caminho”? A Medicina Dentária surgiu para mim como o encontro perfeito entre ciência, detalhe e impacto humano. Sempre me fascinou a forma como uma área tão técnica consegue, ao mesmo tempo, transformar autoestima, confiança e qualidade de vida. Com o tempo, fui percebendo que a Reabilitação Oral Estética e a Ortodontia não se limitam à estética no sentido superficial da palavra. São áreas onde função, equilíbrio, saúde e identidade se cruzam. Um sorriso pode mudar a forma como alguém se apresenta ao mundo, como comunica e até como se sente consigo próprio. Houve vários momentos marcantes ao longo do meu percurso, mas o mais determinante foi perceber que aquilo que verdadeiramente me realizava não era apenas “tratar dentes”, era acompanhar transformações humanas. Hoje sei que é exatamente aí que quero construir o meu caminho: numa medicina dentária que alia rigor clínico, estética natural e impacto emocional positivo. A boca é profundamente funcional, mas também emocional. Sente que ainda reduzimos demasiado a Medicina Dentária a “tratar dentes”? Sim, sem dúvida. Durante muito tempo, a Medicina Dentária foi vista quase exclusivamente como uma área reparadora: tratar uma cárie, aliviar dor, substituir um dente. Felizmente, essa visão está a evoluir. A boca é uma extensão da nossa identidade. É onde se expressam saúde, comunicação, emoções, hábitos e até níveis de stress. Muitas vezes, conseguimos perceber ansiedade, desgaste emocional ou inseguranças através do estado oral de um paciente. Por isso, acredito numa abordagem muito mais integrativa e humana. Não tratamos apenas dentes; tratamos confiança, bem‑estar e histórias de vida. E isso exige escuta, empatia e visão clínica. Quando um paciente diz “não gosto do meu sorriso”, qual é a primeira coisa que procura perceber? Procuro perceber a pessoa. Porque muitas vezes a frase “não gosto do meu sorriso” não fala apenas de dentes. Claro que existe uma avaliação clínica rigorosa e uma análise estética objetiva, mas antes disso interessa-me compreender o que aquela insatisfação representa. Há quem evite sorrir há anos, quem esconda a boca em fotografias, quem nunca se tenha sentido verdadeiramente confortável consigo próprio. A Medicina Dentária estética não pode ser feita apenas com base em proporções ou alinhamentos; tem de respeitar identidade, personalidade e naturalidade. O objetivo não é criar sorrisos iguais, é devolver autenticidade e bem‑estar. Um sorriso não muda apenas um rosto; muitas vezes, muda a forma como alguém vive. Num tempo de resultados imediatos, como se distingue um sorriso verdadeiramente bem tratado de uma transformação apenas estética? Hoje temos ferramentas extraordinárias: planeamento digital, scanners intraorais, fotografia clínica, impressão 3D, alinhadores, materiais altamente evoluídos. Tudo isso elevou muito a previsibilidade dos tratamentos. Mas um resultado verdadeiramente bem-sucedido vai muito além do impacto imediato ao espelho. Tem de funcionar bem, respeitar a biologia, integrar-se no rosto, envelhecer de forma harmoniosa e manter estabilidade ao longo do tempo. Para mim, o melhor resultado é aquele em que as pessoas dizem “estás ótimo(a)”, sem perceber exatamente o que foi feito. A estética mais elegante é sempre a que respeita identidade, naturalidade e tempo. O que pode uma mordida desorganizada comprometer na saúde oral e no equilíbrio do sorriso? Muito mais do que se imagina. Uma mordida desorganizada pode provocar desgaste dentário precoce, fraturas, retrações gengivais, dificuldade de higienização, dores musculares, tensão articular e até agravar quadros de bruxismo. Adicionalmente, quando os dentes não estão em equilíbrio funcional, a estética também sofre com o tempo. O sorriso perde harmonia, os dentes desgastam-se de forma desigual e o envelhecimento oral acelera. A Ortodontia não é apenas alinhar dentes para fotografias. É reorganizar função, estabilidade e equilíbrio. Nos adultos, o que leva hoje mais pacientes à Ortodontia? Chega-nos um pouco de tudo e muitas vezes em simultâneo. É muito comum vermos adultos que fizeram Ortodontia na adolescência e que, anos depois, apresentam recidivas ou alterações da mordida. Também recebemos muitos casos associados a desgaste dentário, apertamento, bruxismo e perda de suporte funcional. Mas existe também uma maior consciência estética. Hoje, as pessoas percebem que podem cuidar do sorriso em qualquer fase da vida e que isso não é vaidade; é bem‑estar, saúde e confiança. E há outro fator importante: os adultos procuram tratamentos discretos, personalizados e compatíveis com a vida profissional e familiar. A Ortodontia moderna evoluiu muito nesse sentido. Os alinhadores são uma solução moderna, mas não são a Ortodontia toda. Em que casos funcionam bem e onde começam as limitações? Os alinhadores invisíveis são uma ferramenta extraordinária quando bem indicados. Permitem tratamentos discretos, confortáveis e altamente eficazes em muitos casos. Mas é importante desmistificar a ideia de que “alinhar dentes” é simples ou puramente digital. A Ortodontia continua a depender de diagnóstico, biomecânica, planeamento e biologia. Há movimentos dentários mais complexos, limites biológicos que precisam de ser respeitados e casos em que outras abordagens são mais previsíveis. Nenhuma tecnologia substitui o raciocínio clínico. O sucesso não está apenas no aparelho utilizado, mas na qualidade do diagnóstico e na visão global do tratamento. O que é que torna as facetas em resina composta uma solução tão interessante e tão dependente da mão do profissional? As facetas em resina composta permitem transformar um sorriso de forma muito conservadora, preservando estrutura dentária e personalizando cada detalhe. Mas são também um trabalho profundamente artístico. Exigem sensibilidade estética, domínio da anatomia, noção de proporção, textura, luz e integração facial. Não se trata apenas de “aplicar material”; trata-se de esculpir naturalidade. É uma área onde técnica e arte caminham lado a lado. E talvez seja isso que mais me apaixona: unir ciência, precisão e sensibilidade humana num único tratamento. O verdadeiro luxo na Medicina Dentária é alcançar resultados naturais, saudáveis e intemporais. Como se constrói um resultado estético que seja bonito agora, mas também estável e coerente ao longo do tempo? Constrói-se com diagnóstico, planeamento e visão a longo prazo. Hoje é relativamente fácil criar um resultado visualmente impactante no imediato. O verdadeiro desafio é garantir que esse sorriso continua saudável, funcional e harmonioso daqui a 10 ou 20 anos. Isso implica respeitar função, articulação, gengiva, proporções faciais, envelhecimento natural e hábitos do paciente. A estética sustentável nasce do equilíbrio entre biologia e beleza. Na nossa clínica procuramos exatamente isso: resultados elegantes, naturais e duradouros, nunca soluções rápidas sem estabilidade. Como CEO e médica dentista, que legado quer construir através da sua clínica? Quero construir um espaço de confiança e continuidade. Acredito numa clínica onde a Medicina Dentária é vivida de forma próxima, multidisciplinar e profundamente humana. Um lugar onde os pacientes se sentem acompanhados ao longo das diferentes fases da vida, da prevenção à reabilitação, da função à estética, da saúde à autoestima. Na direção clínica, procuro criar uma cultura de excelência, inovação e rigor. Mas, enquanto mulher, médica dentista, mãe e esposa, valorizo sobretudo o lado humano: o cuidado, a escuta, o detalhe e a empatia. Quero que a nossa clínica seja lembrada não apenas pelos tratamentos que realiza, mas pela forma como cada pessoa se sente ao ser cuidada por nós: segura, ouvida e valorizada. No fundo, quero construir um espaço onde as pessoas recuperem confiança, tranquilidade e qualidade de vida, sempre com uma Medicina Dentária ética, natural e profundamente humana. Morada: Largo Comendador Pereira Inácio 232, 4585-026 Baltar Contacto: 919 794 582 (chamada para a rede móvel nacional) Facebook: Clínica Médica Dentária de Baltar Instagram: @cmd.baltar O tabu que está a custar qualidade de vida a muitas pessoas Alpha Premium Ice®: a marca portuguesa que quer transformar o gelo num produto de desejo
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