Arquitetura “Um móvel desenhado pelo arquiteto é a extensão natural do projeto” By Revista Spot | Janeiro 22, 2026 Janeiro 26, 2026 Share Tweet Share Pin Email Em 2026, o design de interiores deixou de ser um detalhe bonito para se tornar o ritmo a que queremos viver. Quando o interior é pensado pelo arquiteto, a casa deixa de ser uma colagem de tendências e passa a ser uma história inteira. A luz sabe para onde vai, os materiais conversam entre si, o espaço responde a quem lá mora. Não se trata de ter mais coisas, trata-se de ter menos fricção, peças que fazem sentido, arrumação que não se vê, silêncio onde antes havia ruído. Segundo Sérgio Vieira Barbosa, arquiteto e CEO da SVBARQ, um móvel desenhado no atelier nasce de perguntas simples “quem usa, como usa, quanto dura” e isso muda tudo. Porque a verdadeira sofisticação, hoje, é esta: um lugar que nos devolve tempo, leveza e paz. O que é que vos levou a perceber que o projeto só fica completo quando o interior e o mobiliário também nascem no atelier? Sentíamos que, quando o interior ficava dependente do catálogo, o projeto perdia continuidade. O desenho arquitetónico acabava por ser forte, mas o espaço interior tornava-se uma soma de peças escolhidas, não um sistema pensado. O mobiliário de atelier surge como extensão natural do projeto: permite desenhar a escala certa, resolver usos específicos e garantir coerência entre arquitetura, luz e matéria. Faltava-nos essa última camada de controlo, aquela onde o espaço deixa de ser genérico e passa a ser verdadeiramente vivido. O que define, para si, um interior “bem desenhado” em 2026? Há um critério inegociável? Um interior bem desenhado hoje é aquele que equilibra estética, conforto, durabilidade e bem-estar sem que nenhum destes fatores se imponha isoladamente. O critério inegociável é a adequação ao uso real: um espaço pode ser silencioso visualmente, mas tem de funcionar ao longo do tempo. Se não envelhecer bem, física e emocionalmente, então não está bem desenhado. A vossa linguagem fala de pureza de formas e de luz como elemento central. Como é que isto se traduz em decisões concretas? Traduz-se em reduzir o desenho ao essencial e deixar que a luz construa a atmosfera. Um exemplo recorrente é optar por volumes contínuos, com poucas interrupções, onde a iluminação indireta define limites, profundidade e ritmo. Em vários projetos, uma linha de luz bem posicionada, integrada num plano ou numa junta, resolveu a leitura do espaço de forma mais eficaz do que qualquer objeto decorativo. O que é que vos distingue e como evitam que “feito à medida” signifique apenas “mais caro”? O que nos distingue é o desenho autoral aliado a um detalhe construtivo muito consciente. O “feito à medida” só faz sentido quando resolve problemas: menos desperdício, mais eficiência no uso, manutenção mais simples. Um móvel bem desenhado pode até ser mais económico a longo prazo, porque dura mais, adapta-se melhor e não precisa de ser substituído. No processo técnico e criativo, como começa o móvel? Começa sempre com o uso: quem vai usar, como, durante quanto tempo. Depois vem a ergonomia, a proporção no espaço e só depois a forma. Prototipamos sempre que possível, nem que seja em mock-ups simples, porque é aí que percebemos se o desenho “aguenta”. Sabemos que um móvel está certo quando resiste não só fisicamente, mas também visualmente, após meses de uso intenso. Que escolhas fazem em prol da sustentabilidade? Escolhemos materiais pela sua origem, capacidade de envelhecimento e facilidade de manutenção. Madeiras estáveis, metais honestos, tecidos que possam ser substituídos. A circularidade entra de forma discreta: peças desmontáveis, componentes reparáveis, modularidade silenciosa. A elegância, para nós, também está em permitir que um objeto continue a existir sem precisar de ser descartado. O que mudam no desenho dos interiores para hotelaria e espaços de grande uso? Muda a exigência. Em hotelaria aprendemos a desenhar para o abuso quotidiano: cantos mais protegidos, acabamentos mais resistentes, detalhes que não se soltam. Isso tornou-nos mais rigorosos também nos projetos residenciais. Hoje desenhamos casas com a mesma lógica de durabilidade, porque o conforto também é não ter de se preocupar com o desgaste. Quando é que escolhe integrar ou assinar na reabilitação e preservação da memória de um lugar? Depende do edifício. Quando a memória é forte, o desenho deve ser quase silencioso, trabalhar por contraste subtil. Noutros casos, um gesto mais marcado ajuda a revelar o novo ciclo do espaço. A decisão nunca é estilística; é uma leitura do lugar. O mobiliário novo não deve competir com o edifício, mas dialogar com ele. A relação entre tecnologia e artesanato é de equilíbrio ou conflito? Vemos a tecnologia como aliada do rigor. Ferramentas digitais permitem precisão, repetibilidade e melhor controlo, mas o detalhe final continua a ser artesanal. Paradoxalmente, isso torna o mobiliário mais humano: quando tudo encaixa bem, quando as tolerâncias são pensadas, o objeto torna-se mais confortável e mais próximo do corpo. Que futuro gostava que a SVBARQ seguisse no design de interiores? Na SVBARQ, vemos espaço tanto para peças de coleção como para o bespoke. Coleções permitem fixar uma linguagem, enquanto o desenho à medida mantém a ligação ao projeto específico. O ideal é que, ao entrar num espaço, as pessoas sintam uma certa clareza e serenidade e pensem: “isto é SVBARQ”, não por um estilo óbvio, mas por uma forma consistente de desenhar, usar a luz e respeitar o tempo. Braga . Porto. Lisboa Facebook: Sérgio Vieira Barbosa arquitetura Instagram: svbarq.gram Contacto: +351 253 681 493 E-mail: info@svbarq.com Site: https://svbarq.com Marcello Valle e Pine Hill lançam três novos projetos em Braga Reparadora das Jantes: 28 anos a definir o futuro da indústria automóvel
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