CLÍNICAS DENTÁRIAS/Medicina Estética “Por trás de um resultado subtil e natural, existe ciência, responsabilidade médica e uma cadeia de decisões clínicas ponderadas” By Revista Spot | Agosto 4, 2025 Agosto 7, 2025 Share Tweet Share Pin Email E se a medicina estética não fosse sobre mudar rostos, mas sobre cuidar de pessoas? Numa sociedade onde a estética é, muitas vezes, reduzida a superficialidade, Sónia Esteves propõe uma mudança de paradigma: integrar os tratamentos estéticos numa visão mais ampla e consciente de saúde global. Médica dentista especializada em Harmonização Facial, lidera a Clínica Faciem e fundou a Academia Faciem com um propósito claro, devolver à medicina estética o que é seu por direito: ciência, ética e humanidade. Segundo a profissional, cada rosto é um território único onde anatomia e emoções se entrelaçam. A beleza, defende, “não se impõe, revela-se, com escuta clínica, precisão técnica e um respeito profundo pela identidade de cada pessoa.” Quando cuidamos da aparência com consciência, explica, “ativamos mecanismos neurológicos de bem-estar.” O seu compromisso vai além da prática clínica, passa por formar profissionais com rigor técnico, mas também com empatia e pensamento crítico. “Por trás de um resultado subtil e natural, existe ciência, responsabilidade médica e uma cadeia de decisões clínicas ponderadas”, sublinha. Vivemos uma era em que a estética se tornou uma extensão da saúde e bem-estar. Como vê essa mudança de paradigma? Assistimos a uma mudança profunda e estruturada no paradigma estético, em que os tratamentos são entendidos como parte integrante de um conceito mais amplo de saúde global, através do seu impacto na qualidade de vida do ser humano. Assistimos atualmente a dois movimentos profundamente transformadores: Por um lado, a crescente consciência de que a autoestima e a autoconfiança são pilares fundamentais para o desempenho social e profissional, revelando-se igualmente essenciais para a manutenção do equilíbrio emocional e da resiliência da saúde mental. Por outro lado, e embora a esperança média de vida não se tenha prolongado significativamente, cultivamos hoje talvez um propósito maior: uma longevidade saudável. Desejamos mais anos de vida, vividos com alegria e plenitude. Esperamos que a nossa vida social e profissional continue a ser produtiva e significativa por mais anos. Neste contexto, a premissa “sinto-me bem, quero ver-me bem” deixa de ser um mero capricho superficial para se afirmar como um fenómeno ancorado na neurociência. Quando nos sentimos jovens do ponto de vista cognitivo e emocional, é natural que desejemos que o nosso exterior reflita essa energia interior. E, de forma fascinante, o inverso também é verdadeiro: quando nos vemos com um aspeto rejuvenescido, o cérebro responde positivamente, reforçando estados emocionais de entusiasmo, vitalidade e bem-estar, devolvendo vida à criança interior que habita em cada um de nós. A Medicina Estética está cada vez mais tecnológica. Quais são hoje, na sua opinião, os procedimentos mais inovadores e cientificamente sustentados que verdadeiramente fazem a diferença nos resultados a longo prazo? A minha resposta poderá dececionar quem procura constantemente a próxima grande novidade. Acredito que a verdadeira inovação nem sempre está nas tendências mais recentes. É certo que nomes como PDRN ou exossomas têm adquirido destaque entre os trends digitais, despertando a curiosidade dos pacientes. No entanto, apesar do seu potencial promissor, ainda não podemos afirmar que oferecem resultados transformadores com grande impacto a longo prazo. Estão em desenvolvimento sendo necessário saber usá-los com consciência, adotando uma comunicação clara sobre as limitações e expectativas associadas. O entusiasmo deve ser sempre equilibrado com responsabilidade do profissional. O que verdadeiramente revolucionou a Medicina Estética nos últimos anos foi o aprofundamento do nosso conhecimento através da produção de uma robusta evidência científica. A forma como hoje olhamos para a anatomia da face, como compreendemos o envelhecimento e o entendimento de como podemos atuar a nível molecular e fisiológico, tem sido extraordinária. Neste contexto, procedimentos como a toxina botulínica, o ácido hialurónico e os bioestimuladores continuam a ser os pilares mais sólidos, precisamente porque têm vindo a ser continuamente refinados para entregar resultados elegantes que realçam a beleza natural e otimizam a gestão do envelhecimento. Muito se fala sobre “naturalidade” nos resultados. O que significa, na prática clínica, alcançar uma estética natural e individualizada? Como se evita cair no padrão de rostos uniformizados? Falar de naturalidade na Medicina Estética é, na verdade, falar de respeito: respeito pela anatomia, pela expressão, pela história e pela identidade de cada rosto. Gostava de começar por dizer que a responsabilidade por garantir resultados naturais é do profissional médico. A prevenção da artificialidade e exageros em estética facial pode ser trabalhada em dois eixos: paciente e profissional. Relativamente ao paciente é fundamental fazer uma boa gestão de expectativas e determinar quais são as suas referências estéticas. No eixo dos profissionais é fundamental uma prática clínica ética, tecnicamente competente e com um olhar verdadeiramente humanizado sobre a complexidade de cada paciente. Na prática clínica, alcançar um resultado natural significa não apagar o tempo, mas sim harmonizá-lo, realçando o que há de mais expressivo em cada pessoa, com subtileza, equilíbrio e precisão técnica. O objetivo não é padronizar a beleza, mas sim preservar a individualidade. E isso só é possível quando se tem um olhar clínico treinado, uma escuta ativa e uma profunda compreensão da anatomia dinâmica da face. A naturalidade nasce do diagnóstico preciso, de uma avaliação tridimensional do rosto em movimento e da escolha criteriosa de técnicas e produtos que respeitem a fisiologia dos tecidos. A padronização para um standard único, por outro lado, surge quando se aplicam fórmulas replicadas, sem considerar as proporções únicas, os volumes próprios ou o ritmo do envelhecimento de cada paciente. Na minha prática, acredito que o maior elogio que um resultado pode receber é não ser percebido como “resultado”, mas como um reflexo genuíno de bem-estar, jovialidade e autenticidade. A estética natural é aquela que não denuncia intervenção, apenas revela, com elegância, o melhor de cada um. Como lida com pacientes que chegam com imagens filtradas, expectativas irreais ou influenciadas por celebridades e redes sociais? Onde entra o papel do médico na educação e na gestão emocional? É um desafio crescente e não existe uma resposta universal. Numa era de referências irreais muitos pacientes chegam-nos com a intenção de se aproximar de uma imagem artificialmente construída, muitas vezes irrealizável, e quase sempre desligada da sua própria identidade. Nestes casos, o papel do médico ultrapassa largamente a intervenção técnica. É preciso dedicar tempo e atenção em cada consulta de avaliação para fazer um diagnóstico preciso das necessidades do paciente, bem como uma avaliação cuidada das suas expectativas e motivações. Cabe-nos desconstruir essas expectativas, explicar os limites e, acima de tudo, devolver ao paciente uma visão mais consciente. Neste processo mostramos que não existe um rosto ideal, existe o seu rosto, com caraterísticas únicas, proporções próprias e uma história que merece ser valorizada, não apagada. Em alguns casos proponho um cool down period, que passa pela não realização de procedimentos no dia da primeira consulta de avaliação. O propósito é que o paciente tenha um tempo de reflexão e possa decidir de forma mais racional e menos emocional sobre as suas escolhas de tratamento. Hoje, a epigenética e a medicina regenerativa começam a ganhar espaço também na estética. De que forma terapias como PRP, bioestimuladores ou exossomas estão a transformar os cuidados médicos estéticos? A epigenética está profundamente ligada às escolhas que fazemos todos os dias, à forma como o ambiente externo e o estilo de vida influenciam a expressão dos nossos genes. É um conceito revolucionário na medicina moderna. Contudo, e como é frequente, a indústria da beleza tem vindo a capitalizar rapidamente este conceito, impulsionada por uma lógica de marketing que consome novidades com enorme voracidade. A medicina regenerativa, não é ainda uma meta completamente alcançada, pois não conseguimos impedir ou reverter verdadeiramente o envelhecimento. No entanto, dispomos hoje de tratamentos que procuram devolver aos nossos tecidos, propriedades e funções caraterísticas de tecidos mais jovens, e isso representa, em si, um avanço notável. Dos três procedimentos mencionados, os exossomas são, neste momento, os que apresentam menor grau de evidência científica. À data desta entrevista, não existe autorização por parte das entidades reguladoras para o seu uso injetável com fins estéticos. O seu potencial é promissor, mas exige prudência. O PRP (Plasma Rico em Plaquetas) e já agora, mais recentemente, o PRF (Fibrina Rica em Plaquetas) têm um histórico mais sólido de utilização, tanto em cirurgia como em estética. Estas terapias autólogas estimulam mecanismos naturais de reparação e regeneração, sendo particularmente úteis quando integradas em protocolos combinados para maximizar eficácia. Por fim, os bioestimuladores de colagénio destacam-se como uma das ferramentas mais eficazes da medicina estética atual. O mais fascinante é que estamos agora a descobrir o seu potencial regenerador, aplicando-os com cada vez maior sofisticação e eficácia. Falamos cada vez mais da estética como parte da longevidade saudável. Que papel têm os procedimentos estéticos na prevenção do envelhecimento, em vez de apenas corrigirem sinais já visíveis? As gerações Z e Millennial têm um extraordinário benefício: a possibilidade de aceder à Medicina Estética com um propósito preventivo e consciente. Ao contrário das gerações anteriores, que recorriam a tratamentos apenas numa fase já instalada do envelhecimento, estas gerações têm acesso a estratégias que desaceleram ativamente o processo de envelhecimento biológico. Intervenções como a aplicação criteriosa de toxina botulínica em protocolos preventivos, o uso de soluções polirevitalizantes, e sobretudo a adoção de uma rotina de skincare personalizada e otimizada permitem uma desaceleração da velocidade do envelhecimento. Estes tratamentos conduzidos com respeito pela biologia e individualidade cada de paciente permitem aceder a um admirável mundo novo. Quando conduzidos com rigor técnico, profundo respeito pela biologia individual e uma visão estética centrada na autenticidade, estes tratamentos não só evitam a necessidade de correções futuras mais invasivas, como abrem caminho para um admirável mundo novo da estética, onde envelhecer bem já não é uma questão de sorte genética, mas de escolhas clínicas responsáveis e acompanhadas desde cedo. A regulamentação dos procedimentos estéticos ainda é um tema quente. Como vê a proliferação de formações rápidas e práticas realizadas por não-médicos? Que riscos representa para os pacientes e para a credibilidade da medicina estética? Se observarmos outros países onde os procedimentos estéticos foram amplamente democratizados, percebemos que este fenómeno segue uma tendência global. No entanto, importa reafirmar com clareza: os procedimentos médicos estéticos devem ser conduzidos por profissionais médicos com formação específica e atualizada nesta área. E sublinho, não basta ser um profissional médico. Apesar de a taxa de segurança ser elevada quando os procedimentos são corretamente executados, as complicações, embora raras, podem ser devastadoras. É por isso que a formação técnica, o conhecimento anatómico profundo e a capacidade de agir de forma imediata perante uma intercorrência não são opcionais, são essenciais. Cabe-nos, enquanto profissionais de saúde, informar, educar e sensibilizar o público para os riscos associados à banalização destes atos. A estética segura começa muito antes do procedimento: começa com a escolha de um profissional capacitado, uma anamnese rigorosa, um diagnóstico preciso, uma avaliação clínica profunda do paciente. E continua com um plano de tratamento ajustado, ético e responsável. O que o público muitas vezes ainda não compreende é que, por trás de um resultado subtil e natural, existe ciência, responsabilidade médica e uma cadeia de decisões clínicas cuidadosamente ponderadas. A beleza segura não nasce da pressa nem da promessa fácil nasce da medicina. Que cuidados considera indispensáveis no processo de anamnese e diagnóstico antes de indicar qualquer tratamento? A palavra anamnese tem origem num termo grego que significa “trazer à mente”. É uma etapa fundamental de todas as consultas médicas e consiste na recolha abrangente da história médica do paciente. A anamnese deve incluir informação tão diversa quanto indicações sobre o estilo de vida, patologias ou medicação. A partilha aberta desta informação durante a consulta é fundamental para o sucesso e segurança dos tratamentos. Fazer uma boa anamnese coloca o profissional médico no lugar de um detetive. Compreender o estilo de vida de um paciente fornece pistas sobre como está a envelhecer e como poderemos gerir tratamentos preventivos. A toma de determinados fármacos pode influir sobre a resposta dos tratamentos. Alergias conhecidas também devem ser consideradas. As doenças autoimunes podem não ser uma contraindicação, mas devem ser avaliadas e os tratamentos devem ser programados de acordo. Também o registo de tratamentos prévios que o paciente possa ter realizado anteriormente devem ser considerados e registados. Uma anamnese detalhada e bem conduzida é minuciosa. Requer tempo e perícia na avaliação da informação recolhida. Será o pilar sobre o qual se apoiará o acompanhamento do paciente e deve ser periodicamente atualizada. Por tudo isto é fácil intuir que a oferta promocional de consultas de avaliação gratuitas, por parte de certos agentes económicos, deve fazer soar os alarmes do público. O futuro da medicina estética será mais tecnológico ou mais humano? O futuro da medicina estética será inevitavelmente mais tecnológico, mas não deixará de ser profundamente humano. Este é pelo menos o meu desejo. Esta pergunta não é necessariamente dicotómica. A inteligência artificial e as novas tecnologias poderão otimizar diagnósticos e planos de tratamento com uma precisão nunca antes vista. No entanto, nenhum algoritmo substitui o olhar clínico, a escuta empática e a sensibilidade estética do médico. A verdadeira evolução estará na integração entre tecnologia avançada e a arte do cuidado humano, é aí que reside o futuro da estética com sentido. Como formadora e responsável pela Academia Faciem, qual é a sua missão ao preparar novos profissionais na área estética? Que valores éticos e clínicos considera fundamentais transmitir? Dar formação é um privilégio e uma responsabilidade, mas também um profundo exercício de humildade. Obriga-me a rever conhecimentos, questionar métodos e manter um compromisso contínuo com a excelência, oferecendo o melhor a cada colega. Ao ensinar, também aprendo. E essa dinâmica de partilha tem um impacto direto na forma como evoluo enquanto médica e enquanto responsável pelo cuidado dos meus próprios pacientes. Aos meus formandos procuro transmitir mais do que técnicas: procuro inspirar o amor pelo cuidado do paciente, a gratidão pela responsabilidade que é cuidar em nos confia a sua imagem e saúde e o respeito profundo pela ciência e pelo pensamento crítico. Formar é, para mim, uma paixão. Morada: Rua de São Martinho 42, S. Martinho de Sande – Caldas das Taipas, Guimarães Contacto: 925 186 604 (chamada para a rede móvel nacional) Instagram: @Dra Sónia Esteves Estética facial com arte e ciência | @clinicafaciem.pt | @academiafaciem Facebook: Clínica Faciem Blog: soniaesteves.com Site: clinicafaciem.pt “A amamentação é saúde pública, não é capricho individual” No Head & Face Spa de Patrícia Dinis o cabelo torna-se espelho dos nossos hábitos de vida e das nossas emoções
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