Bebés/Neurodesenvolvimento/Pré - Natal/SAÚDE DA MULHER/Saúde Infantil “A sociedade quer bebés regulados e silenciosos. Mas os bebés reais não cabem em rotinas perfeitas” By Revista Spot | Junho 9, 2026 Junho 15, 2026 Share Tweet Share Pin Email O bebé nasce. E, de repente, todos têm uma opinião. A avó, a amiga, o grupo de WhatsApp, o algoritmo, o vídeo que promete noites perfeitas, o método que garante bebés felizes. No meio deste ruído, há pais exaustos a tentar perceber se estão a fazer tudo bem e muitas vezes a sentir que estão sempre a falhar. Sara Peixoto, pediatra, neonatologista e criadora da Doutora Bebé®, quer devolver ciência, contexto e humanidade ao excesso de informação. Com a experiência de quem conhece os primeiros dias de vida no seu lado mais frágil e intenso, olha para o recém-nascido sem esquecer quem o segura ao colo. Nesta entrevista, falamos de amamentação, sono, sinais de alerta, redes sociais e culpa parental. Porque talvez a pergunta mais urgente não seja “como criar bebés perfeitos?”, mas “como ajudar pais reais?”. Nos primeiros dias de vida, os pais também estão a nascer. Como é que a sua experiência em Neonatologia a ajuda a cuidar não só do bebé, mas também da confiança daquela família? A Neonatologia ensinou-me que os primeiros dias de vida têm um impacto profundo não apenas no bebé, mas também na forma como os pais vivem a sua parentalidade. Na unidade neonatal aprendemos a cuidar do recém-nascido na sua dimensão clínica, emocional e relacional, sem nunca esquecer que cada bebé faz parte de uma família. Por isso, quando acompanho uma criança, não vejo apenas um bebé que precisa de crescer e desenvolver-se. Vejo também pais que estão a nascer. Pais que aprendem a interpretar sinais, a confiar nas suas capacidades e a construir uma relação única com o seu filho. Procuro transmitir-lhes que nem tudo o que é novo é motivo de preocupação. A confiança parental não surge de um dia para o outro; constrói-se com informação credível, apoio e experiência. Acredito que os profissionais de saúde podem fazer a diferença não apenas a tratar doenças, mas também a ajudar as famílias a sentirem-se mais seguras, mais informadas e mais confiantes no cuidado dos seus filhos. É um privilégio acompanhar esse percurso. Porque ver crescer uma criança é extraordinário, mas ver nascer e crescer uma família também. O que é que a levou a criar a Doutora Bebé® e que missão gostaria que os pais encontrassem neste projeto? A @doutorabebept nasceu daquilo que fui observando diariamente ao longo do meu percurso como pediatra e neonatologista. No berçário, na consulta ou na unidade de cuidados intensivos neonatais, encontro diariamente pais profundamente dedicados aos seus filhos, a tentar ser perfeitos a todo o custo, mas que muitas vezes vivem sobrecarregados por excesso de informação, opiniões contraditórias e um enorme medo de errar. Vivemos numa época em que os pais têm acesso a mais informação do que nunca, mas também a mais pressão. São constantemente confrontados com modelos de parentalidade aparentemente perfeitos, que muitas vezes estão longe da realidade e acabam por gerar insegurança e culpa. Senti que existia uma necessidade real de aproximar a ciência das famílias, traduzindo conhecimento médico rigoroso para uma linguagem simples, acessível e humana. A missão da Doutora Bebé® é precisamente essa: ajudar os pais a compreender melhor os seus filhos, a tomar decisões informadas e a ganhar confiança nas suas próprias capacidades. Quero que encontrem um espaço seguro, baseado na evidência científica, onde possam aprender sem julgamento, esclarecer dúvidas e perceber que não precisam de ser pais perfeitos, apenas pais informados, presentes e suficientemente bons para os seus filhos. Muitos pais só procuram o pediatra depois de o bebé nascer, mas as dúvidas começam quase sempre ainda na gravidez. Faz sentido preparar melhor a chegada do bebé antes da maternidade? Sem dúvida. Preparar a chegada de um bebé não passa apenas por escolher o carrinho ou organizar o quarto. Passa também por compreender o que é normal esperar nos primeiros dias e semanas de vida. Sou uma grande defensora da consulta de Pediatria Pré-Natal, idealmente entre as 32 e as 36 semanas de gravidez, uma prática que já existe em alguns centros. É uma oportunidade para os futuros pais esclarecerem dúvidas, ajustarem expectativas e conhecerem antecipadamente os desafios que podem surgir após o nascimento. Nestas consultas podemos falar sobre amamentação, sono, segurança, sinais de alerta, cuidados ao recém-nascido e até abordar temas que muitas vezes geram ansiedade, como a prematuridade, as suas implicações e o que esperar caso um bebé nasça antes do tempo. O objetivo não é dizer aos pais o que devem fazer, mas dar-lhes informação credível para que possam tomar decisões conscientes e informadas. A informação não elimina os desafios da parentalidade, mas reduz significativamente o medo do desconhecido. Vejo diariamente que quando os pais chegam ao nascimento mais preparados e confiantes, vivem essa transição com maior serenidade. E quando os pais se sentem mais seguros, conseguem responder melhor às necessidades do seu bebé e desfrutar mais desta fase tão especial. Grande parte do seu trabalho passa por traduzir informação médica complexa para uma linguagem simples, clara e acessível. A literacia em saúde pode mudar a forma como os pais vivem a parentalidade? Acredito profundamente nisso. A literacia em saúde não serve apenas para transmitir conhecimento; serve para dar autonomia, confiança e capacidade de decisão. Quando os pais compreendem porque é que o bebé tem determinados comportamentos, porque é que uma recomendação existe ou quais são os sinais que realmente exigem preocupação, vivem a parentalidade com menos ansiedade e tornam-se participantes mais ativos nos cuidados aos seus filhos. Esta é uma área na qual acredito que ainda temos muito para crescer enquanto sociedade. Muitos dos desafios que enfrentamos no SNS poderiam ser atenuados se tivéssemos uma população mais informada, com maior espírito crítico e mais preparada para lidar com situações do dia a dia. Tive a oportunidade de estagiar numa unidade de cuidados intensivos neonatais no Canadá, onde os pais participavam ativamente nas decisões clínicas, lado a lado com médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde. Esse modelo mostrou-me como o conhecimento aproxima as famílias dos cuidados e melhora a experiência de todos. Por isso acredito tanto na formação dos pais. Seja sobre os cuidados ao recém-nascido, amamentação ou suporte básico de vida pediátrico, a informação não substitui os profissionais de saúde, mas permite que as famílias atuem mais cedo, melhor e com mais segurança. Educar em saúde é uma das formas mais eficazes de cuidar. Como podem os pais distinguir informação credível de desinformação nas redes sociais? A primeira pergunta deve ser sempre: qual é a fonte da informação? A informação credível baseia-se em evidência científica atualizada, identifica claramente quem a produz e está disponível para ser questionada, discutida e revista à luz de novos conhecimentos. Desconfio particularmente de conteúdos que prometem soluções universais, resultados garantidos ou que utilizam o medo para captar atenção. Em Pediatria, ainda temos as opiniões baseadas em experiências individuais, “resultou com o meu filho”, mas a experiência de um ou dois casos não é ciência. O que observamos numa criança pode ser muito diferente do que acontece noutra, sem que isso signifique que alguma delas esteja fora da normalidade. A ciência ajuda-nos precisamente a compreender essa variabilidade. Não trabalha com verdades absolutas, mas com evidência, probabilidades e contexto, respeitando sempre a individualidade de cada criança e de cada família. Por isso, aconselho os pais a procurarem profissionais qualificados daquela área, sociedades científicas e instituições reconhecidas, mas também a desenvolverem um espírito crítico saudável. Num mundo com tanta informação disponível, saber avaliar a qualidade da informação tornou-se quase tão importante como ter acesso a ela. A chegada a casa com um recém-nascido é muitas vezes idealizada, mas pode ser um choque: noites interrompidas, choro, dúvidas, cansaço e medo de falhar. O que é que mais surpreende os pais nos primeiros dias? Acho que aquilo que mais surpreende os pais é perceberem que o seu bebé não traz o relógio integrado. Costumo dizer que alguns pais chegam preparados para receber o bebé quase como quem recebe um Tamagotchi (para aqueles que se lembram do que era): comer, dormir, mudar a fralda e repetir. Mas os bebés reais são muito mais complexos e muito mais interessantes. Não funcionam por horários perfeitos, têm necessidades emocionais, procuram contacto, colo, conforto e presença. Muitos ficam surpreendidos com a frequência com que o bebé quer mamar, com a irregularidade do sono, com os sons que faz enquanto dorme ou simplesmente com o facto de parecer precisar deles a toda a hora. Existe muitas vezes a expectativa de que rapidamente tudo fará sentido. Faz, mas nem sempre tão depressa quanto gostaríamos. A boa notícia é que, apesar de não trazerem manual de instruções nem relógio integrado, os bebés comunicam connosco desde o primeiro dia. Através do choro, do olhar, dos movimentos e dos seus comportamentos, vão-nos mostrando aquilo de que precisam. E é aqui que gosto de tranquilizar os pais: ninguém conhece aquele bebé melhor do que eles. Com tempo, observação e confiança, acabam por aprender a lê-lo muito melhor do que alguma vez conseguiram ler qualquer livro de instruções. E nenhum manual substitui a experiência de segurar nos braços um ser tão pequeno, tão dependente e tão único. Essa aprendizagem mútua acaba por ser uma das maiores aventuras da vida. A amamentação continua a ser apresentada como algo natural, mas nem sempre é simples, intuitiva ou indolor. Como se apoia uma mãe sem transformar a amamentação numa prova de resistência ou de “boa maternidade”? Começando por ouvir. A amamentação tem benefícios muito bem documentados para a mãe e para o bebé e, sempre que possível, deve ser protegida, promovida e apoiada. Mas apoiar não é pressionar. Nenhuma mãe deve sentir que o seu valor ou competência enquanto mãe depende da forma como alimenta o seu filho. Muitas das dificuldades surgem das expectativas criadas em torno de uma amamentação idealizada e da falta de informação sobre aquilo que é normal esperar nos primeiros dias. Quando existe preparação, expectativas ajustadas e apoio qualificado, tudo se torna mais simples. A amamentação é um processo natural, mas isso não significa que seja sempre intuitiva. No entanto, não deve ser dolorosa. Quando existe dor persistente, é importante procurar ajuda, porque frequentemente há algo que pode e deve ser corrigido. Hoje existem profissionais e equipas com formação específica em amamentação, quer nas maternidades quer nos cuidados de saúde primários – os “cantinhos de amamentação” e o apoio precoce pode fazer toda a diferença. Acima de tudo, devemos respeitar a realidade, os limites e o bem-estar de cada família. A amamentação deve ser uma relação apoiada, nunca uma prova de resistência. Entre a pega, a produção de leite, o freio lingual, o suplemento, o biberão e a culpa, muitas mães sentem que estão sempre a ser avaliadas. O que é que ainda falta mudar na forma como falamos de amamentação? Falta substituir julgamento por apoio. Precisamos de falar mais sobre o processo fisiológico da amamentação e menos sobre a ideia de sucesso ou fracasso. A amamentação não pode ser encarada como um teste à capacidade de uma mãe, mas como um processo biológico que pode necessitar de aprendizagem, adaptação e acompanhamento, quer da mãe quer do bebé, ambos estão a aprender. Na grande maioria das situações, quando existe informação adequada, expectativas ajustadas e apoio qualificado, a amamentação evolui de forma positiva. Muitas das dificuldades que encontro na prática clínica não resultam de falta de vontade ou de capacidade das mães, mas sim de falta de apoio atempado e acessível. Claro que também existem desafios que nem sempre se resolvem apenas com conhecimento ou acompanhamento. Há fatores anatómicos, emocionais, sociais e económicos que influenciam profundamente a experiência de cada família. Por isso, precisamos também de combater alguma polarização. Defender a amamentação não significa culpabilizar quem enfrenta dificuldades ou quem acaba por seguir outro caminho. Uma mãe bem informada e apoiada tomará sempre melhores decisões do que uma mãe pressionada. E esse deve ser o verdadeiro objetivo de qualquer profissional de saúde. Em que momento deixámos de olhar para o sono infantil como maturação e passámos a tratá-lo como um problema a resolver? Não acho que o sono infantil seja um problema a resolver. Acho, isso sim, que muitas vezes esperamos dos bebés comportamentos que são mais compatíveis com as necessidades dos adultos ou da sociedade do que com a sua própria biologia. O sono infantil é um processo de maturação neurológica. Evolui ao longo do tempo e existe uma enorme variabilidade entre bebés perfeitamente saudáveis. Hoje sabemos que acordar durante a noite, precisar de proximidade ou ter padrões de sono irregulares nos primeiros meses faz frequentemente parte do desenvolvimento normal. Naturalmente, existem situações que justificam avaliação médica. Mas muitas das preocupações atuais resultam da expectativa de que todos os bebés devem adormecer sozinhos, dormir muitas horas seguidas e ter horários previsíveis desde muito cedo. E, para a maioria dos bebés, não é assim que a biologia funciona. É perfeito quando assim é, e que bom para esses pais, mas muitas vezes não é assim. Talvez o desafio esteja menos em mudar os bebés e mais em ajustar as nossas expectativas àquilo que a ciência nos mostra sobre o desenvolvimento infantil. A chegada de um filho transforma inevitavelmente as rotinas, o sono e a dinâmica familiar. A vida muda, e isso faz parte do processo. Quando eliminamos fatores que realmente interferem com o sono, como o excesso de estímulos, os ecrãs ou horários desadequados, muitas vezes o mais importante é dar tempo ao tempo e permitir que a maturação siga o seu curso natural. Nem tudo o que é difícil é um problema e nem tudo o que foge às expectativas dos adultos deve ser medicalizado ou encarado como uma patologia. Muitas vezes, o verdadeiro desafio não está no sono do bebé, mas na dificuldade em conciliar a biologia normal da infância com as exigências da vida moderna. Os bebés continuam a desenvolver-se ao ritmo para o qual foram biologicamente programados; somos nós que, por vezes, somos obrigados a regressar demasiado cedo às rotinas, horários e exigências do mundo adulto. Cólicas, refluxo, regurgitação, icterícia, perda de peso, febre ou choro intenso podem assustar muito nos primeiros tempos. Como é que os pais podem distinguir o que faz parte da adaptação normal do bebé daquilo que exige vigilância ou ajuda médica rápida? A melhor estratégia é conhecer simultaneamente o que é normal e quais são os sinais de alerta. Os recém-nascidos apresentam vários comportamentos e fenómenos fisiológicos que podem parecer estranhos aos pais, mas que fazem parte da adaptação à vida fora do útero. Cólicas, regurgitações, alterações do padrão de sono ou alguma perda de peso inicial são exemplos frequentes dessa adaptação. Ao mesmo tempo, existem sinais que nunca devem ser ignorados, como febre, dificuldade respiratória, recusa alimentar persistente, vómitos persistentes ou uma alteração significativa do estado geral do bebé. Mas mais importante do que decorar listas é que os pais se sintam confortáveis para pedir ajuda sempre que algo lhes pareça diferente do habitual. Os pais conhecem os seus filhos melhor do que ninguém e, muitas vezes, percebem intuitivamente quando algo não está bem. Essa perceção nunca deve ser desvalorizada. Na dúvida, existem hoje vários recursos de apoio, desde as maternidades aos cuidados de saúde primários e à Saúde 24, que podem orientar as famílias e ajudá-las a perceber qual o melhor caminho a seguir. Porque pedir ajuda não é sinal de insegurança; faz parte de cuidar bem. Fala-se muito da mãe, mas menos da rede que a devia sustentar: pai, companheiro, avós, família, comunidade. O que muda quando deixamos de olhar para o bebé como responsabilidade quase exclusiva da mãe? Muda tudo. Felizmente, hoje vemos cada vez mais pais a assumirem um papel ativo e próximo nos cuidados aos filhos. É uma evolução cultural muito positiva, que beneficia não apenas as mães, mas também os bebés, que ganham mais tempo, mais presença e mais vínculo com ambas as figuras parentais. Mas a parentalidade nunca deveria ser uma tarefa solitária. Quando existe uma rede de apoio presente e verdadeiramente envolvida, a carga física e emocional distribui-se, o risco de exaustão diminui e o bem-estar de toda a família melhora. Os bebés beneficiam de relações seguras e consistentes com várias figuras significativas, e os pais beneficiam de sentir que não carregam tudo sozinhos. Cuidar de um bebé é, e sempre foi, um trabalho de comunidade. Mas quando falo em rede de apoio, refiro-me sobretudo a ajuda prática e presença real. Porque apoiar não é apenas dar opiniões. Muitas vezes, vale mais uma hora a limpar a casa, preparar refeições para a semana, trazer comida feita, tratar da roupa ou ficar um pouco com o bebé para os pais descansarem, do que dezenas de conselhos não solicitados. Os pais precisam de espaço para encontrar o seu próprio caminho e construir as suas rotinas enquanto família. Uma boa rede de apoio ajuda sem invadir, está presente sem julgar e respeita as escolhas de cada casal. Esse tipo de ajuda tem um impacto enorme no bem-estar dos pais e, consequentemente, no bem-estar do bebé. Que mensagem deixaria às famílias que chegam à consulta com medo de não estar a fazer tudo bem? Diria que a parentalidade perfeita não existe. Os melhores pais não são os que nunca duvidam, nunca erram ou nunca se sentem cansados. São aqueles que procuram aprender, que estão presentes e que tentam responder às necessidades dos seus filhos da melhor forma que conseguem, todos os dias. Vivemos numa época de comparação constante. Somos diariamente expostos a imagens de famílias aparentemente perfeitas, bebés que dormem sempre bem, mães que parecem ter tudo controlado e pais que nunca falham. Mas a realidade raramente é assim. Os bebés não precisam de pais perfeitos. Precisam de pais suficientemente bons, disponíveis, atentos e capazes de construir uma relação de amor, segurança e confiança. Por isso, a mensagem que gostava que todas as famílias guardassem no coração, especialmente nos dias mais difíceis, é esta: não existe melhor pai nem melhor mãe para o seu bebé do que vocês. O vosso bebé não precisa dos pais perfeitos, precisa de vocês! Facebook: Doutora Bebé® – Drª Sara Peixoto Instagram: @doutorabebept “O medo não é sermos substituídos pelas máquinas. É começarmos a viver como elas” “A Clínica Tear chega ao Porto e a Gaia para aproximar o apoio psicológico de quem precisa de um caminho, não apenas de uma consulta”
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