ESTÉTICA/REABILITAÇÃO ORAL “Uma ruga na testa pode começar num problema de visão” By Revista Spot | Setembro 26, 2026 Setembro 26, 2026 Share Tweet Share Pin Email A dança ensinou-lhe que um corpo está sempre em movimento ao longo da vida. A representação mostrou-lhe que um rosto pode dizer muito antes de alguém falar. E a Medicina deu-lhe o conhecimento necessário para compreender aquilo que os olhos apenas intuem. Júlia Santos cruza estes três mundos na forma como observa cada paciente. Dentista, bailarina e atriz, recusa a ideia de que uma pessoa possa ser reduzida a uma única definição e leva essa mesma visão para os rostos que chegam à sua consulta. Na Harmonização Orofacial, procura compreender as causas antes de corrigir sinais, encontrar equilíbrio antes de transformar e preservar a identidade antes de seguir tendências. Precisamente porque acredita que cuidar de um rosto não é criar uma versão diferente de alguém, mas perceber o que já existe, respeitá-lo e dar-lhe espaço para se revelar. Esta forma de se reconhecer em várias dimensões também influencia a forma como olha para quem chega à sua consulta? Sem dúvida. Por norma, perguntam-me “o que és?” com a intenção de saber sobre a minha profissão. Mas a verdade é que adoro absorver o máximo de vários mundos e acho limitador dizer que sou apenas médica. Tudo o que fazemos e vivemos torna-nos mais completos em todas as áreas da nossa vida. Encontrou na Harmonização Orofacial uma forma de unir ciência e arte. O que é que a dança lhe ensinou sobre movimento e a representação sobre expressão que hoje leva consigo quando observa um rosto? Sou apreciadora de arte desde pequena. Nunca me foi propriamente incutido, mas sempre me foi explorado esse gosto. A dança e a representação ensinaram-me a olhar para o movimento e para a expressão, assim como me deram a sensibilidade para olhar para o outro com atenção para descobrir as diferentes leituras no mais íntimo de cada paciente. Antes de pensar em qualquer procedimento, como se lê tecnicamente um rosto? O que observa nas proporções, nos tecidos, no sorriso, no movimento e na relação entre as diferentes estruturas? A melhor leitura do rosto é feita através da história da minha paciente. Uma ruga, por exemplo, pode ter causas muito diferentes: pode existir uma contração excessiva dos músculos da testa, porque a pessoa não vê bem e franze as sobrancelhas, ou pode existir uma perda de colagénio acentuada. E mesmo essa perda pode ter inúmeros fatores associados. Lembremo-nos de que a causa é, muitas vezes, invisível aos olhos. Até que ponto a musculatura, a mastigação, o sorriso ou a posição da mandíbula condicionam aquilo que pode, ou não, fazer sentido corrigir? Tudo está relacionado. A pele é o maior órgão do nosso corpo e cobre todas as estruturas que estão por baixo dela, como osso, músculos, vasos, gordura, entre outras. Qualquer alteração nessas estruturas acaba por se manifestar através da pele, por isso não podemos olhar para a estética de forma isolada da função. O rosto não envelhece apenas na pele: mudam o osso, os compartimentos de gordura, os músculos e os tecidos de sustentação. Por que razão é importante perceber onde ocorreu a alteração antes de decidir onde intervir? É fundamental fazer uma avaliação correta e atenta do caso que temos diante de nós, para que o resultado vá realmente ao encontro das necessidades do paciente. Muitas vezes, as complicações não estão relacionadas com o produto aplicado, mas sim com uma falha técnica ou, sobretudo, com uma avaliação inadequada do caso. Costuma dizer que quer ajudar cada mulher a “mostrar ao mundo aquilo que já é”. Como se intervém num rosto sem apagar caraterísticas que fazem daquela pessoa reconhecível e única? Inegociavelmente, há que perceber a história daquela paciente, os seus hábitos e os seus desejos. Só assim conseguimos chegar a um resultado verdadeiramente personalizado. Atribuir um orçamento sem saber o histórico clínico do paciente é dar um tiro no escuro. Duas pessoas podem chegar incomodadas exatamente com a mesma zona e precisar de abordagens completamente diferentes? É imprescindível perceber o que está na causa daquele problema: os hábitos alimentares, a rotina de skincare, a manutenção do sono, as doenças com histórico familiar, entre outros. Se a causa é diferente, também a abordagem e o tratamento terão de ser diferentes para um resultado personalizado. A autoestima ocupa um lugar central na forma como fala do seu trabalho. Mas é importante reconhecer que há inseguranças que nenhum procedimento consegue resolver? Todos nós já escolhemos um livro pela capa ou já comprámos as frutas mais bonitas no mercado, por isso não é verdade dizer que a estética não nos importa. Mas deve vir de um desejo de aprimorar, e não de transformar. É também aí que percebo se uma paciente é elegível para este tipo de procedimentos. Como distingue um desejo genuíno de uma necessidade criada pela comparação e pelos padrões digitais? Nem sempre é fácil fazer essa distinção, porque há pacientes que já chegam com uma ideia definida do que pretendem realizar. Mas cabe-nos, enquanto médicos, estudar o caso com rigor e munir o paciente de toda a informação necessária para que a decisão seja tomada em consciência. E saber dizer alguns “nãos” também faz parte desse processo. Numa área em que tecnicamente existe sempre mais alguma coisa que poderia ser feita, saber parar, ou dizer “não”, é também uma competência clínica e uma forma de cuidar? Saber dizer não é imperativo na Medicina. Nenhum cardiologista entrega nas mãos do paciente o seu próprio plano cirúrgico. Porque haveria de ser diferente na Medicina Estética? Antes de Estética, falamos em Medicina. Sente que estamos a entrar numa fase em que os pacientes procuram menos transformação e mais naturalidade e identidade? Os pacientes procuram cada vez mais o conceito de “quiet beauty”: cuidar da pele e do rosto sem que se notem grandes diferenças. Isso é muito mais fácil quando se atua na prevenção. Quando chegamos a um rosto já muito danificado, é natural que as intervenções tenham de ser mais expressivas. Mas mais do que a qualidade de procedimentos, temos que pensar em atingir o equilíbrio, ou seja, a harmonia facial. A Clínica Auge nasce com uma proposta de cuidado mais humano, próximo e multidisciplinar. O que sente que falta hoje na forma como se prestam cuidados de saúde e que realidade quer construir de diferente nesse espaço? A Auge surge da urgência de proporcionar o melhor ambiente, tanto para os pacientes como para os profissionais de saúde que integram a equipa. É um espaço onde cada canto nos lembra casa, onde existe verdade e proximidade. É assim que vejo a Medicina e, na verdade, é assim que vejo tudo na minha vida. Instagram: @_drajuliasantos | @auge.clinica Marcações: https://linktr.ee/_drajuliasantos “O conhecimento é a primeira forma de tratamento” “Celulite, edema, flacidez ou gordura: será que sabemos a diferença entre elas?”
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