Medicina Estética “O rosto é o reflexo do estado interno do organismo: desequilíbrios hormonais, alimentação inflamatória e stress prolongado deixam marcas visíveis” By Revista Spot | Agosto 1, 2025 Agosto 4, 2025 Share Tweet Share Pin Email O rosto é um reflexo direto do estado interno do organismo, onde se manifestam os efeitos do desequilíbrio hormonal, da alimentação inflamatória e do stress prolongado. Juliana Guedes, médica de medicina estética, defende uma visão inovadora do envelhecimento que começa de dentro para fora. Combinando tecnologias avançadas como o Liftera (HIFU) e bioestimuladores de colagénio, a médica associa ainda estratégias personalizadas de modulação hormonal e planos nutricionais adequados a cada paciente. Uma conjugação que atua não só na desaceleração do relógio biológico, mas também na promoção de uma transformação integral: da firmeza da pele à saúde metabólica, passando pelo equilíbrio emocional. Para Juliana Guedes, a verdadeira beleza resulta da correção das causas e não da simples camuflagem dos sinais exteriores do envelhecimento. A sua formação multidisciplinar em Medicina de Família, Endocrinologia, Nutrologia e Medicina Estética oferece-lhe uma visão bastante completa do paciente. De que forma essa integração influencia a sua abordagem na medicina estética e na modulação hormonal? Na minha prática, o rosto nunca chega sozinho. Ele carrega stress, hormonas em desequilíbrio, alimentação inflamatória, noites mal dormidas, e ciclos mal vividos. Ter uma base sólida em endocrinologia e medicina de família permite-me olhar para além da queixa estética. Eu trato a pele, sim, mas trato também o que está por trás dela, com um plano que respeita o metabolismo, a idade e a história de cada paciente. O conceito de “ajudar o relógio biológico a andar mais devagar” é muito apelativo. Na prática clínica, quais são os pilares que considera fundamentais para um envelhecimento saudável e bonito? Ciência, consistência e autocuidado. A longevidade estética vem do estímulo certo, na hora certa, com bioestimuladores, ultrassom, hormonas equilibradas, intestino funcional e stress emocional sob controlo. É um trabalho em equipa entre paciente e médica. A beleza e longevidade são construídas ao longo do tempo, não improvisadas. Com os avanços tecnológicos, tratamentos como o Liftera (HIFU) têm-se tornado cada vez mais procurados. Pode explicar de que forma esta tecnologia se distingue de outros métodos e quais são os perfis ideais de paciente? O Liftera é um lifting sem corte e completamente indolor. Ele atua nas várias camadas profundas da pele, desde a mais profunda à mais superficial, promovendo firmeza, reduzindo gordura localizada e conferindo maior definição do contorno facial ou corporal, tudo sem agulhas. É ideal para quem sente flacidez leve a moderada ou começa a notar o rosto “a descer”, mas ainda não quer ou não precisa de cirurgia. Gosto de usá-lo tanto para prevenir como para tratar. Os bioestimuladores de colagénio, como Sculptra® e Radiesse®, estão a ganhar cada vez mais espaço nos protocolos. Em que situações prefere utilizá-los face ao ácido hialurónico ou aos fios de PDO, por exemplo? O ácido hialurónico repõe volume perdido com o processo de envelhecimento, e o seu efeito é percebido imediatamente após a aplicação. Os bioestimuladores entregam estrutura, firmeza e naturalidade ao longo do tempo. Eu prefiro usá-los quando o objetivo é tratar a causa e não apenas o efeito. Já os fios de PDO reservo para tração em casos pontuais. Cada técnica tem seu lugar, mas os bioestimuladores são, sem dúvida, os meus aliados preferidos. Com o aumento da procura por resultados naturais, como é que equilibra as expectativas estéticas dos pacientes com uma abordagem ética e personalizada? Já recusou procedimentos por não considerar indicados? Já recusei e continuo a recusar. A naturalidade é um valor na minha prática médica, não uma promessa de marketing. O que eu proponho é um plano que respeite a identidade do paciente e nem sempre isso passa por um preenchimento, por exemplo. Às vezes o paciente vem com a expectativa fora da realidade, e o meu papel é orientar o que é melhor para ele, e não simplesmente executar pedidos. Prefiro que o paciente saia com uma orientação firme do que com um procedimento que não precisava. A naturalidade não está só no resultado, está na conduta. Tem vindo a trabalhar também com modulação hormonal e dieta cetogénica médica. Em que medida estas estratégias contribuem não apenas para a estética, mas para a saúde metabólica e emocional dos pacientes? Quando o corpo está em desequilíbrio, a pele é a primeira a avisar. A modulação hormonal e a dieta cetogénica, quando bem indicadas, ajudam a melhorar energia, humor, sono, composição corporal e isso reflete-se diretamente na autoestima e na pele. A paciente começa a reconhecer-se de volta. E isso vale mais que qualquer filtro. O rosto é espelho da saúde interna. Quais são os sinais mais comuns de desequilíbrios metabólicos ou hormonais que se manifestam na pele e motivam a procura por tratamentos estéticos? Olheiras profundas, flacidez precoce, queda da cauda da sobrancelha, perda de viço, acne adulta e ressecamento extremo, tudo isso pode ser um alerta hormonal. Muitas vezes a paciente vem por um “botox” e sai com um pedido de análises completas. Porque eu não trato só a ruga, trato o que está por trás dela. Da sua experiência, quais são os benefícios menos óbvios (mas clinicamente relevantes) de procedimentos como a mesoterapia ou o microneedling, especialmente quando associados a ativos personalizados? Estes procedimentos despertam a pele, promovendo a microcirculação, reduzindo a inflamação, estimulando a produção de colagénio e potenciando a absorção dos ativos. Quando personalizados, oferecem efeitos antioxidantes, clareadores e firmadores, tudo sem sobrecarregar. São aliados discretos, mas poderosos, sobretudo em planos de manutenção. A medicina estética tem um papel crescente no empoderamento feminino e na saúde mental. Como vê essa responsabilidade enquanto médica? Que tipo de transformação emocional observa nos seus pacientes? A estética toca a alma. Já vi mulheres redescobrirem-se com um espelho na mão. Não se trata de vaidade, trata-se de reencontro. E essa é uma responsabilidade enorme, porque trabalhamos com o íntimo, com a imagem que sustenta a identidade. O meu papel é devolver confiança, não criar dependência. O que podemos esperar do futuro próximo da medicina estética e da longevidade? Há alguma tecnologia emergente ou abordagem integrativa que a entusiasme particularmente? O futuro da medicina estética é regenerativo e personalizado. Protocolos com tecnologias, polinucleotídeos, exossomas e bioestimuladores inteligentes estimulam a pele de dentro para fora, com resultados mais naturais e duradouros. Ao mesmo tempo, a integração com modulação hormonal, genética e inteligência artificial está a tornar os tratamentos mais precisos, preventivos e adaptados à biologia de cada paciente. Mais do que corrigir sinais do tempo, estamos a aprender a respeitar o ritmo do corpo e a construir beleza com identidade. Facebook: Dra. Juliana Guedes Instagram: @drajulianaguedes www.julianaguedes.com “Amar o bebé não significa gostar de todas as partes da maternidade. 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