NUTRIÇÃO “Quanto menos ruído inflamatório e metabólico acumulamos ao longo dos anos, melhor envelhecemos” By Revista Spot | Março 9, 2026 Março 9, 2026 Share Tweet Share Pin Email Há cozinhas que nos ensinam receitas, mas as mais raras são as que nos devolvem linguagem. Linguagem para falar de fome sem culpa, de cansaço sem vergonha e de um corpo que não é um campo de batalha, mas um ecossistema. No Alfacinha, em Braga, a macrobiótica sempre foi isto: a prática do simples e do repetível. Comida real, sazonal e integral, feita com mãos e com tempo. Recentemente, este universo ganhou uma nova profundidade através do olhar de Crisália Simões, unindo a nutrição oncológica à biologia celular. A intuição antiga confirmou-se pela ciência, a saúde constrói-se no terreno, e o terreno cultiva-se todos os dias. A nutrição oncológica não é um protocolo exclusivo para a doença, é um espelho da nossa resiliência. Ela ensina-nos que a alimentação é a nossa base de prevenção e qualidade de vida, e nunca um mero projeto estético. A nova pirâmide: a era do “menos gordura” acabou, começou a era do “melhor alimento” Durante décadas, vivemos sob a ditadura de uma pirâmide rígida que funcionava como um tribunal: “isto pode, isto é proibido”. A gordura foi condenada por defeito e as calorias eram a única métrica. Hoje, o paradigma mudou. A pergunta central já não é “quanto?”, mas sim “o que é que este alimento comunica às minhas células?”. Na lógica macrobiótica atualizada, escolher o alimento inteiro e de época é uma estratégia de sinalização celular. “Em vez de uma pirâmide estática, pensamos num padrão dinâmico, mais comida verdadeira, menos matrizes fabricadas; mais diversidade de fibras para nutrir a microbiota, menos refinados que disparam a insulina”, reforça Crisália Simões. Cozinhar melhor, privilegiando estufados lentos e sopas, não é apenas tradição, é uma forma de tornar os nutrientes mais biodisponíveis e reduzir os produtos finais de glicação avançada (AGEs), que aceleram o envelhecimento. E é aqui que um espaço como o Alfacinha tem relevância, porque ensina a combinar, a simplificar, a repetir. A fazer do “saudável” uma coisa executável e, na macrobiótica, executável é quase sempre sinónimo de mais perto da estação do ano, mais perto do mercado, mais perto do essencial. “A macrobiótica é a arte de traduzir a natureza para a escala do nosso prato” Gorduras boas não são moda, são ferramenta Se há capítulo que a ciência moderna reescreveu, foi o das gorduras. Passámos do medo obsessivo à moda das dietas hipergordurosas. A maturidade biológica encontra-se no equilíbrio: as gorduras não são apenas energia, são componentes das nossas membranas celulares. A macrobiótica trata a gordura como condimento e proteção. O azeite que finaliza uma sopa ou as sementes que trazem saciedade não servem apenas o paladar; elas evitam os “picos e quedas” glicémicos que geram stresse oxidativo. Mais do que saber “qual gordura”, importa saber como a tratamos: evitar o calor agressivo que oxida os óleos é fundamental para proteger o sistema cardiovascular e a integridade das células. O cancro e a gestão do terreno biológico Um dos erros mais comuns é olhar para o cancro como um evento isolado e súbito. A oncologia moderna e a macrobiótica convergem numa verdade fundamental: a doença muitas vezes prospera num terreno de inflamação crónica de baixa intensidade. Sedentarismo, stress prolongado e padrões alimentares ricos em ultraprocessados criam um ambiente metabólico “ruidoso”. A nutrição oncológica preventiva não pede “detox” milagrosos, pede bases. Pede um prato onde metade são vegetais, não por estética, mas por fitoquímicos e fibras que regulam a expressão dos nossos genes (epigenética). As leguminosas deixam de ser a exceção para serem o hábito, e os fermentados naturais entram como arquitetos da saúde intestinal, garantindo que o sistema imunitário não está ocupado a combater “fantasmas” alimentares, mas sim focado na vigilância celular. “Comer de forma sazonal é dar ao corpo a informação exata de que ele precisa” Longevidade celular, o ritmo contra o desgaste “Longevidade celular” pode parecer um termo de marketing, mas a sua essência é a redução do atrito biológico. O envelhecimento de qualidade depende da nossa capacidade de limpar os detritos metabólicos. Este processo constrói-se com o que comemos, mas também com o ritmo. A macrobiótica introduz aqui um conceito quase poético: a previsibilidade. Comer a horas regulares, mastigar com consciência e respeitar a sazonalidade (aquecer no inverno, refrescar no verão) reduz o esforço de adaptação do organismo. Não se trata de perseguir a juventude eterna, mas de reduzir o ruído inflamatório que desgasta o corpo silenciosamente. O Alfacinha como lugar de tradução O Alfacinha não é apenas um espaço onde se come. É um espaço onde se traduz ciência para o quotidiano. Traduz-se ansiedade em método. Traduz-se confusão em prato possível. E a macrobiótica, quando bem feita, é isto: uma gramática para o dia-a-dia. Menos moral, mais cozinha; menos restrição performativa, mais cuidado que se cumpre. A nutrição oncológica, trazida para a conversa com humanidade, faz uma coisa importante, devolve dignidade ao ato de comer. Lembra-nos que a comida não é só estética, nem moral, nem tendência, é suporte. A nova “pirâmide”, no fundo, é uma postura. Menos medo, mais critério. Menos performance, mais cuidado. Menos promessa, mais base. Morada: Rua D. Gonçalo Pereira, nº 75, Braga Contacto: 253 261 021 Facebook: Alfacinha Instagram: @espaco_alfacinha “As famílias não precisam de mais conselhos, precisam de uma equipa e esse é o coração da BabyFeelings” “Durante anos, o lipedema foi visto como um problema estético e não como uma doença crónica”
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