Medicina Estética “A pele e o envelhecimento tornaram-se conteúdos de consumo rápido, mas continuam a exigir tempo clínico” By Revista Spot | Março 26, 2026 Março 26, 2026 Share Tweet Share Pin Email A medicina estética já não vive apenas de preenchimentos ou promessas de rejuvenescimento. Vive também de um paradoxo, nunca houve tanta procura e informação, mas nunca houve também tanto ruído. As redes sociais transformaram a pele, o rosto e o envelhecimento em temas de consumo rápido, tendência e comparação permanente, um fenómeno que os profissionais de saúde têm vindo a apontar como terreno fértil para excesso, desinformação e rotinas pouco adequadas a cada pele. Ana Marques, médica de medicina estética, pertence a uma nova geração de médicos que se recusam a olhar para esta área como tendência passageira ou montra de excessos. Com um percurso construído entre a formação internacional, a prática clínica e o ensino, tem vindo a defender uma abordagem onde a ciência, a segurança e o bom senso pesam mais do que qualquer moda. Na clínica que criou, essa visão ganha corpo num conceito que junta medicina, bem-estar e formação, como se uma coisa já não pudesse existir sem a outra. Porque mais do que técnica, tratar bem exige critério. E formar bem, nesta área, tornou-se quase uma responsabilidade clínica. Em que momento sentiu que a medicina estética tinha de ser tratada com linguagem clínica e não como “tendência”? A linguagem clínica atribui seriedade ao tema e caminha em paralelo com o profissionalismo que é necessário em qualquer área médica. A medicina estética evolui a uma velocidade muito grande, mas não nos podemos deixar levar pelo que “está na moda”. Temos de ler, estudar, investigar e, baseados na ciência, chegar a uma conclusão fundada do que é válido, ou não, apresentar aos pacientes como opção de tratamento. Que lacuna sentiu no mercado para querer juntar, no mesmo espaço, cuidados médicos, estética, spa e formação? Quando decidi criar a clínica, a minha visão passou por desenvolver um conceito de abordagem global ao bem-estar. Queria que, independentemente da necessidade, cada paciente encontrasse no mesmo espaço um lugar seguro, empático e diferenciador, onde pudesse ser acompanhado por profissionais de várias áreas da saúde. Sempre acreditei que o cuidado com a saúde não pode ser dissociado da gestão do stress, do equilíbrio emocional e da importância de criar momentos de pausa e relaxamento no dia a dia. Quanto à componente de formação, ensinar é uma paixão antiga. Fez-me sentido integrar também essa vertente neste projeto, permitindo que os alunos contactem de perto com a realidade da prática clínica, num contexto vivo, exigente e real. Dessa forma, conseguem adquirir uma perspetiva mais completa, concreta e humana da profissão. O AM Institute defende uma formação intensiva, muito prática, com foco em autonomia, segurança, ética e ciência. O que é que, na sua experiência, estava a faltar na formação em medicina estética e o que é que pretende que um aluno leve consigo? Os colegas que estavam a começar davam-me feedback de que todas as formações disponíveis eram extremamente teóricas, apenas demonstrativas ou com prática muito escassa. No meu processo de aprendizagem no Brasil, procurei cursos muito práticos, dediquei-me a fazer procedimentos em muitos pacientes modelo e tentei estar parada o mínimo de tempo possível, acredito que isso me levou a um crescimento exponencial. Quis criar algo que colmatasse essa necessidade: criar formações com teoria objetiva e muita prática em pacientes reais, que realmente preparassem para uma prática clínica consciente, segura e com bons resultados. Por essa razão criei também o curso de “Complicações e Intercorrências” que tem tido uma ótima adesão. Acredito que o que nos distingue muitas vezes é, não só saber executar bem a técnica, mas saber resolver algum tipo de complicação que possa surgir. Isto transmite segurança e confiança às pessoas. Do mesmo modo que, saber dizer “não”, é, por vezes, o único caminho possível. Especialmente quando entendemos que a probabilidade de não causar dano aos nossos pacientes é superior a qualquer benefício que possa surgir da nossa intervenção. Ética, conhecimento e um bom discernimento são valores que tento passar aos meus alunos, para que a medicina estética seja vista com a seriedade que acarreta. O que é que mais mudou no consultório nos últimos anos, o perfil de quem procura o tratamento, as expectativas, ou a pressa em ver resultados? Sinto que quem nos procura atualmente, está mais informado relativamente às opções de tratamento, procura resultados mais naturais e entende que, por vezes, o processo de tratamento seguro não acontece de um dia para o outro. Creio que há mais consciência. Claro que alguns pacientes ainda podem ter uma visão diferente desta, mas, nesse caso, é a nossa obrigação como profissionais da área, explicar o protocolo de tratamento e gerir expectativas na consulta de avaliação, que é extremamente importante. Quando uma pessoa chega com uma ideia muito definida do que pretende, muitas vezes inspirada por redes sociais, como conduz a conversa para a realidade do rosto, da pele e do que é seguro? Deve haver um equilíbrio entre conseguir o resultado que o paciente procura e ser realista com o resultado que se pode conseguir. Todos somos diferentes e o plano de tratamento varia de pessoa para pessoa. Quando me apresentam imagens dos resultados específicos que procuram, tento explicar que o objetivo nunca é transformar alguém numa pessoa diferente. O objetivo deve ser equilibrar proporções, colmatar volumes perdidos ou reestruturar tecidos, de modo a realçar os traços que naturalmente já pertencem a cada um, sempre de forma segura. A uniformização de feições é algo que não faz parte da minha prática clínica. Fala-se muito em “naturalidade”. Para si, o que é um resultado natural e quais são os sinais de que um plano de tratamento já está a perder equilíbrio? Um resultado natural é aquele que respeita as feições dos rostos, que faz sobressair a beleza de cada um, sem exageros. No fundo é quando percebemos que a pessoa está com uma aparência mais rejuvenescida, mas não se consegue apontar exatamente o que foi feito. Um plano de tratamento que foge dessa ideia costuma ser demasiado complexo, com intervenções muito seguidas e com quantidades de produto muito elevadas. É necessário saber gerir bem que protocolo apresentamos a cada paciente. Entre toxina botulínica, ácido hialurónico, bioestimuladores, polinucleotídeos, microagulhamento e peelings, o que é que determina a escolha: a idade, a qualidade da pele, a anatomia, o estilo de vida, ou o objetivo emocional do paciente? Acaba por ser uma análise complexa, contando com todos esses fatores mencionados. Contudo, o que mais determina a escolha do procedimento é o objetivo de tratamento, por exemplo, se queremos tratar rugas de expressão ou flacidez, perda de volume localizada, hiperpigmentações, marcas cicatriciais pós-inflamatórias, etc. A idade e qualidade de pele podem determinar o número de sessões necessárias, por exemplo. No fundo, todas as caraterísticas específicas de cada paciente determinam o protocolo de tratamento de cada um. Por esse motivo, como cada caso é único, raramente crio protocolos exatamente iguais. Na sua experiência, qual é o erro mais comum no skincare “do dia a dia” que prejudica resultados e qual é a rotina mínima, realista, que recomenda a quem nunca consegue manter consistência? Creio que o erro mais comum será a utilização de produtos tendência, sem serem apropriados para o tipo de pele do paciente. A internet acaba por ter uma influência grande nos consumidores e, muitas vezes, as pessoas precisam de aconselhamento profissional. Acaba por ser tudo extremamente confuso por haver demasiada oferta e publicidade associada. A base de uma rotina de skincare será 1) Limpeza com gel adequado, 2) utilização de ativos com um objetivo em específico (muitas vezes em formato de sérum, ora para controlar hiperpigmentações ou produção de sebo em excesso, ora para acelerar o turnover celular, etc.), 3) hidratação sempre que necessária e muito importante, 4) proteção solar diária (claro que este último passo não é indicado na rotina da noite). Segurança é um tema central, mas pouco visível. Que critérios considera inegociáveis antes de tratar? A consulta de avaliação é ainda muito desvalorizada. Se vamos realizar um procedimento de medicina, há que haver uma consulta prévia. Ela é importante para fazer uma anamnese completa, fazer todo o registo fotográfico e avaliar possíveis contraindicações que impeçam a pessoa de fazer um procedimento. É essencial entender as queixas de cada paciente, explorar os seus objetivos a curto, médio e longo prazo, apresentar todas as informações sobre o que vai ser feito, o que vai sentir, quando começam as surgir os resultados, se são necessárias várias sessões, como se deve preparar para o procedimento, como será o processo e timing de recuperação e quais as indicações pós-procedimento. Para além disso, é necessária uma conversa séria sobre alinhar expectativas e esclarecer todas as dúvidas. Esta deve ser uma consulta completa e com duração adequada, o que exige dedicação e muito conhecimento por parte do médico de medicina estética. Depois do tratamento, o acompanhamento do paciente é igualmente indispensável, a segurança não termina no momento do procedimento. A toxina botulínica é muitas vezes vista apenas como “anti-rugas”, mas também tem indicações como sorriso gengival e hiperidrose. Como decide quando faz sentido avançar e quando não? Verdade, a toxina botulínica tem indicações para além do tratamento de rugas. Estas podem ser muito interessantes e mudar bastante a qualidade de vida dos nossos pacientes. No caso do sorriso gengival, aprovamos o tratamento quando, ao sorrir, o paciente mostra a gengiva de forma exagerada. Se isso incomoda, podemos fazer uma rápida aplicação para controlar a força do músculo que eleva o lábio superior. No caso da hiperidrose, se a pessoa se queixa da produção excessiva de suor ou na palma das mãos, ou axilas ou até na planta dos pés e isso condiciona a um nível funcional e/ou social o seu dia a dia, faz todo o sentido avançar para a aplicação de toxina nestas regiões. Se tivesse de deixar uma mensagem para 2026, qual seria a regra mais importante para proteger a confiança nesta área e evitar promessas fáceis? Acima de qualquer outra coisa, a nossa preocupação em comum deve ser focar no que é melhor para a qualidade de vida dos nossos pacientes. Ouvir atentamente as suas histórias e os seus objetivos. Fazer com que a empatia e o profissionalismo andem de mãos dadas em todos os momentos. Ser totalmente transparentes com a expectativa de melhoria e os possíveis resultados de cada tratamento. Aos pacientes, recomendo que escolham profissionais com quem se identifiquem, quer na técnica e respetivos resultados, quer na personalidade dos vossos médicos. Devem avançar quando sentirem que realmente confiam no profissional e que estão totalmente alinhados relativamente aos objetivos a atingir. Morada: Rua Central de Gandra 1390, 4585-116 Gandra-Paredes Contacto: 915 305 148 (Chamada para a rede móvel nacional) Instagram: @dr.anamarques | @clinicadranamarques | @aminstitute_ Site: dranamarques.com “O espaço de trabalho diz muito sobre a cultura interna de uma empresa” “Muitas empresas ainda não veem a medicina do trabalho como uma ferramenta de prevenção e de promoção da saúde”
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