Design de Interiores Paula Franzini: O ‘mix and match’ entre o presente e a bonita herança do passado By Revista Spot | Fevereiro 6, 2024 Fevereiro 24, 2024 Share Tweet Share Pin Email Um contador enigmático com as suas gavetas repletas de memórias, um quadro de Júlio Resende, ou um bonito coral vermelho resgatado das Ilhas Salomão… Os projetos Paula Franzini são essa harmonia única de influências e histórias, numa fusão de tempos distintos e narrativas pessoais, mas, sobretudo, da singularidade e essência que fazem de cada pessoa e projeto verdadeiramente únicos e irreproduzíveis. A loja Avenida Concept Store marca um novo capítulo na história de mais de 20 anos do atelier? Esta abordagem eclética à decoração tem raízes profundas na minha formação e paixão pelas artes e antiguidades. A combinação única de estilos e influências é um reflexo do meu longo percurso na área da decoração e do design de interiores. A complexidade de transmitir o ‘storytelling’ dos meus projetos, tornou evidente a importância de uma loja física. A Avenida Concept Store traz à tona o melhor do ‘Made in Portugal’. Optámos por privilegiar marcas nacionais, produtos de elevada qualidade e edições limitadas, apoiando a produção nacional e a sustentabilidade. Nesta loja é possível cruzarmo-nos com obras de arte de conhecidos pintores portugueses, como Júlio Resende e Manuel Cargaleiro, mas também com antiguidades, peças únicas, carregadas de história e objetos ratos de história natural. O que torna tudo isto ainda mais fascinante é o facto de estarmos em plena Avenida da Boavista, ou seja, facilmente este espaço se torna um mosaico de diferentes línguas e culturas, com pessoas que nos chegam de todos os pontos do mundo. É bonito perceber como tudo isso se conjuga com o longo trabalho do atelier, que acompanha gerações que nos confiam há largos anos a sua história de família. Novidades no universo Paula Franzini Home Fashion Atelier nos últimos meses? O último ano foi marcado por mudanças internas substanciais. Com o aumento do volume de trabalho e o crescimento da equipa, tornou-se claro que precisava de delegar responsabilidades e focar-me nas áreas em que sou mais especializada: a criatividade, o design e o contacto direto com os clientes. Senti, então, necessidade de melhorar as minhas competências de liderança, investindo num Curso de Liderança. É importante salientar que optamos por manter um ritmo de trabalho que nos permita manter a qualidade e a personalização que são marcas distintivas do nosso atelier. Acreditamos que só assim somos capazes de dotar um espaço de autenticidade, alma e história, vivendo cada projeto como se fosse o primeiro e o único. O que é que mais a fascina num projeto? O que mais me fascina é a capacidade de conferir a um projeto uma assinatura. Cada peça antiga de família tem o seu próprio valor sentimental e é fascinante ver como esses elementos pessoais transformam o ambiente de uma casa. No entanto, o que mais me entusiasma é a fase das montagens. Adoro ver as peças a chegar e testemunhar a transformação completa do espaço. Entre a apresentação do projeto e a montagem final, há sempre um intervalo de tempo em que revivo todo o processo criativo, o que torna as montagens verdadeiramente emocionantes. Mas ser designer de interiores é também lidar com prazos apertados, coordenar fornecedores e outros detalhes técnicos. Neste ponto é importante destacar os desafios enfrentados pelos artesãos portugueses, que enfrentam uma elevada procura e, por vezes, têm dificuldade em dar resposta a todas as solicitações. Como resultado, é necessário encontrar um equilíbrio entre a qualidade e a disponibilidade dos fornecedores, garantindo que os projetos mantenham os mais elevados padrões de excelência. Este é um processo delicado, que requer uma supervisão constante. Valorizamos o conceito de ‘slow furniture’, por oposição a uma massificação desenfreada de projetos. Que linguagem define os seus projetos? O estilo que carateriza os meus projetos é o ecletismo e o mix and match. Cada projeto é como um puzzle que se monta, e os clientes ficam, frequentemente, surpreendidos com o resultado final. Por vezes, inicio projetos com um briefing que aponta para uma estética minimalista, mas à medida que apresento ao cliente diferentes opções e peças, ele acaba por perceber o valor das antiguidades e a beleza do ecletismo. O resultado final, muitas vezes, contraria as expectativas iniciais, transformando o projeto numa casa eclética e cheia de personalidade, longe do minimalismo inicialmente planeado. É gratificante perceber que os clientes absorvem as nossas sugestões e que o processo de decoração se torna também uma experiência de aprendizagem para eles. O bom design reside de alguma maneira na capacidade de instigar um sentido de familiaridade instantânea? O bom design, muitas vezes, está associado à capacidade de evocar uma sensação de familiaridade instantânea. É algo que me acontece recorrentemente. Por vezes, quando mostro uma peça nova a alguém, a pessoa não consegue visualizá-la no contexto do espaço. No entanto, confiando no meu instinto e conhecimento, decido aplicá-la num determinado contexto. Curiosamente, quando a peça é integrada no ambiente, o cliente acaba por apreciá-la e reconhecer o seu valor estético. É como um casamento entre objetos e estilos, onde algumas combinações são naturalmente complementares, enquanto outras exigem mais delicadeza na integração. Entrar no mundo de alguém, auscultando-lhe os gostos, vivências e projeções pessoais é sobretudo um exercício de Psicologia? Através da observação atenta de detalhes como o ‘lifestyle’ de um cliente, a forma como se veste e os interesses manifestados, é possível desvendar muitos aspetos da sua personalidade e gostos pessoais. Durante a pandemia, tive a oportunidade de conhecer uma cliente que desejava realizar obras em casa, mas estava receosa devido ao confinamento. Nesta situação, foi essencial estabelecer uma relação de confiança, explicando detalhadamente as medidas de segurança adotadas pela equipa de trabalho. Ao garantir que as obras seriam realizadas de forma discreta e respeitosa, consegui transmitir-lhe confiança e tranquilidade. O contacto próximo com ela permitiu-me não só compreender melhor as suas necessidades, mas também promover momentos de descontração e partilha, numa altura desafiante para todos. Este exemplo ilustra como o trabalho de decoração e design de interiores pode ir além do simples embelezamento do espaço, tornando-se uma verdadeira experiência de acompanhamento e apoio aos clientes. Onde busca inspiração? A minha fonte de inspiração está em todos os lugares, mas principalmente nas viagens que me permitem absorver novos estímulos sensoriais e conhecer diferentes abordagens do design de interiores. Recentemente, numa viagem a Marraquexe, descobri uma coleção fascinante de fragrâncias e estabeleci uma parceria exclusiva com uma marca local. Este é apenas um exemplo de como as minhas viagens frequentes me proporcionam oportunidades únicas de encontrar novos elementos para os meus projetos. Além das viagens, também encontro inspiração nas pessoas. Há pessoas cuja criatividade e visão de mundo são verdadeiramente inspiradoras, e tenho o privilégio de conhecer algumas delas. Na verdade, a inspiração pode surgir de qualquer lugar – desde lugares exóticos até aos detalhes do quotidiano, como cheiros e sons. Acredito que é importante estar aberto a novas experiências e sensações, pois é através delas que conseguimos criar espaços verdadeiramente cativantes e envolventes. Houve uma mudança naquilo que as pessoas procuram? Os espaços tornaram-se multifuncionais? Com a crescente adoção do teletrabalho e a valorização do tempo passado em família, os espaços tornaram-se mais multifuncionais e adaptáveis às novas necessidades. Anteriormente, era comum encontrar habitações com divisões rígidas, onde cada área da casa tinha uma função específica e isolada. No entanto, atualmente, a tendência é para apartamentos em open space, onde os limites entre as diferentes áreas são mais fluidos, facilitando a comunicação e promovendo um ambiente mais acolhedor e de união entre as pessoas. Um espaço pode despertar emoções e sensações nas pessoas que o vivem? Completamente. Um espaço intimista, por exemplo, tende a promover a proximidade entre as pessoas, enquanto um espaço minimalista pode criar uma atmosfera mais distante e impessoal. Da mesma forma, quando alguém entra num museu, é comum baixar a voz devido à grandiosidade e à reverência inspirada pelo ambiente. Alguns elementos do design de interiores , como as cores e a iluminação, por exemplo, desempenham um papel fundamental na criação dessas experiências sensoriais. Por isso, é importante compreender o impacto psicológico dos vários elementos e saber… Nos meus workshops de decoração, atribuo um ênfase particular ao significado das cores e à importância da iluminação e à forma como estas podem influenciar o ambiente de um espaço. A cocriação de valor é um importante caminho? Um projeto é feito de uma ‘orquestra de pessoas’? Sim. A cocriação de valor é um caminho fundamental na realização de projetos de sucesso. Cada projeto é como uma orquestra, onde cada membro da equipa desempenha um papel específico, mas é necessário um alinhamento de esforços e uma colaboração eficaz para garantir que o projeto seja bem-sucedido. Promover um ambiente de trabalho positivo e de cooperação é fundamental para o bom desempenho da equipa. Pessoas felizes tendem a trabalhar melhor e mais motivadas. Por isso, costumo estabelecer metas e incentivos para a equipa, como viagens no final do ano, se os objetivos forem atingidos. Valorizo muito a minha equipa e reconheço o esforço e dedicação de cada um. Assim como dos meus fornecedores, que são fundamentais para o sucesso dos projetos. Já vivi situações em que os fornecedores trabalharam incansavelmente para cumprir prazos apertados e garantir a conclusão bem-sucedida de um projeto. Este tipo de comprometimento e colaboração é inestimável. Quais são as tendências atuais mais notáveis no design de interiores? Prefiro seguir a minha intuição e criatividade, em vez de me prender rigidamente às tendências da moda. Acredito que o verdadeiro design de interiores vai além das tendências passageiras, procurando criar espaços que sejam intemporais e reflitam a personalidade e o estilo de vida dos seus ocupantes. No entanto, reconheço a importância de me manter atualizada e inspirada, por isso gosto de frequentar feiras e eventos da área. Esses momentos são excelentes oportunidades para conhecer novos materiais, técnicas e ideias criativas. A partir daí, posso adaptar e aplicar o que aprendi no meu próprio trabalho, criando algo único e personalizado para os meus clientes. Fascina-a a capacidade de projetar para diferentes culturas? É uma experiência muito enriquecedora lidar com diferentes tradições, estilos de vida e perspetivas. Quando inicio um projeto com um cliente estrangeiro, procuro estabelecer uma comunicação aberta e fluída. Crio, por exemplo, um grupo de WhatsApp com o cliente e a minha gestora de projetos, o que facilita a troca de ideias e informações. É interessante notar como, ao longo do tempo, esses clientes começam a confiar não só nos meus conhecimentos de design, mas também pedem conselhos sobre outros assuntos, como lugares para visitar na cidade ou recomendações de serviços locais. Essa interação vai além do âmbito profissional e cria laços genuínos de amizade. É uma troca cultural que enriquece tanto o meu trabalho, como a minha própria experiência pessoal. Após todos estes anos, voltaria a escolher esta área? Voltaria a escolher esta área e consideraria ter iniciado mais cedo, se pudesse. Antes de me dedicar ao design de interiores, tive uma passagem pela área da moda, que acabou por influenciar também a minha abordagem no design de interiores. A habilidade de combinar cores e texturas que adquiri nesse período é algo que considero valioso no meu trabalho atual. O que é que não pode faltar num espaço Paula Franzini? Num espaço Paula Franzini não pode faltar um contador, se o cliente e o espaço assim o permitirem. O contador é o meu móvel de eleição. Sempre fui fascinada por objetos detalhados e os contadores têm exatamente essa caraterística. O fascínio aumentou quando descobri a história deles: Um móvel contador geralmente é composto por duas partes principais, a trempe ou mesa e a caixa com gavetinhas, para guardar documentos, objetos pessoais ou segredos, como era comum antigamente, quando era usado por viajantes para guardar os seus pertences durante longas viagens marítimas. Mas mais do que qualquer peça ou influência, pretendo que as pessoas se sintam acolhidas e confortáveis ao entrar no seu espaço. Ouvir que um cliente está feliz na sua nova casa é o que mais me alegra, pois sinto-me envolvida em cada projeto como se fosse a minha própria casa. No fim, o mais importante é sempre ’contar uma história’? Sem dúvida. Faço isso sempre que me deparo com objetos que os clientes desejam preservar, procurando compreender o significado por detrás deles. Na Avenida Concept Store, temos uma vertente muito exclusiva: peças de história natural. Temos, por exemplo, um coral vermelho extremamente raro e puro, considerado uma verdadeira peça de museu. Conheci um colecionador que dedicou toda a vida à recolha de peças de história natural, incluindo insetos, corais, fósseis e minerais. Ele teve a oportunidade de adquirir peças únicas, como este coral, proveniente das Ilhas Salomão, onde o governo realizou um esforço para abrir um canal navegável sem prejudicar os corais. Os corais foram cortados cirurgicamente por mergulhadores, garantindo a sua sustentabilidade. Todas as peças têm, aliás, certificados que atestam a sua origem sustentável. Recentemente, este mesmo colecionador realizou no nosso espaço, um workshop sobre borboletas, explicando como a criação destes insetos em ‘butterfly farms‘, tem contribuído para a preservação de espécies em extinção. Esta abordagem tem conquistado os clientes, pois mostra que as borboletas não são criadas apenas para fins decorativos, mas sim como parte de um esforço para a conservação da natureza. Por isso, sim, no final é sempre importante contar histórias que nos enriquecem e que mudam a nossa perspetiva sobre o mundo. Agradecimentos: Marques Soares Avenida Concept Store Avenida da Boavista 1569, Porto 911 099 576 (chamada para a rede móvel nacional) Facebook: Avenida Concept Store | Paula Franzini – Homefashion Instagram: @avenida_concept_store | @paulafranzini_homefashion MAD Beauty Creations: Dois anos de uma beleza que transcende padrões Terminal 4700: Petiscar descomprometido num fim de tarde com a cidade
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