Arquitetura/LADO B Os rostos da RSO Architecture By Revista Spot | Agosto 4, 2026 Agosto 7, 2026 Share Tweet Share Pin Email Talvez um atelier possa ser compreendido pelos edifícios que desenha, pelos prémios que conquista ou pelas geografias onde trabalha. Mas há uma parte da sua identidade que nunca aparece inteira nos projetos. Está na pessoa que convoca a equipa para almoçar, naquela que cria uma playlist quando a pressão aumenta, em quem leva uma história de Riade ou Genebra para uma reunião ou observa uma sala à altura de uma criança. Por trás dos hospitais, dos masterplans, da tecnologia e dos projetos que atravessam continentes, há pessoas feitas de viagens, livros, música, família, curiosidade e experiências que também acabam por entrar na arquitetura. Desta vez, entramos na RSO Architecture pela porta mais humana. Sean Huang, Nuno Rebelo, Vanessa Coelho, Humberto Ferreira, Aws Omran e Lin Jawich revelam aquilo que transportam para o trabalho. Porque um atelier não é apenas a soma das suas competências. É também aquilo que cada pessoa viveu antes de chegar, aquilo que observa fora dele e tudo o que acrescenta antes do primeiro traço. Sean Huang: O mundo como lugar de encontro Sean Huang não parece interessado em construir uma fronteira rígida entre a vida profissional e tudo aquilo que acontece fora dela. Prefere falar de uma vida integrada, onde a família, a alegria, a curiosidade intelectual e o trabalho não competem permanentemente por espaço, mas se alimentam uns aos outros. É por isso que grande parte do seu tempo fora do atelier é passada a viajar, em contacto com a natureza e a procurar ligações a diferentes lugares e pessoas. Sempre que possível, fá-lo com a família e os amigos, aqueles que o mantêm simultaneamente inspirado e próximo daquilo que é essencial. “Procuro construir uma vida integrada, onde a família, a alegria e os interesses intelectuais se alimentem mutuamente”, explica. Viajar não representa apenas uma deslocação geográfica. É uma forma de se manter disponível para o inesperado, de contrariar certezas e de recordar que o mundo nunca cabe inteiramente dentro da nossa perspetiva. Sean viveu na América do Norte, na Ásia e na Europa. Desde criança, passou mais de duas décadas da sua vida a viver ou a viajar por diferentes países. Essa experiência não surge no seu discurso como uma coleção de destinos ou uma sucessão de carimbos no passaporte, mas como uma aprendizagem sobre pessoas. Ao atravessar culturas, percebeu que o mais interessante de um encontro não está apenas naquilo que temos em comum, mas também nas diferenças que tornam cada pessoa, lugar e experiência irrepetíveis. Essa disponibilidade para descobrir outras formas de viver ajuda a explicar a sensibilidade cultural que a RSO procura transportar para projetos desenvolvidos em geografias tão distintas. Para Sean, a curiosidade não é apenas uma caraterística pessoal. É também uma ferramenta de liderança. Significa entrar numa conversa sem assumir que já conhece todas as respostas e acreditar que um projeto melhora quando consegue integrar diferentes experiências. Dentro da RSO, os colegas conhecem sobretudo alguém que coloca o “nós” acima do “eu”. O seu objetivo é criar um espaço onde colaborar e cocriar não sejam apenas expressões empresariais, mas uma experiência capaz de produzir alegria e sentido de pertença. “O que nos torna únicos é a capacidade de trabalhar e criar em conjunto”, afirma. Talvez seja essa a parte mais evidente de Sean na identidade coletiva do atelier: a crença nas pessoas e na possibilidade de uma equipa fazer sempre melhor. Não por pressão individual ou pela procura de protagonismo, mas pela confiança de que diferentes talentos conseguem chegar a lugares onde nenhuma voz chegaria sozinha. Nuno Rebelo: A arte como forma de organizar o mundo A curiosidade de Nuno pelas artes nasceu na infância. A arquitetura apareceu como uma plataforma capaz de reunir muitas delas, mas nunca substituiu inteiramente o desenho e a pintura. Continua a criar imagens inspiradas em histórias, pessoas, paisagens, viagens e relações pessoais, como se necessitasse de manter aberto um espaço onde a criação não tenha sempre de responder a um programa funcional. Desde cedo, desenhava aquilo que via. A prática ensinou-o a observar o mundo menos a partir de si próprio e mais através da perspetiva dos outros. Foi construindo uma espécie de coleção de experiências alheias: histórias que não lhe pertencem, mas que, ao serem ouvidas, passam a fazer parte da sua forma de compreender os lugares e as pessoas. A música, a literatura e a pintura intensificaram essa disponibilidade emocional. Nuno fala da síndrome de Stendhal para descrever aquilo que pode acontecer diante de uma canção, de um poema ou de uma obra de Albrecht Dürer vista ao vivo: um excesso de emoção que o corpo parece não conseguir conter. Essas emoções também entram na arquitetura. Os espaços não são vividos por figuras abstratas, mas por indivíduos que levam consigo memórias, expectativas e formas distintas de habitar. Projetar implica, de alguma maneira, organizar essa pluralidade sem a apagar. A equipa conhece também um lado menos previsível. Embora procure manter alguma formalidade, Nuno encontra particular prazer em quebrar as regras no momento menos esperado: pode assumir uma postura quase cerimonial num workshop descontraído ou introduzir humor numa apresentação dirigida a investidores e representantes institucionais. Essa capacidade de ler o contexto foi sendo construída entre Braga e o mundo. Uma situação vivida em Genebra e uma situação semelhante ocorrida em Riade podem exigir respostas completamente diferentes. Ao longo dos anos, Nuno foi criando aquilo a que chama um “cardápio de múltiplas respostas”, uma aprendizagem cultural que hoje influencia a forma como comunica, lidera e estabelece relações. Na identidade da RSO, reconhece precisamente essa humanização. Cada pessoa entra no atelier com a sua personalidade, ambição e maneira de pensar. Nem sempre é simples. Nuno descreve-a como uma “dança de egos e mentes criativas”. Mas, quando essas forças encontram alinhamento, o processo torna-se fluido e extraordinário. A RSO não procura eliminar a individualidade. Procura dar-lhe um lugar dentro de algo coletivo. Talvez seja essa a forma mais próxima de descrever o trabalho de Nuno: organizar diferenças sem lhes retirar a emoção. Vanessa Coelho: Dizer “porque não?” antes que a vida mude de pergunta Vanessa Coelho é curiosa por natureza e aventureira, explica, por falta de vocação para ficar quieta. Interessa-lhe descobrir lugares, ideias e até paixões que ainda não sabe que irá ter. Essa disponibilidade para o inesperado já a levou a mergulhar nas águas geladas da Noruega em pleno janeiro. Noutro momento, levou-a a apanhar um avião sozinha, conduzir cerca de 800 quilómetros e assistir à vitória de Portugal no Campeonato Europeu de Futebol. As duas histórias parecem muito diferentes, mas obedecem ao mesmo impulso: dizer “porque não?” antes que a vida mude de pergunta. Nos dias mais previsíveis, Vanessa encontra no ginásio uma forma civilizada de gastar energia. Entretanto, rendeu-se também ao fenómeno social do padel, depois de aparentemente ter esgotado todas as formas de resistência. A curiosidade estende-se à tecnologia, à economia e ao universo dos investimentos, dos criptoativos às ações e ao imobiliário, quase sempre acompanhada por uma quantidade pouco razoável de podcasts. Também gosta de sair, ouvir música e dançar. Qualquer eventual avistamento nesses contextos, avisa, deverá ser interpretado como investigação sobre som, atmosfera e espontaneidade. Tudo em nome da arquitetura, evidentemente. Por detrás do movimento constante, porém, existe um centro muito claro. A família é o lugar onde o tempo recupera o seu verdadeiro valor. Vanessa vive entre a vontade de descobrir aquilo que existe no mundo e a felicidade de saber que tem sempre para onde regressar. Antes da arquitetura, já existiam nela duas forças que poderiam parecer contraditórias: imaginação e disciplina. A ficção científica e o cinema mostraram-lhe que é possível criar mundos alternativos e convencer-nos, durante algum tempo, de que são reais. A arquitetura surgiu como uma continuação dessa possibilidade: transformar algo abstrato num lugar que pode ser visto, sentido e vivido. Ao mesmo tempo, Vanessa foi atleta de alta competição de judo. “O cinema ensinou-me a sonhar sem pedir licença; o judo ensinou-me a cair com método.” O desporto ensinou-lhe ainda que o talento pode ajudar, mas são a repetição, a dedicação e o amor pelo processo que fazem os resultados aparecer. Talvez continue a viver entre esses dois universos: imaginar aquilo que parece improvável e insistir até conseguir dar-lhe forma. Viajar reforçou essa aprendizagem. Cada cidade deixa uma memória diferente: uma luz, uma escala, um cheiro, uma sucessão de espaços ou uma maneira inesperada de organizar a vida quotidiana. As viagens obrigam-na a abandonar certezas e mostram-lhe que algumas ideias aparentemente abstratas já foram concretizadas em algum lugar. A música acrescenta outra camada. Ensina-lhe que um espaço também pode ter ritmo, intensidade, pausa e silêncio. A mesma sala transforma-se conforme aquilo que se ouve dentro dela. Por isso, quando Vanessa começa um projeto, procura uma narrativa antes de procurar uma forma. Quer perceber que atmosfera poderá existir naquele lugar e que emoção ficará associada à experiência. “Uma boa ideia, tal como uma viagem ou uma música, deve conseguir transportar-nos mesmo antes de existir.” Os clientes conhecem provavelmente a versão editada. Os colegas, brinca, conhecem a versão do realizador, incluindo todas as cenas que dificilmente passariam pela aprovação final. Nos momentos em que as deadlines apertam e vinte pessoas estão concentradas, cada uma com os seus headphones, Vanessa tem dificuldade em resistir a uma piada ou à criação de uma sessão musical partilhada. As playlists acabam por revelar informações surpreendentes: algumas das pessoas mais sérias do atelier parecem ter uma preferência inesperada por canções onde ninguém ama com moderação e todas as relações atravessam uma emergência sentimental. Para Vanessa, a leveza não é o contrário do rigor. Pode ser uma forma de proteger a equipa durante os períodos mais exigentes. Por vezes, uma música resolve o ambiente mais depressa do que outra reunião. É essa energia que procura acrescentar à RSO: transformar pressão em movimento e talentos individuais numa equipa. Faz questão de celebrar as vitórias dos outros porque acredita que o crescimento de uma pessoa eleva o coletivo. A imagem do génio solitário já não lhe parece particularmente útil. O verdadeiro milagre da arquitetura contemporânea é conseguir que vinte pessoas avancem na mesma direção e, no final, ainda tenham vontade de celebrar juntas. Vanessa regressa à Noruega para encontrar a metáfora certa. Alguns projetos assemelham-se a mergulhar num fiorde em janeiro: sabemos que o choque será inevitável, respiramos fundo, entramos juntos e saímos com a sensação de termos feito algo improvável e inesquecível. Humberto Ferreira: Entre a guitarra e o algoritmo A transição de Humberto Ferreira entre o trabalho e a vida pessoal acontece a pé. No caminho entre o atelier e casa, anda durante alguns minutos sem procurar resolver nada. Quando chega, já é outra pessoa. Tem 42 anos, nasceu em Braga e continua a viver na cidade com a mulher e as três filhas. Um sábado típico não tem necessariamente arquitetura: é brincar, passear e estar com elas. Depois há a guitarra, que toca desde criança e nunca abandonou. Há a música, os livros e a arte digital. Humberto passa muito tempo a criar experiências abstratas em 3D, explorando iluminação, textura e formas sem qualquer finalidade imediata. Não há cliente, briefing ou prazo. Apenas a liberdade de experimentar. Ainda assim, não acredita inteiramente que seja possível deixar de ser arquiteto. O olhar continua a funcionar da mesma maneira. “Há uma diferença entre olhar para uma coisa e ter de a resolver.” Muito antes de escolher a profissão, Humberto já desenhava, construía maquetes de aviões e casas, passava horas com peças de Lego e aprendia a tocar guitarra. A arquitetura não surgiu como uma revelação súbita. A família estava ligada ao setor da construção e ele cresceu próximo dessa realidade. Curiosamente, não foram os estaleiros que mais o marcaram. Foram os escritórios, as mesas cobertas de papéis e a possibilidade de observar os bastidores, o lugar onde aquilo que mais tarde apareceria construído começava por ser pensado. “Havia um terreno já preparado, e eu andei em cima dele até perceber onde estava.” A música ensinou-lhe algo que hoje se tornou fundamental no trabalho com desenho paramétrico, inteligência artificial e visualização tridimensional: paciência para repetir. Quem aprende guitarra passa horas a tocar a mesma passagem até que a mão deixe de precisar de instruções conscientes. Em vez de considerar essa repetição entediante, começa a prestar atenção às pequenas diferenças entre cada tentativa. É precisamente esse o temperamento necessário para criar formas através de processos computacionais. Humberto pode executar a mesma definição dezenas de vezes, alterando uma variável e observando cada resultado com curiosidade renovada. A versão cinquenta continua a interessá-lo porque pode conter uma possibilidade que as anteriores ainda não revelaram. A área onde trabalha vive da relação entre regra e variação. Exige também uma espécie de ouvido visual para saber quando parar. Dentro do atelier, porém, existe uma caraterística ainda mais conhecida: Humberto está quase sempre com fome. É frequentemente o primeiro a levantar-se para almoçar e o responsável por convocar o resto da equipa. Trata-se de uma informação absolutamente central para quem trabalha com ele e rigorosamente invisível para quem o encontra apenas numa reunião. Há também uma ironia mais profunda. Atualmente, grande parte do seu tempo é dedicada à gestão e à produção de desenho técnico. É essa a versão que os clientes conhecem: a pessoa que organiza, responde e garante que o projeto avança. Os colegas sabem, porém, que não é apenas aí que ele vive. “A parte de mim que os clientes contratam é a que menos me define, e aquela que mais me define quase nunca aparece numa reunião por Zoom.” A sua capacidade de adaptação foi construída através de diferentes lugares. Viveu e trabalhou em Paris. Mais tarde, passou por períodos em que dividia a vida em ciclos de três semanas: três em Braga com a família, três em São Francisco devido ao trabalho internacional da RSO e depois tudo recomeçava. Cada cidade apresentava uma escala, uma cultura e uma forma de trabalhar distintas. Essa experiência deu-lhe alcance para participar em projetos desenvolvidos em vários países e ensinou-o a ajustar a linguagem sem perder a identidade. As referências vêm também da ficção científica: Blade Runner, Dune, Matrix, Asimov, Frank Herbert, Liu Cixin, H. R. Giger e Simon Stålenhag. Na arquitetura e na arte digital, interessam-lhe aqueles que interrogam os processos antes de desenharem respostas definitivas. Quando se pergunta à equipa o que Humberto acrescenta à RSO, suspeita que a resposta será simples: “um maluco sempre a sorrir”. Não a corrige. Procura ajudar a criar, equilibrar pessoas, experimentar e assumir riscos, sempre ao lado de outros. Faz questão de sublinhar que a RSO não é o atelier de um único autor. A criatividade está distribuída por várias pessoas e lideranças. O seu papel é frequentemente lançar uma pergunta aparentemente incómoda: será que não podemos tentar de outra maneira? Mais do que dirigir, prefere inspirar. Ter alguém ao lado a mostrar que uma possibilidade existe, acredita, pode ser mais transformador do que ter alguém à frente a explicar o caminho. Aws Omran: Ler o espaço antes de o desenhar Fora do atelier, abranda. A leitura é aquilo que verdadeiramente o retira do modo projeto, interrompendo o ritmo das decisões, dos prazos e dos problemas que precisam de resposta. Desde que foi pai, no ano passado, grande parte da sua energia e curiosidade passou a estar concentrada na família e na possibilidade, aparentemente simples, mas cada vez mais rara, de estar verdadeiramente presente em casa. A leitura chegou muito antes da arquitetura. Trouxe consigo o hábito de permanecer junto de uma ideia, acompanhá-la com paciência e procurar compreendê-la através de diferentes perspetivas. Olhando para trás, reconhece nesse gesto o mesmo instinto que mais tarde o aproximou do design. Um arquiteto também precisa de aprender a ler: ler um lugar, um contexto, um programa e as necessidades de quem irá utilizar o espaço. Só depois dessa leitura deveria sentir-se autorizado a acrescentar alguma coisa. Atualmente, a família é a paixão que mais transforma a sua maneira de olhar. A filha nasceu em setembro e a presença de uma criança pequena mudou a forma como observa os espaços. De repente, a escala é outra. A luz, as texturas, os cantos, as superfícies, aquilo que é macio, aquilo que é afiado e tudo o que pode ou não ser tocado ganham uma importância diferente. Começou a ver os lugares quase à altura dos joelhos, como se a paternidade lhe tivesse oferecido um novo ponto de vista arquitetónico. A leitura continua igualmente presente. É nela que encontra grande parte do seu sentido de ritmo e narrativa, algo que se reflete na maneira como gosta que um projeto se revele: gradualmente, divisão após divisão, sem entregar tudo no primeiro momento. Os colegas conhecem uma vida exterior ao atelier muito menos cinematográfica do que aquela que habitualmente se associa às profissões criativas. As noites e os fins de semana são passados sobretudo com a mulher e a filha, numa rotina doméstica tranquila que não sente qualquer necessidade de tornar mais exuberante. Não existe uma segunda vida glamorosa escondida depois do trabalho. Existe uma casa, uma família, pequenos rituais quotidianos e, quando o dia abranda, um bom livro. É precisamente dessa vida aparentemente silenciosa que retira algumas das qualidades que transporta para os projetos: paciência, atenção e respeito pelo tempo necessário para compreender uma situação antes de intervir. Não leva consigo apenas uma memória ou uma referência concreta. Leva os lugares por onde passou, as pessoas que conheceu e as experiências comuns que ensinaram a reparar em detalhes que, de outra forma, poderiam desaparecer na pressa. “É preciso ler cuidadosamente a situação antes de agir sobre ela.” Na identidade coletiva da RSO, acrescenta uma presença estável e assente na realidade. Preocupa-se tanto com a forma como um projeto é entregue como com a sua aparência final. Talvez represente uma energia mais silenciosa do que outras dentro do atelier. Mas uma equipa não precisa apenas de pessoas capazes de acelerar, arriscar ou abrir novos caminhos. Precisa também de quem saiba abrandar, observar e ler atentamente os detalhes. Porque, algumas vezes, a decisão mais importante de um arquiteto não é aquilo que desenha. É tudo aquilo que consegue ver antes de começar. Lin Jawich: Fazer crescer pessoas também é construir Quando deixa o trabalho para trás, Lin Jawich regressa ao papel que mais a mantém ligada ao essencial: o de mãe. A chegada do bebé transformou a sua relação com o tempo e ensinou-a a reparar nos pequenos momentos que, entre prazos, decisões e responsabilidades, facilmente poderiam passar despercebidos. No seu caso, a arquitetura não surgiu como uma possibilidade descoberta mais tarde. Desde criança sabia que queria ser arquiteta. Já desenhava, gostava de viajar e observava o mundo com uma curiosidade particular. Interessavam-lhe os lugares, mas também as pessoas que os habitavam e as histórias que transportavam. Sempre foi sensível aos detalhes que outros poderiam não reparar. Olhando para trás, percebe que essas caraterísticas já continham parte da profissional em que viria a tornar-se. A arquitetura não as criou. Deu-lhes uma linguagem. Viajar continua a ser uma das maiores influências na forma como observa o mundo. Cada cidade, paisagem e cultura revela-lhe diferentes maneiras de viver, de estabelecer relações e de ocupar um lugar. Recorda-lhe também que nunca existe uma única forma de experimentar um espaço ou de responder às necessidades de quem o utiliza. Dentro do atelier, os colegas conhecem sobretudo alguém que se preocupa genuinamente com as pessoas. Enquanto responsável por uma equipa, Lin encontra uma das maiores recompensas do trabalho em acompanhar o crescimento dos outros: ver alguém ganhar confiança, desenvolver capacidades ou alcançar algo que inicialmente julgava impossível. Os clientes poderão imaginar que a sua principal preocupação é garantir que o trabalho é entregue dentro do prazo. A equipa conhece uma dimensão mais ampla. Sabe que é frequentemente uma das pessoas procuradas quando alguém precisa de ser ouvido, de organizar um problema ou de encontrar outra perspetiva para uma situação difícil. Conhecem também as experiências de pastelaria que vai fazendo, o gosto pelas viagens e as pequenas aventuras que procura viver com a família sempre que encontra oportunidade. São detalhes aparentemente distantes da arquitetura, mas que ajudam a explicar a forma como cria relações e contribui para o ambiente do atelier. Lin acredita que todos os projetos transportam alguma coisa de quem os cria. Das viagens, leva a abertura a diferentes culturas e formas de viver. Da natureza, retira a importância da calma, da luz e da ligação entre os espaços e aquilo que os rodeia. Da maternidade, trouxe uma consciência ainda maior sobre a gestão do tempo e a capacidade de trabalhar com recursos limitados sem perder de vista aquilo que precisa de ser entregue. À identidade coletiva da RSO acrescenta empatia, curiosidade, dedicação e uma energia positiva. Gosta de aproximar pessoas, incentivar a colaboração e criar um ambiente onde cada elemento da equipa se sinta confortável para partilhar ideias, experimentar e crescer. Para Lin, uma boa arquitetura dificilmente nasce de um talento isolado. Nasce de equipas capazes de confiar umas nas outras e de transformar diferentes capacidades num objetivo comum. Talvez seja por isso que encontra tanta satisfação no sucesso das pessoas que acompanha como na concretização de um projeto. Porque gerir uma equipa não é apenas distribuir responsabilidades e garantir entregas. É também reconhecer possibilidades nos outros e ajudá-los a chegar a lugares onde ainda não sabiam que conseguiriam chegar. Quando o reconhecimento aumenta a responsabilidade Os prémios confirmam a projeção internacional da RSO Architecture, mas obrigam também o atelier a elevar a fasquia de tudo o que fará a seguir As histórias pessoais revelam aquilo que sustenta a cultura da RSO Architecture. Os últimos reconhecimentos internacionais mostram o que pode acontecer quando essas diferentes sensibilidades, especializações e formas de pensar conseguem avançar na mesma direção. O Al Ansar Hospital, em Medina, já tinha sido distinguido no PPP MENA Forum, no Dubai, com o prémio “Social Infrastructure Deal of the Year – Middle East & Africa”. Com 244 camas, serviços de emergência e uma resposta pensada tanto para a população residente como para os peregrinos que visitam a cidade, o projeto tornou-se um dos exemplos mais claros da capacidade da RSO para acompanhar operações de grande escala e elevada complexidade. Em abril de 2026, o hospital venceu a categoria Healthcare Project of the Year, nos Design Middle East Awards KSA, realizados em Riade. Poucos meses depois, recebeu uma High Commendation na categoria Excellence in Healthcare Planning, nos European Healthcare Design Awards 2026, um reconhecimento da qualidade do planeamento, da organização dos fluxos clínicos e da integração entre acessibilidade, eficiência, tecnologia e novos modelos de prestação de cuidados. Um prémio chega normalmente associado ao nome de um projeto. Raramente consegue mostrar tudo aquilo que foi necessário para o tornar possível. Por detrás do Al Ansar Hospital estiveram arquitetura, planeamento clínico, design, engenharia, equipamentos médicos, gestão, consultores, parceiros e uma equipa obrigada a conciliar diferentes conhecimentos, geografias e expectativas. A distinção pertence ao resultado final, mas nasce de uma longa cadeia de decisões, relações e responsabilidades partilhadas. É também por isso que, dentro da RSO, os prémios não são entendidos apenas como um ponto de chegada. Confirmam a maturidade alcançada, mas tornam mais exigente o caminho seguinte. Como observa Nuno Rebelo, “os níveis de exigência sobem de patamar”. Depois de um reconhecimento desta dimensão, já não basta cumprir os requisitos técnicos e construtivos. É necessário aprofundar as narrativas, antecipar necessidades e continuar a procurar respostas capazes de estar um passo à frente. O verdadeiro efeito de um prémio talvez seja esse: não permitir que uma equipa volte a trabalhar exatamente da mesma maneira. A arquitetura como soma de vidas Há uma parte da identidade do atelier que nunca aparece inteiramente nos desenhos, nas imagens tridimensionais ou nas apresentações feitas aos clientes. Nenhuma destas experiências aparece isoladamente num edifício. Mas todas influenciam a forma como uma pergunta é feita, uma decisão é tomada, uma equipa atravessa um momento difícil ou um espaço começa a ganhar identidade. É por isso que a ideia de uma arquitetura verdadeiramente coletiva vai muito além da distribuição de tarefas. Significa aceitar que cada pessoa leva consigo um mundo inteiro para o atelier. Um mundo feito dos países onde viveu, das músicas que ouviu, das pessoas que conheceu, das quedas que aprendeu a suportar, dos livros que lhe ensinaram a esperar e dos lugares aos quais deseja sempre regressar. Quando esses mundos se encontram, a arquitetura deixa de ser apenas aquilo que se constrói. Passa a ser também aquilo que cada pessoa acrescenta antes de existir o primeiro traço. United States Address: 2414 171st Avenue SE, Bellevue, WA 98008, USA Email: usa@rso-architecture.com Tel: +1 (424) 291-0073 Portugal Address: Avenida da Liberdade, N.747 – 2º Andar 4710-249 Braga, Portugal Email: europe@rso-architecture.com Tel: +351 963036339Contacto: Instagram: @rsoarchitecture www.rso-architecture.com A dança e o Studio Training cuidam da saúde em todas as idades: o olhar de uma professora, de uma ginecologista e de uma psiquiatra “E se a dor nas costas ou no joelho começasse na forma como pousamos os pés?”
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