Medicina Estética “O futuro da Medicina Estética passa por uma abordagem cada vez mais preventiva” By Revista Spot | Agosto 2, 2026 Agosto 5, 2026 Share Tweet Share Pin Email O espelho vê uma mancha, uma cicatriz ou uma ruga. A Medicina deve conseguir ver tudo o resto. O sono que nunca chega a ser reparador, os dentes desgastados pelo bruxismo, a estrutura que perdeu sustentação e a insegurança que aprendeu a esconder-se atrás da maquilhagem. É assim que Pedro Dias Ferraz, médico e diretor da Dias Ferraz Clinic, observa cada paciente, não como um rosto dividido por zonas, mas como uma pessoa inteira. O percurso entre a Estomatologia, a cirurgia oral, a reabilitação e a Medicina Estética deu-lhe uma leitura pouco convencional do envelhecimento, onde aparência, função e saúde nunca existem separadamente. Perante uma indústria fascinada por resultados rápidos e rostos sem biografia, propõe um futuro com menos preenchimentos, mais regeneração; menos perfeição e mais identidade. “O melhor tratamento pode ser aquele que ninguém consegue identificar”, defende. O que é que o trouxe a esta área? A Medicina foi sempre a minha primeira escolha. A possibilidade de exercer uma profissão que alia o conhecimento científico à componente humana continua a ser aquilo que mais me motiva e entusiasma diariamente. Com o tempo, percebi que saúde, autoestima e identidade estão profundamente interligadas. Cuidar de uma implica, inevitavelmente, cuidar das outras. É precisamente essa dimensão humana da Medicina que considero mais desafiante e gratificante. Cada consulta começa por ouvir o paciente. Antes de pensar em qualquer procedimento, procuro compreender as suas expectativas, os seus receios e aquilo que verdadeiramente o motivou a procurar ajuda. Só depois dessa compreensão é possível definir um plano de tratamento individualizado e adequado a cada pessoa. Foi esta forma de olhar para o doente que me levou a aprofundar a Medicina Estética. Hoje procuro unir ciência, tecnologia e sensibilidade clínica para tratar não apenas uma preocupação estética, mas a pessoa como um todo. Como é que a sua experiência na Estomatologia, cirurgia e reabilitação oral influencia a forma como observa o rosto de cada paciente? A formação em Estomatologia proporcionou-me um conhecimento muito sólido da anatomia da face, da função mastigatória, da oclusão, da cirurgia oral e dos processos de envelhecimento dos tecidos. Esta base permite-me observar cada paciente de forma global, compreendendo a estreita relação entre função, estrutura e estética. Desde muito cedo senti uma forte vocação para a área cirúrgica. O que mais me fascina na cirurgia é a sua capacidade de transformar positivamente a vida das pessoas. Como médicos, temos a oportunidade de restaurar não só a função e a harmonia do rosto, mas também a confiança, a autoestima e, muitas vezes, a qualidade de vida dos nossos pacientes. Foi precisamente esta visão integrada do rosto que tornou a transição para a Medicina Estética um percurso natural. Hoje não observo apenas uma ruga, uma mancha ou uma alteração isolada. Procuro compreender o rosto como um todo, respeitando a sua anatomia, a sua expressão e a identidade única de cada pessoa. Acredito que os melhores resultados são aqueles que valorizam a individualidade e preservam a naturalidade. Hoje fala-se muito em harmonizar, rejuvenescer, corrigir e prevenir. Mas onde está a fronteira entre melhorar a imagem de uma pessoa e alterar aquilo que a torna única? A fronteira está no respeito pela identidade de cada pessoa. A Medicina Estética deve valorizar aquilo que torna cada rosto único e nunca procurar uniformizá-lo. Existem princípios anatómicos muito bem definidos que orientam a nossa prática. Conhecemos os pontos de sustentação, os vetores de tração e as zonas de volumização que permitem rejuvenescer o rosto sem alterar a sua identidade. Quando estes princípios são respeitados, conseguimos preservar a expressão, a harmonia e a naturalidade. Costumo dizer aos meus pacientes que, na Medicina Estética, saber dizer “não” é tão importante como saber tratar. Nem todos os pedidos devem ser realizados. O nosso dever é orientar, explicar e, por vezes, proteger o paciente de intervenções que poderiam comprometer a sua identidade facial. Acredito igualmente que a prevenção representa uma das maiores evoluções da Medicina Estética. É muito mais simples preservar do que corrigir. Por isso, faz cada vez mais sentido que a primeira consulta aconteça na terceira ou quarta década de vida, antes de existirem sinais marcados de envelhecimento. Nessa fase conseguimos estimular a regeneração da pele e preservar as suas caraterísticas naturais, permitindo que cada pessoa envelheça de forma saudável sem perder aquilo que a torna única. Durante muitos anos acreditámos que a Medicina Estética servia para esconder o envelhecimento. Hoje sabemos que o verdadeiro desafio é muito mais interessante: ajudar cada pessoa a envelhecer bem, preservando a sua identidade, a sua saúde e a qualidade da sua pele. Esse é, para mim, o futuro da especialidade. O que procura compreender antes de propor qualquer tratamento? A primeira consulta é, acima de tudo, um momento de conhecimento mútuo. Antes de falar de qualquer tratamento, procuro compreender o que motivou a pessoa a procurar a Medicina Estética, quais são as suas preocupações, expectativas e objetivos. Mas considero igualmente importante que o paciente compreenda o que é, na realidade, a Medicina Estética. Por isso, começo sempre por explicar em que consiste esta área da Medicina e qual a finalidade de cada tratamento que utilizamos. Esforço-me para que os meus pacientes saibam exatamente o que estão a fazer e porquê. Um exemplo simples é a palavra “Botox®”, frequentemente utilizada no dia a dia, sem que muitas pessoas saibam que corresponde a uma marca comercial de toxina botulínica, utilizada há décadas na Medicina, com indicações e mecanismos de ação muito bem definidos. Quando o paciente compreende estes conceitos, sente-se mais informado, participa de forma mais consciente nas decisões e as suas expectativas tornam-se naturalmente mais realistas. Acredito que a transmissão de conhecimento faz parte do tratamento. Muitas vezes, aquilo que o paciente pensa que procura não é, afinal, a solução mais adequada para a sua preocupação. É através do diálogo, da explicação e de uma avaliação clínica cuidada que conseguimos encontrar o plano terapêutico mais indicado para cada caso. A consulta termina sempre com uma avaliação detalhada do rosto e da pele, que me permite elaborar um plano de tratamento personalizado. Gosto que esse plano seja claro e partilhado com o paciente, para que ambos saibamos quais são os objetivos definidos, as diferentes etapas do tratamento e a evolução esperada ao longo do tempo. O Laser Fotona ocupa um lugar importante no seu trabalho. O que é que esta tecnologia veio mudar na Medicina Estética? O Laser Fotona marcou o início da minha caminhada na Medicina Estética e continua a ocupar um lugar central na minha prática clínica. Foi através desta tecnologia que descobri uma forma de tratar a pele de maneira mais abrangente, respeitando a sua biologia e privilegiando resultados naturais. Hoje é difícil imaginar a evolução da Medicina Estética sem o contributo da tecnologia. Equipamentos cada vez mais sofisticados permitem-nos atuar não apenas no rejuvenescimento, nas manchas, nas cicatrizes de acne, na flacidez ou na melhoria da textura da pele, mas também adotar uma abordagem cada vez mais preventiva. O objetivo deixou de ser apenas corrigir os sinais do envelhecimento; é preservar a qualidade da pele, estimular os seus mecanismos naturais de regeneração e retardar o aparecimento dessas alterações. Esta evolução acontece a um ritmo muito acelerado e exige dos médicos um compromisso permanente com a formação e a atualização científica. A tecnologia, por si só, não faz a diferença. É o conhecimento de quem a utiliza, aliado a um diagnóstico rigoroso e a uma estratégia terapêutica personalizada, que permite oferecer tratamentos seguros, eficazes e verdadeiramente adaptados às necessidades de cada paciente. Acredito que o futuro da Medicina Estética passará cada vez menos por preencher e cada vez mais por regenerar. Que impacto emocional podem ter as manchas, o acne e as cicatrizes e como se gerem as expectativas em relação aos resultados? Muitas destas alterações vão muito além de uma preocupação estética. Vejo frequentemente pessoas que evitam tirar fotografias, recorrem diariamente à maquilhagem para esconder determinadas marcas ou perderam confiança ao longo dos anos devido a manchas, melasma ou cicatrizes de acne. Nestes casos, o sucesso do tratamento depende de vários fatores: um diagnóstico correto, a escolha da abordagem mais adequada e, sobretudo, a colaboração do próprio paciente. Os hábitos de vida, os cuidados diários e a proteção solar são, muitas vezes, tão importantes como o tratamento realizado em consulta. Gerir expectativas é provavelmente um dos momentos mais importantes da consulta. Na maioria dos casos falamos de patologias crónicas, que tendem a acompanhar-nos ao longo da vida e cujo objetivo é controlar, melhorar e prevenir a progressão. No caso das cicatrizes de acne, por exemplo, cada pele responde de forma diferente e os resultados são progressivos. Melhorias graduais ao longo de várias sessões podem representar uma mudança muito significativa na qualidade de vida do paciente. É fundamental explicar que a Medicina consegue melhorar de forma muito expressiva muitas destas patologias, mas que cada pele tem os seus limites biológicos. Quando o paciente compreende estes limites e conhece as diferentes opções terapêuticas, consegue ajustar as suas expectativas à realidade e participar de forma mais consciente no tratamento. Como comunicar resultados em Medicina Estética sem criar falsas expectativas? As imagens têm um enorme impacto, mas também podem ser enganadoras. Pequenas diferenças de iluminação, posição, expressão facial ou distância da câmara podem alterar significativamente a perceção de um resultado. Na nossa clínica dispomos de um estúdio de fotografia exclusivamente dedicado à fotografia médica facial. A avaliação inicial e a avaliação final incluem um protocolo rigoroso com cerca de trinta fotografias realizadas em posições padronizadas, permitindo uma comparação objetiva e reprodutível. As fotografias “antes e depois” têm, para mim, duas funções fundamentais. A primeira é ajudar o paciente, e também o médico, a nunca perder de vista o ponto de partida. Depois de um tratamento é natural que a pessoa passe a observar o rosto com muito mais atenção. Muitas vezes começa a reparar em detalhes que nunca antes tinham sido motivo de preocupação e surge a vontade de corrigir sucessivamente pequenas imperfeições. É precisamente neste momento que a fotografia inicial assume um papel essencial, recordando-nos a evolução alcançada e ajudando a preservar a individualidade do rosto, evitando tratamentos excessivos. A segunda função é comunicar resultados de forma ética. Nem sempre o mais importante é mostrar transformações impressionantes; é demonstrar resultados reais, consistentes e reproduzíveis, enquadrados numa explicação clínica adequada. Como podem o bruxismo e a apneia do sono afetar o rosto, o descanso e a qualidade de vida? A boca tem uma influência muito maior na saúde geral do que muitas pessoas imaginam. O bruxismo é uma condição multifatorial que pode manifestar-se através do ranger dos dentes, dor muscular, desgaste dentário, cefaleias e alterações da articulação temporomandibular. Ao longo dos anos, o desgaste dentário conduz inevitavelmente à perda de dimensão vertical do rosto. Essa alteração provoca um colapso progressivo do terço inferior da face, acentua os sulcos nasolabiais e contribui para uma aparência de envelhecimento precoce. Por outro lado, a apneia obstrutiva do sono e o bruxismo noturno impedem que o organismo alcance as fases mais profundas e reparadoras do sono. O resultado traduz-se frequentemente em fadiga crónica, irritabilidade, diminuição da capacidade de concentração e redução da energia ao longo do dia. A longo prazo, estas patologias aumentam silenciosamente o risco de hipertensão arterial e de doença cardiovascular. Todas estas condições devem ser abordadas através de uma equipa multidisciplinar, envolvendo Estomatologia, Medicina Dentária, Pneumologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia Maxilofacial. Quando conseguimos melhorar estas patologias, não estamos apenas a tratar dentes ou estruturas da cavidade oral. Estamos a melhorar o sono, a saúde, o bem-estar físico e emocional e, muitas vezes, a autoestima dos nossos pacientes. É mais um exemplo de como saúde e estética estão profundamente ligadas. Sendo speaker oficial da Fotona LightWalker em Portugal, como encara a responsabilidade de trabalhar e formar outros médicos na utilização segura de tecnologia avançada? Ser speaker oficial da Fotona LightWalker em Portugal representa, acima de tudo, uma responsabilidade. Quem adquire experiência e conhecimento aprofundado numa determinada área tem também o dever de o partilhar. A formação contínua entre médicos é essencial para elevar a qualidade da prática clínica, promover a utilização segura das tecnologias e garantir que os pacientes beneficiam de tratamentos cada vez mais eficazes, seguros e baseados na evidência científica. Ao mesmo tempo, acredito que a tecnologia é hoje uma parte indissociável da Medicina Estética. A sua evolução tem sido extraordinariamente rápida e permitiu-nos passar de uma abordagem essencialmente corretiva para uma Medicina cada vez mais preventiva e regenerativa. Estou convicto de que, dentro de alguns anos, estaremos a trabalhar com tecnologias ainda mais avançadas, capazes de atuar numa fase cada vez mais precoce do envelhecimento cutâneo, preservando a qualidade da pele e potenciando os seus mecanismos naturais de regeneração. No entanto, importa nunca esquecer que a tecnologia, por mais evoluída que seja, continua a ser apenas uma ferramenta. O verdadeiro valor está na capacidade do médico para realizar um diagnóstico rigoroso, selecionar corretamente os pacientes e definir protocolos seguros, eficazes e personalizados. É essa combinação entre inovação, formação e experiência clínica que faz verdadeiramente a diferença. Que futuro antecipa para a Medicina Estética e que papel quer que a Dias Ferraz Clinic tenha nessa evolução? Acredito que o futuro da Medicina Estética passa por uma abordagem cada vez mais preventiva, personalizada e sustentada na evidência científica. Assistiremos inevitavelmente a uma integração crescente entre diferentes especialidades, como a Medicina Estética, Dermatologia, Cirurgia Vascular, Endocrinologia, Pneumologia, Nutrição e outras áreas médicas. O envelhecimento não depende apenas da pele; depende também da forma como dormimos, da nossa alimentação, do equilíbrio hormonal e dos hábitos de vida. Acredito que o futuro da Dias Ferraz Clinic passa precisamente por este conceito mais abrangente de Medicina da Longevidade. Não queremos apenas tratar o envelhecimento da pele; queremos ajudar os nossos pacientes a envelhecer melhor. A consulta deve ser um momento de motivação, educação e orientação para um estilo de vida saudável, porque a forma como envelhecemos depende de muito mais do que aquilo que realizamos dentro do consultório. Continuaremos a investir em tecnologia de referência, formação contínua e protocolos personalizados. Mais do que acompanhar tendências, queremos contribuir para uma Medicina Estética ética, segura e natural, onde cada decisão é tomada em função da saúde, da individualidade e dos objetivos de cada paciente. Porque acredito que o verdadeiro objetivo da Medicina Estética não é fazer uma pessoa parecer diferente. É permitir que, daqui a vinte anos, continue a reconhecer-se ao espelho, com saúde, naturalidade e qualidade de pele. Morada: Rua Conselheiro Luís de Magalhães, n.º 62, R/C, Sala AR, 3800-159 Aveiro Contacto: 913 831 447 (chamada para a rede móvel nacional) Facebook: Dias Ferraz Clinic – Medicina Estética Instagram: @diasferrazclinic | @drpedrodiasferraz Site: www.diasferrazclinic.pt “Construir é apenas o início. O que distingue uma obra é aquilo que permanece depois de estar concluída” “A fotografia conquista o comprador. O tempo avalia o construtor”
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