Medicina Estética/Medicina geral e Familiar “Numa era de filtros, e agora de IA, muitos pacientes chegam com imagens de referência totalmente irreais” By Revista Spot | Fevereiro 6, 2026 Fevereiro 13, 2026 Share Tweet Share Pin Email Em 2026, a consulta de estética começa no telemóvel. Entre filtros e imagens geradas por IA, chegam pedidos desenhados a partir de fotografias “perfeitas” e, como diz Filipa Abreu, “totalmente irreais”. Médica de Medicina Geral e Familiar e na Medicina Estética desde 2016, Filipa defende uma estética pragmática. Antes de escolher um produto ou uma tecnologia, procura sinais de vida real, entre eles sono, stress, medicação, alimentação e rotinas, porque a pele e o cabelo registam o que vivemos. A mesma lógica atravessa a tricologia e o transplante capilar. E num tempo de fármacos anti-obesidade, com perdas rápidas de volume e flacidez na face e no pescoço, a pergunta volta a ser: onde termina a tendência e começa, de facto, a medicina? Sendo médica de Medicina Geral e Familiar e na Medicina Estética desde 2016, como é que integra a lógica de “medicina de continuidade” na estética? O que é que avalia sempre numa consulta? O outcome ‘vendido’ pela medicina estética sofreu uma enorme mudança nos últimos 10 anos, passamos de alterar o simplesmente visível, como uma mera pintura a alterar a estrutura. Atualmente, trabalhamos de dentro para fora para obter o melhor resultado possível e a medicina geral e familiar deu-me bases para entender que por vezes pequenos desequilíbrios podem ter grande impacto. A rotina de sono, a alimentação, a atividade física e o equilíbrio hormonal e vitamínico são pilares fundamentais para um envelhecimento saudável, tanto a nível orgânico como psicológico. Todo o médico de medicina geral e familiar faz medicina da longevidade, o que, na maioria dos casos, lhe falta é tempo para a abordar de forma integrada nas consultas dos centros de saúde. Sobre a pele há algo que nunca nos devemos esquecer, ela é o espelho nas nossas decisões e hábitos. Falta de sono, hábitos tabágicos, alcoólicos e drogas, má alimentação, sedentarismo, falta de hidratação, levam a uma pele baça e sem brilho, pode potenciar a oleosidade ou a secura cutânea ou até ser trigger para patologias como acne, rosácea ou melasma. Entre filtros, “harmonizações” em série e modas que vêm do TikTok, quais são hoje os sinais de alarme que a fazem abrandar? Como se diz “não” de forma humana e terapêutica? A consulta de avaliação é o ponto chave e deve ser o primeiro passo na gestão de expectativas. Numa era de filtros e agora de IA tenho pacientes que me trazem fotos, totalmente irreais, do que pretendem como resultado. É a nossa obrigação, enquanto profissionais, explicar qual a melhor opção de tratamento e o resultado possível. Temos uma obrigação para com o paciente, e a medicina estética não é diferente, de zelar pelo melhor resultado, não pelo mais ‘trendy, mantendo sempre a nossa ética de trabalho e a visão que defendemos. Porque no final somos médicos e quem nos procura são pacientes, não clientes! Pessoalmente gosto de alterações suaves e minimalistas, realçar traços mais do que alterá-los e por isso não me identifico com algumas trends em que se opta por adicionar grandes volumes em áreas faciais, como os lábios por exemplo, e os pacientes que me procuram tendem a refletir essa minha opção. Se tivesse de escolher só três hábitos e produtos que realmente têm impacto numa rotina anti-aging quais seriam e porquê? E quais são os erros mais comuns? Atualmente estamos na era da rotina dos 10 passos e da rotina elaborada das coreanas. Pessoalmente, acho que na grande maioria dos casos, menos é mais. Como posso achar que uma paciente, que nem protetor solar coloca, de repente vai passar a colocar 10 produtos por dia? A consistência é a chave do Skincare e a rotina deve ir de encontro ao modo de vida do paciente e os hábitos que já tem. Os três pilares de uma boa rotina, e que fazem por si só grande diferença, são a limpeza, a hidratação e a proteção solar. Tudo o resto são extras em que não vale a pena investir se estes passos não estiverem implementados. Em termos de hábitos, o meu foco prende-se muito com o sono, hidratação e evicção de hábitos nocivos como o tabaco. Quando quer “melhorar sem dar volume”, como decide entre bioestimuladores, energia ou a combinação de ambos? O que é que a evidência e a experiência lhe dizem sobre resultados reais, tempo de resposta, manutenção e os mitos que mais baralham as pessoas? O maior mito nesta área é sem dúvida ‘este procedimento é melhor´! O melhor resultado vem da combinação de procedimentos e técnicas e, mais do que o produto e do que a tecnologia utilizada, importa o conhecimento do profissional que vai executar o tratamento. E quando falamos em bioestimulação de colagénio temos novamente que gerir espectativas, não apagamos 20 anos de envelhecimento com uma sessão e, para manter o resultado, é necessário efetuar tratamentos de manutenção anuais. Num reel fala de manchas de suor, odor e o impacto social. O que é que a hiperidrose faz à autoestima e à vida quotidiana e que soluções realistas existem? A hiperidrose ou ‘suor excessivo’ impacta muito a vida social dos pacientes, por receio das manchas e do odor. Muitos pacientes referem sentirem-se sujos o tempo todo e terem receio que as outras pessoas achem que não têm higiene. Algumas soluções passam por usar antitranspirante com alumínio, colocando-o à noite para uma maior ação, uso de toxina botulínica quando falamos em hiperidrose localizada, como por exemplo nas axilas e palmas das mãos, ou, em último caso, uma cirurgia que tem, de forma simplificada, o objetivo de anular a via de produção de suor. Na sua prática cruza tricologia e transplante capilar. O que é que tem aumentado mais: a queda reativa ou o padrão androgenético? E qual é o “roteiro” clínico que separa um tratamento médico bem feito de uma corrida precoce para o transplante? A queda de cabelo pode ser uma doença, mas em muitos casos é o sintoma de um desequilíbrio interno escondido, orgânico ou psicológico. Diferenciar estes dois grandes grupos é fundamental na abordagem das alopecias, porque o seu tratamento é muito distinto. A grande alteração que tenho presenciado nesta área é a percentagem crescente de mulheres que procuram esta avaliação e tratamentos para queda capilar. Quando me vejo ao espelho, acho que o cabelo é um dos nossos maiores adereços e, sofrendo eu própria de alopecia androgenética, e atualmente de eflúvio pós-parto, entendo a angústia o impacto desta patologia na autoestima dos meus pacientes, sejam homens ou mulheres. Relativamente ao transplante, este deve ser visto como um tratamento de última linha com um percurso importante antes e depois da sua realização. Preparar o couro cabeludo e recuperar folículos antes do transplante melhora significativamente o resultado. E, depois do procedimento, os tratamentos de manutenção, tanto farmacológicos como locais, são essenciais para preservar o ganho. Aliás, muitos doentes que me dizem que “o transplante anterior falhou” estão, na verdade, enganados: o transplante foi bem-sucedido, mas não fizeram terapêutica de manutenção e, por isso, o cabelo nativo dessa zona continuou o seu processo natural de queda. Explica que o PRP pode prevenir a queda e estimular o crescimento. Quantas sessões fazem sentido? O PRP (Plasma Rico em Plaquetas) é um ótimo procedimento, tanto preventivo como de tratamento. Ajuda na estimulação do crescimento capilar, melhora o couro cabeludo e promove um melhor resultado de um transplante capilar. O meu esquema inicial para tratamento passa por uma sessão mensal durante três meses, o resto do protocolo vai depender do objetivo e resposta obtida com as primeiras sessões. Ainda sobre o transplante capilar, sendo uma área onde o “antes e depois” vende muito, como protege o doente de decisões precipitadas? Raramente ofereço o transplante capilar como primeira opção. Não sou uma ‘clinica de transplantes’, vejo o paciente como um todo e o meu objetivo é incutir ao meu paciente que esta jornada é uma maratona, que para ter um bom resultado deverá manter um tratamento após o transplante e que em grande parte dos casos é possível recuperar quantidade e densidade capilar pré transplante e, assim, também melhorar o resultado. Um bom resultado vem sempre da satisfação do paciente, mas a naturalidade é um pedido que surge em 100% dos pacientes e o meu principal foco. Com a popularização dos fármacos anti-obesidade, começam a surgir doentes com perda rápida de volume e flacidez, sobretudo face e pescoço. Como é que olha para este fenómeno? Mais uma vez a abordagem deve ser global e não focada na perda de peso mágica. Estes medicamentos são ótimos e prescrevo-os na minha prática clínica, mas devem ser encarados como adjuvantes e não soluções isoladas. Devemos instituir um plano de atividade física para reforço muscular (há uma perda de massa muscular associada a estes tratamentos) e uma dieta rica em proteína para estimular essa produção. Falando em pele e estética facial, recomendo aos meus pacientes realizarem bioestimulação de colagénio logo desde o início do tratamento para evitar uma flacidez pós emagrecimento rápido. Tem um post em que se refere à medicina estética íntima como uma área recente e controversa. O que é que precisa de estar garantido para que isto seja medicina e não apenas tendência? A questão principal nesta área é a mesma que em toda a restante medicina estética: o paciente tem um ganho verdadeiro, como aumento da autoestima ou tratamento da patologia com o procedimento, ou quer seguir simplesmente uma tendência? Muitos pacientes falam desta área de forma envergonhada porque acham que este tema ainda é tabu e, na realidade, na nossa sociedade ainda o é! Mas tratamentos como diminuição do tamanho dos pequenos lábios, descoloração local, preenchimento dos grandes lábios ou aumento peniano são alguns dos procedimentos da área íntima que estão em ascensão em Portugal. Temos cada vez mais profissionais a dedicarem-se a esta áreas e acredito que será uma das grandes mudanças dos próximos anos. 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