Psicologia “Num tempo em que todos correm, parar pode ser o gesto mais revolucionário” By Revista Spot | Novembro 8, 2025 Novembro 8, 2025 Share Tweet Share Pin Email Há pessoas que nascem com o dom raro de escutar o que não se diz. De traduzir silêncios em compreensão e de lembrar aos outros aquilo que a pressa fez esquecer: que há sempre um caminho de regresso a si mesmo. Eva Leitão é uma dessas pessoas. Psicóloga clínica e fundadora da Clínica Eva Leitão, na Póvoa de Varzim, dedica-se a temas urgentes e profundamente humanos – autoestima, ansiedade, depressão, inteligência emocional – com a serenidade de quem entende que cuidar da mente é, inevitavelmente, cuidar da alma. Num mundo em sobressalto, onde todos correm para fora de si, Eva propõe o contrário: parar, respirar, escutar o corpo, abraçar a vulnerabilidade e transformá-la em força. A sua abordagem une ciência e sensibilidade, técnica e empatia. Porque, como acredita, “há vida depois da escuridão” e reencontrar a luz é, muitas vezes, apenas uma questão de coragem e presença. O que é que a levou a escolher a Psicologia Clínica e a dedicar-se a temas como a autoestima, a ansiedade e a depressão? Sou uma eterna apaixonada por pessoas e pelas relações humanas. Sinto que a minha maior missão de vida é ajudar os outros, e essa foi a principal razão que me levou a escolher a Psicologia. Em maio deste ano inaugurei a minha clínica, a Clínica Eva Leitão, situada na Póvoa de Varzim, um espaço que tem como principal objetivo promover a saúde e o bem-estar das pessoas. Dispomos de várias especialidades, desde Psicologia, Psiquiatria, Nutrição, Fisioterapia, Pilates Clínico, Terapia da Fala e Clínica Geral, de forma a oferecer uma resposta mais completa aos nossos pacientes. Além disso, a clínica também dispõe de consultas online, eliminando qualquer barreira geográfica e permitindo-nos ajudar todos aqueles que precisam. A autoestima, a ansiedade e a depressão são as minhas principais áreas de intervenção. Dedico-me a elas pela necessidade que vejo nas pessoas: a maioria dos que chegam à clínica apresentam sintomatologia ansiosa ou depressiva. A autoestima surgiu naturalmente, pela importância de ajudar as pessoas a conhecerem-se melhor e a valorizarem-se mais. Uma pessoa com boa autoestima acredita no seu valor, impõe limites, sabe dizer “não” e reconhece as suas próprias necessidades. Pessoas com autoestima saudável têm menor propensão a desenvolver sintomas ansiosos ou depressivos. Por que motivo ainda há tanto estigma em torno da saúde mental e como podemos desconstruir a ideia de que pedir ajuda é sinal de fraqueza? Ainda existe muito estigma em torno da saúde mental porque, durante muitos anos, acreditámos que mostrar sofrimento era sinal de fraqueza. Crescemos a ouvir que devíamos “aguentar” e “seguir em frente”, e isso fez com que muitas pessoas se sentissem envergonhadas por precisar de ajuda. A verdade é que a depressão não é falta de força nem de vontade, é uma doença real, que pode afetar qualquer pessoa. E procurar apoio não é desistir, é cuidar de si. É um gesto de coragem e de amor-próprio. Quanto mais falarmos sobre estes temas com empatia e naturalidade, mais fácil será para todos perceberem que pedir ajuda é um passo importante no caminho da recuperação e do bem-estar. Vivemos num tempo em que quase toda a gente se sente exausta, emocional e mentalmente. Que fatores da vida moderna mais têm contribuído para esse “cansaço da alma”? Vivemos numa altura em que quase toda a gente se sente exausta, não só fisicamente, mas também emocional e mentalmente. Fala-se do “cansaço da alma”, um fenómeno muito presente na vida moderna, resultado de vários fatores que nos vão desgastando por dentro. Estamos constantemente ligados: telemóveis, e-mails, redes sociais. A sensação de termos de estar sempre disponíveis tornou o descanso quase um luxo, e o simples “não fazer nada” parece mal visto. Mas é precisamente isso que o nosso corpo e mente precisam: sentarmo-nos no sofá sem fazer nada ou contemplar a natureza no jardim ajuda-nos a estar presentes e a recuperar energia. A sobrecarga de informação também pesa. Notícias, notificações e estímulos constantes não deixam a mente descansar, e mesmo nos momentos de lazer há sempre algo a exigir atenção. Esta saturação fragmenta a concentração e impede um verdadeiro repouso mental. A pressão para sermos produtivos e estarmos sempre no máximo desempenho gera cansaço extremo e afeta a autoestima. O ritmo acelerado do dia a dia impede pausas, reflexão e momentos de silêncio, essenciais para processar emoções e recuperar equilíbrio. A distância do corpo e da natureza contribui ainda mais para este desgaste. Passamos demasiado tempo fechados, com pouco movimento e contacto com o ar livre, e isso esgota-nos de forma subtil, mas profunda. “Durante muitos anos, acreditámos que mostrar sofrimento era sinal de fraqueza” Como distinguir o cansaço “normal” de um possível sinal de burnout ou depressão? No que diz respeito ao cansaço normal, conseguimos relaxar depois de um banho ou do jantar, ou sentir-nos melhor após as férias. A irritabilidade surge apenas em momentos de stress e desaparece com descanso. Já no burnout, a exaustão é persistente: o autocuidado é adiado, mesmo após férias o peso e a apatia mantêm-se, e surgem sintomas como insónia, taquicardia ou crises de choro. Como prevenir este cansaço? Tudo começa por desacelerar com intenção. Mindfulness, pequenas pausas, reconectar com o corpo e a natureza ajudam a recuperar energia e equilíbrio. Estes gestos simples permitem que a mente e o corpo recuperem, e que voltemos a sentir clareza, presença e bem-estar. Como podemos construir uma autoestima mais estável, baseada em autoconhecimento e não em validação externa? A realidade é que muitas pessoas associam a autoestima à aparência ou ao sucesso, no entanto, a verdadeira autoestima vem de dentro. Passa por nos conhecermos, aceitarmos as nossas próprias imperfeições ou, melhor dizendo, os pontos a melhorar e valorizar as qualidades que temos, sem precisar da aprovação dos outros. É sentirmo-nos em paz connosco, agirmos de acordo com os próprios valores e compreender que o nosso valor não está no que fazemos, mas em quem somos. Costuma dizer que o controlo pode ser uma forma de medo disfarçado. Que sinais mostram que a ansiedade deixou de ser funcional e se tornou limitante? A ansiedade é uma emoção natural, que nos protege do perigo. Torna-se limitante quando deixa de nos servir: quando está sempre presente, controla as nossas decisões, rouba a leveza da vida e provoca sintomas físicos como tensão, insónias ou taquicardia. A mente deixa de viver o presente e passa a ser dominada pelo medo. Algumas estratégias simples ajudam a recuperar a sensação de segurança: respiração diafragmática, que acalma o corpo; a técnica de grounding (5 coisas que consigamos ver, 4 coisas que consigamos tocar, 3 coisas que consigamos ouvir, 2 coisas que consigamos cheirar e 1 coisa que consigamos saborear), para nos ancorarmos no momento presente; pequenas rotinas diárias, que trazem previsibilidade; falar connosco de forma gentil, substituindo a autocrítica por acolhimento; e movimento ou contacto com a natureza, que nos reconecta com a vida. Em resumo, gerir a ansiedade é aprender a sentir medo sem nos perdermos nele, recuperando presença, confiança e liberdade. “Estamos constantemente ligados: telemóveis, e-mails, redes sociais. O ritmo acelerado do dia a dia impede pausas, reflexão e momentos de silêncio” Num mundo hiperconectado e reativo, o que significa realmente ter inteligência emocional? Primeiramente é importante definirmos o que é inteligência emocional. A IE é a forma como conhecemos e gerimos as nossas emoções, como formulamos os pensamentos com base nelas e como conseguimos melhorar o nosso comportamento. Como é que podemos aprender a reconhecer, acolher e comunicar o que sentimos, sem culpa nem fuga? Aprender a reconhecer, acolher e comunicar os nossos sentimentos passa por darmo-nos permissão para sentir, sem nos culparmos ou tentarmos fugir. É acolher as nossas emoções com gentileza, como faríamos com um amigo querido, e escutarmo-nos com atenção. Comunicar o que sentimos, de forma clara e honesta, ajuda-nos a criar relações mais verdadeiras e a viver com mais autenticidade. É um processo que exige prática e paciência, mas traz liberdade e profundidade à nossa vida. Falar sobre fragilidade ainda é tabu. No entanto, muitas vezes é a partir dela que nasce a cura. Que papel tem a vulnerabilidade no processo terapêutico e na construção de relações mais autênticas? Falar sobre fragilidade ainda é um tabu, mas é muitas vezes a partir dela que nasce a cura. A vulnerabilidade é muitas vezes mal compreendida, porque muita gente a associa à fraqueza, quando, na verdade, é um ato de coragem emocional. Na terapia, ser vulnerável significa permitirmo-nos sermos vistos como realmente somos, sem máscaras. Dizer “não sei lidar com isto” ou “tenho medo” abre espaço para que as defesas se abrandem e permite-nos encontrar a pessoa genuína. A vulnerabilidade transforma a vergonha em humanidade: a vergonha diz “há algo de errado comigo”, enquanto a vulnerabilidade diz “estou a sentir algo difícil, como qualquer ser humano”. Nas relações, a vulnerabilidade aproxima-nos. Partilhar algo verdadeiro (“sinto-me insegura”, “tenho medo de te perder”) convida o outro a fazer o mesmo, criando confiança e um espaço seguro de encontro. A vulnerabilidade é um ato de coragem: na terapia, cura; nas relações, conecta; e na vida, liberta. Cada vez mais se compreende a ligação entre corpo e emoção. Que sinais físicos dá o nosso corpo quando a mente já não consegue expressar o que sente? O corpo tem uma linguagem própria, feita de pequenos sinais. Tensão nos ombros, pequenas dores de cabeça, aperto no peito ou desconforto no estômago podem ser sinais de emoções por expressar. Mesmo o cansaço ou alterações no sono podem indicar que algo precisa de atenção. É o nosso corpo a dizer-nos: “Cuida de mim, estou aqui para ti.” E como podemos reaprender a ouvir o corpo como aliado? Tudo começa com pequenos gestos de cuidado. Respirar devagar, sentir onde o corpo guarda tensão, alongar ou caminhar com atenção são convites suaves para estarmos presentes em nós mesmos. Escrever, pintar, dançar ou ouvir música ajudam as emoções a fluir sem pressa, com segurança. Escrever um diário de emoções é uma ótima ferramenta prática para explorar e compreender o que sentimos no dia a dia. É uma forma de nos ouvirmos a nós próprios, identificar padrões emocionais e perceber como certas situações ou pensamentos influenciam o nosso estado interior. É importante salientar que não podemos ignorar o que o corpo nos diz. Ele guarda, de forma silenciosa, a memória das nossas experiências e emoções. Aprender a escutá-lo com atenção permite cuidarmos de nós mesmos, prevenir sofrimento e cultivar bem-estar. Quando passamos a vê-lo como aliado, e não como adversário, descobrimos uma fonte preciosa de autoconhecimento, equilíbrio e cuidado genuíno connosco. Para quem nunca fez terapia, o processo ainda desperta receios e mitos. Como descreveria uma primeira sessão e o que pode a pessoa esperar de um acompanhamento psicológico? A primeira sessão de terapia constitui, acima de tudo, um espaço seguro e confidencial, onde a pessoa pode ser ela própria. Não existem respostas certas ou erradas, trata-se de partilhar livremente o que a levou a procurar apoio. O psicólogo ou psicóloga escuta atentamente, coloca questões orientadoras e ajuda a clarificar pensamentos, emoções e padrões de comportamento. O acompanhamento psicológico permite desenvolver estratégias para lidar com desafios do quotidiano, promover o autoconhecimento e fortalecer a gestão emocional. É também uma oportunidade de reconectar corpo e mente, compreender emoções guardadas e aprender formas mais saudáveis de viver o dia a dia, promovendo equilíbrio e bem-estar. Nas suas palavras, “há vida depois da escuridão”. O que diria hoje a alguém que sente que perdeu a esperança? Diria que, mesmo nos momentos mais escuros, a esperança nunca desaparece por completo, por vezes, apenas fica escondida. A vida depois da escuridão é possível, mas exige paciência e cuidado. Dar pequenos passos, acolher as emoções que surgem e procurar apoio quando necessário ajuda a reencontrar força e sentido. Cada gesto de atenção e cuidado connosco é um lembrete de que é possível voltar a sentir luz, mesmo depois de períodos de sombra. “A coragem emocional está em olhar para dentro, enfrentar o que nos assusta e continuar a caminhar” E o que tem aprendido, ao longo do seu trabalho, sobre o poder da vulnerabilidade e da coragem emocional? Ao longo do meu trabalho, tenho aprendido que a vulnerabilidade é, na realidade, um sinal de coragem. Permitirmo-nos sentir, reconhecer emoções e partilhar experiências exige força e atenção connosco. É nesse espaço de abertura que surge o crescimento pessoal, a autenticidade e a empatia. A coragem emocional está em olhar para dentro, enfrentar o que nos assusta e continuar a caminhar, mesmo quando é difícil. É através da vulnerabilidade que conseguimos criar relações mais profundas e genuínas, tanto connosco próprios como com os outros. Morada: Av. Mouzinho de Albuquerque 51, 4490-409 Póvoa de Varzim Contacto: 927 990 533 (chamada para a rede móvel nacional) Instagram: @evaleitao__psicologia | @clinica_evaleitao Site: evaleitao.pt “As doenças colorretais continuam a ser vividas em silêncio. Mais do que operar, cabe ao cirurgião ouvir, esclarecer e devolver confiança ao doente” “A economia circular precisa de olhar para o mundo como um sistema interligado, não como fronteira a fechar”
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