Bebés/Pré - Natal/SAÚDE DA MULHER/Saúde Infantil Nova clínica Materum em Braga: “Quando nasce um bebé, nasce uma família e essa família também precisa de acompanhamento” By Revista Spot | Maio 7, 2026 Maio 7, 2026 Share Tweet Share Pin Email Nem sempre uma família nasce no dia em que nasce um bebé. Às vezes, começa antes, no medo de não conseguir. Outras vezes, nasce depois, no cansaço das noites interrompidas, nas perguntas sem resposta, na culpa silenciosa, na distância inesperada entre o amor imaginado e o amor vivido. A nova clínica Materum, em Braga, surge precisamente com essa missão. Fundada pela psicóloga Maria João Ribeiro, assume uma abordagem especializada à saúde mental perinatal, parentalidade, infância e acompanhamento familiar, com uma equipa que olha para a família como um sistema em transformação. Da gravidez ao pós-parto, do sono à amamentação, da alimentação à saúde emocional dos pais, a Materum propõe uma nova forma de cuidar, ajudando as famílias a perceberem o que sentem, antes que o cansaço se transforme em silêncio e o silêncio em sofrimento. Que lacuna sentiu que existia nesta área e de que forma este projeto procura responder a essas necessidades? Ao longo da minha prática clínica, fui percebendo que existia uma lacuna muito concreta. Há já uma oferta crescente de serviços centrados na criança, e nos últimos anos surgiram também respostas importantes na área materna, apoio no pré e pós-parto, acompanhamento da grávida, suporte à puérpera. Mas quando olhamos para a família como sistema, para os pais, para o casal, para a relação que se transforma com a chegada de um filho, para a dinâmica familiar que se reorganiza, há muito pouco. É aí que a Materum quer intervir. A saúde mental perinatal, em particular, continua a ser uma área subvalorizada em Portugal, muitas vezes reduzida ao rastreio da depressão pós-parto, quando na verdade atravessa toda a transição para a parentalidade, antes, durante e depois do nascimento. A Materum nasceu da convicção de que este período merece acompanhamento especializado, integrado e humano. Não queremos ser mais um serviço de saúde onde as pessoas passam, queremos ser um espaço onde se sentem verdadeiramente acompanhadas. Isso significa ter profissionais que estão em constante atualização, procura de informação científica atualizada e que pensam a família como um todo, reconhecendo a multidisciplinaridade como condição por vezes essencial para um cuidado que seja, de facto, integrado. Fala-se cada vez mais de maternidade, parentalidade e saúde mental, mas muitas famílias continuam a viver estes períodos em silêncio, entre cansaço, culpa, ansiedade e sensação de falha. O que é que ainda está por dizer? É verdade, fala-se cada vez mais, mas há uma diferença entre falar sobre saúde mental perinatal, parentalidade e criar condições reais para que as famílias não se sintam a falhar no momento de pedir ajuda. O que ainda está por dizer, ou por normalizar, é que a dificuldade não é sinal de falha. É sinal de que estamos a atravessar uma das transições mais exigentes da vida humana. Se olharmos à nossa volta, a gravidez é frequentemente romantizada, o pós-parto é subestimado, e os primeiros anos de parentalidade são vividos muitas vezes numa solidão disfarçada de competência. As famílias chegam-nos esgotadas, mas também envergonhadas, como se o cansaço fosse uma confissão de que não estão a ser bons pais. E isso parte-me o coração, porque o cansaço é precisamente a prova de que estão a tentar. O que falta dizer é que pedir apoio não é o último recurso, é um ato de cuidado. Cuidado com os filhos, com a relação, e com a própria pessoa que se está a tornar ao tornar-se mãe, pai, família. Esse é o espaço que a Materum quer ocupar: não o da crise, mas o do acompanhamento, estar presente antes de ser urgente. A Materum acompanha desde a preconceção ao pós-parto, passando pela infância, a parentalidade e a vida adulta. Porque é que era importante olhar para estas fases como um contínuo, e não como momentos separados? Porque a vida não se vive por capítulos estanques. Uma mulher que chega à gravidez traz consigo a sua história, as suas perdas, os seus medos, a relação que teve com os próprios pais. Um casal que se torna família não começa do zero, traz padrões, expectativas, feridas e recursos que foram construídos muito antes de haver um bebé. E uma criança não se desenvolve à parte dos seus contextos, desenvolve-se numa relação, num contexto, numa família que também está em transformação. Olhar para estas fases como um contínuo é, no fundo, uma posição e abordagem clínica que para nós é fundamental. Significa reconhecer que o que acontece antes da fase da preconceção importa para a gravidez, que o que acontece na gravidez importa para o pós-parto, que o que acontece nos primeiros anos importa para toda a vida. E significa também que os adultos que acompanhamos não são apenas pais, são pessoas com necessidades próprias, que merecem cuidado independentemente da fase em que se encontram. A Clínica Materum existe para acompanhar esse percurso de forma coerente e consciente das exigências das várias fases do ciclo de vida. Muitas mulheres chegam à gravidez ou ao pós-parto com uma imagem idealizada do que deveriam sentir. Porque é que tantas mães ainda sentem dificuldade em pedir ajuda? Porque a imagem que temos da maternidade, construída culturalmente, alimentada pelas redes sociais, reforçada por comentários de quem rodeia as famílias, deixa muito pouco espaço para a ambivalência. Espera-se que seja o momento mais feliz da vida. E quando não é, ou quando é ao mesmo tempo feliz e assustador, exausto e avassalador, a primeira reação de muitas mulheres não é procurar ajuda, mas sim perguntar a si mesmas o que é que têm de errado. No fundo, há uma vergonha silenciosa que acompanha estas experiências. A sensação de que as outras conseguem, de que deveriam conseguir também, de que admitir a dificuldade é falhar perante o filho, o companheiro, a sociedade e a maternidade em si. E essa vergonha é, muitas vezes, mais paralisante do que o próprio sofrimento. O que me preocupa é não só o pedido de ajuda que chega tarde, mas também o sofrimento que nunca chega a ser nomeado. As mulheres que normalizam o que sentem durante anos, que aprendem a funcionar apesar de tudo, que nunca tiveram um espaço onde alguém perguntasse genuinamente como estavam, não como está o bebé, não como está a correr a amamentação, não se “já dormem a noite toda”, mas como é que elas, mães, estão genuína e profundamente. A consulta SOS bebé é uma das áreas que mais chama a atenção, porque responde a momentos em que o cansaço, o choro ou a adaptação parecem chegar ao limite. Que sinais mostram que uma família precisa de apoio imediato? A consulta SOS Bebé não existe para o momento em que já não se aguenta mais, existe para antes disso. Para as famílias que estão a atravessar o ajuste à parentalidade, que sentem que algo não está a fluir como esperavam, e que querem procurar apoio sem ter de esperar pela crise. Os sinais que me fazem dizer “venha” não são necessariamente dramáticos: são as noites que estão a ser mais difíceis do que antecipavam, a amamentação que não está a correr como gostariam, a sensação de que o bebé chora muito e não sabem bem porquê, a dúvida constante sobre se estão a fazer bem. São famílias que estão a funcionar, mas que sentem que poderiam estar melhor e que têm a lucidez de reconhecer isso e agir. Essa lucidez merece ser valorizada, não minimizada com um “vai passar”. A verdade é que muitas vezes passa, mas passa mais depressa, e com menos desgaste, quando há alguém que ajuda a perceber o que está a acontecer e a encontrar um caminho. A ideia é que a consulta SOS Bebé seja um recurso de primeira linha, não de último recurso. Um espaço a que se pode recorrer cedo, com tranquilidade, sem ter de chegar ao limite para se sentir autorizado a pedir ajuda. O sono infantil tornou-se um dos temas mais debatidos entre pais, muitas vezes entre métodos rígidos, promessas rápidas e muita culpa. Como é que a Materum propõe olhar para o sono do bebé de forma mais humana, científica e ajustada a cada família? O sono infantil é hoje uma das áreas mais procuradas pelos pais e também uma das mais desreguladas em termos de quem intervém. Há uma proliferação enorme de profissionais, consultores e métodos, nem sempre com formação adequada em psicologia do desenvolvimento, sono infantil e saúde perinatal. E isso tem consequências: famílias que chegam confusas, com informação contraditória, e muitas vezes com culpa acumulada por não terem conseguido aplicar uma receita que nunca deveria ter existido. A nossa abordagem parte de um lugar diferente. O sono do bebé é imaturo por natureza, não por falha dos pais e compreender isso, à luz da biologia e da antropologia, muda a forma como se olha para as noites difíceis. Não há métodos rígidos nem promessas de resultados em três noites, porque o bebé não é um problema a resolver. É uma pessoa em desenvolvimento, com necessidades reais, numa relação que também está a crescer. O que fazemos é conhecer aquela família, aquele bebé, aquela dinâmica e encontrar um caminho que seja biologicamente informado, relacionalmente seguro e realista. Um caminho que os pais consigam percorrer sem sentir que estão a comprometer o bem-estar do filho. Porque no centro de tudo está sempre o bebé e cuidar bem dele começa por compreendê-lo. A parentalidade também confronta os adultos com a sua própria história. Porque é que ser mãe ou pai pode tornar-se também um lugar de autoconhecimento? Porque os filhos têm uma capacidade extraordinária de nos colocar em contacto com partes de nós que pensávamos ter integrado e processado. Uma reação desproporcional ao choro, à desregulação emocional (a chamada “birra”), uma dificuldade inexplicável em abordar e integrar limites, uma sensação de que temos de ser autoritários para sermos ouvidos, entre muitas outras experiências que nos chegam a consulta. Muitas vezes estas experiências têm raízes que estão muito antes daquele momento, naquilo que vivemos, no que nos foi transmitido, na forma como fomos cuidados. A investigação em psicologia do desenvolvimento é clara nisto: a forma como os pais processaram a sua própria história de vinculação é um dos fatores que mais influencia a relação que constroem com os filhos. Não de forma determinista, não é que estamos condenados a repetir necessariamente, mas de uma forma que vale a pena conhecer e compreender. Tornar-se mãe ou pai é, nesse sentido, um convite. Nem sempre confortável, muitas vezes desafiante, mas genuíno. Um convite a perguntar porque é que reajo assim, o que é que isto me recorda, o que quero transmitir e o que quero que seja mudado. Esse trabalho, quando feito com acompanhamento, não é só bom para os pais, é profundamente protetor para os filhos. Porque um pai ou uma mãe que se conhece melhor é um pai ou uma mãe que consegue estar mais presente, mais regulado e mais disponível para a relação. Que diferença faz, na prática, uma equipa que consegue olhar para o emocional, o relacional, o sono, a alimentação e a amamentação sem separar aquilo que, na vida real, aparece muitas vezes misturado? Faz toda a diferença porque na vida real estas coisas chegam sempre misturadas. Uma mãe que chega com dificuldades na amamentação raramente está só a ter uma dificuldade técnica. Está exausta, talvez ansiosa, talvez a sentir que o corpo a está a falhar, talvez com uma relação conjugal sob pressão. Uma criança que não dorme bem pode estar a atravessar uma fase de desenvolvimento, mas pode também estar a responder à tensão emocional do ambiente em que vive. Um bebé com dificuldades alimentares pode ter implicações na relação, na ansiedade materna, no vínculo. Quando estes domínios são tratados em separado, com cada profissional no seu consultório, sem comunicação entre si, perde-se precisamente aquilo que é mais importante, a visão do todo, do sistema. E as famílias acabam por circular entre serviços, repetir a sua história várias vezes, e raramente sentem que alguém está a ver a imagem completa. Na Materum a articulação entre profissionais não é um detalhe organizacional, é uma posição clínica. Significa que quando uma consultora de amamentação percebe que há algo mais do que uma dificuldade técnica, há um caminho natural para o acompanhamento psicológico. Significa que quando acompanho uma mãe em consulta de psicologia e percebo que a alimentação está a ser uma fonte de angústia, não fico sozinha com isso. Significa que as famílias não precisam de traduzir a sua experiência de serviço em serviço, há uma equipa que pensa em conjunto, e queremos que isso se sinta para quem cá passa. Na amamentação e na alimentação infantil, muitas famílias vivem entre excesso de informação, opiniões contraditórias e pressão para fazer tudo “bem”. Como se devolve confiança aos pais sem criar mais regras, medo ou culpa? Começa por ouvir, ouvir genuinamente. A maioria das famílias que nos procura nesta área não precisa de mais informação, precisa de alguém que ajude a filtrar a informação que já têm, que valide o que estão a fazer bem, e que normalize o que está a ser difícil. A confiança não se devolve com mais regras, devolve-se quando os pais começam a perceber que conhecem o seu filho melhor do que qualquer manual, e que o seu instinto, quando informado e apoiado, é uma ferramenta clínica extraordinária. Há também uma dimensão importante que muitas vezes se perde nesta conversa: a amamentação e a alimentação infantil são experiências profundamente relacionais e emocionais, não apenas nutricionais. Uma mãe que não consegue amamentar como queria pode estar a viver um luto. Uma família que luta com a diversificação alimentar pode estar a gerir ansiedade, controlo, memórias da sua própria infância. Tratar só a parte técnica sem ver isto é tratar metade do problema. O nosso objetivo nunca é que os pais saiam com uma lista de coisas a fazer, mas, sobretudo, que saiam a sentir que são capazes, porque na grande maioria dos casos, já o são. A Materum abre portas em Braga e também com acompanhamento online. Que lugar querem ocupar na cidade e que mensagem gostariam de deixar às mulheres, casais e famílias? Em Braga queremos ser uma referência, não no sentido de sermos os maiores ou os mais conhecidos, mas no sentido de sermos o sítio em que as pessoas pensam quando precisam de apoio nesta área. O local que os médicos de família, os pedopsiquiatras, os obstetras, os pediatras recomendam com confiança. No que se refere ao utente, queremos ser o espaço onde as famílias sentem que são vistas como um todo. A modalidade online surge também como uma forma de alargar esse alcance, porque há famílias fora de Braga que precisam deste tipo de acompanhamento e que não têm acesso a ele perto de si. E porque a vida com bebés pequenos nem sempre permite deslocações. Mas a mensagem que mais importa deixar é esta: não é preciso estar mal para procurar ajuda. Não é preciso ter uma crise, um diagnóstico, uma situação limite. É suficiente sentir que algo podia estar melhor. É suficiente estar cansado e querer apoio. É suficiente estar a atravessar uma fase desafiante e não querer atravessá-la sozinha. A Materum existe para esse espaço, o espaço entre o “estou bem” e o “já não consigo”. Que é, na verdade, onde a maioria de nós vive a maior parte do tempo. E que merece, tanto quanto qualquer crise, um lugar onde ser acolhido. Morada: Rua do Poente 50, 4715-043, Braga Contacto: +351 910 465 636 (chamada para a rede móvel nacional) Instagram: @clinicamaterum | @mariajoao.psicologia Facebook: Maria João Ribeiro – Psicóloga Clínica Site: clinicamaterum.pt Ostras com açaí, kimchi minhoto e cocktails do mundo: o novo Brecha quer pôr Braga a viajar à mesa “Há quem passe anos habituado ao cansaço, ao sono fragmentado e à falta de energia, até descobrir o que é voltar a respirar bem”
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