Restaurantes A nova carta do Astória é um elogio aos reencontros de inverno By Revista Spot | Dezembro 9, 2025 Dezembro 9, 2025 Share Tweet Share Pin Email O inverno começa verdadeiramente no instante em que a porta do Astória se fecha atrás de nós. Há uma mudança quase impercetível: a cidade abranda, o frio dissolve-se pela forma como o lugar nos recebe. Aqui, a estação ganha outra delicadeza. A nova carta nasce desse gesto de cuidado: não pede pressa, não procura espetáculo, apenas convida a sentir. É um inverno feito de intimidade e pausa, de conversas que se acendem devagar e de detalhes que nos lembram que o conforto é, acima de tudo, pertença. Quando o inverno abranda o mundo e a mesa ganha voz No Astória, a porta de vidro tem esta particularidade: fecha a cidade lá fora e abre um inverno diferente cá dentro. Não é o inverno apressado dos guarda-chuvas inclinados nem o inverno cinzento das rotinas; é um inverno mais humano, mais denso, mais sensorial. O tipo de inverno que pede aconchego. A sala respira um conforto discreto. Existe uma atmosfera de “intervalo”: o mundo desacelera ao entrar. “Aqui, o inverno não é um tema, é um sentimento”, diz Diogo Oliveira, que ao lado do pai, de Nuno Oliveira e do chef Sérgio Sá, define a nova carta como uma narrativa à espera de ser vivida. Entradas que são memória As entradas do Astória têm algo de prólogo, anunciam o que está para vir, mas com delicadeza. São pequenas janelas para a alma da cozinha. A viagem começa pelo Polvo à Galega, fumado, aveludado, com azeite dourado que parece absorver a luz da sala. Ao cortar, percebe-se que é um polvo pensado ao detalhe: firme onde deve ser, macio onde importa, quente como um abrigo. É o tipo de prato que inaugura um estado de espírito. Logo depois, as Gambas à Guilho revelam a nova direção da cozinha: uma elegância sem pretensão, uma simplicidade precisa, um toque caseiro trabalhado com técnica. Há um perfume de alho que sobe da mesa e um molho que pede pão e isso, numa carta de inverno, é quase uma declaração de intenção. O arroz caldoso: a estação em forma de colher No Astória, o inverno tem sempre um prato ao centro: o caldo. Os arrozes são o coração da carta, e esta estação traz três interpretações que revelam a maturidade da equipa. O Arroz de Feijão com Bacalhau Dourado é uma comfort food assumida. O feijão engrossa o caldo com generosidade, o bacalhau chega solto e luminoso, e a cada colher há uma memória de cozinha familiar, mas com um rigor que a memória muitas vezes não teve. Depois, o novo Arroz de Tamboril, servido numa bonita peça de autor, surpreende pela leveza. É inverno, sim, mas sem a densidade habitual. Há frescura, mar, um equilíbrio fino entre o caldo e o peixe que pede silêncio. E, por fim um arroz que regressa, por aclamação, o Arroz de Polvo com Polvo Panado e Grelos, um prato que se tornou uma espécie de emblema. O panado, crocante e inesperado, contrasta com o caldo profundo; os grelos dão-lhe o amargo necessário para fechar o sabor como uma nota final afinada. É o tipo de prato que poderia ser um capítulo inteiro de uma história de inverno. Carnes que revelam maturidade e fogo Este ano, o Astória decidiu elevar o nível das carnes. “Melhorar o que já é bom exige coragem”, comenta Diogo, enquanto descreve os novos cortes, resultado de uma busca exigente pela perfeição da matéria-prima. O TOMAHAWK é um daqueles pratos que entram na sala com presença: textura densa, aroma a fogo, sucos que convidam ao cuidado de cada garfada. A Picanha Argentina chega suave, quase amanteigada; a Picanha Angus, mais firme, mais profunda, interpreta o inverno com gravidade. E o Filet Mignon, delicado e preciso, é um corte que se desfaz antes de se perceber. Mais do que um prato, é um gesto de hospitalidade: o calor que se procura quando o frio afasta o corpo do centro da cidade. Sobremesas que sugerem partilha O inverno é estação de partilha. E, no Astória, as sobremesas foram desenhadas com essa intenção. A Bracara Augusta é uma sobremesa em forma de narrativa: o pudim de Abade de Priscos conta o capítulo antigo, o bolo de laranja acrescenta luz, o gelado de tangerina traz a claridade dos dias frios. É uma sobremesa que homenageia a cidade sem cair no óbvio. O Porto Sentido é uma espécie de pausa cítrica: mousse de lima, pistácio, gelado que desperta. E a Lisboa Menina e Moça introduz um tom tropical, inesperado no inverno, com as lâminas de manga, as pérolas frescas e um bolo que fecha o prato com suavidade. “A sobremesa é o lugar onde as conversas se prolongam”, garante Diogo. Uma carta de vinhos que desafia o óbvio A mudança é profunda: 70% da carta vínica foi renovada. Há vinhos que quase não se encontram noutras casas, referências discretas, rótulos que surpreendem pelo perfil aromático, e escolhas internacionais que mostram que o Astória continua a abrir portas para novas geografias. “Queremos que o vinho seja descoberta, não hábito”, acrescenta Diogo. E é essa capacidade de surpreender que dá à carta o brilho de uma coleção. O ritual final Há quem termine o jantar com uma aguardente velha, há quem prefira o whisky Nikka, elegante, premiado, quente como uma lareira tardia e há quem suba ao rooftop com o copo na mão, a ver Braga de cima, como se a noite estivesse só a começar. No Astória, o inverno não acaba no prato, prolonga-se no andar seguinte. Doze anos de casa: uma história cozinhada em lume brando A maturidade do Astória sente-se na cozinha, mas também no modo como a equipa olha para trás. “Estamos no nosso melhor momento”, admite Diogo com uma honestidade serena. Mas o que dá força ao Astória não é a perfeição: é a continuidade. É o facto de, ao longo de doze anos, nunca terem perdido a identidade, mesmo quando tudo à volta mudou. “O Astória cresceu, evoluiu, sofisticou-se. Mas nunca perdeu aquilo que o define: o cuidado, o rigor, o toque familiar, a cozinha que abraça sem deixar de surpreender”, partilha Diogo. É essa mistura, memória e desejo, que faz do Astória um lugar onde não se vem apenas jantar: vem-se para escrever memórias e reencontrar a essência. Morada: Praça da República, Braga Contacto: 916 022 992 Facebook: Café AstÓria Instagram: @caferestauranteastoriabraga “Todos os dias, milhares de portugueses acordam com a mesma sensação: um corpo tenso, preso em gestos que já não fluem como antes. A dor tornou-se rotina” A Dona Petisca diz olá ao Inverno com o lançamento de uma francesinha, as míticas papas de sarrabulho e segredos de Natal que aquecem a alma
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