COMER/Eventos/Garrafeiras Este Natal a Corriqueijo conta histórias de pequenos produtores em tábuas e cabazes com rosto By Revista Spot | Dezembro 8, 2025 Dezembro 9, 2025 Share Tweet Share Pin Email Na Corriqueijo, o Natal não começa em dezembro. Começa meses antes, no silêncio húmido das caves, no gesto paciente de virar um queijo, no cuidado de escolher uma compota feita à porta de casa e na vontade antiga de oferecer algo que tenha história, mãos e verdade. Cada produto tem um passado, uma infância, uma família. Antes sequer de falarmos dos queijos, esses mundos silenciosos que respiram lentamente ao ritmo das pastagens, falamos dos cabazes. Porque aqui, um cabaz não é um conjunto de coisas: é um gesto. Uma construção afetiva, um retrato da pessoa que o vai receber. Um Natal que nasce no interior dos queijos Quando alguém liga a pedir “um cabaz de Natal”, Ana Rita Lima não abre uma lista. Abre um imaginário. Escolhe vinhos de pequenos produtores, compotas artesanais de Braga e arredores, chocolates trabalhados por mãos conhecidas, infusões com história, crackers frágeis como neve fina, azeites artesanais que brilham como ouro antigo. Junta facas e tábuas de madeira que parecem ter sido guardadas para ocasiões especiais. Tudo com a mesma lógica: produtores pequenos, histórias grandes. “Só vendo aquilo em que acredito. Gosto de saber quem fez cada coisa. É o que torna o presente mais humano. Cada frasquinho, cada garrafa, cada peça tem um rosto. É isso que quero oferecer no Natal: rostos”, partilha. A arte de uma tábua que é também uma memória A montra da Corriqueijo nunca é estática. Porque o queijo artesanal vive de ciclos, de pastagens, de clima, de tempo. Há queijos que aparecem uma vez por ano. Outros que chegam em novembro para serem cuidados até ao Natal. E muitos que simplesmente… não voltam. E é aí que está a magia. Quando lhe perguntamos como faria uma tábua para uma ceia de Natal, Ana Rita sorri como quem abre um segredo. A regra é simples: três leites, vaca, ovelha, cabra. Amanteigado, semiduro e duro. E depois o resto é poesia. Um corte que ondula, um queijo que se abre como flor, outro que esconde uma textura inesperada. Às vezes, um queijo de cabra recheado com chocolate, porque o Natal merece atrevimento. E há o detalhe invisível: semanas a virar queijos, a curá-los, a perceber quando ainda “não estão prontos” e precisam de mais uns dias de cave. Há clientes que esperam um ano inteiro por aquele exemplar envolto em aguardente velha, que só aparece em dezembro, maturado com a paciência de quem prepara presentes antes do tempo. No fundo, uma tábua da Corriqueijo não se descreve: descobre-se ao provar. É por isso que ela evita publicar “listas”. “O queijo quer surpresa”, diz. “Quer ser sentido antes de ser nomeado.” A viagem de Braga para o mundo e do mundo para a mesa As pessoas chegam à Corriqueijo com desejos específicos: “Quero um queijo que comi na Suíça”, “Quero aquele norueguês que provei nas férias”, “Quero descobrir algo totalmente novo”. Nem sempre existe. Muitas vezes, existe uma versão artesanal ainda melhor. É essa a curadoria da Rita: mostrar o mundo pelos queijos que não aparecem nas grandes prateleiras. Aqui, o queijo tem nome, tem quintal, tem estação, tem cheiro às terras e às mãos que o fizeram. O Natal visto do lado de dentro Na época mais intensa do ano, Ana Rita Lima trabalha como quem prepara um presépio invisível. Cada queijo é uma personagem. Cada produtor, uma estrela que guia. Há queijos portugueses que viajam até à Serra da Estrela, ilhas com vento salgado, planícies onde o inverno sabe a ervas. Há também os estrangeiros, suíços, franceses, noruegueses, que aparecem e desaparecem conforme a produção artesanal permite. Nada é garantido; tudo é raro. O modelo da Corriqueijo lembra a filosofia da britânica Neal’s Yard, que há décadas compra diretamente a pequenos produtores. Em Braga, numa escala micro, Ana Rita faz o mesmo: seleciona, cuida, preserva e dá palco a queijos que não se encontram em lado nenhum. Porque aqui o Natal é sobre histórias, não sobre pressas Num mundo apressado, a Corriqueijo lembra-nos que o Natal é feito de rituais, como abrir um brie e recheá-lo com frutos secos, escolher o vinho certo para acompanhar um queijo que só existe ali, ou preparar um cabaz que não vive de marcas, mas de pessoas. E talvez seja isso que faz deste lugar uma pequena varanda sobre o espírito natalício: a certeza de que, quando provamos um queijo artesanal, estamos sobretudo a provar uma história. A história de quem o fez. A história de quem o escolheu. A história de quem o oferece. Na Corriqueijo, o Natal sabe exatamente a isso: a memórias que se partilham, a gestos que se afinam com o tempo, a raridades que se tornam presentes porque têm alma. E ao sair, com o frio a entrar pelas portas da Rua dos Biscaínhos, percebemos que a aventura de Ana Rita, deixar o ensino para nos ensinar mais sobre o mundo do queijo, continua a ser uma das histórias mais bonitas de Braga. Um conto de Natal que se come devagar. E que se lembra para sempre. Morada: Rua dos Biscaínhos 89, 4700-210 Braga Contacto: 968 783 926 (chamada para a rede móvel nacional) Facebook: Corriqueijo Instagram: @corriqueijo “A importação automóvel aumentou em Portugal e, em 2025, a eletrificação e a digitalização reinventaram o setor” “Na maternidade, no envelhecimento, na lesão ou no cansaço silencioso dos dias, a FisioMov cuida das histórias que o corpo conta”
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