NUTRIÇÃO “Muitas mulheres vivem em guerra com a comida sem perceberem que estão presas a uma dependência silenciosa” By Revista Spot | Abril 14, 2026 Abril 16, 2026 Share Tweet Share Pin Email Uma mulher na menopausa, uma mulher no pós-parto e uma empresária sujeita a elevada pressão mental podem até partilhar o mesmo desejo de emagrecer, mas não chegam todas ao mesmo corpo, nem à mesma história. Entre hormonas, fadiga, sobrecarga mental, emoções acumuladas e uma relação muitas vezes difícil com a comida, o emagrecimento feminino está longe de ser uma equação simples. Ainda assim, continua a ser tratado, demasiadas vezes, como se bastasse cortar calorias e ter força de vontade. A nutricionista Joana Mourisco parte precisamente do contrário. Emagrecer não significa apenas perder peso, mas compreender padrões, trabalhar crenças, regular emoções e olhar para cada mulher como um todo, recusando planos iguais para vidas completamente diferentes. Entre fome emocional, dietas restritivas, menopausa, stress e o boom dos medicamentos para perder peso, propõe uma nutrição mais personalizada, profunda e consciente. Nesta entrevista, desafia-nos a repensar a relação entre corpo, comida, identidade e saúde feminina. O seu percurso revela uma preocupação que toca dimensões como o comportamento, as emoções, o emagrecimento e a saúde da mulher. Como foi construindo esta visão da nutrição? Sabe, eu desde cedo percebi que a nutrição clássica não me dava tudo o que eu queria entregar às minhas clientes. Então, quando comecei a estudar desenvolvimento pessoal e fiz mentoria de autoconhecimento emocional para mim, porque estou em constante evolução, senti aquele clique de “é mesmo esta a minha missão”. Vou juntar todo este conhecimento à nutrição e criar um método diferenciado de nutrição emocional, para mulheres como eu, ativas, com vidas preenchidas, cansadas de dietas e que merecem ter a confiança e o corpo que desejam. Sinto que o futuro passa por aqui, por uma nutrição 360, que avalie a mulher como um todo: corpo, mente e emoções. A criação de uma nova identidade de “mulher magra” é a chave do sucesso. Isto é mudança de mentalidade. Há cada vez mais mulheres cansadas de viver entre controlo, culpa, compulsão e recomeços. Em consulta, sente que muitas chegam já exaustas não apenas do excesso de peso, mas de anos de guerra silenciosa com a comida? Claro que sim. Vejo mulheres incríveis, em posições de liderança, com sucesso em várias áreas da vida, a chegarem até mim frustradas e derrotadas no que diz respeito ao corpo, à sua imagem e autoestima. Acontece todos os dias. E é mesmo a minha missão, devolver-lhes a leveza que precisam. Uma pergunta que faço sempre é “quanto é que o teu peso impacta a tua vida?” E ganhar esta consciência é um processo duro, mas necessário. Viver constantemente refém da comida é uma adição como qualquer outro vício. E a culpa é dos piores sentimentos que podemos ter. Trabalhar a mente, desconstruir crenças sobre comida e sobre quem somos, identificar padrões bloqueadores, e assim criar estratégias personalizadas, são, para mim, os pontos chave do emagrecimento. Porque é que tantas dietas restritivas continuam a falhar e o que é que elas podem destruir pelo caminho, não só no metabolismo, mas também na relação emocional com a alimentação? As dietas restritivas já estão fora de moda, porque todos precisamos de flexibilidade e equilíbrio. A partir do momento que deixamos de encarar uma fatia de bolo como uma falha e passarmos a encarar como um momento extra plano, passamos a viver com essa flexibilidade saudável. Já sabemos que uma grande restrição leva à diminuição do metabolismo, que resulta numa menor capacidade de queimar gordura. E estamos a emitir ao cérebro um sinal de alerta, de perigo, e o corpo responde de que forma? Compulsão. O nosso corpo é uma máquina perfeita, que temos de aprender a manusear a nosso favor. Cada dieta falhada é mais uma crença que fica gravada, do género “comigo as dietas não funcionam” ou “eu sou muito difícil para emagrecer”. Estes pensamentos vão destruindo emocionalmente a mulher. Eu uso muito a frase: “a cada dia que passa temos novas ferramentas para nos tornarmos na nossa melhor versão”. E isto permite-nos ser diferentes a cada dia, pensar diferente e agir de forma diferente. “Escolhe a nova mulher que queres ser, mais magra e de bem com o corpo e a comida, e comporta-te como ela, pensa como ela, decide como ela, age como ela todos os dias. Ela já existe em ti”. O que é que a prática clínica lhe tem mostrado sobre tudo aquilo que a narrativa da “força de vontade” continua a ignorar, nomeadamente fome emocional, stress, privação, sono, história alimentar e relação com o corpo? Durante anos o excesso de peso e obesidade eram vistos como desleixo e falta de força de vontade. Pensar dessa forma é ignorar que somos seres humanos, e que a mulher especificamente é um cocktail hormonal incrível, com as emoções ao rubro. A motivação ou força de vontade é apenas um recurso que se esgota em situações adversas, como cansaço ao final do dia, picos de stress e autossabotagem. Na prática clínica vejo mulheres líderes em várias áreas, que simplesmente usam a comida como uma fonte de regulação emocional. E isto é-nos ensinado na infância. O chupa-chupa como recompensa, o gelado quando estamos tristes, a comida preferida porque estamos doentes. Tornamo-nos adultos com a programação de que a comida é igual a conforto. O que eu faço nos meus Programas de Nutrição é precisamente identificar estas crenças e padrões, reprogramar e ensinar novas estratégias de regulação emocional. Acredito que é esta nova realidade que nos leva a resultados diferentes! E vejo isto acontecer todos os dias com tantas mulheres. Em relação ao stress, à privação excessiva e ao sono, tudo isto desregula as nossas hormonas e tem um impacto negativo no nosso corpo. Muitas vezes é devido a isto que o emagrecimento está bloqueado. Temos sempre de analisar e personalizar. É um trabalho muito holístico e o motivo de não podermos seguir todos o mesmo plano alimentar. Como seres individuais precisamos de uma resposta individual. A relação emocional com a comida é um dos temas mais urgentes da atualidade. O que é que muda quando se deixa de olhar apenas para a balança e se começa a trabalhar a raiz do comportamento alimentar? Muda tudo! E é mesmo este o ponto, olhar para a raiz do problema. Sei que o número da balança tem muito impacto para muitas mulheres, mas o tratamento definitivo passa por analisar o padrão por detrás disso. Qual a emoção que está por detrás da fome emocional, gatilhos específicos de sabotagem, e como conseguir ter prazer sem recorrer à comida. A grande transformação acontece quando a mulher muda de identidade, deixa de ser refém das calorias e assume a responsabilidade das suas decisões diárias. É por isso que os meus Programas de Nutrição são para mulheres decididas a mudar de identidade para uma versão de mulher magra e feliz. Vivemos também o boom dos medicamentos para emagrecer, um tema incontornável e muito atual. Como olha para esta nova realidade e o que é importante dizer, com honestidade, sobre aquilo em que estes fármacos podem ajudar e sobre tudo aquilo que, por si só, não resolvem? Sim, estamos numa nova era do emagrecimento. E isso tem muitos aspetos positivos, principalmente o facto de a obesidade finalmente passar a ser reconhecida como uma doença crónica e não uma escolha. Estes fármacos são uma boa estratégia para algumas pessoas, porque têm grande impacto na saciedade e na perda de peso mais rápida. Podem realmente ser uma estratégia, mas sabemos que não são solução a longo prazo. Chegaram sob a forma de promessa, sendo a caneta milagrosa do emagrecimento. E muitas vezes faz com que pareça fácil, milagroso e imediato. As pessoas precisam de perceber que sem mudarem o estilo de vida e hábitos diários não conseguem ter resultados duradouros. E quando suspendem o fármaco o corpo tende a recuperar o peso perdido em 18 meses. E, honestamente, a grande questão é que se não houver um acompanhamento multidisciplinar a mulher vai continuar a usar a comida como regulação emocional e caso tenha perdido massa muscular, que é muito frequente, vai ter um metabolismo mais lento e mais propenso a ganhar peso novamente. Tenho clientes a fazer Ozempic, Mounjaro, Wegovy, e vejo de perto a grande diferença que existe quando temos o acompanhamento nutricional certo. Mais perda de peso, menos diminuição de massa muscular, maior controlo dos efeitos secundários como náuseas, e mais energia durante o processo. Um dos temas que aborda é o facto de o corpo parecer “lutar” para recuperar o peso perdido. O que é que gostaria que mais pessoas compreendessem sobre adaptação metabólica, restrição excessiva e a sensação frustrante de “eu faço tudo certo e não consigo manter”? Gostaria que as mulheres parassem de se sentir culpadas por um mecanismo biológico do corpo. A adaptação metabólica acontece naturalmente. E a restrição calórica excessiva desperta uma resposta de defesa no organismo, porque o corpo sente esta restrição como uma ameaça e entra no modo “poupança de energia” passando a trabalhar de forma mais lenta com o objetivo de voltar ao peso que ele conhece como confortável. A frustração de “fazer tudo certo e não conseguir manter”, muitas vezes tem uma crença por trás, e outras vezes acontece porque são precisos alguns meses para que o corpo passe a identificar este novo peso como confortável e deixe de o sentir como uma ameaça. Nestes casos, eu trabalho com a reprogramação mental associada à nutrição personalizada. E assim conseguimos a verdadeira transformação. O universo feminino atravessa fases muito diferentes, ciclos hormonais, maternidade, cansaço crónico, sobrecarga mental e alterações de rotina. Como é que tudo isto interfere na relação com a comida, no metabolismo e no emagrecimento, e porque é que uma abordagem igual para todas tende a falhar? Aqui posso falar na primeira pessoa. Nós mulheres com vários papéis na sociedade, e seres emocionais ligados ao lado mais feminino, vivemos realmente inúmeras flutuações hormonais ao longo do dia, do mês, dos anos e da vida. A nutrição também deve ser adaptada a cada fase da mulher para ser eficaz. Uma mulher na menopausa, uma mulher no pós-parto e uma mulher executiva sujeita a elevada pressão mental podem até partilhar o mesmo objetivo de emagrecer, mas terão necessidades, rotinas, crenças e histórias de vida distintas. Por isso, usando o meu método de emagrecimento, consigo personalizar e ajudar cada uma delas como seres únicos que são. Os meus acompanhamentos são premium porque são altamente personalizados e eu analiso cada pormenor. Não entrego apenas uma dieta, entrego as ferramentas necessárias para que a pessoa possa, com prazer, chegar ao seu objetivo. A mulher que começa o meu programa não é seguramente a mesma que acaba o meu programa. É uma mulher que acabou de renascer. A perimenopausa e a menopausa continuam a ser fases muito marcadas por desinformação, frustração e alterações difíceis de reconhecer. O que é que gostaria que mais mulheres compreendessem sobre metabolismo, composição corporal, apetite, emoções e relação com a comida nesta etapa da vida? Gostaria que olhassem para esta nova fase sem tabu. Gostaria que não desejassem nada menos que o melhor para elas todos os dias. E que procurassem ajuda, mal começam a sentir-se fora do controlo. Aqui o desafio é minimizar sintomas, mudar a estratégia e devolver a estas mulheres a confiança em si. Ensinar-lhes a ouvir o seu corpo e os sinais que ele dá. Aqui também aplico os meus conhecimentos em fitoterapia e muitas vezes aconselho suplementos naturais, como óleo de onagra, cimicifuga, ashwagandha e vitamina D. Mas é sempre tudo muito individualizado. Numa altura em que tantas pessoas querem resultados rápidos, o seu trabalho parece apontar para transformação, consistência e reconciliação com a comida. O que é que significa, para si, um verdadeiro sucesso em consulta: perder peso, manter resultados ou finalmente deixar de viver em guerra com o próprio corpo? Para mim, o verdadeiro sucesso é uma combinação dessas três coisas. Conseguir perder 5, 10, 20kg, e sentir-se bem e livre. Acontece quando me contam que “já não vestem mais fato de treino e já vestem a roupa normal”. Ou quando me dizem “parei de pensar todo o dia em comida, agora já me sinto livre”. O sucesso é quando vejo que a mulher já fez as pazes com o espelho, quando se olha com admiração e não mais com julgamento. Os meus programas não são apenas consultas de nutrição, são o caminho para mulheres que estão verdadeiramente decididas a mudar de vez a sua relação com a comida e o seu corpo. Eu guio mulheres na construção da sua melhor versão. Instagram: @joanamourisco.nutri Facebook: Joana Mourisco Nutricionista Marcações: linktr.ee/joanamourisco.nutri WhatsApp: +351 910 307 080 “O problema começa quando a vontade de melhorar dá lugar ao desejo de parecer outra pessoa” “A ortodontia não se resume ao que se vê no espelho, mas a tudo aquilo que muda na vida das pessoas”
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