Psicologia “Muitas desilusões conjugais começam em expectativas que nunca foram ditas” By Revista Spot | Maio 7, 2026 Maio 8, 2026 Share Tweet Share Pin Email Poucos casais se sentam, antes da chegada de um filho, para perguntar: como vamos continuar a ser nós quando tudo mudar? A chegada de um filho pode ser um dos acontecimentos mais transformadores de uma relação, mas também um dos menos preparados do ponto de vista emocional. Entre o cansaço, a privação de sono, a divisão de tarefas, a quebra do desejo e as expectativas que nunca foram discutidas, muitos casais descobrem que o amor, por si só, não organiza a vida. Muitas vezes, a parentalidade ilumina aquilo que já estava frágil. Lídia Oliveira, especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, com intervenção em terapia de casal, sexologia clínica, gravidez, parentalidade e fertilidade, olha para a conjugalidade sem romantismos fáceis. Para a psicóloga, uma relação não se sustenta pela ausência de conflito, mas pela capacidade de o reparar; não vive apenas de amor, mas de presença, comunicação, desejo, segurança, responsabilidade partilhada e cuidado diário. Nesta entrevista, fala-se do casal antes e depois dos filhos, da intimidade que se perde, do cansaço que desgasta e da urgência de voltar a olhar para o outro. O que é que realmente sustenta, ou fragiliza, uma relação? Antes de mais, é com enorme gosto que partilho aqui um bocadinho do meu saber clínico, com o objetivo de munir os leitores de um pouco mais de conhecimento sobre a conjugalidade. Através da minha experiência profissional, compreendi que o que mais fragiliza a relação é a repetição de conflitos que levam a ciclos exaustivos pela incapacidade de encontrar soluções que resolvam os problemas do casal. Os temas vão desde as dificuldades na transição do ciclo de vida, a monotonia e/ou desinteresse na relação, a insatisfação sexual, as relações extra-conjugais, os ciúmes, tarefas domésticas, a gestão parental, as famílias de origem, o tempo livre, as redes sociais… No fundo, ao contrário do que se pensa muitas vezes, o que sustenta o casal não é a ausência de conflito, mas a eficácia da sua reparação. Uma relação sólida é aquela que consegue transformar o “conflito destrutivo” num “desacordo seguro”, onde a conexão emocional nunca é verdadeiramente rompida. Tenho casais que me dizem “mas quando estamos bem, estamos mesmo bem”; no entanto, é muito importante perceber que a relação deve construir a capacidade de se adaptar a crises de desenvolvimento pois, na verdade, aprendi que a fragilidade surge, muitas vezes, não por falta de amor, mas por uma falha na comunicação emocional perante stressores externos e internos. Em resumo, um casal é “feito do que o casal faz”. Mais do que se amarem, o que sustenta uma relação é a priorização, o investimento consciente e a partilha de responsabilidade, o “amar pelos dois” não funciona. É essencial o vínculo seguro, conflitos “macios” e respeitosos, e a capacidade de travar “guerras” juntos e não um contra o outro. O que é que um casal precisa de cultivar para não se transformar apenas numa rotina a dois? A segurança é a base de qualquer casal, só depois vem o crescimento. O equilíbrio entre a segurança (vínculo) e o mistério (desejo) é o grande desafio; uma relação sobrevive com segurança, mas prospera com a manutenção da curiosidade e da individualidade de cada um. A amizade e o conhecimento mútuo são excelentes alicerces. Diria que podemos falar em alguns pilares fundamentais: 1) a segurança, ou seja, é crucial a existência de uma base segura, saber que o outro é o nosso “porto de abrigo” em momentos de adversidade; ter serenidade e tranquilidade quando abro a porta de casa; 2) o tempo a dois, isto é, priorização do projeto comum, tempo para o casal, interesse pelo outro; 3) o tempo individual, pois o investimento no eu permite a diferenciação do self, alimenta a admiração e a curiosidade, mantém a possibilidade de descoberta, produz “mistério” e erotismo, fundamentais ao desejo; 4) a satisfação sexual; 5) a satisfação intelectual, em que pretendemos o prazer de falar com o outro e de produzirmos uma comunicação saudável na relação; 6) a intimidade emocional, em que há a confiança para partilhar os meus pensamentos e emoções, onde não sinto a minha identidade pessoal ameaçada mas, ao mesmo tempo, há a permeabilidade equilibrada para ter em conta aquilo que o outro me diz; 7) gosto da palavra “kindness” para englobar a generosidade, a consideração e a preocupação com o outro, com a tentativa de controlar a impulsividade, com vista à manutenção do respeito, da compreensão e da empatia, sobretudo, em momentos de conflito; 8) e, sem dúvida, os limites definidos para cada um dos membros do casal. Parece muita coisa e é! Tudo o que vale a pena dá muito trabalho! Às vezes, temos tendência a acreditar que o amor é “natural”, sem esforço. Mas o amor não acontece, constrói-se! Porque é que continua a faltar tanta literacia emocional sobre o impacto que a parentalidade pode ter na vida conjugal? A relação é a primeira casa do bebé! Cuidar da saúde mental do casal é, na verdade, um ato de prevenção para a saúde da sociedade atual e futura. Mas ainda continuamos a dar primazia à saúde física, porque ainda nos focamos no parto quase de forma exclusiva. Os cursos de preparação começam, agora, a ser chamados de “cursos de preparação para a parentalidade” mas, na verdade, continuam a focar-se nos cuidados ao bebé, ou seja, na parte logística de ser mãe e pai. O parto é um momento muito importante, mas, a partir daquele momento, tornamo-nos cuidadores para o resto da vida. Cuidadores para a sobrevivência física, mas também para o desenvolvimento emocional. Perante o peso desta enorme responsabilidade, torna-se igualmente vital que nós próprios sejamos objeto de cuidado. O problema de tudo isto é que ainda impera a idealização da maternidade e os mitos da “felicidade plena” nesta fase. Muitas grávidas sofrem mal-estar psicológico significativo, mas muitas silenciam-no por medo do julgamento ou do estigma. Preparar o quarto é tangível; preparar a mente para a parentalidade exige admitir que a chegada de um filho é um acontecimento stressor, mas isto “não é socialmente bem aceite”. É bem aceite a romantização do sacrifício total. Agora, lentamente, já começamos a perceber que a parentalidade permite também a capacidade de sermos pais dedicados sem perdermos a nossa integridade e identidade enquanto indivíduos e parceiros amorosos. A intervenção preventiva (como os cursos de preparação que incluam a componente relacional) é essencial para fornecer ao casal ferramentas de comunicação e reparação antes da chegada do stress real da privação de sono e sobrecarga física, cognitiva e emocional. De que forma a parentalidade tende a amplificar dinâmicas que o casal já trazia consigo? A parentalidade funciona como um amplificador de stressores. A forma como um casal reage às dificuldades que um bebé pode trazer depende dos seus recursos, das perceções que já possuíam e das expectativas que construíram sobre esta fase. Se o casal já trazia problemas não resolvidos, estes tendem a colidir e aumentar nesta nova rotina. A parentalidade não inventa conflitos, o bebé não “traz problemas”, esta fase a três expõe as lacunas da relação, porque toda a sobrecarga retira a energia necessária para o resolver, e o casal passa a “gritar” pela resolução de problemas prévios, de forma urgente para sobrevivência. Para além dos problemas que já trazíamos na bagagem, não nos podemos esquecer que, com o cansaço extremo, o nosso sistema nervoso entra em “hipervigilância” e, quando estamos “inundados”, o cérebro desliga a parte lógica e ativa a de sobrevivência. Deixamos de ouvir o parceiro e passamos apenas a reagir a ameaças percebidas. O sono não é apenas descanso físico, é um regulador emocional. Sem ele, a nossa capacidade de empatia e de leitura de sinais não-verbais diminui drasticamente. Começamos a interpretar a expressão cansada do parceiro não como “ele está exausto”, mas como “ele está zangado comigo”. Por último, mas igualmente importante, o que traz a insatisfação conjugal com a chegada de um bebé é o defraudar das expectativas que se criaram, mas que, na verdade, não foram faladas. “Eu achava que ele ia ajudar mais”; “Eu achava que a nossa sexualidade ia acabar por voltar a ser como era”; “eu achava que íamos conseguir manter a nossa vida próxima do que era”; “nunca pensei que fosse assim”. E surge o desencantamento, a desilusão, o passar a olhar para o outro com um filtro negativo. Mas não é a transição para a parentalidade em si que provoca um declínio na relação conjugal, foi o trabalho conjugal que não foi feito antes desta fase chegar. Quais são as expectativas mais irrealistas com que muitos casais entram nesta fase? Como disse anteriormente, ainda se romantiza muito a parentalidade, quer através das redes sociais, quer porque “parece mal, pareço má mãe” se expressar emoções negativas relativas a esta fase. Ouço, muitas vezes, em consulta, frases como “fiquei muito desiludido porque os meus casais amigos disseram sempre que serem pais é a melhor coisa do mundo”; “sempre me disseram que isto era a melhor fase da nossa vida”; “senti-me enganada por todas as pessoas que me passaram a ideia de que ser mãe era absolutamente extraordinário”. As expectativas irrealistas tornam-se em expectativas defraudadas e, por vezes, em ressentimentos silenciosos. Acreditamos, muitas vezes, que ser mãe ou pai é puramente instintivo. Que, como por mágica, a divisão de tarefas será equilibrada sem esforço, sem necessidade de negociação assertiva; que o desejo sexual e a disponibilidade emocional se irão manter iguais perante a privação de sono e a fadiga. A mulher vive uma transição biológica e hormonal profunda, enquanto o homem pode ter uma consciencialização mais tardia e dificuldade em encontrar o seu lugar nos cuidados práticos. A ideia de que “o amor supera tudo”, seja pelo bebé, seja entre o casal, ignora a necessidade de que há um trabalho conjugal que precisa de ser feito, mas o cansaço vai afetar a empatia (apesar de esperarmos que o outro seja sempre empático nesta fase), e a privação de sono será um travão ao bem-estar relacional. Esperar que o outro adivinhe as nossas necessidades sem comunicarmos, ou que a vida sexual regresse ao que era sem investimento, leva à exaustão, à frustração, à desilusão, sobretudo porque avaliamos a relação “à luz do que costumava ser”. Quando é que a parentalidade começa a ocupar todo o espaço e a apagar a identidade amorosa da relação? Eu diria que não apaga, mas, na verdade, o sistema parental sobrepõe-se ao conjugal. O casal deixa de olhar um para o outro de forma enamorada, e todo aquele olhar ternurento é dirigido ao bebé. Este desvio do olhar cria uma sensação de invisibilidade mútua. Inevitavelmente, a relação deixa de ser o centro do universo para passar a ser a periferia que sustenta o centro (o bebé). Mas não podemos ver o outro apenas com funções parentais. Efetivamente, temos menos tempo para a conjugalidade, mas não podemos deixar de a alimentar. Na verdade, a literatura demonstra-nos que existe uma queda acentuada na satisfação conjugal nos primeiros anos após o nascimento do bebé. E isto acontece quando a vida familiar se desloca inteiramente para a função parental, transformando o companheiro apenas em “pai” ou “mãe”. Entra-se no “modo operacional” de sobrevivência, onde a logística se sobrepõe e já não há energia para a comunicação emocional. Para mantermos a identidade amorosa, o casal precisa de manter a capacidade de praticar a intimidade do self: a partilha de quem eu sou agora, com as minhas novas angústias e desejos, e não apenas o que eu faço enquanto pai/mãe. O desaparecimento do “eu” individual é o primeiro passo para o desaparecimento do “nós” amoroso. O casal que se foca em ser “eficiente” deixa de ter espaço para a curiosidade um pelo outro. E o amor pode tornar-se frágil, se o associarmos ao tédio, à habituação, à falta de imaginação, à exaustão. O excesso de ocupação é a maior forma de evitar a intimidade. Porque é que o desejo, o toque e a disponibilidade emocional podem mudar tanto depois da chegada de um bebé? Como recuperar? Somos dos países da Europa com mais casais a trabalhar a tempo inteiro, enquanto tomam também conta dos seus filhos, somos um dos países com maior sobrecarga e com menos medidas de apoio para os bebés. A exaustão inibe o desejo. A sobrecarga e distância emocional diminuem o desejo. A rotina do bebé pode ser um “travão” para o desejo. Entramos num estado de sobrevivência, em que parece que quase tudo é um luxo. O stress aumenta o cortisol, o que faz estragos nas hormonas sexuais e baixa a líbido. É difícil desejar alguém que vemos exclusivamente no papel de cuidador exausto ou que não dá o suporte de que necessitamos. O foco nas tarefas, ou o desligamento delas, anula o espaço erótico. É aqui que percebemos que a intimidade emocional (ser visto, ser cuidado) tem um peso enorme para que o casal “sobreviva” a esta fase. Porque, na verdade, o sexo, na maior parte das vezes, não é um problema isolado. Não se pode trabalhar a sexualidade sem trabalhar a relação e, por isso, temos que ter em conta tudo aquilo que acontece antes, durante e depois das relações sexuais. Lavar a louça sem eu pedir pode ser um autêntico afrodisíaco. Faz com que se volte a olhar para o outro como alguém diferente de mim e, quando consigo fazer este “zoom out”, este “distanciamento”, há uma maior probabilidade de aumentar o desejo. No entanto, é preciso efetivamente valorizar e incidir no toque não-sexual, na proximidade, no prazer sem a pressão da performance, o toque que permite “sentir o sexo de olhos fechados”. Para além disto, é importante falar do desejo responsivo, ou seja, aquele que surge durante o contacto e não antes. Continuamos a esperar aquelas “vontades inesperadas”, em que um olhar desencadeia tudo, um bocadinho como nos filmes. Nesta fase, precisamos de investir na intimidade física e emocional, ou seja, no toque, na validação, na partilha, para que o sistema nervoso relaxe e permita que o desejo apareça ou que permita que nos envolvamos neste momento e que ele surja à posteriori. O que faz realmente diferença na prática? Cada casal vai começar por áreas de trabalho relacional diferentes, consoante aquilo que necessitar de priorizar. Quando um casal sente que a distância se instalou, a reconstrução não é um evento único, mas um processo de reorganização e adaptação. Não existe uma fórmula mágica. Na terapia não trabalhamos o amor, trabalhamos as dimensões da relação. Ou seja, trabalhamos para reconstruir o amor com base no reconhecimento, nas memórias positivas, no enamoramento, na partilha das tarefas, do lazer individual e conjugal, ou seja, no cultivar de interesses comuns, com o foco no prazer emocional e sexual. Mas antes de tudo, os dois têm que estar conectados para o trabalho de reconstrução. Na prática, isto significa sentarem-se e dizerem: “Estamos exaustos e distantes, mas isto é o resultado de uma fase exigente, não é o fim do nosso amor.” Mas eu diria que este amor só sobrevive e se reconstrói com a presença. Ser visto e ser cuidado. Sentar. Olhar. Ouvir sem julgar. Conversar. A reconstrução exige comunicação assertiva para expressar necessidades e emoções sem culpar. Em resumo, tempo de qualidade! Nem que sejam 10 minutos. O casal na agenda. O interesse genuíno pelo outro. Ter iniciativa. Permitir ser e dar colo. Fazer um chá para o outro. Enviar uma mensagem de apoio durante o dia ajuda a manter a sensação de “união”. O toque. O “estou aqui contigo”. O casal só sobrevive com influência mútua, com trabalho de equipa, com suporte de ambos. E com o revisitar frequente do “amo-te”, do “quero-te”, porque, já dizia Freud, “uma pessoa torna-se forte quando se sente segura de ser amada”. Na prática, temos que começar por pequenas vitórias, como o reconhecimento do esforço do outro. Sem esquecer, claro, a componente logística, como uma divisão “justa” das tarefas, uma vez que a perceção de injustiça na carga de trabalho é um dos maiores preditores de conflito. Que sinais devem levar um casal a perceber que já não está apenas cansado, mas verdadeiramente em sofrimento relacional e talvez a precisar de ajuda especializada? O cansaço passa com descanso; o sofrimento relacional manifesta-se quando há um mal-estar clinicamente significativo, ou seja, que afeta negativamente o dia a dia, num loop de conflitos que se repete e não se consegue resolver. Por exemplo, a distância emocional que parece irreparável, quando o casal olha para o outro com uma “lente negativa” constante ou quando um dos elementos está apenas de “corpo presente”, sem investimento na mudança. Mas os sinais vermelhos passam pela crítica, pelo desprezo, pela defensividade e pelo silêncio punitivo. A indiferença é, provavelmente, o sinal mais grave, quando já nem se discute porque “não vale a pena”, em que estamos perante um desligamento emocional. O sentimento persistente de solidão estando acompanhado é também um fator de risco. Em resumo de tudo isto, a desconexão emocional precisa de intervenção. Pedir ajuda especializada é um ato de resiliência que protege não só o casal, mas o desenvolvimento neuropsicológico e emocional do bebé. Falamos muitas vezes da entrada na parentalidade depois da chegada de um filho, mas menos do que acontece aos casais que passam por processos de fertilidade antes desse momento. Que marcas é que esse percurso pode deixar na relação? A entrada na parentalidade após um percurso de Procriação Medicamente Assistida é frequentemente marcada por um período de stress acumulado. O casal não começa a sua jornada do zero, começa com uma bagagem de esperas, procedimentos e decisões clínicas complexas, que trazem muito desgaste físico e emocional. Este percurso pré-concecional, muitas vezes longo e pautado por lutos invisíveis a cada tentativa falhada, exige uma resiliência extrema que pode deixar a relação exausta antes mesmo de o bebé chegar. O meu foco é ajudar o casal a reestruturar expectativas e a fortalecer a sua autoeficácia. Trabalhamos para que a gravidez e a chegada do bebé sejam vividas como um projeto de vida que exige, acima de tudo, autocompaixão e aceitação da incerteza, sem exigência da “perfeição” ou da “idealização”, depois de se ter passado por um enorme investimento emocional e clínico. É fundamental validar que a alegria da concretização do desejo de ser pais coexiste frequentemente com o medo da perda e a fadiga acumulada dos tratamentos. Nesta fase, a intervenção foca-se em transformar a bagagem clínica numa base de apoio mútua, onde o casal possa reconhecer o esforço um do outro e reconstruir a intimidade que muitas vezes foi mecanizada pelos protocolos de fertilidade. Como costumo dizer, este tema é tão complexo e sofrido, que daria para uma outra entrevista! 🙂 Um casal acabou de ler esta entrevista e quer fazer algumas melhorias, desde já. Por onde começar? Vamos então a algumas estratégias práticas, relembrando que faltará sempre trabalhar os padrões emocionais que dão origem ao conflito e que precisam de ser desconstruídos, ou seja, tratar a “doença” e não só os sintomas. Vamos começar por uma das coisas, na minha visão clínica, mais importantes, a escuta e a empatia. Ouvir o outro sem interromper e aceitar os seus sentimentos sem julgamento. Promover a partilha de emoções e opiniões regularmente. Antes de responder, validar se a mensagem foi bem compreendida e dizer algo como: “O que eu compreendi foi isto… é isso?”. Nunca discutir tópicos sensíveis em momentos de alta tensão ou exaustão. Combinar “timeouts” para distanciamento emocional, garantindo que o assunto será retomado mais tarde. Iniciar frases sem ataques, isto é, em vez de começar com “Tu nunca me ajudas”, começar com “Eu sinto-me sobrecarregada e precisava que…”. A investigação demonstra que os primeiros minutos de uma conversa determinam grande parte do seu sucesso. Contacto físico regular, um beijo mais prolongado, um abraço demorado, toques “longos” o suficiente para serem libertadores de ocitocina e sinalizar ao sistema nervoso que “estamos seguros um com o outro”. Por último, e dos meus preferidos, reconhecer! Agradecer. Cultivar sempre uma imagem positiva do outro, incentivar à manutenção de comportamentos que nos fazem bem, perceber o que cada um considera gratificante, para mantermos atualizados os nossos “gps’s” de amor, ou seja, para ajudarmos o outro a perceber o melhor caminho e não partir do pressuposto que “ele/a deveria conhecer-me e saber”. Instagram: @lidiaoliveira_psicologa Site: lidiaoliveira.pt “Dizer ‘vivo com uma doença’ é muito diferente de dizer ‘sou doente’” “A Psicologia de hoje já não vive fechada no consultório. Vive na comunidade, nas escolas, nas empresas, na vida real”
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