SAÚDE “A missão da Therapy Viana é acompanhar a mulher em todas as fases da vida” By Revista Spot | Janeiro 30, 2026 Janeiro 30, 2026 Share Tweet Share Pin Email Durante anos, muitas mulheres aprenderam a viver com o incómodo, entre perdas de urina, dor na relação sexual, cólicas incapacitantes, sensação de peso, entre outros sintomas que ficam, muitas vezes, por dizer. A saúde pélvica tem sido um território de silêncio e de consultas cronometradas. Em Viana do Castelo, a Therapy Viana nasce como resposta a essa lacuna, com uma unidade dedicada à mulher, à criança e à família, onde o tempo é parte do tratamento. Rita Cerqueira, fisioterapeuta pélvica e cofundadora, quis devolver o cuidado em saúde ao essencial: a escuta sem relógio, a avaliação rigorosa e planos que respeitam o ritmo de cada história. Aqui, a tecnologia entra como aliada da intervenção, mas nunca substitui o toque informado nem a conversa honesta. Entre fisioterapia, exercício clínico e Pilates, nutrição, psicologia, osteopatia e terapia da fala, a missão mantém-se clara com cuidados integrados, realistas e próximos. Porque a pergunta continua a ecoar, desconfortável e urgente, quando foi que a saúde se tornou rápida demais para continuar a ser humana? Em que momento decidiram criar a Therapy Viana? Quando idealizamos a Therapy Viana, a intenção foi clara: oferecer uma fisioterapia totalmente orientada para o utente, com foco na mulher. Em Viana do Castelo existiam conceitos relevantes nas áreas médica e de enfermagem, mas não havia uma unidade exclusiva e inteiramente dedicada à fisioterapia da mulher, com uma abordagem integrada e continuada. Além disso, em contextos profissionais anteriores, trabalhei muitas vezes condicionada por métricas associadas ao número de pacientes atendidos, algo que, em saúde, nunca me fez sentido. Senti que era possível, e necessário, fazer diferente. Havia espaço para uma prestação de cuidados mais consciente, mais personalizada e mais alinhada com as reais necessidades dos Utentes. Foi isso que tentámos construir desde o primeiro dia. Falam em acompanhamento “individual, próximo e empático”. Na prática, o que é que isso muda numa consulta? O acompanhamento individual, próximo e empático traduz-se, na prática, em tempo para ouvir e em decisões partilhadas. Cada consulta é um espaço de escuta, onde a história da pessoa tem peso real no plano terapêutico. As expectativas são alinhadas com clareza e responsabilidade, sem promessas fáceis. Hoje, a saúde perde humanidade quando se reduz a números e agendas fechadas. O tempo é uma parte ativa do tratamento. De que forma o triângulo “prevenção, tratamento e condicionamento” se traduz em decisões clínicas? A nossa abordagem assenta nesse equilíbrio entre prevenção, tratamento e condicionamento. O tratamento responde ao problema presente, mas a prevenção e o condicionamento são fatores críticos para o bem-estar a médio e longo prazo. São eles que permitem evitar complicações futuras, perdas de função e prejuízos acumulados. Olhar apenas para o sintoma é curto; preparar o corpo para o futuro é parte essencial do cuidado. Porque é que tantas mulheres ainda normalizam sintomas como incontinência, prolapso, diástase, dor na relação sexual e dor menstrual? Quando iniciámos o projeto, a saúde pélvica ainda era um tema marcado por silêncio e tabu. Hoje, existe uma maior perceção e preocupação por parte das mulheres, e isso deve ser reconhecido. Muito desse caminho foi feito pelo trabalho consistente de toda a comunidade da saúde na divulgação, educação e comunicação, ajudando a normalizar o tema. Ainda assim, continuam a surgir relatos de vergonha ou culpa, o que reforça a importância de espaços seguros, informados e sem julgamento. Recorrem a ferramentas como ecografia e neuromodulação pélvica. Como garantem que a tecnologia serve o diagnóstico e o plano sem substituir o toque e a conversa? Não acreditamos na tecnologia por si só. A ecografia e a neuromodulação pélvica são recursos importantes quando integrados em procedimentos terapêuticos bem fundamentados. São aliados de peso, mas nunca substituem o toque, a avaliação clínica ou a decisão humana. A tecnologia deve apoiar o raciocínio clínico e não ocupar o seu lugar. Entre a pressa de “voltar ao normal” e a exaustão invisível, quais são os erros mais comuns no pós-parto? O pós-parto não deve ser encarado como uma corrida. É um período de reconstrução, e cada corpo tem o seu ritmo. Comparações e pressas só aumentam o risco de sobrecarga e frustração. O nosso foco é respeitar a singularidade de cada mulher e acompanhar a recuperação de forma progressiva e segura. O que distingue o vosso pilates de uma aula genérica e como é que decidem quem beneficia mais de Matwork, de aparelhos ou de uma combinação? O pilates está, de facto, muito presente no discurso atual, mas na Therapy Viana a abordagem é claramente clínica. O que nos distingue de uma aula genérica é o ponto de partida: avaliação, diagnóstico e objetivos terapêuticos bem definidos. Trabalhamos em formato individual porque entendemos que planos clínicos não podem ser aplicados a grupos com necessidades, perfis e condições diferentes. Numa sessão de exercício clínico onde integramos equipamentos ou exercícios de pilates, o foco vai muito além da execução do método. Utilizamos técnicas de cinesioterapia, fortalecimento muscular específico, treino de controlo motor e integração de atividades da vida diária. A decisão entre matwork, aparelhos ou uma combinação depende sempre do diagnóstico, da patologia, da fase do processo terapêutico e da capacidade funcional da pessoa. Quando bem indicado, este tipo de intervenção pode ter um impacto muito positivo na recuperação, na funcionalidade e na qualidade de vida. Que papel tem a fisioterapia dermatofuncional num projeto centrado na mulher e como trabalham a fronteira entre estética, função e saúde emocional? Na fisioterapia dermatofuncional não tratamos questões estéticas por si só. Num projeto centrado na mulher, a nossa intervenção assume um papel clínico, funcional e educativo, dirigida a patologias que requerem abordagens fisioterapêuticas específicas, como cicatrizes, alterações tecidulares, linfedema, dor ou limitações funcionais. Estas condições podem impactar significativamente a qualidade de vida, a imagem corporal e o bem-estar emocional, especialmente no pós-parto ou em patologias crónicas. Ao melhorar a função, reduzir a dor e promover a saúde dos tecidos, contribuímos para uma relação mais consciente e respeitosa da mulher com o seu corpo. Valorizamos a educação da paciente, incentivando autonomia, autocuidado e participação ativa no processo terapêutico. Trabalhamos na intersecção entre função, saúde tecidular e bem-estar global, entendendo que qualquer impacto estético é uma consequência natural de um corpo mais saudável e nunca o objetivo principal da intervenção. É uma área em forte crescimento dentro da fisioterapia, e valorizamos contar com uma profissional de referência como a terapeuta Adriana Vieira. O que é que vos levou a alargar o cuidado à infância e como articulam sinais precoces com intervenções proporcionais e sem alarmismo? Desde o início, o nosso círculo de intervenção quis englobar a mulher, a pediatria e a família. O objetivo é dar resposta a todo o ciclo de vida da mulher, reconhecendo que o seu cuidado está muitas vezes ligado ao cuidado do bebé, da criança e do contexto familiar. Esta visão integrada permite intervenções mais coerentes e sustentáveis. Entre a nutrição, a psicologia, a fisioterapia, a osteopatia e a terapia da fala, de que forma garantem que o “multidisciplinar” não é só uma lista de serviços, mas um percurso integrado? Cada vez mais, as valências da unidade trabalham de forma articulada. As necessidades são identificadas e orientadas para a especialidade mais adequada, com critérios claros. Este trabalho acontece internamente, mas também externamente. Quando não temos capacidade para responder da melhor forma, reencaminhamos para colegas com maior know-how na área e respeitamos profundamente o trabalho das equipas médicas especializadas. O foco é sempre a melhor resposta para a pessoa, não a centralização do cuidado. Morada: Rua Santa Marta nº 9 – Loja G, Viana do Castelo, Portugal 4925-104 Contactos: +351 938 131 502 (chamada para a rede móvel nacional) Instagram: @therapyviana Facebook: THERAPY Viana Site: therapyviana.pt “Sentir que se vê bem não significa ter olhos saudáveis” Vila Verde volta a declarar-se ao país: Fevereiro Mês do Romance, um mês pequeno no calendário, enorme no território
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