SAÚDE CAPILAR Mariana Faria, especialista em Medicina Capilar, viveu na pele os efeitos da alopecia androgenética. Hoje, ajuda centenas de pacientes a reencontrar a autoestima By Revista Spot | Agosto 6, 2025 Agosto 7, 2025 Share Tweet Share Pin Email Imagine o cabelo como um arquivo vivo: a sua qualidade, o ritmo de crescimento e a queda refletem desequilíbrios internos, que podem ser hormonais, nutricionais, imunológicos ou até emocionais. Neste contexto, a tricologia médica tem vindo a revelar-se uma revolução silenciosa na saúde do couro cabeludo, onde ciência e medicina avançada se unem para decifrar o que o cabelo nos revela sobre o estado do organismo. A médica Mariana Faria, especialista em Medicina Capilar, alia o conhecimento clínico a uma experiência pessoal marcante: vive os desafios da alopecia androgenética, o que lhe confere uma empatia rara e um compromisso profundo com cada paciente. Segundo a profissional, mais do que tratar a queda de cabelo, a tricologia médica está a transformar o cuidado capilar numa abordagem integrada e personalizada, através de exames tricoscópicos de alta precisão e terapias inovadoras e um olhar atento sobre a genética e a epigenética. Torna-se cada vez mais evidente o impacto do ambiente, do stress e do estilo de vida na saúde capilar e, o inverso, a forma como o próprio cabelo pode antecipar alterações sistémicas. Para Mariana Faria, o objetivo vai muito além da recuperação da densidade: trata-se de restaurar o bem-estar, reforçar a autoestima e devolver ao paciente o controlo sobre a sua saúde. A tricologia médica tem ganho cada vez mais destaque. Para quem ainda não conhece, como explicaria de forma simples a importância desta área da medicina? A tricologia médica é uma área médica dedicada especificamente ao estudo e tratamento das patologias do cabelo e couro cabeludo. Ao contrário das abordagens meramente estéticas, que muitas vezes recorrem a soluções superficiais e não individualizadas para cada paciente, a tricologia médica baseia-se em diagnóstico rigoroso, investigação clínica e terapêuticas fundamentadas em evidência científica. Não tratamos apenas o sintoma visível, a queda ou o afinamento do cabelo, mas procuramos compreender as causas subjacentes, sejam elas genéticas, hormonais, inflamatórias ou metabólicas. Ao contrário das abordagens estéticas, que apenas mascaram sintomas de forma imediata e temporária, a tricologia médica atua na origem do problema, promovendo resultados a longo prazo e duradouros. A alopecia androgenética é uma condição crónica com forte componente genética. Que avanços recentes tem trazido a ciência no seu diagnóstico e tratamento, e de que forma a tricoscopia tem revolucionado a prática clínica? De facto, a alopecia androgenética é uma das formas mais prevalentes de queda capilar. Nos últimos anos, a tricoscopia tornou-se uma ferramenta indispensável: permite-nos observar alterações impossíveis de se visualizar a olho nu como calibre dos fios, miniaturização, pontos amarelos ou pontos negros, queratose ao redor do folículo piloso, sinais de inflamação com precisão quase microscópica, sem necessidade de biópsia em muitos casos. Em termos terapêuticos, assistimos à integração de novas formulações de minoxidil oral em microdoses e individualizadas à tolerabilidade do doente, à aplicação tópica de inibidores da 5-alfa-redutase com menor risco sistémico, e ao desenvolvimento de terapias combinadas, como laser de baixa intensidade aliado à mesoterapia capilar ou plasma rico em plaquetas, sempre em contextos controlados. Hoje fala-se muito em “queda de cabelo” como algo comum, mas até que ponto isso é normal? Que sinais de alarme indicam que estamos perante um quadro patológico e não apenas uma fase passageira? É natural perdermos entre 50 a 100 fios de cabelo por dia, especialmente em certas épocas do ano. No entanto, quando observamos queda mais intensa, acompanhada de sintomas como afinamento visível, redução do volume, clareiras no couro cabeludo ou queda em tufos, a dita “pelada”, é essencial procurar avaliação médica. A persistência da queda para além de três meses, ou a associação com sintomas como prurido, ardor ou descamação intensa, são também sinais de alarme que não devem ser ignorados. Que impacto psicológico costuma observar nos seus pacientes e como é que a abordagem médica pode contribuir para restaurar a autoestima? A queda capilar, especialmente em mulheres, tem um impacto psicológico muito significativo. A autoimagem está intimamente ligada ao cabelo e observo, frequentemente, quadros de ansiedade, isolamento social e até humor depressivo associados à alopecia. A abordagem médica deve ser, por isso, não apenas clínica, mas também humanista. É fundamental explicar ao paciente, de forma clara, o diagnóstico e as opções terapêuticas, estabelecendo expectativas realistas. A partir do momento em que a pessoa percebe que há soluções concretas, mesmo em condições crónicas, a sua autoestima tende a melhorar gradualmente. O microbioma do couro cabeludo está a emergir como uma área de interesse na medicina capilar. Como é que o equilíbrio ou desequilíbrio deste microbioma pode influenciar condições como dermatite seborreica ou mesmo queda de cabelo? O microbioma do couro cabeludo é composto por bactérias e fungos que, em equilíbrio, contribuem para a saúde capilar. Quando este equilíbrio é perturbado, por exemplo, devido a stress, produtos inadequados ou doenças inflamatórias, assistimos ao agravamento de doenças como a dermatite seborreica ou mesmo a exacerbação de alopecias inflamatórias. Investigações recentes demonstram que determinadas espécies microbianas podem influenciar a inflamação local e o ciclo de crescimento capilar. Por isso, cada vez mais valorizamos intervenções que promovam esse equilíbrio, desde champôs específicos até à utilização de probióticos tópicos. Além disso, apraz-me salientar a relação entre o microbioma intestinal e a alopecia, relação que tem ganho relevância na tricologia. Estudos recentes apontam para uma ligação bidirecional entre o intestino e a pele, o chamado eixo intestino-pele, com destaque para a alopecia areata, de base autoimune. A disbiose intestinal parece modular respostas inflamatórias e imunológicas, influenciando negativamente o crescimento capilar. A intervenção no microbioma, através de probióticos e prebióticos, surge como estratégia terapêutica complementar potencial. Contudo, a evidência ainda é incipiente e, por agora, não suporta a sua aplicação sistemática na prática clínica. Quando são indicadas terapias adjuvantes como o minoxidil oral, finasterida tópica, mesoterapia capilar ou laser de baixa intensidade (LLLT) e quais os cuidados a ter? Estas terapias representam avanços importantes, mas devem ser sempre indicadas por médicos experientes. Por exemplo, o minoxidil oral em doses controladas tem demonstrado eficácia, sobretudo em mulheres, quando bem acompanhado. A finasterida tópica permite evitar parte dos efeitos secundários sistémicos da via oral. A mesoterapia capilar, quando realizada com substâncias seguras e controladas, oferece benefícios em alguns casos, e o laser de baixa intensidade é um bom coadjuvante, sobretudo para manutenção. Importa sublinhar que nenhuma destas opções deve substituir a consulta médica. A sua eficácia e segurança dependem de diagnóstico preciso e acompanhamento contínuo. A essência da tricologia médica reside na individualização terapêutica. A escolha entre tratamentos orais, tópicos e injetáveis, ou a sua combinação em regime adjuvante, devem ser orientadas pelo perfil clínico e necessidades específicas de cada doente. Com a ascensão das redes sociais, multiplicam-se as “dicas” e os tratamentos caseiros milagrosos para a queda de cabelo. Quais são os riscos de automedicação ou uso de produtos sem base científica? O principal risco é a automedicação levar a diagnósticos tardios e ao agravamento da condição de base. Já observei casos em que o uso de óleos essenciais sem controlo causou dermatites de contacto severas, ou em que suplementos com substâncias hormonais desreguladas agravaram quadros de alopecia. Infelizmente, é frequente o doente recorrer à consulta médica apenas após anos de tentativas frustradas com champôs, ampolas ou óleos divulgados em redes sociais ou recomendados sem base científica, incorrendo em custos elevados e desnecessários. Além disso, muitas vezes perde-se um tempo precioso, que poderia ser investido num tratamento médico adequado, já que em muitas patologias capilares, o fator tempo é crucial para preservar os folículos pilosos. A medicina personalizada está cada vez mais presente em várias especialidades. No seu trabalho, como é feito o plano de tratamento individualizado e que papel desempenham os exames laboratoriais e hormonais neste processo? A medicina capilar personalizada é hoje uma realidade. No meu trabalho, cada plano terapêutico inicia-se com uma avaliação clínica detalhada, complementada por exames laboratoriais que incluem perfil hormonal (essencial nas mulheres), estado nutricional/vitamínico, entre outros parâmetros essenciais. Só com estes dados conseguimos definir o protocolo mais adequado para cada paciente, quer isso implique terapia oral, tópica ou intervenções locais como a mesoterapia, microagulhamento ou plasma rico em plaquetas. O objetivo é sempre maximizar resultados minimizando riscos. Existem diferenças relevantes entre os quadros de queda capilar em homens e mulheres, não apenas em termos clínicos, mas também no impacto emocional e social. Que desafios específicos observa no acompanhamento feminino? Nas mulheres, os quadros são frequentemente mais complexos, pois envolvem não só fatores genéticos, mas também desequilíbrios hormonais, défices nutricionais e até patologias autoimunes. O impacto emocional também é, habitualmente, mais intenso, exigindo uma abordagem que combine rigor científico com sensibilidade humana. A escuta ativa e a gestão de expectativas tornam-se tão importantes quanto o próprio tratamento farmacológico. Como médica que também viveu na pele os efeitos da queda capilar, que mensagem gostaria de deixar às pessoas que hoje enfrentam este problema e se sentem perdidas ou sem esperança? Tendo eu própria o diagnóstico de alopecia androgenética, desenvolvi uma empatia acrescida com o doente, pois conheço, em primeira pessoa, os desafios e frustrações associados. Essa partilha silenciosa reforça a relação médico-doente, pilar fundamental para a adesão terapêutica e sucesso do tratamento. Dito isto, a minha mensagem é clara: há soluções clínicas para praticamente todos os tipos de queda capilar, e é possível recuperar não apenas o cabelo, mas também a confiança. Com diagnóstico correto e acompanhamento médico, evitam-se frustrações e tratamentos ineficazes. O primeiro passo é não adiar a procura de ajuda profissional. A medicina capilar evoluiu muito e oferece hoje respostas seguras, baseadas em evidência científica sólida. Instagram: @dra_marianafaria Email: consulta.marianafaria@gmail.com LinkedIn: Mariana Faria ANFILAcar: A nova era da importação automóvel de Braga para todo o país “O arquiteto do futuro será cada vez mais um agente estratégico, alguém que pensa em ecossistemas, que cruza economia, ambiente, cultura e tecnologia”
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