Arquitetura/LADO B Marco Ivan: entre a arquitetura, o automobilismo e o compromisso com Braga By Revista Spot | Agosto 6, 2026 Agosto 6, 2026 Share Tweet Share Pin Email Durante uma corrida, o mundo de Marco Ivan concentra-se no que verdadeiramente importa: a próxima decisão. Quando coloca o capacete e entra em pista, desaparecem os prazos, os projetos e todo o ruído exterior. Talvez por isso o karting revele tanto sobre a forma como vive. Arquiteto, pai, homem de família e voz interventiva em Braga, leva para cada dimensão da sua vida a mesma combinação de disciplina, ambição e sentido de responsabilidade. Compete para ganhar, mas sabe que evoluir também exige reconhecer o erro, aprender com quem faz melhor e preparar a curva seguinte. Fora da pista, acredita que o silêncio raramente resolve problemas e que a arquitetura não termina nos edifícios. Construir também é pensar a cidade, estar presente na vida dos filhos e criar, através do trabalho e das relações, algo capaz de permanecer. Quem é o Marco Ivan quando deixa de ser arquiteto? Quando deixo de ser arquiteto, sou simplesmente o Marco Ivan. Sou um homem de família. É nela que encontro o meu equilíbrio, a minha inspiração e o lugar onde recarrego energia. Gosto de estar presente, de criar memórias, de partilhar refeições, conversas e momentos simples que, no fim, são os que verdadeiramente ficam. E quando falo de família, falo também dos amigos que escolhi para fazer parte dela. Acredito que a vida é muito mais rica quando é vivida ao lado das pessoas certas. Também dou muito valor aos momentos lúdicos. Gosto de rir, de viajar, de descobrir lugares, de desfrutar de um bom jantar, de um passeio sem destino ou de uma conversa que se prolonga pela noite dentro. São esses momentos que me ajudam a desligar do ritmo intenso do trabalho e a regressar com mais criatividade, mais clareza e mais vontade de fazer acontecer. Continuo a ser uma pessoa curiosa. Gosto de aprender, de conhecer novas perspetivas e de encontrar inspiração em tudo o que me rodeia. A arquitetura é uma paixão e uma forma de expressão, mas não define quem sou por inteiro. No fundo, o que mais me move não é apenas construir edifícios. É construir uma vida com significado, rodeado das pessoas que amo, criando experiências, fortalecendo relações e aproveitando cada oportunidade para viver com autenticidade. Porque, no final de tudo, são as pessoas e os momentos partilhados que dão verdadeiro sentido ao caminho. De onde nasceu o fascínio pelos automóveis, pelo karting e pelas corridas? A paixão pela velocidade surgiu numa fase muito especial da minha vida. Curiosamente, aconteceu mais ou menos na mesma altura em que entrei no curso de Arquitetura. Durante cerca de vinte anos, o desporto fez parte da minha identidade através do hóquei em patins. Cresci a competir, habituado ao compromisso, à disciplina, ao espírito de equipa e à adrenalina da competição. Quando deixei de jogar, senti que faltava qualquer coisa. Precisava de um desafio que me continuasse a proporcionar essa intensidade. Foi nessa altura que apareceu o karting. Já gostava de automóveis e acompanhava a Fórmula 1, mas nunca fui um apaixonado pela mecânica. O que me fascinava era a corrida em si: a velocidade, a competição, a concentração e a capacidade de superar os meus próprios limites. Quando entrei pela primeira vez num kart, percebi imediatamente que tinha encontrado uma nova forma de viver essas emoções. Não era apenas conduzir. Era competir, tomar decisões em frações de segundo, procurar a trajetória perfeita e sentir aquela mistura única de foco e adrenalina que só uma corrida proporciona. Desde então, o karting tornou-se muito mais do que um hobby. É um espaço onde me desafio constantemente, onde desligo de tudo o resto e onde recupero uma energia que sempre encontrei no desporto. Hoje percebo que o hóquei, a arquitetura e o karting têm mais em comum do que parece. Todos exigem disciplina, dedicação, capacidade de aprender continuamente e vontade de evoluir. Apenas mudaram os cenários; a forma como encaro os desafios manteve-se exatamente a mesma. O que muda dentro de si quando coloca o capacete e entra em pista? Quando coloco o capacete e entro em pista, tudo o resto deixa de existir. Não penso em projetos, em prazos, em clientes ou nas responsabilidades do dia a dia. A minha atenção fica completamente focada no momento. Na travagem seguinte, na trajetória, na saída da curva, no adversário ao lado. É um nível de concentração tão intenso que não sobra espaço para mais nada. Paradoxalmente, é nesse ambiente de velocidade e adrenalina que encontro uma enorme tranquilidade. A pista obriga-me a estar totalmente presente. E, hoje em dia, isso é um privilégio raro. Claro que a adrenalina faz parte da experiência. Gosto da competição, da intensidade e do desafio de procurar sempre fazer melhor. Mas o que verdadeiramente me faz voltar é essa sensação de liberdade e de clareza mental. Durante aqueles minutos, sou apenas eu, o kart e a pista. Talvez seja a versão mais genuína de mim próprio. Uma versão sem distrações, sem ruído e sem máscaras. Apenas concentrada em dar o melhor, volta após volta. No fundo, a pista recorda-me uma coisa muito simples: quando estamos totalmente presentes no momento, conseguimos descobrir capacidades que, muitas vezes, o ritmo da vida não nos deixa ver. É por isso que, sempre que saio de uma corrida, volto também um pouco mais leve e com a mente mais limpa para enfrentar tudo o resto. O automobilismo ensinou-o a lidar melhor com o risco, a pressão e o imprevisto também fora da pista? Sem dúvida. Uma das maiores lições que o automobilismo me deu foi perceber que velocidade não é o contrário de controlo. Pelo contrário. Quanto mais rápido andamos, maior tem de ser a capacidade de manter a calma, antecipar o que pode acontecer e tomar decisões conscientes. Em pista, cada decisão tem consequências. É preciso avaliar riscos constantemente, perceber quando vale a pena atacar, quando é melhor esperar e quando a melhor decisão é simplesmente não forçar. Muitas vezes, terminar uma corrida exige mais inteligência do que velocidade. Acredito que essa forma de pensar acabou por influenciar também a minha vida profissional. Na arquitetura e na gestão de uma empresa, também lidamos diariamente com pressão, imprevistos e decisões que nem sempre têm uma resposta óbvia. Aprendi que agir por impulso raramente é a melhor solução. É preferível analisar, manter a serenidade e decidir no momento certo. O automobilismo também me ensinou outra coisa importante: o erro faz parte do processo. Todos falhamos uma travagem, escolhemos uma trajetória menos feliz ou tomamos uma decisão que, olhando para trás, podia ter sido diferente. O importante é não ficar preso ao erro. É percebê-lo, aprender com ele e estar totalmente preparado para a curva seguinte. No fundo, tanto na pista como na vida, não vence necessariamente quem acelera mais. Vence quem consegue manter a lucidez quando tudo acontece muito depressa. O que procura verdadeiramente quando compete? Quando compito, o meu foco é sempre ganhar. Entro em cada corrida com o objetivo de alcançar a vitória e dar o meu melhor para obter o melhor resultado possível. A competição faz parte do desporto, e vencer é uma motivação constante. No entanto, acredito que a melhor forma de atingir esse objetivo é procurar superar-me continuamente. Procuro melhorar o meu desempenho de prova para prova, aperfeiçoar a minha pilotagem e garantir que a disciplina, a consistência e o trabalho diário se refletem em pista. Sempre que tenho a oportunidade de competir com pilotos de um nível superior ao meu, encaro isso como uma oportunidade de aprendizagem. Tento perceber o que fazem de diferente, seja na abordagem às curvas, na gestão da corrida ou na preparação, para identificar aspetos que possa aplicar na minha própria pilotagem. Aprender com os melhores permite-me evoluir e aproximar-me do nível que pretendo alcançar. Para mim, competir significa procurar a vitória em todas as corridas, mas também aproveitar cada desafio como uma oportunidade para crescer. É essa combinação entre ambição, aprendizagem e evolução contínua que me permite estar cada vez mais preparado para vencer. Como reage quando falha? No karting, os erros fazem parte da modalidade e, muitas vezes, uma pequena hesitação pode ter um impacto imediato no resultado. Quando falho, a minha primeira reação é analisar o que aconteceu, perceber a origem do erro e identificar o que posso melhorar para que não volte a acontecer. Claro que existe alguma frustração, principalmente quando sei que um pequeno detalhe pode fazer a diferença. No entanto, aprendi que uma falha não é o fim do mundo. Faz parte do processo de aprendizagem e de evolução de qualquer piloto. O mais importante não é errar ou não, mas sim a forma como reagimos ao erro. Procuro encarar cada falha como uma oportunidade para aprender, corrigir e voltar mais forte. Ficar preso ao que correu mal não altera o resultado; analisar, trabalhar e insistir é o que permite evoluir. Acredito que esta forma de lidar com os erros vai muito além do desporto. Ensina-nos a manter a calma perante a adversidade, a assumir responsabilidades, a procurar soluções e a não desistir ao primeiro obstáculo. São competências que considero fundamentais, não só na competição, mas também na vida profissional e pessoal. Entre o traço e a pista, há mais semelhanças do que imaginamos? Acredito que existem muitas mais semelhanças entre a arquitetura e o automobilismo do que pode parecer à primeira vista. Em ambas as áreas, a preparação, o rigor, a atenção ao detalhe e a capacidade de tomar decisões sob pressão fazem toda a diferença. Tal como num projeto de arquitetura, também na pista não há espaço para improvisar constantemente; o trabalho de preparação, a análise e a disciplina são fundamentais para alcançar um bom resultado. Ao mesmo tempo, tanto no atelier como na pista, é essencial saber analisar o contexto, adaptar-se às circunstâncias e procurar continuamente a melhor solução. São competências que acabam por se complementar e que procuro aplicar em ambos os ambientes. Ainda assim, quando coloco o capacete e entro em pista, existe um lado mais competitivo que naturalmente vem ao de cima. O objetivo é sempre vencer e dar o máximo em cada corrida. É um contexto onde a tomada de decisão tem de ser muito mais intuitiva e imediata, e onde a confiança nas capacidades construídas através do treino faz toda a diferença. No fundo, quer na arquitetura quer no karting, acredito que a excelência resulta da combinação entre preparação, dedicação e vontade constante de evoluir. A diferença é que, na pista, essa exigência é colocada à prova em tempo real, tornando cada decisão ainda mais desafiante. Tem assumido publicamente posições sobre Braga, o território, o crescimento urbano e a qualidade de vida. De onde nasce essa vontade de se envolver na causa pública? A vontade de participar nasce, acima de tudo, do sentido de responsabilidade. Enquanto arquiteto, estou habituado a analisar o território, a pensar a cidade de forma integrada e a perceber que as decisões tomadas hoje têm impacto durante muitos anos na vida das pessoas. Essa forma de olhar para a cidade faz com que seja difícil identificar problemas ou oportunidades de melhoria e limitar-me a ser apenas um espectador. Acredito que quem tem conhecimento técnico e uma visão fundamentada deve contribuir para o debate público de forma construtiva. Nem sempre significa ter todas as respostas, mas significa estar disponível para apresentar ideias, questionar opções e participar na procura das melhores soluções. Braga é uma cidade com um enorme potencial e um crescimento muito significativo. Esse crescimento traz oportunidades, mas também desafios que exigem planeamento, visão e decisões responsáveis. Tenho procurado intervir publicamente porque considero que discutir temas como a mobilidade, o ordenamento do território, o espaço público ou a qualidade de vida é uma forma de contribuir para uma cidade mais equilibrada e preparada para o futuro. Para mim, a participação cívica não é uma questão de protagonismo, mas de compromisso. Se queremos cidades melhores, todos temos a responsabilidade de participar, cada um na medida das suas competências e experiência. É essa convicção que me leva a envolver-me e a procurar contribuir de forma positiva para o futuro da comunidade. Envolver-se na vida pública também significa expor-se? O que o leva a continuar a intervir mesmo quando seria mais confortável permanecer em silêncio? Quem participa na vida pública sabe que a exposição faz parte do processo. Sempre que se defendem ideias ou se tomam posições sobre temas relevantes, é natural que existam opiniões diferentes e críticas. Vejo isso como algo saudável, desde que o debate seja feito com respeito e baseado em argumentos. Naturalmente, é algo que também se aprende a gerir. Com o tempo, percebemos que nem todas as críticas têm o mesmo valor. Procuro ouvir aquelas que são construtivas, porque ajudam a refletir e a melhorar, e não deixar que o ruído desvie a atenção daquilo que considero importante. O que me leva a continuar a intervir é a convicção de que o silêncio raramente contribui para resolver os problemas. Se identifico situações em que acredito poder acrescentar uma perspetiva técnica, uma ideia ou uma solução, sinto que devo fazê-lo de forma responsável e fundamentada. Não intervenho para gerar polémica nem por protagonismo. Faço-o porque acredito que a participação cívica é uma responsabilidade de quem se preocupa com a comunidade. É muito mais fácil ficar em silêncio, mas acredito que as cidades e a sociedade evoluem quando existem pessoas dispostas a participar, a apresentar propostas e a discutir ideias, mesmo sabendo que nem todos irão concordar. Entre os trabalhos mais recentes do Marco Ivan Architects Studio, existe algum que represente particularmente o momento que o atelier atravessa? Preferimos não destacar um projeto em particular, porque para nós todos os clientes são especiais. Cada pessoa que escolhe o Marco Ivan Architects Studio está a confiar-nos um projeto importante da sua vida, e essa confiança é algo que valorizamos profundamente. Independentemente da dimensão ou da complexidade do trabalho, sentimos sempre a responsabilidade de corresponder às expectativas de quem nos escolheu. No nosso atelier, o cliente nunca é diferenciado pelo valor do investimento. Acreditamos que um projeto não é mais importante por ser maior ou mais dispendioso. O que realmente importa é o compromisso que assumimos com cada pessoa e a dedicação que colocamos em encontrar a melhor resposta para as suas necessidades e objetivos. É precisamente essa forma de trabalhar que considero representar o momento atual do atelier. Procuramos desenvolver uma arquitetura rigorosa, cuidada e personalizada, onde cada projeto é tratado de forma única e com o mesmo nível de exigência. Ao longo dos anos, fomos consolidando uma equipa mais experiente e preparada, mas mantemos intacto aquilo que sempre nos definiu: o respeito por cada cliente, a atenção ao detalhe e a vontade constante de fazer melhor. Mais do que um projeto específico, acredito que é esta filosofia de trabalho que melhor revela quem somos hoje enquanto arquitetos e enquanto atelier. Para além da arquitetura, do automobilismo, do karting e da participação cívica, que outros interesses fazem parte da sua vida? A verdade é que a minha vida acaba por girar muito em torno da arquitetura, do automobilismo e da participação cívica, porque são áreas pelas quais tenho uma enorme paixão e às quais dedico grande parte do meu tempo. No entanto, há um papel que valorizo acima de todos os outros: o de pai. Um dos momentos que mais prazer me dá é acompanhar os meus filhos nas suas atividades desportivas. Estar presente nos treinos e competições de andebol e de patinagem artística, apoiá-los, vê-los crescer, superar desafios e aprender com as vitórias e as derrotas é algo que considero verdadeiramente especial. É uma forma de lhes transmitir valores como a disciplina, o compromisso, o respeito e a importância do trabalho para alcançar objetivos, valores que também procuro aplicar na minha vida. Gosto também de viajar, porque conhecer outras cidades, culturas e formas de viver é uma fonte constante de inspiração, tanto para a arquitetura como para a minha forma de olhar o mundo. Sempre que tenho oportunidade, observo a forma como os espaços são pensados, como as pessoas vivem as cidades e como diferentes realidades podem inspirar novas ideias. Se há um sonho que continua bem presente, é o de nunca deixar de evoluir. Seja como arquiteto, como piloto, como pai ou como cidadão, procuro desafiar-me constantemente, aprender com quem sabe mais e deixar uma marca positiva através do meu trabalho e do meu contributo para a comunidade. No fundo, acredito que o Marco Ivan é alguém movido pela curiosidade, pela ambição de fazer sempre melhor e pela convicção de que o sucesso resulta do trabalho, da dedicação e da capacidade de nunca deixar de aprender. Contacto: 917 005 424 Facebook: Marco Ivan Architects Studio Instagram: @marco.ivan.architects.studio www.mistudio.pt “O Alzheimer pode começar vinte anos antes de a memória falhar” A dança e o Studio Training cuidam da saúde em todas as idades: o olhar de uma professora, de uma ginecologista e de uma psiquiatra
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