Medicina Estética “O maior risco da Medicina Estética é esquecer-se de que é Medicina” By Revista Spot | Junho 5, 2026 Junho 5, 2026 Share Tweet Share Pin Email A Medicina Estética tem hoje mais ciência do que nunca. O risco começa quando se esquece de que é Medicina. Falar de estética é falar de ética, identidade e saúde. Maria Calle, médica de Medicina Estética, CEO da Calle Clinic, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Estética e Cosmética e formadora de médicos nesta área, defende uma abordagem que começa antes da técnica. Antes da toxina botulínica, do ácido hialurónico, do laser ou da radiofrequência, há uma avaliação. Antes de qualquer transformação, há uma pessoa. E, antes de qualquer resultado, há responsabilidade. Nesta entrevista, questiona-se a pressa, desmonta-se a promessa fácil e devolve-se à Medicina Estética o seu lugar mais exigente: o da escuta, do diagnóstico, da segurança e da preservação da identidade. Porque, segundo Maria Calle, a pergunta mais importante não deve ser “o que quer mudar?”, mas, sobretudo, “porque quer mudar?”. O seu percurso não começa na Medicina Estética, mas na Medicina, na Patologia Clínica, no rigor científico e na formação. De que forma essa base influencia a forma como hoje observa um rosto ou um pedido de transformação? A minha base em Medicina, e particularmente na Patologia Clínica, ensinou-me a olhar para cada doente de forma global, rigorosa e individualizada. Antes de observar apenas um rosto, observo uma pessoa, a sua história, as suas emoções, a sua saúde e aquilo que realmente procura quando entra numa consulta de Medicina Estética. A formação científica dá-me uma visão muito analítica e criteriosa. Habituei-me desde cedo a trabalhar com evidência, diagnóstico, detalhe e responsabilidade clínica. Isso influencia profundamente a forma como avalio um pedido de transformação: procuro sempre perceber não apenas “o que” o paciente quer mudar, mas “porquê” e qual será o impacto dessa mudança na sua autoestima e bem-estar. Na Medicina Estética, acredito que o verdadeiro objetivo não é transformar rostos, mas valorizar a identidade de cada pessoa, preservando naturalidade, harmonia e autenticidade. E penso que essa visão nasce precisamente dessa base médica sólida e do respeito profundo pelo equilíbrio entre ciência e estética. A Medicina Estética vive um momento paradoxal: nunca teve tanta ciência, tecnologia e precisão, mas também nunca esteve tão exposta à pressa, à comparação e às tendências das redes sociais. Como se pratica medicina numa área cada vez mais dominada pela imagem? Acredito que hoje, mais do que nunca, é fundamental devolver a Medicina Estética ao seu verdadeiro lugar: o da Medicina. Vivemos numa era muito marcada pela imagem, pela rapidez e pela influência das redes sociais, mas o papel do médico deve continuar a ser o de orientar, informar e saber colocar limites quando necessário. A tecnologia e a inovação trouxeram avanços extraordinários, mas nenhuma técnica substitui o bom senso, a ética e a individualização do tratamento. Para mim, praticar Medicina Estética é ouvir o paciente, compreender as suas motivações e procurar resultados naturais, seguros e equilibrados, nunca seguir tendências de forma automática. A Medicina Estética não deve criar rostos iguais nem responder a modas passageiras. Deve ajudar cada pessoa a sentir-se melhor consigo própria, sem perder a sua identidade. Fala-se muito de “resultado natural”, mas a expressão tornou-se quase um lugar-comum. Clinicamente, o que distingue um resultado verdadeiramente natural de um resultado apenas discreto e onde começa o risco de descaraterizar uma pessoa? Um resultado verdadeiramente natural é aquele em que a pessoa continua a ser reconhecida como ela própria, apenas com uma versão mais fresca, harmoniosa e equilibrada. Não significa ausência de tratamento, mas sim respeito pela anatomia, pelas proporções e pela identidade do rosto. Um resultado pode ser discreto e, ainda assim, não ser natural, se alterar expressões, proporções ou caraterísticas que fazem parte da individualidade daquela pessoa. O risco de descaraterização começa precisamente quando se perde essa identidade, muitas vezes por excesso de tratamento, pela procura de padrões irreais ou pela tentativa de reproduzir rostos e tendências. A Calle Clinic tem o seu apelido e carrega uma ideia de exigência médica, continuidade e confiança. Que responsabilidade traz colocar o próprio nome numa clínica, sobretudo numa área onde a relação médico-paciente é tão sensível? Colocar o meu nome na clínica representa uma enorme responsabilidade, porque cada paciente que entra na Calle Clinic deposita em nós confiança, expectativas e, muitas vezes, alguma vulnerabilidade. Isso obriga-nos a manter um padrão muito elevado de rigor, ética e proximidade humana em tudo o que fazemos. Para mim, a Medicina Estética só faz sentido quando existe uma relação médico-paciente baseada em confiança, transparência e acompanhamento contínuo. Ter o meu apelido associado à clínica significa assumir pessoalmente esse compromisso todos os dias. Mais do que uma marca, a Calle Clinic representa um projeto construído sobre valores médicos, exigência e respeito pelo paciente. Numa primeira consulta, antes de falar em toxina botulínica, ácido hialurónico, laser, radiofrequência ou bioestimuladores, o que procura compreender primeiro: a anatomia, a expectativa, o estilo de vida ou a razão emocional que levou aquela pessoa até si? Antes de qualquer técnica ou tratamento, procuro compreender a pessoa. Claro que a anatomia é fundamental, mas tão importante quanto isso é perceber a expectativa, a motivação e a razão emocional que levou aquele paciente à minha consulta. Muitas vezes, aquilo que a pessoa pede não corresponde exatamente ao que realmente necessita. Por isso, considero essencial ouvir, criar empatia e compreender o contexto de vida de cada um. Só depois faz sentido definir um plano terapêutico verdadeiramente personalizado, equilibrado e seguro. Na Medicina Estética, ouvir é tão importante quanto tratar. A Medicina Estética está cada vez mais tecnológica, com soluções como lasers, radiofrequência, medicina regenerativa, protocolos combinados e tratamentos personalizados. Estamos a caminhar para uma estética mais subtil, preventiva e inteligente, ou para uma nova forma de excesso sofisticado? Acredito que estamos a caminhar para uma Medicina Estética cada vez mais preventiva, personalizada e inteligente. A evolução tecnológica trouxe-nos ferramentas extraordinárias, capazes de proporcionar resultados mais subtis, naturais e com menor tempo de recuperação. No entanto, como em qualquer área, existe sempre o risco do excesso quando a tecnologia é utilizada sem critério ou quando se perde o conceito de equilíbrio. A verdadeira sofisticação não está no exagero, mas na capacidade de tratar cada paciente de forma individualizada, respeitando a sua anatomia, identidade e processo natural de envelhecimento. Para mim, o futuro da Medicina Estética passa por resultados cada vez mais naturais, discretos e sustentáveis ao longo do tempo. Há pacientes que já não chegam a pedir “quero parecer mais jovem”, mas antes “não quero parecer tão cansado” ou “quero voltar a reconhecer-me”. Esta mudança de linguagem revela uma nova relação com a idade, com a imagem e com o próprio envelhecimento? Sem dúvida. Hoje, muitos pacientes já não procuram ‘parecer outra pessoa’ nem lutar contra a idade de forma artificial. Procuram sentir-se mais alinhados com a imagem que têm de si próprios, mais descansados, luminosos e saudáveis. Penso que esta mudança revela uma relação mais madura e consciente com o envelhecimento. As pessoas compreendem cada vez mais que envelhecer é natural, e que a Medicina Estética pode ajudar não a apagar o tempo, mas a envelhecer de forma mais equilibrada, harmoniosa e confiante. No fundo, trata-se menos de procurar perfeição e mais de preservar identidade e bem-estar. A Calle Clinic cruza a Medicina Estética facial e corporal com áreas como cirurgia plástica, nutrição, medicina capilar, dermatologia, fisioterapia e podologia. Esta abordagem multidisciplinar mostra que a estética passou a fazer parte de uma visão mais ampla de saúde, bem-estar e qualidade de vida? Sem dúvida. Hoje percebemos que a estética não pode ser vista de forma isolada, porque a imagem exterior está profundamente ligada à saúde, ao equilíbrio e ao bem-estar global da pessoa. Na Calle Clinic acreditamos muito numa abordagem multidisciplinar. Muitas vezes, os melhores resultados surgem precisamente da integração entre diferentes áreas, desde a cirurgia plástica, nutrição, medicina capilar e dermatologia até à fisioterapia ou podologia, permitindo acompanhar o paciente de forma mais completa, personalizada e sustentável. A Medicina Estética moderna é cada vez mais uma medicina de prevenção, qualidade de vida e autoestima saudável. Enquanto vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Estética e Cosmética e formadora de médicos nesta área, que lacunas identifica hoje na literacia do público e que responsabilidades continuam a existir dentro do próprio setor? Enquanto vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Estética e Cosmética e formadora de médicos nesta área, considero que ainda existe uma lacuna importante na literacia do público, sobretudo na distinção entre tratamentos médicos, procedimentos estéticos e práticas não médicas. Muitas vezes, existe uma perceção simplificada destes procedimentos, sem plena consciência dos riscos, das indicações corretas e da importância de serem realizados por médicos devidamente qualificados. Por outro lado, dentro do próprio setor, continua a existir a responsabilidade de reforçar a formação, a ética e a regulação, garantindo que a Medicina Estética se mantém no âmbito da prática médica, baseada em evidência científica e centrada na segurança do paciente. O crescimento da área exige mais rigor, mais educação e um compromisso cada vez maior com a qualidade e a credibilidade da profissão. Numa área onde se prometem resultados rápidos e transformações quase imediatas, que sinais devem fazer um paciente desconfiar: preços demasiado baixos, ausência de avaliação médica, promessas milagrosas, banalização dos riscos ou falta de acompanhamento? Todos esses sinais devem ser motivo de atenção. Em Medicina Estética, qualquer promessa de resultados milagrosos ou imediatos, sem avaliação médica adequada, deve ser sempre encarada como um alerta. Também preços demasiado baixos, ausência de consulta médica estruturada e falta de acompanhamento após o tratamento são indicadores de que a segurança e a qualidade podem não estar a ser devidamente garantidas. A banalização dos riscos é outro ponto crítico, porque nenhum procedimento médico é isento de potenciais complicações. Mais do que tudo, o essencial é que o paciente seja sempre avaliado por um médico, num contexto sério, transparente e com expectativas realistas, onde a segurança esteja sempre em primeiro lugar. Morada: Rua Heróis de França 796, Matosinhos, Portugal, 4450-156 Contacto: 930 459 624 (chamada para a rede móvel nacional) Instagram: @calle.clinic | @dramariacalle Facebook: Calle Clinic | Dra. Maria Calle – Medicina Estética Site: calleclinic.com “A história das Clínicas Dr. Domingos Silva cruza-se com a afirmação da Medicina Tradicional Chinesa e da Acupuntura em Portugal” “O sedentarismo é um dos maiores inimigos da coluna”
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