NUTRIÇÃO “O maior erro é encarar o emagrecimento como uma fase com data de início e de fim” By Revista Spot | Julho 16, 2026 Julho 16, 2026 Share Tweet Share Pin Email A dieta começa quase sempre numa segunda-feira. Com novas regras, alimentos proibidos e a promessa de que, desta vez, tudo será diferente. Mas basta uma refeição fora do plano, uma semana mais exigente ou um momento de ansiedade para regressarem a culpa, a frustração e a sensação de fracasso. Para Amanda Almeida, o problema não está necessariamente na pessoa, mas na estratégia. A nutricionista acredita que nenhum processo de emagrecimento pode ser sustentável quando exige perfeição, ignora as emoções e transforma a comida num inimigo permanente. O seu trabalho começa pela compreensão da vida que existe para lá da consulta. Há horários, família, trabalho, sono, hormonas, intestino, fome emocional e uma relação com o corpo que nem sempre é simples. Por isso, mais do que prescrever, procura ensinar. A meta pode ser perder peso, mas o objetivo maior é construir uma relação mais consciente, equilibrada e livre com a alimentação. Quem é a Amanda Almeida para lá da profissão e que caminho a trouxe até à nutrição? Para lá do diploma, sou alguém que respira equilíbrio, apaixonada por uma vida real e que entende que a dinâmica dos dias acontece fora do consultório. O meu percurso até à nutrição começou quando percebi o impacto que os pequenos hábitos têm na nossa qualidade de vida e na nossa saúde mental. Entrei na nutrição porque entendi cedo que, para cuidar da saúde de alguém, preciso primeiro de acolher a pessoa por trás do prato. No dia a dia sou uma facilitadora: ajudo pessoas reais a fazerem as pazes com a comida e a alcançarem a sua melhor versão, sem radicalismos. Quando uma pessoa chega à consulta, o que procura compreender primeiro? Ouvir antes de prescrever é perceber que a rotina e a história alimentar são apenas as ferramentas, mas o estado emocional e a relação com o corpo são o terreno onde essas ferramentas vão ser aplicadas. Se o terreno não for compreendido e cuidado primeiro, nenhuma semente (ou prescrição) vai prosperar. Como se constrói hoje um processo de perda de peso mais equilibrado, sustentável e compatível com a vida real? O emagrecimento definitivo não se faz a fechar a boca, mas sim a mudar a mentalidade. O sucesso não é atingido quando a pessoa consegue passar fome, mas sim quando aprende a comer de tudo, na dose certa, sem culpas. Qual é, na sua experiência, o maior erro que se continua a cometer quando se fala de emagrecimento? O erro está em tratar o emagrecimento como um evento com data de início e fim, em vez de o encarar como uma mudança definitiva de hábitos. O melhor plano alimentar não é o que faz perder 5 quilos numa semana, mas sim o que permite manter o peso ideal para o resto da vida sem abdicar da saúde mental. Como ajuda os pacientes a distinguir fome física, fome emocional, ansiedade, vontade de compensar, culpa ou simplesmente hábitos enraizados? Aplico a regra dos 5 minutos de pausa consciente. Quando surge o impulso de comer, oriento o paciente a fazer três perguntas rápidas: 1. “Se me dessem um prato de comida básica (ex: arroz com frango) agora, eu comia com prazer?” (Se sim, é fome física. Se não, é emocional). 2. “O que aconteceu na última hora? Senti stress, tédio ou cansaço?” 3.”Consigo esperar 5 minutos, beber um copo de água e reavaliar?” O meu papel no consultório não é proibir o paciente de comer quando está ansioso, afinal, somos humanos. O objetivo é fazer com que ele saiba que está a comer por ansiedade, ganhe consciência do gatilho e decida voluntariamente, em vez de ser dominado pelo impulso e pela culpa posterior. O emagrecimento continua a ser muito vendido como uma questão estética, mas envolve sono, stress, hormonas, intestino, rotina e saúde mental. Como olha para esta visão mais completa do corpo? Adaptar a nutrição à vida real é parar de exigir que o corpo seja uma máquina linear. O sucesso de um processo não se mede pela rigidez da dieta, mas sim pela capacidade de adaptação. Quando passamos a nutrir o corpo em função da saúde, do sono, do intestino e das fases hormonais, a estética ideal surge naturalmente. O corpo deixa de ser um campo de batalha e passa a ser o nosso maior aliado. Também partilha conteúdos práticos, como receitas e dicas para dias de correria. Na sua experiência, o que costuma ser mais desafiante: saber o que fazer ou conseguir manter consistência no meio da rotina, do trabalho, da família e do cansaço? Sim, partilho receitas rápidas e dicas para dias de correria. O meu papel não é dar um plano alimentar utópico para quem tem uma vida de hotel; é dar ferramentas para que a nutrição seja a coisa mais simples do dia do paciente. A consistência vence a perfeição todas as vezes. Quando o plano é realista, sobrevive ao cansaço. Numa altura em que os medicamentos para emagrecer entraram na conversa pública, que papel deve ter a nutrição para que estes processos não sejam apenas perda de peso rápida, mas uma verdadeira mudança de hábitos e de saúde? A medicina trouxe uma ferramenta poderosa para o tratamento da obesidade. No entanto, o medicamento trata o sintoma biológico (o apetite), mas não ensina ninguém a comer nem reconstrói comportamentos. O medicamento abre a porta do emagrecimento, mas é a nutrição que garante que a pessoa não volta a entrar por ela. O fármaco é o empurrão inicial; a mudança de hábitos guiada pela nutrição é o sustento a longo prazo. Sem educação alimentar, o medicamento torna-se apenas uma solução temporária com data de validade. Porque é que a manutenção é, para tantas pessoas, a fase mais difícil, e que estratégias ajudam a manter resultados sem viver em controlo permanente ou cair no ciclo de emagrecer e voltar a engordar? A melhor estratégia metabólica para manter o peso a longo prazo chama-se massa muscular. O tecido muscular é metabolicamente ativo, consome energia mesmo quando estamos em repouso. Manter o foco no treino de força (musculação) e num aporte proteico adequado na consulta garante que o teto calórico do paciente se mantém alto, permitindo-lhe comer mais sem engordar. O emagrecimento é um sprint; a manutenção é uma maratona. O maior erro é focar no peso alcançado e esquecer a pessoa que se tornou no processo. Manter os resultados sem viver em controlo permanente só é possível quando as escolhas saudáveis deixam de ser uma imposição da dieta e passam a ser a sua nova identidade. Facebook: Nutri Amanda Almeida Instagram: @nutriamandaalmeida | @nutriestetic_amandaalmeida Contacto: 911 017 264 (chamada para a rede móvel nacional) “A amamentação é considerada o primeiro aparelho ortopédico funcional da criança” “Há pessoas que passam anos a sorrir de boca fechada, convencidas de que já não existe uma solução para o seu caso”
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