CLÍNICAS OFTALMOLOGICAS/Saúde Infantil Iberoftal: A visão das crianças na ‘era dos ecrãs’ By Revista Spot | Maio 30, 2023 Junho 2, 2023 Share Tweet Share Pin Email A menor exposição à luz solar, o aumento do tempo passado em casa e a exposição contínua a ecrãs estão a afetar a saúde da visão das crianças, nomeadamente o risco de desenvolvimento de miopia. Ricardo Dourado Leite e Paula Bompastor, oftalmologistas pediátricos na Iberoftal, alertam para a importância de um diagnóstico precoce dos problemas de visão na infância… A Organização Mundial de Saúde (OMS) já fala numa ‘epidemia de miopia’. Quais as principais causas deste aumento de problemas de visão nas crianças? De facto, o número cada vez menor de horas passadas ao livre com atividades exteriores, bem como o número cada vez maior de horas ocupadas a utilizar dispositivos eletrónicos de proximidade, como smartphones, tablets e computador, têm afetado o desenvolvimento das crianças a vários níveis, incluindo a visão. Ambos os aspetos estão associados, de forma comprovada, ao aumento da prevalência da miopia e aumento da rapidez da sua progressão. Que medidas podem os pais adotar em casa relativamente à exposição aos ecrãs? Os pais podem aumentar as atividades ao ar livre da criança, pelo menos duas horas por dia, e diminuir as atividades de proximidade, nomeadamente a exposição a ecrãs. Se os ecrãs tiverem de ser utilizados, é preferível aumentar a distância aos dispositivos utilizando televisões ou projetores. As crianças devem ser encorajadas a fazer pausas de 20 em 20 minutos das atividades de proximidade e a olhar para um objeto distante durante alguns segundos. Outra medida que os pais podem adotar é prevenir a leitura em condições de baixa luminosidade, principalmente à noite, nas suas camas. “Os pais podem aumentar as atividades ao ar livre da criança, pelo menos duas por dia, e diminuir as atividades de proximidade, nomeadamente a exposição a ecrãs.” Ricardo Dourado Leite, oftalmologista pediátrico na Iberoftal É possível evitar a progressão rápida da miopia nas crianças? É possível evitar ou, pelo menos, diminuir a rapidez da progressão da miopia recorrendo a alterações comportamentais: ter atividades ao ar livre, pelo menos duas horas por dia e evitar mais do uma hora diária a usar dispositivos eletrónicos de proximidade e, sobretudo, recorrendo a tratamentos com colírios e/ou tratamentos óticos (lentes para óculos com tratamentos específicos para a miopia) que têm uma eficácia muito elevada e que nós validamos com os resultados que temos com os nossos doentes. É fundamental que os pais estejam atentos a qualquer alteração oftalmológica desde a primeira infância, de forma a evitar o agravar da situação ou mesmo lesões irreversíveis? Sim, é fundamental. A infância é o período crucial para o desenvolvimento de uma visão saudável. O sistema visual não está completamente desenvolvido em bebés e crianças pequenas, estas ‘aprendem’ a ver ao longo do tempo. É importante detetar e tratar os problemas cedo, enquanto a visão ainda está em desenvolvimento. Na maioria dos casos as crianças não demonstram qualquer alteração oftalmológica, daí a importância dos rastreios oftalmológicos e das consultas de seguimento. A ambliopia ou ‘olho preguiçoso’, como é vulgarmente chamada, é a principal responsável pelos casos de baixa visão em idade pediátrica e se não for tratada nesta faixa etária leva a um défice visual que não poderá ser tratado no futuro. Quais os problemas de visão mais comuns nos primeiros meses de vida? Nos países desenvolvidos, como o nosso, nenhuma criança sai da maternidade sem a avaliação pelo pediatra do reflexo vermelho do olho e, com isso, muitas patologias de relevo são excluídas nessa fase. Ainda assim, cataratas congénitas, glaucomas congénitos ou tumores malignos podem dar sinais clínicos desde os primeiros dias de vida e necessitar de tratamento rápido. Como os primeiros 5 anos de vida são os mais importantes para o nosso cérebro aprender a ver, a maior parte das doenças da idade pediátrica podem levar ao desenvolvimento da ambliopia. Este é o conceito fundamental em oftalmologia pediátrica que traduz uma visão anormal de um olho (mais raramente dos dois) mesmo que o olho seja anatomicamente normal. As causas mais frequentes são os erros refrativos (miopia, astigmatismo e hipermetropia) sobretudo assimétricos e o estrabismo. Com que idade deve acontecer a primeira consulta de oftalmologia pediátrica? Sugerimos que numa criança sem fatores de risco, ou suspeita clínica, a primeira consulta de oftalmologia pediátrica seja aos 2 anos de idade. Contudo, devem ser observadas mais precocemente na presença de fatores de risco familiares importantes, ou na suspeita de patologia nas observações pelo Pediatra ou Médico de Família. Posteriormente devem efetuar uma avaliação aos 4 e 6 anos de idade. Os pais devem ainda levar os filhos à consulta de oftalmologia pediátrica na suspeita de um estrabismo, posições anómalas da cabeça ou, aquando da idade escolar, apresentem queixas de visão baixa e recusa das atividades de proximidade. “Na maior parte das vezes as crianças não apresentam sinais de alterações oculares, sendo difícil para os pais aperceberem-se delas.”Paula Bompastor, oftalmologista pediátrica na Iberoftal De uma forma geral, as hipóteses de um tratamento eficaz e mais assertivo aumentam quando o problema é detetado em estágio inicial? Sem dúvida. É importante detetar e tratar os problemas cedo, enquanto a visão ainda está em desenvolvimento. Isto é particularmente importante para prevenção e tratamento da Ambliopia, e de patologias mais graves, mas mais raras, como a catarata, glaucoma ou o retinoblastoma. Que sinais indicam que algo não está bem? Na maior parte das vezes as crianças não apresentam sinais de alterações oculares, sendo difícil para os pais aperceberem-se delas. As crianças raramente se queixam de baixa visão, principalmente quando só apresentam má visão de apenas um dos olhos. É, por isso, fundamental que haja uma observação regular das crianças, pois o diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para a sua saúde visual. Por vezes as crianças apresentam comportamentos que podem alertar para alterações visuais, por exemplo: se a criança se aproxima muito da TV, pisca os olhos, se desinteressa de atividades que exigem esforço visual, ou se roda/inclina a cabeça para o lado para ver alguma coisa que está à sua frente. Se a criança começar ‘a trocar os olhos’ (estrabismo), mesmo de forma intermitente, deve ser observada de imediato. À medida que a criança cresce e as exigências escolares se intensificam, as alterações oculares podem apresentar-se como maior cansaço, dificuldades de concentração, e problemas de sucesso escolar. E quais os problemas de visão mais comuns em idade escolar? Os erros refrativos são os problemas mais prevalentes e com mais impacto funcional nesta faixa etária. A miopia compromete muito a visão de longe e tem um grande impacto na aprendizagem, para além de poder levar à fadiga fácil e dores de cabeça. O astigmatismo pode dar sintomas semelhantes e para além disso interfere também com a visão de perto. A hipermetropia só costuma dar sinais e sintomas a partir de magnitudes moderadamente altas, podendo inclusivamente associar-se ao desenvolvimento de estrabismos convergentes. Deve salientar-se que no caso de existir também ambliopia, mesmo que esteja em tratamento, as queixas podem ser amplificadas, nomeadamente a velocidade de leitura. Muitas vezes problemas da visão podem estar camuflados com problemas comportamentais e até de aprendizagem? Sim. Por exemplo, crianças com ambliopia e/ou estrabismo podem apresentar, diminuição da sua velocidade de leitura, com todas as implicações que isso possa ter no seu desempenho escolar. Dificuldades de concentração, recusa da leitura ou outras atividades de proximidade, a oclusão de apenas um olho, ou rodar/inclinar a cabeça devem alertar os pais para a necessidade de uma observação oftalmológica. “…crianças com ambliopia e/ou estrabismo podem apresentar, diminuição da sua velocidade de leitura, com todas as implicações que isso possa ter no seu desempenho escolar.” afirmam Há hábitos que prejudicam a saúde da visão? Sim. A fraca exposição à luz solar, as poucas pausas realizadas durante o trabalho ao computador, o excesso de trabalho e lazer com recurso a dispositivos eletrónicos de proximidade e a leitura com pouca luz são exemplos de atitudes diárias que podem trazer consequências visuais e cansaço visual. O tratamento dos problemas da visão passa, na grande maioria das vezes, pelo uso de óculos? Em que casos surge a necessidade de avançar para uma cirurgia? Sim, a maioria passa pelo uso de óculos e pelo tratamento com pensos oclusivos, quando estamos na presença de ambliopia. A cirurgia é necessária em alguns tipos de estrabismo, e em causas mais raras e menos frequentes como a catarata, glaucoma e tumores. O desenvolvimento tecnológico veio potenciar uma evolução na área da oftalmologia pediátrica nos últimos anos? Sem dúvida. Conseguimos ser mais eficazes nos diagnósticos, menos invasivos e melhores na monitorização dos doentes que vemos nas nossas consultas. Para além disso, o avanço tecnológico tem permitido o desenvolvimento de armas terapêuticas óticas para a miopia, bem como formas promissoras de tratamento da ambliopia cada vez com menor impacto na qualidade de vida da criança. Outro aspeto importante do avanço da tecnologia recai sobre as opções para tratamentos cirúrgicos que são cada vez mais avançadas. O caminho da medicina passa cada vez mais pela prevenção? Pais informados tomam melhores decisões para os seus filhos? Claro que sim. A prevenção é essencial para conseguirmos evitar a perda da visão nas crianças, visto que como falado previamente, temos uma idade limite para as resolver. Pais informados estão mais atentos a possíveis sinais e respeitam as idades de rastreio. Acordos com as principais seguradoras e subsistemas de saúde NOVIDADE – ADSE Morada: Rua D. Afonso Henriques nº104 Contacto: 253 143 160 Facebook: Iberoftal – Clínicas Oftalmológicas Youtube: www.youtube.com/c/IberoftalClínicasoftalmológicas Email: braga@iberoftal.com Site: iberoftal.com Picoto Park: Um parque aventura com uma mensagem pedagógica e ambiental Fadinha Flor: A prevenção em saúde oral começa na grávida e nos primeiros meses de vida do bebé
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