Bebés/Pré - Natal/SAÚDE “Há mulheres que chegam com medo do parto, há famílias sem rede e mães cansadas a dizer que está tudo bem” By Revista Spot | Julho 2, 2026 Julho 5, 2026 Share Tweet Share Pin Email Hoje, uma família chega à gravidez, ao parto, ao pós-parto ou a qualquer fase de maior vulnerabilidade com dezenas de respostas no telemóvel e, muitas vezes, com a sensação de continuar sozinha. A Razão d’Ser nasce precisamente aí, no espaço entre o excesso de informação e a necessidade de cuidado verdadeiro. Dirigida por Sónia Barbosa da Rocha, enfermeira especialista em Saúde Materna, a clínica acompanha mulheres, bebés, casais, crianças, adultos e famílias com uma visão integrada da saúde. Mais do que responder a sintomas ou a momentos isolados, procura compreender a história de cada pessoa. Porque o problema nunca foi apenas a falta de informação, mas a falta de colo, de escuta, de tempo e de rede nas diferentes fases da vida familiar. Num tempo de excesso de informação, muita ansiedade e pouca rede, o que significa hoje cuidar verdadeiramente de uma mulher e da sua família? Cuidar verdadeiramente é olhar para cada mulher/pessoa como alguém único, com a sua história, valores, medos e sonhos. Num tempo de excesso de informação e de relações cada vez mais superficiais, cuidar é criar uma relação de confiança, escutar sem julgamentos e caminhar ao lado da mulher e da família ao longo das diferentes etapas da sua vida. Na Razão d’Ser acreditamos que o conhecimento científico só ganha verdadeiro valor quando é acompanhado de proximidade, respeito e humanidade. A maternidade parece ter deixado de ser vivida em comunidade. Como é que a ausência de rede familiar, a vida acelerada e a solidão de muitos casais mudaram a forma como as mulheres chegam à gravidez, ao parto e ao pós-parto? As famílias vivem hoje com menos apoio informal do que em gerações anteriores. Muitas mulheres chegam à maternidade longe dos seus familiares, conciliando exigências profissionais, sociais e emocionais muito intensas. Isso traduz-se frequentemente em mais ansiedade, mais insegurança e maior necessidade de acompanhamento especializado. O desafio é reconstruir redes de suporte e devolver às famílias a sensação de que não estão sozinhas neste percurso. A informação está a dar mais poder às mulheres ou está também a criar uma geração de grávidas mais ansiosas e assustadas? A informação tem um enorme potencial de empoderamento quando é rigorosa e contextualizada. O problema surge quando existe excesso de informação, opiniões contraditórias ou conteúdos sem base científica. Muitas mulheres sentem-se hoje mais informadas, mas nem sempre mais confiantes. O nosso papel é ajudar a transformar informação em conhecimento, promovendo literacia em saúde e apoiando decisões conscientes e adequadas à realidade de cada família. Em Portugal, ainda há muita confusão sobre o papel da parteira/enfermeira especialista em saúde materna. O que é que esta profissional pode acrescentar à gravidez, ao parto e ao pós-parto que muitas famílias ainda desconhecem? A Enfermeira Especialista em Saúde Materna acompanha processos fisiológicos da vida da mulher com elevada competência técnica e científica, mas também com uma visão holística e integrativa da pessoa e da família. Pode acompanhar a gravidez, preparar para o parto, apoiar a amamentação, promover a recuperação pós-parto e facilitar a adaptação à parentalidade. Mais do que intervir em momentos isolados, oferece continuidade de cuidados, algo que sabemos estar associado a melhores resultados clínicos e a experiências mais positivas para as mulheres, bebés e famílias. Fala-se cada vez mais de parto humanizado, mas nem sempre o conceito é bem compreendido. Como se devolve protagonismo à mulher, respeitando escolhas e reduzindo o medo, sem romantizar o parto nem criar novas formas de julgamento? O protagonismo devolve-se através da informação, do consentimento informado e do respeito pelas escolhas individuais. Um parto positivo não é definido pelo local onde acontece nem pela via de nascimento, mas pela forma como a mulher é tratada e envolvida nas decisões. Humanizar não significa idealizar; significa garantir que cada mulher/pessoa é respeitada na sua singularidade, independentemente das circunstâncias clínicas que surjam. O plano de parto tem vindo a ganhar visibilidade, mas ainda há quem o veja como uma lista de exigências. De que forma pode ser, na verdade, uma ferramenta de literacia, autonomia e comunicação entre a grávida, a família e os profissionais de saúde? O plano de parto é, acima de tudo, um processo de reflexão e diálogo. Ao elaborá-lo, ou a aprender a elaborar, a mulher explora opções, conhece procedimentos e identifica aquilo que é importante para si. Mais do que um documento, o plano de parto é uma ferramenta de comunicação que aproxima famílias e profissionais, favorecendo decisões partilhadas e uma experiência de nascimento mais consciente e respeitada. O pós-parto continua a ser uma das fases mais invisíveis da vida de uma mulher: há cansaço, dor, alterações hormonais, solidão, amamentação, identidade e relação de casal. Que sinais mostram que uma mãe precisa de mais apoio, mesmo quando parece estar tudo bem? Por vezes os sinais são subtis: choro frequente, ansiedade excessiva, isolamento, dificuldade em descansar, sentimentos de incapacidade ou perda de prazer nas atividades do dia a dia. Mesmo quando parece estar tudo bem, é importante perguntar à mãe como ela se sente e criar espaços onde possa falar sem receio de ser julgada. Ou seja, é fundamental que alguém pergunte genuinamente: “Como estás tu?”, e não apenas “Como está o bebé?”. Amamentar continua a ser apresentado como algo “natural”, mas para muitas mulheres é também dor, dúvida, pressão, culpa e exaustão. Como se apoia a amamentação sem a transformar numa medida de valor materno? A amamentação merece ser protegida, promovida e apoiada, mas nunca imposta. O nosso papel é oferecer informação baseada na evidência, apoio especializado por consultora internacional em lactação (IBCLC) e acompanhamento próximo para ultrapassar dificuldades. O valor de uma mãe não depende da forma como alimenta o seu bebé. O que verdadeiramente importa é que cada mulher se sinta respeitada, apoiada e capaz de tomar decisões informadas para si e para a sua família. A Razão d’Ser acompanha a mulher desde a adolescência à saúde sexual, fertilidade, gravidez, pós-parto e família. Porque é que ainda olhamos para a saúde feminina de forma tão fragmentada, quando o corpo da mulher conta uma história contínua? Os sistemas de saúde foram historicamente organizados por especialidades e episódios de cuidados. No entanto, a vida da mulher ou da pessoa não acontece em compartimentos. A adolescência, a saúde sexual, a fertilidade, a gravidez, o parto, o pós-parto e a menopausa fazem parte de um percurso contínuo. Na Razão d’Ser acreditamos numa abordagem integrada, centrada na pessoa e nas suas transições de vida, porque cuidar de forma fragmentada é muitas vezes perder a oportunidade de compreender a história completa. Muitas pessoas associam a Razão d’Ser apenas à gravidez e ao parto. O que encontram os clientes quando entram na clínica para além da saúde da mulher e/ou materna? A saúde da mulher e da família continua a ser uma das nossas áreas de maior diferenciação, mas a Razão d’Ser nasceu com uma visão mais ampla: cuidar da pessoa ao longo das diferentes fases da vida. Por isso, reunimos profissionais de várias áreas da saúde que trabalham de forma integrada, promovendo uma abordagem centrada na pessoa e não apenas na doença. Procuramos responder às necessidades físicas, emocionais e relacionais de quem nos procura, através de consultas médicas, de enfermagem especializada e de diferentes abordagens terapêuticas complementares. Mais do que uma clínica, queremos ser um espaço de proximidade, prevenção e promoção da saúde, onde cada pessoa se sente escutada, respeitada e acompanhada nas suas decisões. Acreditamos que cuidar é olhar para o ser humano na sua globalidade. Essa é, afinal, a verdadeira Razão d’Ser do nosso trabalho. Porque escolheram o nome Razão d’Ser? O que significa verdadeiramente? A Razão d’Ser nasceu de uma pergunta simples, mas profundamente transformadora: o que dá sentido à nossa vida? A expressão está muito próxima do conceito japonês ikigai, frequentemente traduzido como “razão de viver” ou “propósito de vida”. É o ponto onde se encontram aquilo que amamos, aquilo em que somos bons, aquilo de que o mundo precisa e aquilo através do qual podemos contribuir para os outros. Na nossa filosofia, acreditamos que a saúde não é apenas a ausência de doença. É também a capacidade de viver com significado, equilíbrio e propósito. E isso aplica-se às pessoas que nos procuram, mas também aos profissionais que cuidam delas. Quando acompanhamos uma gravidez, um nascimento, um processo de recuperação, uma mudança de vida ou um momento de maior vulnerabilidade, estamos muitas vezes perante verdadeiros momentos de transformação. Momentos em que as pessoas redescobrem quem são, o que valorizam e qual a sua própria Razão d’Ser. Por isso, mais do que uma clínica, a Razão d’Ser procura ser um espaço de bem-estar, onde a ciência e a humanidade se encontram para ajudar cada pessoa a viver de forma mais consciente, mais saudável e mais alinhada com aquilo que dá sentido à sua vida. Porque acreditamos que cuidar da saúde é, também, ajudar cada pessoa a encontrar ou reencontrar a sua própria Razão d’Ser. Sabemos que a Razão d’Ser está a estudar a criação de um espaço de hidroterapia e bem-estar. Como surgiu essa ideia? A ideia surgiu da vontade de continuar a desenvolver uma visão integrada da saúde. Sabemos que o movimento, a água, o relaxamento, o toque terapêutico e a gestão do stress têm um impacto significativo no bem-estar físico e emocional. Por isso, estamos a estudar a criação de um espaço que permita complementar os cuidados clínicos com experiências terapêuticas e preventivas orientadas para a promoção da saúde. Queremos criar um ambiente onde as pessoas possam desacelerar, recuperar energia e reconectar-se consigo próprias, sempre com segurança, acompanhamento profissional e uma base científica sólida. Esse futuro espaço de hidroterapia será apenas para grávidas e bebés? Não. Embora a mulher, a maternidade e a família continuem a ser áreas centrais da nossa identidade, a visão é mais abrangente. Pretendemos desenvolver um espaço pensado para diferentes fases da vida, onde crianças, adultos e seniores possam beneficiar de atividades ligadas ao bem-estar, ao relaxamento, à recuperação funcional e à promoção da saúde. Tal como acontece na clínica, o objetivo não é tratar apenas problemas ou doenças. É ajudar as pessoas a viver melhor, a prevenir dificuldades futuras e a investir na sua qualidade de vida. A Razão d’Ser tem investido também em projetos educativos, incluindo uma coleção de livros infantis. Porque é que uma clínica de saúde aposta na literatura para crianças? Porque acreditamos que a saúde também se constrói através das histórias que contamos. Os livros infantis permitem abordar temas complexos de forma simples, sensível e acessível às crianças e às famílias. Através deles podemos falar sobre nascimento, parentalidade, emoções, amamentação, perda gestacional, luto, amor e resiliência. Muitas vezes, uma história consegue chegar onde a linguagem técnica não consegue. Por isso, encaramos estes livros como uma extensão natural da nossa missão: promover literacia em saúde, fortalecer os laços familiares e ajudar crianças e adultos a compreender melhor as experiências que vivem. No fundo, continuamos a cuidar das pessoas, mas através de uma ferramenta diferente: a educação e a imaginação. O livro “A Menina Natal” e o livro “O Anjo que Não Nasceu” abordam realidades muito diferentes. O que une estes projetos? Ambos nasceram da mesma convicção: as experiências mais marcantes da vida merecem ser vividas e compreendidas com verdade, sensibilidade e respeito. “A Menina Natal” celebra o nascimento, a família e a confiança nos processos naturais da vida. “O Anjo que Não Nasceu” procura dar voz a uma realidade muitas vezes silenciosa: a perda gestacional e o luto perinatal. Embora abordem momentos diferentes, ambos ajudam famílias a conversar sobre temas importantes e refletem um dos valores centrais da Razão d’Ser: cuidar das pessoas em todos os momentos da sua história, incluindo aqueles que nem sempre são fáceis de viver ou de explicar. Nesta coleção, existirão ainda mais três livros, dois relacionados com nascimento e um com amamentação. Onde imagina a Razão d’Ser daqui a dez anos? Imagino a Razão d’Ser como um ecossistema de saúde, educação e bem-estar. Uma organização que continue a prestar cuidados clínicos diferenciados, mas que seja também reconhecida pelos seus projetos educativos, pela investigação científica, pela formação de profissionais, pela promoção da literacia em saúde e pela criação de espaços inovadores de cuidado e desenvolvimento humano. Acima de tudo, espero que continue fiel àquilo que lhe deu origem: colocar a pessoa e a família no centro de tudo o que fazemos contribuindo para que cada um encontre a sua própria Razão d’Ser. Morada: Rua da Lamela 683 r/c Recarei, 4585-617 Porto Contacto: 912 126 767 (chamada para a rede móvel nacional) Instagram: @razaodser Facebook: Razão d’Ser Site: razaodser.pt Cães-Robot no Estaleiro: Grupo Casais Revoluciona Construção Civil em Portugal “Durante demasiado tempo, a boca foi tratada como se estivesse desligada do resto do corpo”
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