REABILITAÇÃO ORAL/SAÚDE ORAL “O futuro está na quiet beauty, com menos rostos iguais, menos excessos e mais identidade” By Revista Spot | Março 13, 2026 Março 14, 2026 Share Tweet Share Pin Email Durante demasiado tempo, a beleza confundiu-se com excesso e habituou-nos a olhar para o rosto por partes: a ruga, o sulco, o lábio, a maçã do rosto. Como se a face fosse um mapa de zonas isoladas e não uma arquitetura viva, feita de osso, gordura, músculo, pele, expressão e história. Sofia Carreira rompe com essa lógica. Médica dentista com formação em Ortodontia e Harmonização Orofacial, recusa abordagens rápidas, padronizadas ou guiadas por tendência, e defende uma prática onde o diagnóstico vem antes do gesto e a ética antes da moda. Defende que a quiet beauty surge como uma resposta a esse ruído, sem rostos iguais, rotinas impossíveis, nem transformações que apaguem identidade. Se tivesse de definir a sua “assinatura”, do que é que nunca abdica e o que é que hoje recusa por considerar “perda de tempo”? Nunca abdico de três pilares: diagnóstico rigoroso, respeito pela identidade da paciente e decisões baseadas em ciência. Recuso abordagens rápidas, padronizadas ou feitas por tendência. A estética não é seguir modas, é preservar estrutura, função e naturalidade. O que é que acontece numa primeira consulta? Converso com a paciente acerca das suas queixas e expectativas, recolho toda a história clínica e informações sobre hábitos de vida, skincare e suplementação, faço o registo fotográfico em repouso e em movimento para posteriormente poder avaliar proporções, simetrias, mímica facial, qualidade da pele, etc e construir um plano de tratamento individualizado. Em determinadas situações, como pacientes com preenchimentos faciais prévios, prescrevo exames auxiliares de diagnóstico para identificar esses materiais e respetiva localização, antes de efetuar qualquer tratamento, pois valorizo a segurança da paciente acima de tudo. Porque é que tantas rotinas? E qual é a rotina mínima eficaz, simples e realista, para uma pele saudável? Na minha opinião por dois motivos, primeiro por excesso de informação. Somos bombardeados a todo o momento com inúmeros produtos que prometem milagres rápidos e rotinas impraticáveis com 10 passos. O segundo é, sem dúvida, a falta de consistência em cumprir a rotina por tempo suficiente para ver resultados. Alguns princípios ativos, como o retinol por exemplo, levam seis a oito semanas a mostrar melhorias na pele. A rotina mínima básica inegociável para uma pele saudável é: limpeza, hidratação e proteção solar. Depois de implementar o básico podemos adicionar um antioxidante de manhã e um ativo regenerador à noite. Quando diz “começar cedo”, do que está a falar exatamente? Que sinais a fazem recomendar prevenção sem criar ansiedade estética? Começar cedo é preservar o colagénio, proteger a pele e corrigir hábitos. Recomendo a prevenção sempre, mas mais ainda quando vejo sinais de perda da qualidade da pele/fotoenvelhecimento ou padrões musculares que, no futuro, podem contribuir para um envelhecimento precoce. Prevenir é cuidar de uma forma inteligente, porque é sempre mais simples prevenir do que corrigir. Explica que o envelhecimento não acontece só na pele: há perda de gordura, alterações de suporte e até retração óssea. Como é que esta visão “em camadas” muda o seu plano terapêutico para evitar o erro clássico de “encher” em vez de estruturar? O envelhecimento acontece em todas as camadas: os ossos da face reabsorvem e tornam-se mais finos, os músculos perdem tonicidade, a gordura da face diminui e a pele também envelhece, perdendo colagénio e elastina, ficando mais fina, flácida e menos hidratada. Isto faz com que uma ruga ou um sulco pronunciado, seja uma consequência da queda de todas estas estruturas e não deva ser tratado diretamente por preenchimento nesse sulco. Se o fizermos, não resolveremos a causa do problema, ele continuará a agravar-se e obteremos resultados artificiais. Devemos estruturar o que se alterou com o envelhecimento, atuando, assim, na causa. Ainda faz sentido pensar por “zonas” ou o futuro está num plano global? Dê um exemplo de como decide “menos produto, melhor estratégia”? Não faz sentido tratar por zonas isoladas, o rosto é um todo. Devemos estipular um plano de procedimentos num determinado horizonte temporal que aborde todas as camadas a tratar. Dou o exemplo de um rosto com flacidez, se optarmos apenas por preencher com ácido hialurónico, utilizaremos uma quantidade grande de produto, correndo o risco de modificar as feições da paciente e obter resultados inestéticos. Acho muito mais válido começar por estimular colagénio com bioestimuladores e tecnologias, e só depois preencher pontos de sustentação muito específicos com ácido hialurónico. Teremos um resultado muito mais natural, duradouro e harmonioso. Muitas mulheres chegam com receio de ficar sem expressão. Como define, tecnicamente, um resultado natural? Um resultado natural é aquele em que a pessoa parece descansada e mais atraente mas não transformada. A melhor medicina estética é aquela que passa despercebida. O excesso é fácil de detetar, porque é esteticamente desagradável à vista. A padronização é algo com que não me identifico de todo e acredito que aplicar o mesmo padrão estético a todos é, além de redutor, profundamente inestético. A sua mensagem é clara: ninguém é simétrico. Como decide o que é uma assimetria saudável e o que pode ser harmonizado com benefício real? De facto, todas as pessoas são assimétricas. E nem todas beneficiam esteticamente de serem simétricas. Há estudos feitos em rostos de atrizes lindíssimas que mostram que perderiam muito da sua beleza se o seu rosto fosse simétrico. Quando falamos em corrigir assimetrias, falamos de situações muito evidentes e percetíveis à vista desarmada, como um lábio assimétrico ou um queixo recuado ou assimétrico, por exemplo. A linha entre a harmonia e a obsessão pela perfeição é puramente ética. Cabe ao médico definir esses limites. Quando fala em medicina estética regenerativa, o que significa clinicamente? Como avalia o que é promessa de marketing e o que já tem base científica suficiente para entrar num protocolo? Medicina regenerativa significa estimular as nossas próprias células. O mais eficaz não é escolher um único tratamento, mas vários tratamentos combinados, tecnologias como laser e ultrassom microfocado com substâncias regenerativas. As tecnologias estimulam a pele através de energia controlada; as substâncias potenciam ainda mais a resposta biológica. Quando bem planeada, esta combinação cria resultados mais naturais, progressivos e duradouros Um bioestimulador é um produto injetável que estimula a própria pele a produzir colagénio. Ao contrário de um preenchimento tradicional, não serve para “dar volume imediato”, mas para melhorar firmeza, qualidade e sustentação ao longo do tempo. O resultado é progressivo e mais natural, porque ativa os mecanismos biológicos do próprio organismo. Os bioestimuladores não são uma tendência recente. Têm mais de duas décadas de utilização clínica. O que evoluiu foi o conhecimento sobre como aplicá-los com maior precisão, segurança e naturalidade. Hoje são uma ferramenta sólida da medicina estética regenerativa, não uma moda passageira O PDRN é uma substância biotecnológica composta por fragmentos de ADN purificado, normalmente de origem marinha, utilizada na medicina estética regenerativa. É indicado para peles fragilizadas, com sinais de envelhecimento ou no pós-procedimento na cicatrização e reparação tecidular, porque trabalha a qualidade da pele de dentro para fora, não preenche, regenera. Os exossomas são pequenas vesículas “mensageiras” naturais produzidas pelas células Transportam sinais biológicos que estimulam regeneração, produção de colagénio e melhoria da qualidade da pele. São utilizados para potenciar processos de reparação e rejuvenescimento, trabalham a nível celular, não apenas superficial. Os exossomas parecem muito promissores para a regeneração celular, mas a ciência ainda está a evoluir, não há ainda uma base sólida tão extensa quanto para outros tratamentos mais estabelecidos Entre toxina, preenchimentos, bioestimuladores e tecnologia de nova geração, o que “manda” na decisão? E como explica a diferença entre resultado imediato e sustentado? A decisão depende muito da queixa principal da paciente e essa será sempre a prioridade. A escolha do tratamento a realizar é influenciada por diversos fatores, como a qualidade da pele, grau de envelhecimento, flacidez, etc. Alguns resultados são imediatos, mas os mais bonitos e duradouros são os que se constroem ao longo do tempo. Após a aplicação de um bioestimulador, a produção de novo colagénio não é imediata. O processo ocorre gradualmente ao longo de três a seis meses. É importante compreender que os tratamentos devem ser regulares e consistentes e que os resultados levam o seu tempo para que não haja expectativas irrealistas. Que hábitos têm maior impacto na resposta aos tratamentos? Que tendências quer ver desaparecer e quais acredita que ficam por serem mais responsáveis? Sono de qualidade, boa hidratação, alimentação equilibrada, exercício físico e proteção solar diária têm um impacto direto na forma como a pele responde e mantém os resultados. A suplementação pode ser uma aliada importante, desde que personalizada e bem indicada. Nutrientes como proteínas de qualidade, antioxidantes e determinados minerais ajudam a otimizar a produção de colagénio e a resposta inflamatória da pele. Em 2026, acredito que vamos assistir a muitos rostos alterados por perdas de peso rápidas associadas às chamadas canetas emagrecedoras. A redução acelerada de gordura impacta o suporte facial e exige uma abordagem mais estrutural e regenerativa. Ao mesmo tempo, gostava de ver desaparecer o excesso de preenchimento. O futuro está na chamada quiet beauty: mais qualidade de pele, mais naturalidade e menos padronização. A medicina estética está a evoluir para estratégias mais naturais, personalizadas e responsáveis. Instagram: @drasofiacarreira Facebook: Dra Sofia Carreira Contacto: 934 044 266 (chamada para a rede móvel nacional) “Entre reconstrução e identidade, a Cirurgia Plástica pode começar numa cicatriz, num pós-parto, numa perda de peso ou numa doença oncológica” II Congresso Nacional do Luto Perinatal: “A perda gestacional continua envolta em silêncio e há uma urgência de cuidar melhor”
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