SAÚDE DA MULHER “A fisioterapia dermatofuncional vai muito além do que a pele revela: atua nas cicatrizes que limitam o movimento e nas disfunções cutâneas que o espelho não mostra” By Revista Spot | Julho 30, 2025 Julho 30, 2025 Share Tweet Share Pin Email Não é sobre pele lisa. É sobre pele viva. Palavra da fisioterapeuta dermatofuncional Filipa Martins. A fisioterapia dermatofuncional vai muito além do que a pele revela: atua nas cicatrizes que limitam o movimento, nas disfunções cutâneas que o espelho não mostra, nos sinais que o corpo dá muito antes de “envelhecer”. O que Filipa faz é reprogramar tecidos, devolver função, prevenir lesões, recuperar mobilidade e, sim, transformar a relação que temos com o nosso corpo e com os nossos hábitos de vida. A sua abordagem é clara: protocolos personalizados, menos invasão, mais regeneração. E sim, também é sobre beleza, mas uma beleza que nasce do equilíbrio, da escuta e da coragem de olhar para a pele como um órgão vivo e inteligente. Porque no seu consultório, a pele é diagnóstico, é linguagem, é saúde. Para quem ainda não conhece, o que é a fisioterapia dermatofuncional, quais são as suas principais áreas de atuação e em que situações é recomendada? A fisioterapia dermatofuncional atua na prevenção, tratamento e recuperação da pele, do tecido conjuntivo, tecido adiposo e de anexos cutâneos, como é o caso do cabelo. É indicada não só em casos estéticos, como também em casos de cicatrização, problemas linfáticos, entre outros, promovendo o equilíbrio funcional e bem-estar. A fisioterapia dermatofuncional tem vindo a evoluir bastante nos últimos anos. Quais são as técnicas e tecnologias mais inovadoras que estão a ser aplicadas atualmente no tratamento da pele e do tecido conjuntivo? Costumamos dizer que “nada se inventa, tudo se transforma” e, efetivamente, a alta tecnologia mais atual é uma melhoria da eletroterapia que já utilizávamos. Mas com as novas atualizações e à luz da investigação mais recente, as tecnologias que promovem o rejuvenescimento e melhoram o contorno corporal de forma não invasiva têm vindo a ser as estrelas desta nova visão de “quiet beauty”. O microagulhamento e o PRP (Plasma Rico em Plaquetas) são muito falados ultimamente. Como funcionam estes tratamentos e quais os seus benefícios reais, tanto a nível estético como funcional? O PRP é um procedimento médico que utiliza os fatores de crescimento do próprio sangue para estimular a regeneração celular. O microagulhamento é um procedimento que implica pequeníssimas lesões ao nível da pele, pelo que é recomendado que seja realizado por um profissional de saúde. Tem como objetivo exponenciar a formação de novo colagénio e de melhor qualidade, melhorando o aspeto da pele. Uma grande vantagem deste procedimento é que se pode conjugar com a aplicação tópica de vitaminas. Ambos têm benefícios estéticos e funcionais, mas essencial que sejam aplicados dentro dos limites legais e com uma avaliação individualizada. De que forma o seu trabalho ajuda na melhoria da função e saúde da pele, para além da aparência? É verdade, hoje em dia quando se fala de pele associamos sempre à aparência, no entanto na visão da fisioterapia dermatofuncional não se limita a algo “superficial”. Vemos a pele como parte de um sistema único, em que por exemplo uma cicatriz pode influenciar a biomecânica corporal e ter repercussões físicas à distância. Como é que a fisioterapia dermatofuncional pode contribuir para a prevenção e tratamento das cicatrizes hipertróficas e queloides, um problema comum e muitas vezes difícil de gerir? A evidência demonstra que os cuidados com a ferida influenciam todo o processo cicatricial, por isso intervimos precocemente para facilitar o processo de cicatrização e fazer com que os tecidos sejam o mais funcionais possível. Utilizamos terapia manual para controlar as tensões, assim como eletroterapia e fototerapia para modular e facilitar todo o processo de cicatrização. Pode parecer simples, “só ligar uns aparelhinhos”, mas a aplicação destas tecnologias não deve ser realizada com base em “achismo”. A influência dos hábitos de vida é determinante para a saúde cutânea. Como orienta os seus pacientes para que tenham uma abordagem integrada e eficaz? Na fisioterapia dermatofuncional olhamos para a pele como reflexo da saúde interna. Por isso, além de uma intervenção direta, é fundamental educar os pacientes sobre a importância de manter hábitos saudáveis como, noites mal dormidas, má alimentação, exposição solar, níveis elevados de stress, tudo isso contribui para diversas disfunções cutâneas. O meu papel passa por orientar de forma individualizada, e quando necessário encaminhar para outros profissionais, de forma a garantir um acompanhamento mais completo e eficaz. Quais são as maiores dificuldades ou mitos que os pacientes apresentam quando procuram fisioterapia dermatofuncional? E como é que a sua prática desmistifica essas ideias? Um dos principais mitos é associar a fisioterapia dermatofuncional exclusivamente à estética. Apesar de muitos tratamentos terem impacto visível na aparência, a nossa atuação vai muito além disso: lidamos com condições que comprometem a função e o bem-estar. Outro desafio frequente é o desejo de resultados imediatos. Cabe-nos explicar que a pele é um órgão com ciclos próprios de regeneração, e que o processo exige consistência e paciência. Desmistificar estas ideias passa por escutar, educar e demonstrar, com clareza e empatia, o racional por trás de cada intervenção. Até que ponto é que a fisioterapia dermatofuncional pode ser adaptada a cada tipo de pele e condição clínica? A personalização está no centro da fisioterapia dermatofuncional. Nenhuma pele é igual a outra, cada paciente tem uma história clínica, hábitos de vida, expectativas e condições específicas que devem ser respeitadas. Embora a medicina estética integrativa seja, por definição, uma prática médica, a nossa atuação complementa essa abordagem através de protocolos individualizados, definidos após uma avaliação criteriosa. Trabalhar em equipa, respeitar as competências de cada área e ajustar a intervenção às reais necessidades de cada pessoa é o que torna os resultados mais seguros e duradouros. Com o crescimento do interesse dos homens em cuidados estéticos, que diferenças de abordagem ou preocupações específicas identifica no tratamento masculino comparado com o feminino? O público masculino tem vindo a assumir cada vez mais o desejo de cuidar da pele e do corpo, o que é muito positivo. No entanto, há diferenças claras na abordagem. Os homens, por norma, preferem tratamentos discretos, rápidos e com pouco tempo de recuperação. Procuram sobretudo melhorias na textura da pele, controlo da oleosidade, redução de cicatrizes de acne, prevenção do envelhecimento e, em alguns casos, intervenção em alterações corporais como flacidez ou retenção de líquidos. Também é importante adaptar a linguagem e a comunicação, descomplicando o processo e criando um ambiente confortável onde sintam que o cuidado com a pele não é exclusivo do universo feminino. Quais os cuidados devem ter as pessoas após um tratamento dermatofuncional para garantir os melhores resultados e minimizar riscos, nomeadamente no que toca à exposição solar e rotina diária? Os cuidados pós-tratamento são uma extensão da terapia. Explico sempre que o sucesso da intervenção não depende só do que fazemos na clínica, mas também da forma como a pele é tratada em casa. A fotoproteção diária é obrigatória, mesmo em dias nublados ou em ambiente interior, com exposição a ecrãs. A hidratação deve ser reforçada, e produtos abrasivos ou ácidos devem ser evitados nos dias seguintes. Além disso, recomendo que se respeite o tempo de regeneração do tecido, evitando maquilhagem, exercício intenso ou exposição ao calor, conforme o tipo de intervenção realizada. Tudo é adaptado e explicado para que o paciente compreenda o porquê de cada orientação. Que tendências futuras antevê para a fisioterapia dermatofuncional? Existem novas áreas de investigação ou tecnologias emergentes que acredita que vão transformar esta área? A área está a crescer em várias frentes. Por um lado, há uma aposta cada vez maior em tecnologias que estimulam a regeneração natural da pele de forma não invasiva, como a utilização da Inteligência artificial, para avaliação da condição da pele. Por outro lado, a investigação começa a explorar conexões mais profundas entre o sistema nervoso autónomo, o toque terapêutico e a saúde cutânea, abrindo caminho para intervenções que não tratam apenas a pele, mas também o stress e a forma como o corpo responde ao ambiente. A tendência é caminharmos para abordagens cada vez mais integradas, onde estética, função e bem-estar andam lado a lado. A fisioterapia dermatofuncional ainda é relativamente desconhecida em Portugal, inclusive entre alguns profissionais de saúde. Como tem sido o percurso para a afirmação desta especialidade no nosso país? O caminho tem sido feito com persistência, rigor e formação contínua. Ainda existe alguma desinformação, tanto entre o público como entre colegas de outras áreas da saúde. Felizmente, temos vindo a mostrar que a fisioterapia dermatofuncional é uma especialidade com base científica sólida, e que pode ser um contributo real em contextos clínicos e estéticos. O grande desafio continua a ser o reconhecimento formal da área como especialidade em Portugal, e a criação de espaços de diálogo entre profissões. Acredito que o crescimento virá com mais visibilidade, investigação e, sobretudo, com a demonstração de resultados consistentes e éticos. Instagram: @filipamartins.fisioterapeuta WhatsApp: +351 910 580 042 “Espero que, num futuro próximo, a osteopatia pediátrica seja uma opção integrada no SNS, como já acontece em alguns países” “A DS Clínica é a materialização de um sonho: criar um lugar onde o Universo da Mamã ganhasse raízes e onde nenhuma mãe se sentisse sozinha no seu caminho”
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