Medicina Estética “A estética médica está cada vez mais integrada nas práticas clínicas, complementando áreas como a dermatologia, endocrinologia, nutrição, saúde mental e medicina preventiva” By Revista Spot | Agosto 3, 2025 Agosto 3, 2025 Share Tweet Share Pin Email Hoje a medicina estética ultrapassa fronteiras, integrando-se profundamente com áreas como a dermatologia, a endocrinologia, a nutrição, a saúde mental e a medicina preventiva. Segundo Paulo Marques, médico de medicina estética, atualmente, a estética médica não se limita a tratar sinais visíveis do envelhecimento ou imperfeições cutâneas, mas trabalha em sinergia com a genética, a epigenética e a metabologia para personalizar intervenções que atuam desde o nível celular. “A utilização de biomarcadores e análises avançadas permite identificar inflamações silenciosas, desequilíbrios hormonais e deficiências nutricionais, que se manifestam não só no aspeto exterior mas também no desempenho do sistema imunitário e na saúde mental. Não se trata apenas de melhorar a aparência, mas de resgatar a autoconfiança, prevenir doenças e transformar o paciente num protagonista ativo da sua saúde e da sua imagem.”, revela. Cada vez mais pessoas procuram a medicina estética como parte de um processo de autocuidado. Como vê esta transformação do setor, que hoje está mais ligado à saúde emocional e autoestima do que à aparência? Tem-se tornado cada vez mais evidente que as pessoas procuram a medicina estética não apenas por questões visuais, mas como parte de um processo mais profundo de autocuidado. É comum receber pacientes que não chegam com uma queixa estética específica, mas sim com o desejo de se sentirem melhor consigo próprias. O objetivo não é parecer diferente, mas reencontrar-se com uma versão mais confiante de si. ‘Menos é mais’ é um princípio presente na sua prática? Esse reencontro passa por respeitar a identidade de cada pessoa. O princípio de que “menos é mais” é um dos pilares da minha prática. Defendo uma abordagem subtil e progressiva, o chamado quiet beauty. Evito excessos, tanto em volumes como em expressões, procurando um aspeto natural, saudável, de alguém que simplesmente “envelheceu muito bem”. O plano é sempre construído com base nas preocupações de cada paciente e adaptado ao longo do tempo. De que forma a escuta ativa ajuda a identificar o que está por trás do desejo estético? A escuta ativa é fundamental. A decisão sobre o tratamento nunca é apenas minha, é feita sempre em conjunto. É essencial compreender a motivação por trás do desejo estético e garantir que esta não decorre de distorções da imagem corporal, como o transtorno dismórfico, onde qualquer tratamento corre o risco de falhar. A ciência mostra que os melhores desfechos psicológicos surgem quando a decisão é autónoma, bem informada e com expectativas realistas. Quando o objetivo é agradar terceiros, o risco de frustração é muito maior. Já quando há um desejo genuíno de autoaperfeiçoamento, os resultados tendem a ser emocionalmente muito positivos. Hoje, quem procura a medicina estética? Notamos um público cada vez mais jovem, informado e com foco na prevenção. Isto permite alcançar resultados significativamente melhores com intervenções menos invasivas. Também o público masculino tem vindo a crescer, à medida que a medicina estética se torna mais acessível e livre de estigmas. Separar idealizações irreais de objetivos estéticos saudáveis é um desafio? Sem dúvida. O bombardeamento constante de imagens idealizadas e filtradas cria uma pressão silenciosa, mas intensa. É por isso que nas consultas faço sempre questão de ajustar expectativas. O meu foco está no envelhecimento saudável e na autenticidade da imagem pessoal, não em transformar alguém numa projeção digital irreal. Quais são, para si, as grandes tendências do momento, seja em tecnologias ou novas abordagens de rejuvenescimento? A tendência clara é a regeneração e a prevenção e menos intervenções que procuram transformar radicalmente. Assistimos à evolução da aparatologia voltada para a bioestimulação, de novos injetáveis e até de técnicas mais refinadas com produtos já conhecidos. Tudo aponta para resultados mais subtis e naturais. Que critérios usa para criar planos integrados e seguros? Raramente um único tratamento resolve tudo. A combinação estratégica de técnicas, toxina botulínica, preenchimentos, bioestimuladores, entre outros, permite tirar partido dos pontos fortes de cada um. Tento sempre criar um plano personalizado para alcançar os objetivos definidos com o paciente, com segurança e harmonia. Que mitos encontra com mais frequência? E como procura educar os seus pacientes para decisões informadas e realistas? Esta é uma área ainda muito envolta em mitos e, infelizmente, também em desinformação. A estética médica sofre, por um lado, com o estigma de ser algo fútil ou vaidoso e, por outro, com a ideia errada de que qualquer pessoa pode exercer esta prática com segurança. É essencial desmistificar ambos os extremos. Muitas vezes, os resultados exagerados e mal executados são os que mais circulam nas redes sociais ou nos grupos de conversa, mas representam apenas uma minoria. Quem obtém bons resultados, com naturalidade e harmonia, tende a dizer que “não fez nada” ou que “foi só uma coisinha”, quando, na verdade, foi o resultado de um plano bem estruturado, com diferentes técnicas, consistência e acompanhamento médico. Por isso, invisto sempre numa fase de educação com o paciente. Explico o papel real de cada tratamento, o que podemos esperar e o que não podemos prometer. Além disso, alerto sempre para a importância de procurar profissionais médicos certificados. A medicina estética não é isenta de riscos, estamos a falar de procedimentos que envolvem anatomia vascular, muscular, conhecimento farmacológico e diagnóstico diferencial. Quando realizados por quem não tem formação médica, o risco de complicações aumenta exponencialmente. E aí, o que parecia “mais barato”, pode acabar por sair bastante mais caro, em todos os sentidos. A escolha consciente e informada de quem trata do nosso rosto ou corpo é, acima de tudo, uma decisão de saúde. E é isso que tento transmitir a cada pessoa que se senta no meu consultório. Há algum caso clínico que o tenha tocado especialmente, não apenas pela transformação física, mas pelo impacto emocional ou simbólico na vida do paciente? Há muitos casos que me tocam, e por vezes são os mais simples que mais marcam. Lembro-me de uma paciente que veio preocupada com uma ruga profunda na glabela. Depois de tratada com toxina botulínica, a sua alegria não foi tanto pela melhoria da ruga em si, mas pelo que isso lhe proporcionou: um olhar mais relaxado, mais leve e, segundo ela, “pela primeira vez em anos, senti que o espelho me devolvia um olhar feliz”. Como imagina a medicina estética daqui a 10 anos? Que papel acredita que os profissionais éticos, com uma abordagem centrada no paciente, terão na construção de uma estética mais consciente? Vejo a medicina estética a caminhar para uma integração cada vez maior com outras especialidades médicas mais tradicionais. Já não falamos apenas de rugas ou flacidez, mas de um verdadeiro acompanhamento global do processo de envelhecimento. A estética médica começa a ter o seu lugar ao lado da dermatologia, endocrinologia, nutrição, saúde mental e medicina preventiva numa abordagem mais holística, em que o objetivo não é apenas parecer bem, mas sentir-se bem. Existe hoje evidência científica robusta que demonstra que os procedimentos estéticos, quando bem indicados e conduzidos por profissionais éticos, podem ter um impacto profundamente positivo na autoestima, na imagem corporal e até na sintomatologia ansiosa e depressiva. A medicina estética, neste contexto, não trata apenas o exterior, funciona muitas vezes como catalisador de mudança, como reforço da identidade e como ponto de partida para um autocuidado mais abrangente. Essa visão mais consciente exige, naturalmente, que os profissionais tenham um olhar clínico mais amplo e uma escuta empática. É por isso que acredito que os médicos estéticos do futuro terão um papel cada vez mais relevante na promoção de saúde, não apenas estética, ajudando os pacientes a envelhecerem com mais qualidade de vida, bem-estar e, acima de tudo, autenticidade. Instagram: @drpaulomarques “Quantas mulheres vivem anos a normalizar sintomas no pavimento pélvico sem saber que há solução? Uma avaliação pode mudar tudo” “Nunca se falou tanto em saúde capilar como hoje e a geração Z é a grande protagonista desta mudança”
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