PRONUNCIA DO NORTE/Restaurantes Mais do que restaurantes, Yang Qi cria experiências com storytelling. Assim é a nova geração da restauração By Revista Spot | Agosto 8, 2025 Agosto 8, 2025 Share Tweet Share Pin Email A restauração do futuro já chegou e Yang Qi é um dos maiores exemplos da sua geração. Hoje, fala-se de imersão, envolvimento e experiências para além do prato. Do Hoko, ao recém-inaugurado Shoyu Noodle Bar, Yang cria ambientes que contam histórias, narrativas vivas que ligam cultura, inovação e emoção. Aqui, o cliente não é apenas consumidor, é explorador. O design disruptivo, a tecnologia e o storytelling autêntico fazem dos restaurantes destinos culturais e da refeição uma experiência quase teatral. Este é o manifesto da restauração 3.0: um movimento global com alma local, que abraça diversidade e conexão humana profunda. Comer deixa de ser rotina e converte-se numa performance artística onde o inesperado é o ingrediente principal. Do Mikado ao Miyuki, do Hoko ao Los Pepes, e agora o Shoyu Noodle Bar, como se constrói um ecossistema gastronómico com ADN próprio, mantendo coerência entre marcas tão distintas e, ao mesmo tempo, únicas? Independentemente do conceito, há uma identidade comum que atravessa todos os nossos restaurantes. Os nossos valores, a qualidade do produto, o foco na experiência do cliente e a formação contínua das equipas são os pilares de um crescimento consistente e sustentável. Quando os fundamentos estão bem enraizados, é possível desenvolver propostas diferentes, mas com uma base sólida e coerente. Acreditamos profundamente na importância de fazer o simples de forma excecional. Estudamos a fundo cada conceito antes de o lançar, investigamos tendências, viajamos em busca de inspiração e trabalhamos para transmitir uma mensagem clara, autêntica e positiva. É esta exigência que nos permite criar espaços únicos, mas sempre fiéis ao nosso ADN. O consumidor atual valoriza experiências autênticas e envolventes. Que importância têm o ambiente e o storytelling na criação de uma ligação emocional com o cliente, seja na atmosfera noturna do Hoko ou na irreverência jovem do Shoyu? O nosso público é cada vez mais exigente e atento aos detalhes, e é exatamente por isso que procuramos criar experiências cada vez mais completas e memoráveis. Tudo conta: a decoração, a louça, os talheres, a música ambiente, os aromas, o fardamento da equipa, cada elemento é pensado para despertar sensações e reforçar a atmosfera do espaço. O nosso objetivo é simples: que as pessoas se sintam bem, num ambiente acolhedor e estimulante, onde possam desfrutar verdadeiramente da companhia. Cada conceito tem a sua própria narrativa. No Shoyu, por exemplo, a irreverência e o atrevimento estão no centro da identidade. É um espaço onde testamos limites, experimentamos combinações improváveis, tanto nos pratos como no design, e onde nos permitimos ser criativos, sem filtros nem medo de julgamentos. Essa liberdade é sentida e vivida por quem nos visita. A diversidade dos vossos conceitos, do sushi à fusão asiática, passando pelo tex-mex e agora pelo ramen, responde à curiosidade do consumidor ou é parte de uma estratégia mais ampla para antecipar tendências culturais e gastronómicas? Vivemos num mundo onde a informação circula rapidamente, e isso alimenta naturalmente a curiosidade e a procura por novas experiências gastronómicas. Todos os dias surgem novidades, tanto a nível nacional como internacional. Algumas passam depressa, mas outras marcam e ficam. A nossa abordagem tem sido acompanhar essa evolução, sim, mas sobretudo identificar oportunidades concretas nos mercados onde estamos presentes. Foi o que aconteceu em Famalicão, onde abrimos o primeiro restaurante de sushi da cidade, uma oportunidade clara num mercado ainda por explorar. Mais tarde, já com mais experiência, surgiu o Hoko em Braga. Aí não fomos pioneiros, mas quisemos elevar a fasquia e marcar pela qualidade. Com o Los Pepes, trouxemos a cultura tex-mex para Famalicão e crescemos com ela: começámos com 50 lugares e hoje temos uma casa com 200. Em breve, abriremos a segunda unidade, agora em Braga. O Shoyu representa o espírito jovem e irreverente de Braga. É um projeto do qual nos orgulhamos, não só pela estética e conceito, mas porque mostra o nível de maturidade que atingimos enquanto grupo. Ao longo destes anos, houve muitos clientes que provaram sushi, tacos ou guacamole pela primeira vez nos nossos espaços. E acreditamos que o mesmo acontecerá com o ramen. Mais do que seguir tendências, ajudamos a criá-las, porque fazemos bem, com qualidade e propósito. E quando se fazem bons restaurantes, todos ganham: os clientes, o setor e a cultura gastronómica do país. O que distingue um projeto de restauração com ambição empresarial e de marca, do simples restaurante bem gerido? Hoje, abrir um restaurante exige muito mais do que saber cozinhar bem. É um erro comum acreditar que o talento à mesa com amigos se traduz automaticamente num negócio de restauração de sucesso. Um restaurante é, antes de mais, uma empresa e precisa de consistência, visão a longo prazo e retorno sobre o investimento. O nosso objetivo é criar marcas fortes, com identidade própria e capacidade de se tornarem referência nas cidades onde atuam. Tudo começa na definição clara do conceito e da experiência que queremos proporcionar ao cliente. A partir daí, cada detalhe é pensado estrategicamente, desde a eficiência operacional e o conforto da equipa, até à redução de desperdício. A comunicação e a imagem também são parte fundamental do processo. Investimos em plataformas digitais, redes sociais, design e conteúdos que refletem quem somos. Um projeto com ambição não se limita a servir refeições, constrói uma marca, conta uma história e está preparado para crescer. Como é que um empresário jovem como o Yang equilibra o crescimento rápido com a consistência na experiência do cliente, qualidade dos produtos e formação de equipas? Embora o crescimento tenha acelerado nos últimos anos, a minha aprendizagem vem de longe, são mais de dez anos de experiência no setor. E é com orgulho que digo que algumas das pessoas que me acompanharam desde o início são hoje minhas sócias. Esse percurso partilhado é, para mim, um dos maiores sinais de consistência. Atualmente, o meu papel é mostrar o caminho às equipas e fazê-las perceber que o crescimento de um projeto depende da ambição, do empenho e das atitudes de cada um. Incentivo o espírito empreendedor e reforço sempre que, antes de liderar um negócio próprio, é essencial conhecer profundamente todas as áreas de um restaurante. Empreender na restauração é possível e pode ser altamente compensador, mas exige conhecimento em várias frentes: serviço, cozinha, gestão, marketing e, sobretudo, capacidade de sacrifício. Felizmente, muitos dos nossos colaboradores já perceberam isso e investem diariamente no seu crescimento pessoal e profissional. Esse é o verdadeiro motor do nosso sucesso coletivo. A presença digital e o branding têm vindo a moldar o sucesso dos seus projetos? Como é que se constrói uma marca gastronómica forte em 2025? Hoje, construir uma marca gastronómica forte começa por uma premissa essencial: conhecer bem o nosso público. Um dos maiores erros que cometi no início foi tentar comunicar para todos. Aprendi que é crucial segmentar, perceber quem queremos atrair e aquilo que essa pessoa procura numa experiência gastronómica. A partir daí, tudo ganha coerência, desde o tipo de letra e as cores até aos materiais, texturas e decoração dos espaços. O branding tem de ser pensado como um todo, porque muitas vezes é através do ambiente, físico ou digital, que o cliente tem o primeiro contacto com a marca. E essa primeira impressão conta muito. A presença digital, hoje, é decisiva. Um bom vídeo, um conteúdo bem pensado nas redes sociais, pode encher um restaurante durante semanas. A inovação nesta área é constante, e obriga-nos a estar atentos, a testar, a adaptar. Apostamos em marketing de conteúdo, parcerias com influencers, campanhas offline e uma comunicação consistente nos nossos sites. Estamos agora a preparar o próximo passo: lançar apps com programas de cashback e fidelização, que reforcem a ligação emocional e a recorrência. Porque em 2025, uma marca forte é aquela que sabe comunicar, envolver e criar comunidade. Num país cada vez mais multicultural e turístico, como é que vê o papel da gastronomia como ponte entre culturas? E como empresário luso-chinês, o que sente estar a mudar nesse diálogo? A gastronomia é muito mais do que alimento, é uma linguagem universal, uma forma poderosa de criar ligação entre culturas. Quando alguém prova um prato de outra parte do mundo, não está apenas a experimentar novos sabores: está a entrar em contacto com uma história, uma tradição, uma forma diferente de ver o mundo. Num país como Portugal, cada vez mais diverso e aberto ao exterior, a restauração tornou-se uma ponte natural entre pessoas, origens e vivências. Como empresário luso-chinês, sinto essa mudança diariamente. Há hoje uma curiosidade genuína, uma maior abertura e menos resistência ao que é diferente. As pessoas não querem apenas comer, querem descobrir, compreender, viver uma experiência autêntica. Já não se trata apenas de misturar ingredientes, mas de respeitar a essência de cada cultura e, a partir daí, inovar com propósito. A comida tem esse poder: aproxima, emociona, quebra barreiras. Por isso, acredito que um restaurante pode, e deve, ser mais do que um negócio. Pode ser um espaço onde culturas se encontram, se celebram e se entendem. É essa a missão que procuramos cumprir todos os dias: servir bem, sim, mas também contribuir para uma sociedade mais rica, mais consciente e mais humana. O setor da restauração enfrenta desafios estruturais: escassez de mão de obra qualificada, inflação, burocracia. Que tipo de inovação ou mudança sistémica acredita ser urgente para garantir um futuro mais sustentável para o setor? É fundamental que o setor se profissionalize cada vez mais e consiga criar postos de trabalho que sejam atrativos. É necessário desenvolver planos de carreira reais que façam com que os jovens vejam na restauração uma profissão com futuro. Num país onde o turismo representa mais de 20% do PIB, é essencial que haja mais investimento na formação e apoio direto às empresas do setor. O papel do Estado é determinante. As elevadas taxas fiscais, a carga da segurança social e a burocracia desincentivam o crescimento e a inovação. Ao mesmo tempo, precisamos de apostar mais na digitalização e automação de processos, na sustentabilidade e em modelos de negócio mais eficientes. O futuro da restauração passa por uma mudança profunda, não basta ajustar, é preciso transformar. O que é que o inspira na criação de novos conceitos? Como nasce uma ideia como o Shoyu Noodle Bar e o que valida antes de avançar para abrir portas? A vontade de inovar está no nosso ADN. Sentimos um enorme entusiasmo em surpreender os nossos clientes com conceitos novos e experiências marcantes. O Shoyu nasceu precisamente de uma necessidade que sentimos ao visitar outros restaurantes. Faltava, na nossa zona, um espaço asiático descomplicado, jovem, irreverente e com um ambiente divertido. A validação surgiu dessas experiências e da leitura do mercado local. O processo de criação do Shoyu levou cerca de um ano até à sua abertura. Durante esse tempo, estudámos, testámos ideias, desenhámos o conceito com detalhe e só avançámos quando sentimos que havia base sólida. Agora, continuamos a desenvolvê-lo, ouvindo os nossos clientes, ajustando, afinando. Acreditamos que um conceito só se torna verdadeiramente bom quando está vivo e evolui com quem o visita. Se tivesse de imaginar agora um “restaurante do futuro”, um projeto realmente disruptivo, como seria? Quais seriam os pilares de uma restauração 3.0 em Portugal? Acredito que no futuro existirão essencialmente dois grandes tipos de restauração: Por um lado, os restaurantes com foco em mono-produto, com refeições acessíveis, rápidas e eficientes, muitas vezes sem serviço de mesa. Hamburguerias, pokes, pizzas, kebabs… Nestes, o mais importante será o produto, o preço e a rapidez. São muito utilizados em formato delivery ou take-away, com atendimento feito por app e entrega ao balcão. Por outro lado, existirão os restaurantes de valor acrescentado, espaços que oferecem experiências sensoriais completas, onde a comida, o ambiente, o serviço e até o entretenimento se combinam para criar algo único. Estes projetos requerem maior investimento, mais recursos humanos qualificados e uma operação mais exigente, mas também entregam algo verdadeiramente memorável. Facebook: Hoko | Restaurante Mikado |Los Pepes Mexicano | Miyuki Sushi Instagram: @hoko.braga |@shoyu_noodlebar | @sushimikado_official |lospepes |miyuki.vizela |@koda_restaurante Henrique Meireles Caniço transformou um negócio de família e acredita que, mais importante do que gerir, é inspirar uma comunidade “A ortopedia funcional dos maxilares forma sorrisos na infância e autoestima na idade adulta”
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