BELEZA Do Direito ao empreendedorismo, Fernanda Roma ensina-nos como se define a “arquitetura do olhar” By Revista Spot | Fevereiro 5, 2026 Fevereiro 6, 2026 Share Tweet Share Pin Email Fernanda Roma trocou a certeza do Direito pelo percurso de empreendedora. Mudou-se para Portugal sem rede, com recursos limitados e uma certeza: construir uma marca com identidade. Em seis meses, tinha a agenda cheia e hoje trabalha com lista de espera. Mas o que se faz, afinal, quando se trabalha com uma das zonas mais expressivas do rosto? As sobrancelhas influenciam a perceção da idade, a abertura do olhar, a expressão, e podem até alterar a forma como uma pessoa é lida antes de dizer uma palavra. Nesta conversa, entramos no universo do FR Beauty Studio, para falar desta arquitetura do rosto, de técnicas como o nanoblading, de triagem e segurança, e da diferença entre perfeição e presença, porque, no fim, a beleza que fica, como diz Fernanda Roma, é a que não apaga quem somos. Em que momento percebeu que queria empreender e construir o seu próprio negócio? Empreender nunca foi apenas sobre abrir um negócio, mas sobre a vontade constante de criar, de fazer diferente e de colocar minha identidade em tudo o que faço. Desde muito cedo, percebi que não me encaixava totalmente em caminhos predefinidos. Sempre tive um olhar atento a novas oportunidades e a tudo o que poderia ser melhorado, reinventado ou feito de forma mais autêntica. Tudo começou com uma decisão muito consciente de mudança. Eu vinha do Direito, uma área sólida e tradicional, mas sentia que aquele caminho já não representava quem eu era. Foi nesse momento de inquietação que a Estética apareceu e com ela, a possibilidade de trabalhar com algo mais humano, criativo e transformador. A transição de carreira não foi simples, e tornou-se ainda mais desafiadora quando decidi mudar para Portugal. Cheguei sem conhecer absolutamente ninguém, sem rede de apoio e com muitos medos, mas também com uma certeza muito forte: queria construir algo meu. Empreender, para mim, nasceu dessa coragem de recomeçar do zero, confiando no meu trabalho e na minha visão. Montei o meu próprio espaço com recursos limitados, muita dedicação e foco total na experiência e no resultado que entregava para cada cliente. Em apenas seis meses, a minha agenda já estava completamente cheia. Hoje, trabalho com lista de espera de até dois meses, um resultado que reflete não só técnica, mas propósito, consistência e conexão real com as pessoas. Mais do que um negócio, construí uma marca que traduz quem sou. Empreender tornou-se uma extensão da minha história, da minha estética e dos meus valores: elegância, propósito e consistência. Há um trabalho que vai além da estética e que procura, sobretudo, tocar a identidade? Para mim as sobrancelhas não são apenas um detalhe do rosto, mas um elemento essencial da identidade, da expressão e da forma como cada mulher se reconhece ao espelho. Muitas vezes, antes mesmo de falar, o olhar já carrega histórias, inseguranças e força e o meu trabalho passou a ser cuidar disso com respeito e sensibilidade. Desde o início, meu objetivo não é entregar apenas um resultado estético, mas uma experiência de reconexão. Cada atendimento é pensado de forma individual, considerando traços, personalidade e essência. É sobre realçar, nunca transformar. Sobre devolver harmonia sem apagar quem aquela mulher é. Quando uma cliente se olha ao espelho ao sair do estúdio, desejo que ela se sinta segura, elegante e confiante. Que se reconheça. Que sinta que aquele reflexo traduz a sua melhor versão, não uma versão padronizada, mas uma versão autêntica, leve e alinhada com a sua identidade. Para mim, o verdadeiro luxo está exatamente aí: em fazer com que cada mulher se veja e se sinta ela mesma, só que ainda mais segura do seu próprio brilho e perceba que existe uma beleza imensurável em ser quem ela é. Se a sobrancelha é a moldura do rosto, qual é o “erro invisível” que mais impacta a expressão facial? E até que ponto trabalha com medidas e regras técnicas versus a leitura emocional do rosto? O erro mais invisível, e talvez o mais impactante, é a perda da naturalidade causada por uma simetria excessivamente rígida. Quando se tenta corrigir o rosto como se fosse um desenho técnico perfeito, a expressão endurece e o olhar perde verdade. O rosto humano não é simétrico, é expressivo, e respeitar isso é fundamental. Dito isso, técnica e medidas são a base do meu trabalho. Elas funcionam como uma arquitetura silenciosa, garantem equilíbrio, proporção e harmonia. Mas nunca são o ponto final. A verdadeira diferença acontece quando essas regras se encontram com a leitura emocional do rosto, o modo como a pessoa se expressa, movimenta o olhar, sorri, franze a testa. Cada sobrancelha comunica algo. Um arco mal posicionado pode transmitir rigidez, um início pesado pode envelhecer, uma cauda caída pode entristecer o olhar. Por isso, observo muito além do espelho, observo a postura, a forma de comunicar, a energia. O meu papel é traduzir tudo isso em linhas sutis, quase impercetíveis, que valorizam sem denunciar o trabalho feito. No meu método, a técnica sustenta, mas é a sensibilidade que finaliza. Porque quando a sobrancelha respeita a emoção do rosto, o resultado não chama a atenção para si, ele simplesmente faz sentido. Entre a laminação, a henna, as tendências mais “instagramáveis” e o regresso a um visual mais orgânico, em 2026, o que sente que o público procura realmente? Em 2026, sinto que o público procura menos impacto imediato e mais autenticidade. As tendências continuam a existir, mas já não são o centro da decisão. As clientes querem resultados que respeitem a sua identidade, que funcionem no dia a dia e que envelheçam bem. Há um regresso claro ao natural sofisticado, um trabalho preciso, personalizado e discreto. O luxo hoje está na sutileza, na durabilidade e no respeito aos traços individuais. Menos excesso, mais verdade. Existe um claro movimento de regresso ao natural, mas a um natural sofisticado. Não é sobre “não fazer nada”, é sobre fazer o essencial com precisão. O excesso começa a cansar, tanto visualmente como emocionalmente. As pessoas querem olhar-se ao espelho e reconhecer-se, não sentir que estão presas a uma tendência que envelhece rápido ou que funciona apenas para a fotografia. O que vejo é uma procura por equilíbrio: técnicas personalizadas, resultados leves, mas extremamente bem executados. O público quer menos espetáculo e mais verdade e isso muda completamente a forma como trabalhamos estética. Na prática, quais são os perfis que exigem uma triagem mais rigorosa? Que perguntas considera indispensáveis antes de qualquer procedimento? Todos os procedimentos começam muito antes da técnica. Perfis com pele muito oleosa, rosácea, dermatites ativas, uso recente de retinóides ou ácidos, pele em processo de cicatrização pós-procedimentos, grávidas ou pessoas sob medicação específica exigem sempre uma triagem mais rigorosa e, em alguns casos, o adiamento do atendimento é a decisão mais responsável. O meu critério é simples, a estética nunca deve sobrepor-se à saúde da pele. Avalio o histórico cutâneo, a rotina de cuidados, o uso de medicamentos, possíveis sensibilidades e o momento de vida da cliente. Nem tudo é “não pode”, mas tudo precisa de contexto, tempo e indicação correta. Antes de qualquer procedimento, considero indispensável perguntar sobre tratamentos dermatológicos em curso, uso de ácidos ou isotretinoína, alterações hormonais, gravidez, doenças de pele, histórico de alergias e expectativas em relação ao resultado. Esta conversa inicial é parte essencial da experiência, é ali que se constrói confiança, segurança e um resultado verdadeiramente bonito. A pigmentação é verdadeiramente libertadora em situações de assimetrias, falhas, alopécia ou pós-doença? O nanoblading é especialmente libertador em casos de falhas, assimetrias, alopécia ou pós-doença, porque devolve estrutura ao olhar de forma extremamente natural. É uma técnica delicada, pensada para se integrar aos fios e à pele sem pesar, respeitando a identidade de cada rosto. Um bom resultado não é o que impressiona no dia da fotografia, mas o que evolui bem ao longo do tempo. Ao fim de seis meses, o nanoblading deve estar suave, harmonioso e ainda presente, sem mudar de cor ou marcar excessivamente. Justamente por ser mais natural, é também temporário, dura em média de seis meses a um ano, permitindo ajustes e evolução mediante o rosto e o momento de vida da cliente. Hoje, muitas clientes chegam com trabalhos antigos mal executados. Que percentagem do seu trabalho é dedicada a “resgates”? O que é possível corrigir e quando é mais ético encaminhar para remoção a laser e recomeçar? A micropigmentação tradicional trabalha com maior profundidade e saturação de pigmento, o que explica porque muitos trabalhos antigos envelhecem mal, com cores alteradas e marcas muito evidentes ao longo do tempo. A nanopigmentação, que é a técnica com a qual trabalho, atua de forma muito mais superficial, delicada e controlada, permitindo resultados mais naturais e temporários. Precisamentee por essa diferença, a nanopigmentação não deve ser feita sobre um trabalho anterior já pigmentado. Para que o resultado seja leve, harmonioso e seguro, a pele precisa de estar limpa de pigmento. Quando isso não acontece, especialmente em casos de saturação, alteração de cor ou desenho comprometido, o caminho mais ético é a remoção a laser antes de qualquer novo procedimento. Recomeçar é, muitas vezes, a decisão mais responsável. Ética profissional é saber dizer não, respeitar os limites da técnica e priorizar sempre a saúde da pele e o resultado a longo prazo da cliente. Que padrões de segurança e rastreabilidade defende no estúdio? E o que é que uma cliente deve observar e questionar antes de escolher uma profissional? Segurança não é um detalhe, é a base de qualquer procedimento bem feito. No estúdio, sigo protocolos rigorosos de higiene e rastreabilidade, materiais descartáveis e de uso único, esterilização adequada de instrumentos, descarte correto de resíduos e pigmentos certificados, com origem, lote e validade sempre identificáveis. Todos os procedimentos são precedidos por consentimento informado e orientações claras de cuidados pós-procedimento. A confiança começa antes da maca. Uma cliente deve sentir-se à vontade para perguntar sobre formação, técnica utilizada, profundidade do procedimento, tipo de pigmento e tempo de durabilidade. Também é essencial observar o ambiente, a organização, a clareza na comunicação e se a profissional sabe dizer não quando algo não é indicado. No fim, profissionalismo revela-se na transparência. Um bom trabalho começa com informação, responsabilidade e respeito absoluto pela saúde e pela identidade de quem confia o seu rosto a alguém. Cada vez mais clientes chegam com referências guardadas no telemóvel. Como gere expectativas irreais criadas por filtros, ângulos ou iluminação? Já teve de dizer: “isto não é para o seu rosto”? Sim e dizer isso faz parte do meu trabalho. As referências são importantes como ponto de partida, mas nunca como um molde. Filtros, ângulos e iluminação criam resultados que não existem na vida real, e a minha responsabilidade é traduzir desejo em algo possível, seguro e harmonioso para aquele rosto específico. Giro as expectativas através de diálogo e educação visual. Explico o que é efeito digital, o que é técnica e o que realmente funciona na pele e na expressão de cada pessoa. Nem todos os desenhos valorizam todos os rostos, e impor uma tendência pode comprometer identidade e elegância. Já disse muitas vezes: “isto não é para o seu rosto” e digo com tranquilidade. A verdadeira essência está em personalizar, não em replicar. Quando a cliente entende isso, o resultado deixa de ser comparação e passa a ser pertencimento. Há um reel seu que relembra que “cuidar das pestanas e sobrancelhas é essencial”. O que é realmente essencial no dia a dia, em casa? E quais são os hábitos mais comuns que acabam por comprometer o resultado? O essencial é simples, mas exige consistência. Limpeza diária suave, hidratação adequada e respeito absoluto pelos intervalos entre procedimentos são a base para manter pestanas e sobrancelhas saudáveis e bonitas a longo prazo. Não adianta investir numa boa técnica se, em casa, não existe cuidado contínuo. Os hábitos que mais comprometem os resultados costumam ser os mais comuns: excesso de oleosidade não removida, uso de produtos inadequados na zona dos olhos, esfregar a área com força, aplicar maquilhagem ou cosméticos oleosos em excesso e ignorar o tempo necessário de recuperação entre procedimentos. Tudo isso interfere na durabilidade, na saúde dos fios e na pele. Cuidar de pestanas e sobrancelhas é entender que estética também é rotina. Quando esse cuidado se torna hábito, o resultado deixa de ser momentâneo e passa a fazer parte da identidade da pessoa. Que sinais podem justificar o encaminhamento para dermatologia ou endocrinologia? E que mitos ainda ouve com frequência no dia a dia? Quedas repentinas, falhas localizadas sem causa aparente, afinamento progressivo do terço externo da sobrancelha ou alterações bruscas na textura dos fios são sinais que merecem atenção. Muitas vezes, essas mudanças estão associadas a desequilíbrios hormonais, alterações da tiroide, stress prolongado, défices nutricionais ou condições dermatológicas. Nestes casos, o encaminhamento para dermatologia ou endocrinologia é fundamental. No dia a dia, ainda circulam muitos mitos que atrasam o cuidado correto. Um dos mais comuns é acreditar que arrancar o fio faz com que ele volte mais grosso ou mais forte, quando na realidade pode enfraquecer o folículo ao longo do tempo. Outro mito frequente é a ideia de que produtos cosméticos, por si só, conseguem tratar quedas de origem hormonal ou clínica. Também é comum pensar que qualquer técnica estética pode “resolver” falhas, quando, em alguns casos, o mais responsável é não intervir e investigar a causa. A informação é parte essencial do cuidado. A estética deve caminhar juntamente com a saúde, nunca tentar silenciar sinais que o corpo está a comunicar. Num post recente, referiu que a experiência no estúdio mudou. O que mudou exatamente? E, ao longo desse percurso, o que aprendeu sobre o que as mulheres realmente procuram? Desde o início do FR Beauty Studio, sempre tive uma preocupação muito clara com a experiência da cliente, porque, para mim, nunca foi apenas sobre sobrancelhas. O atendimento começa muito antes do procedimento em si. Procuro construir uma experiência que envolva os cinco sentidos: a audição, com uma música ambiente pensada para acolher; o paladar, com um café, uma bolacha ou um bolo que criam um momento de pausa e descontração; o tato, através de pequenas massagens que fazem parte dos atendimentos; o olfato, com aromas suaves e agradáveis no espaço; e a visão, com um ambiente sempre limpo, organizado e cuidadosamente decorado. Essa experiência está em constante evolução. Estou sempre em busca de novidades que elevem o atendimento. Recentemente, por exemplo, incluí massagem na marquesa durante os procedimentos, e a resposta das clientes foi extremamente positiva. São detalhes que transformam o momento em algo mais completo e memorável. Além disso, o estúdio tornou-se também um verdadeiro espaço de convívio. Temos organizado eventos a partir daquilo que as próprias clientes dizem procurar: momentos de partilha, conversa e ligação, fora do contexto do atendimento. Para este ano, a ideia é ampliar ainda mais essas iniciativas, criando oportunidades para estarmos juntas de uma forma mais próxima e humana. Ao longo deste percurso, aprendi que as mulheres não procuram perfeição, procuram um lugar onde se sintam acolhidas, respeitadas e bem consigo mesmas. E é exatamente isso que procuro oferecer em cada detalhe da experiência no estúdio. Instagram: @roma.fernanda Morada: Rua Dr. Barbosa de Brito 33, 4730-769 Vila Verde Contacto: 913 114 054 Amor e Requinte em Braga: Duas propostas exclusivas para um São Valentim inesquecível “O que acontece no intestino não fica no intestino, comunica com o corpo todo”
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