Restaurantes Em dezembro todos os reencontros vão dar à Cozinha da Sé By Revista Spot | Dezembro 1, 2025 Dezembro 2, 2025 Share Tweet Share Pin Email No centro histórico, há lugares que não envelhecem: ganham maturidade. A Cozinha da Sé é um desses sítios que parecem guardar uma constância rara numa cidade que muda depressa. Em dezembro, o som dos sinos da Sé mistura-se com o cheiro do bacalhau e quem passa percebe logo: ali mantém-se acesa a ideia antiga de que servir é, antes de tudo, cuidar. Ricardo Monteiro Pereira recebe-nos com o sorriso de sempre e com a certeza de que o segredo nunca foi um prato, nem uma foto bonita. O segredo é a presença. Ajustar o ritmo de cada mesa como quem ajusta o andamento de uma história que se quer bem contada. Braga à mesa: onde cada prato conta de onde vimos Quem chega pela primeira vez é sempre recebido com o mapa culinário de Braga na mão invisível do dono. Bacalhau à moda de Braga, claro. Pudim de Abade de Priscos. É quase uma liturgia: sentar, provar, reconhecer a cidade num garfo quente. “Quem visita o centro histórico tem de sentir o que é nosso”, diz Ricardo, numa voz que mistura orgulho e responsabilidade. Mas a carta não vive só do património. A feijoada de polvo, fumada, profunda, tornou-se um imperdível para quem gosta de pratos que abraçam. A cataplana de peixe chega à mesa com a delicadeza do vapor a levantar-se como se contasse segredos. E o lombo de boi no churrasco, esse, chega sem cerimónias: é sabor na sua forma mais direta. Os espanhóis atravessam a fronteira por causa de um único motivo: arroz de tamboril caldoso. Dizem que ali se encontra o ponto exato entre o conforto e a ousadia. Ricardo sorri: “Vêm para o arroz e acabam por voltar pelo resto.” A garrafeira que acompanha histórias Encostada às paredes, a garrafeira parece espreitar os clientes como se perguntasse discretamente: hoje quer viajar para onde? Há vinhos acessíveis, vinhos intermédios, e vinhos que pedem silêncio. Todos portugueses. “Sempre preservei o vinho português. Faz parte do que somos.” E talvez seja por isso que tantas mesas terminam não apenas com um jantar, mas com um ritual. Quando dezembro chega, chega também a doçura certa O menu mantém-se fiel à essência, mas no Natal há um desvio delicioso: as rabanadas da casa. Leves, perfumadas a mel e laranja, com aquela textura que parece impossível: crosta delicada, miolo fofo. Não são pesadas, não são encharcadas, não deixam remorso. São memórias em forma de sobremesa. Pedem-nas para levar. Recomendam-nas. Procuram-nas como quem procura um gesto familiar. E talvez seja isso que as transforma: a Cozinha da Sé não serve uma rabanada; serve um dezembro inteiro. Os clientes que voltam são o verdadeiro postal de Natal Há histórias que Ricardo guarda como quem guarda pequenas luzes. O cliente do Fundão que regressou seis anos depois e entrou a perguntar por ele como se nunca tivesse passado tempo. O casal de Lisboa, enviado para ali por uma amiga que disse “Vão à Cozinha da Sé para provar Braga” O italiano que jantou às sete da tarde e, quinze dias depois, enviou o filho, como quem envia uma carta de agradecimento. O ofício de estar presente A Cozinha da Sé não se mantém há tantos anos por acaso. Mantém-se porque ali ninguém faz as coisas em piloto automático. Mantém-se porque Ricardo não se esconde na cozinha nem se perde em distrações; está. E quando se está, realmente, o restaurante deixa de ser negócio e passa a ser casa. E é por isso que, no Natal, quando Braga ganha aquele brilho especial, a Cozinha da Sé continua a ser morada de quem procura mais do que um prato. Procura um lugar onde alguém olha, escuta, e entende o tempo de cada pessoa. O Natal é isto: regressar onde fomos bem recebidos Nesta cidade feita de rituais, a Cozinha da Sé tornou-se um deles. Um daqueles que resistem ao ruído, às modas, às pressas. No coração de Braga, entre o som dos talheres e o aroma do bacalhau, percebe-se que este restaurante não é um espaço qualquer. É um ponto de encontro entre gerações, sotaques e memórias. E, no fundo, é isso que o torna imperdível: não a fama, não os prémios, não o centro histórico, mas a sensação rara de que ali somos recebidos como se já fizéssemos parte da casa. No Natal, essa sensação ilumina-se ainda mais. Talvez seja o mel e a laranja nas rabanadas, talvez sejam as histórias que voltam, talvez seja apenas o espírito simples e maior de quem serve com verdade. Mas quem entra na Cozinha da Sé em dezembro percebe: há lugares que não se visitam apenas. Há lugares que se guardam. E este é um deles. Morada: Rua Dom Frei Caetano Brandão, nº 129, Braga Contacto: 253 277 343 Facebook: Restaurante cozinha da sé Instagram: @restaurante_cozinha_da_se www.cozinhadase.pt Brick Store: A nova paragem obrigatória dos apaixonados por Lego em Braga Este Natal, a Letra promete inverno no copo, Minho no cabaz e alma em cada garrafa
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