Restaurantes Dezembro é o mês do Alma D’Eça: 10 anos, reencontros de Natal e uma nova carta de Inverno num lugar que se tornou alma e família By Revista Spot | Dezembro 11, 2025 Dezembro 11, 2025 Share Tweet Share Pin Email Dezembro chega sempre como um ritual de reencontros e passos apressados, mas há lugares onde o inverno se acende com outra profundidade. No Alma D’Eça, acende-se por dentro. Há dez anos que este restaurante guarda a memória afetiva de uma cidade inteira, os jantares que se repetem, os reencontros que só o Natal permite, o conforto raro de saber que a essência permaneceu apesar de tudo o que mudou à volta. Este ano, dezembro sabe a celebração: uma década de história, uma nova carta de Inverno e uma mesa que continua a ser mais casa do que espaço. Quem atravessa a porta sente logo essa pertença, um abraço que mistura Mediterrâneo, sushi, família e futuro. No Alma, o tempo não passa: constrói-se. E talvez seja por isso que Braga, quando precisa de se sentir perto de si, acaba sempre por voltar aqui. O Alma da nossa cidade Há lugares que, sem nunca o assumirem em voz alta, tornam-se íntimos depositários de uma cidade inteira. O Alma D’Eça começou por ser apenas uma ideia, quase um sussurro, numa cidade que ainda descobria o apetite por fusões, novas geografias de sabor e conceitos que fugiam ao óbvio. A ideia era simples: juntar o Mediterrâneo, o sushi e o mundo, e fazê-lo com verdade. Dez anos depois, essa ideia tornou-se casa. Quem entra hoje sente isso logo no primeiro passo: há uma calma de sítio vivido, ritmos que já não precisam de provar nada a ninguém, rostos que se repetem, clientes que são tratados pelo nome. “O Alma sempre foi um abraço à gastronomia do mundo”, diz Vítor Sousa olhando para trás sem nostalgia, mas com firmeza. “Mantivemos o conceito mesmo quando tudo à volta mudava. Evoluir, sim; perder a essência, nunca.” Dez anos neste setor, anos marcados por crises, modas, pandemias, por uma cidade que se modernizou a ritmo acelerado, não são apenas um percurso: são uma prova de resistência. E é talvez por isso que o restaurante se tornou, mais do que uma empresa, uma família. A gestão, agora assumida também pelos filhos, com André Sousa a conduzir a visão futura, é reflexo de um ADN que se foi depurando com o tempo. “Este projeto cresceu também com os nossos colaboradores, as nossas pessoas, que habitam o Alma D’Eça como casa e é também dos clientes que lhe deram sentido”, partilha André. A verdade é que o Alma D’Eça sempre viveu num equilíbrio raro entre reinvenção e fidelidade, entre ousadia e conforto, entre a liberdade de experimentar e o respeito pelo cliente que ali regressa porque sabe exatamente o que procura. 15 de dezembro: Uma noite para celebrar o tempo A noite de 15 de dezembro não é apenas um jantar. É um “obrigado” posto em mesa. Às 19h, o restaurante abre as portas com uma welcome drink, numa sala com alma e o Jazz de uma Saxofonista de Braga. Há qualquer coisa de íntimo, quase de sala de estar que nos faz sentir em casa. O jantar de aniversário foi pensado como uma narrativa, uma viagem que revisita pratos icónicos e homenageia uma década marcada pela fusão. A refeição inicia-se com vieiras grelhadas e um aveludado de abóbora, onde o crocante de avelã e a trufa fresca acentuam um aroma quente de inverno. Segue-se um camarão tigre grelhado acompanhado de arroz frito de açafrão e camarão, prato recente na história da casa, mas rapidamente transformado em eleito dos clientes, uma daquelas criações que chegam e parecem ter estado ali desde sempre. Depois, o tornedó de boi grelhado com risoto de cogumelos faz lembrar as raízes do Alma, a sua ligação à cozinha de conforto, ao prazer das bases sólidas bem executadas. A sobremesa, servida em três miniaturas, funciona como a despedida perfeita: mousse de três chocolates, crumble de maçã e o emblemático miminho de laranja, uma trilogia que condensa a memória gustativa dos últimos dez anos. Quem preferir o lado mais experimental encontra, no menu de sushi, uma viagem completa ao universo das texturas cruas e dos cortes nobres: camarão em kataifi, usuzukuri trufado de robalo, sashimi de três cortes premium, ostras, nigiris de vieira e salmão trufados e uma seleção de gunkan que revelam técnica e inquietação criativa. Entre eles, o Bao Maria e o preguinho de Wagyu anunciam a nova etapa da carta “É aniversário, tem de ser especial”, diz André. “Honramos quem esteve connosco e, ao mesmo tempo, lançamos pistas para o que vem aí.” A noite fecha com um brinde de Vinho do Porto. Não se celebra apenas uma data, celebra-se um percurso. Jantares de Natal: Onde a cidade reúne conversas O mês de dezembro é também o momento em que o Alma D’Eça se transforma num palco de reencontros. Equipas inteiras chegam para celebrar o fim de um ciclo, famílias reúnem-se à volta de memórias partilhadas, grupos de amigos ocupam mesas onde a conversa se prolonga nas horas. As bruschettas de presunto abrem a porta ao apetite, seguidas de um mix rústico que parece condensar o lado tradicional das mesas portuguesas: croquetes, chamuças indianas, bolinhos de bacalhau. O folhado de queijo de cabra e mel surge como aquele clássico reconfortante com perfume de celebração. O arroz caldoso do mar com robalo enche a sala de vapor e perfume; o entrecôte grelhado com batata e legumes traz a certeza de que o inverno português vive também de simplicidade bem feita. O final, com pão de ló húmido, pudim Abade de Priscos e rabanadas, sela a noite num registo que casa tradição, doce e nostalgia. O ritual fecha-se com café e um cálice de Vinho do Porto, numa consoada antecipada. Dezembro solidário: Quando a alma se revela Há gestos que dizem mais do que qualquer discurso. Durante todo o mês de dezembro, o Alma D’Eça promove uma ação solidária em apoio à Associação Novais e Sousa, instituição profundamente dedicada à criação de um lar para jovens que vivem em vulnerabilidade. A iniciativa é simples: mediante concordância do cliente, a conta é arredondada e o valor dessa diferença é doado à instituição. É um gesto pequeno no bolso, mas grande no impacto. “Braga é solidária”, diz Vítor, com uma tranquilidade firme. “Os bracarenses são solidários. E nós não queremos celebrar 10 anos sem deixar esta marca.” Não se trata de um ato isolado. O Alma sempre teve esta sensibilidade, ainda que discreta, ainda que feita de muitas pequenas ações ao longo dos anos. Mas desta vez, a coincidência entre o aniversário e o Natal tornou o gesto incontornável: celebrar só faz sentido se também se cuidar. Carta de Inverno: A cozinha como estação A carta de inverno chega como um capítulo novo deste décimo aniversário. A matriz mediterrânica mantém os pratos que os clientes reconhecem como porto seguro, mas o sushi prepara uma verdadeira revolução, com a introdução do Wagyu nas peças, nas entradas, no icónico Katsu Sando que agora passa a ser mais do que um prego japonês: é uma afirmação de maturidade gastronómica. “A longevidade dá-nos responsabilidade”, diz André. “Queremos elevar o padrão, criar novas experiências. Hoje, um restaurante é uma experiência completa.” O ALMA entende essa lógica e responde com uma carta mais arrojada, mais técnica, mais surpreendente, mas sempre fiel a quem a lê com o paladar. A equipa: Um coração ao ritmo do mundo Nenhuma história de dez anos se escreve sozinha. O Alma D’Eça tem colaboradores que estão ali desde o primeiro dia, que atravessaram crises, renovações, mudanças estruturais e épocas inteiras onde a restauração foi obrigada a reinventar-se. “Eles fazem a casa acontecer”, confessa Vítor. A carta dos 10 anos, assinada simbolicamente pela equipa de cozinha, é uma forma de dizer ao mundo que a casa é feita de muitas mãos, muitas vozes e muitas lealdades silenciosas. Dez anos de casa, amor e mesa posta O Alma D’Eça celebra dez anos com a serenidade de quem sabe que o tempo, quando é bem vivido, deixa boas raízes. É uma casa que cresceu com a cidade, que atravessou desafios, que acolheu gerações, que manteve o coração no sítio certo mesmo quando o mercado pedia pressas e distrações. É, antes de tudo, um lugar que sabe cuidar, do prato, da experiência, das pessoas e da própria comunidade. A gastronomia é apenas a superfície visível: por baixo dela vive um conjunto de valores, memórias e relações que fazem do Alma um restaurante raro. Dez anos depois, continua a honrar o próprio nome: um espaço com alma, feito de gente, de confiança, de mesa posta com intenção, de sabores que contam histórias, de gestos que mudam vidas. “Continuamos cá”, diz Vítor, com uma gratidão quase confessional. “Sempre com vontade de elevar. Sempre com a mesma essência. Porque o Alma é isso: um lugar onde queremos que as pessoas se sintam bem.” E talvez seja por isso que, ao fim destes dez invernos, o Alma D’Eça seja esta bonita forma de estar no mundo onde a cidade se reconhece. Morada: Rua Eça de Queirós, nº 28, Braga Contacto: 963 029 268 Facebook: Alma d’Eça Instagram: @almadecabraga Este Natal os convívios acontecem em casa e os Temperos da Gracinda fazem chegar à mesa de todos o Peru recheado e as rabanadas de outros tempos “Num século marcado pela inteligência artificial e pela globalização, o novo João Paulo II International School propõe um modelo de educação pensado para as gerações do futuro”
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