ATIVIDADE FÍSICA A dança e o Studio Training cuidam da saúde em todas as idades: o olhar de uma professora, de uma ginecologista e de uma psiquiatra By Revista Spot | Agosto 4, 2026 Agosto 31, 2026 Share Tweet Share Pin Email Na Ent’Artes, uma aula não termina quando a música acaba. A força trabalhada no Barre acompanha o corpo nas tarefas quotidianas; o equilíbrio pode proteger a autonomia no futuro; a dança ajuda uma criança a expressar aquilo que ainda não consegue explicar; e o movimento pode apoiar a mulher durante a gravidez, o pós-parto ou a menopausa. Para compreender o verdadeiro alcance destas práticas, a Ent’Artes reuniu três perspetivas complementares. Joana Palmeiro, professora e especialista em Biomecânica, explica o que acontece por detrás de cada movimento. Fedra Rodrigues, ginecologista e obstetra, analisa os benefícios da dança e do Studio Training nas diferentes fases da vida feminina. Filipa Sá Carneiro, psiquiatra da criança e do adolescente, mostra como o corpo participa na regulação emocional, na resiliência e na pertença. Três olhares sobre uma mesma ideia: mover o corpo é também cuidar da vida. Uma abordagem integrada com raízes na dança Na Ent’Artes, a dança e as modalidades de Studio Training – Barre, Flexibilidade, Body Balance, PBT e Barra de Solo – são entendidas a partir de uma visão ampla do movimento. O objetivo não se limita à melhoria da condição física ou à aprendizagem de uma técnica. Passa também por desenvolver força, mobilidade, equilíbrio, coordenação, consciência corporal e confiança. O que distingue esta abordagem é a ligação das diferentes modalidades aos princípios formativos da dança. Mesmo quando uma aula não corresponde a um percurso tradicional de ballet, permanecem o trabalho do ritmo, da postura, do equilíbrio, da força, da coordenação e do controlo corporal. Esta base permite articular exercício, aprendizagem, expressão e bem-estar. O movimento pode ajudar-nos a conhecer melhor o corpo, a utilizá-lo com maior confiança, a proteger a saúde física e emocional e a recuperar uma relação menos punitiva com aquilo que somos. Joana Palmeiro, professora na Ent’Artes: “Um corpo para viver” Vivemos numa cultura que nos ensina cedo a avaliar o corpo a partir do exterior. O espelho, a balança, as fotografias e as redes sociais transformaram-no, muitas vezes, num objeto permanentemente sujeito a comparação, correção e julgamento. Mas aquilo que um corpo consegue fazer raramente cabe numa imagem. Joana Palmeiro, professora de Barre na Ent’Artes, mestre em Engenharia Biomédica e especializada em Biomecânica, propõe uma mudança de perspetiva: deixar de perguntar apenas como é o corpo e começar a perguntar para que está preparado. “De pouco me serve ter os braços mais finos ou corresponder a um determinado ideal estético se depois não tenho força para carregar as compras, pegar numa bacia de roupa ou realizar tarefas simples do dia a dia com conforto e confiança”, afirma. Numa aula de Barre, a força não é trabalhada como uma capacidade isolada. Surge ligada à mobilidade, ao equilíbrio, à coordenação, à postura, à estabilidade e ao controlo corporal. O exercício deixa, assim, de ser apenas uma promessa estética e ganha uma aplicação concreta: manter uma postura mais confortável durante um dia de trabalho, subir escadas com menos esforço, transportar pesos, agachar-se, levantar-se ou deslocar-se com maior segurança. O corpo começa a ser visto como uma estrutura que permite viver, mover, experimentar e ocupar o mundo. “Em vez de nos preocuparmos apenas com a forma como ele se apresenta, passamos a valorizar aquilo que ele consegue fazer”, resume Joana Palmeiro. “Deixamos de ver o corpo como um objeto para avaliar e começamos a vê-lo como um aliado.” O que existe por detrás de um movimento aparentemente simples O Barre é frequentemente descrito como uma combinação de ballet, Pilates, yoga e exercício físico. A explicação pode ser útil para quem nunca experimentou a modalidade, mas diz pouco sobre a exigência técnica que existe numa aula. Um movimento pequeno não é necessariamente um movimento fácil. Por detrás de uma posição aparentemente simples podem estar vários grupos musculares, articulações, mecanismos de equilíbrio e processos de coordenação a trabalhar em simultâneo. A atenção ao detalhe é uma das caraterísticas que distinguem a modalidade. A colocação de uma bola de Pilates sob o pé de apoio, por exemplo, pode alterar por completo um exercício realizado na barra. A perna deixa de suportar passivamente o peso do corpo e passa a fazer ajustes constantes para preservar a estabilidade, obrigando à ativação de musculatura que, noutras circunstâncias, poderia passar despercebida. O objetivo não é apenas repetir uma sequência, mas compreender como o corpo se organiza para a executar. O alinhamento, a postura, a distribuição do peso, a respiração e a qualidade do movimento tornam-se tão importantes como o número de repetições. Para Joana Palmeiro, a ligação entre a dança e a Biomecânica sempre foi natural. Foi a curiosidade despertada pelo movimento, e também a experiência de algumas lesões, que a levou a estudar o corpo de forma científica. Hoje, essa formação influencia a maneira como ensina. Procura criar um espaço onde o movimento seja simultaneamente desafiante, consciente e acessível, ajudando cada pessoa a compreender melhor o próprio corpo e a ganhar confiança nas suas capacidades. “Não me interessa apenas que uma pessoa consiga executar um exercício durante uma aula. Interessa-me que esse trabalho contribua para que se mova melhor hoje e continue a mover-se bem daqui a várias décadas.” Treinar hoje para preservar a liberdade de amanhã A verdadeira utilidade da força pode não ser visível no final de uma aula. Revela-se anos mais tarde, quando alguém continua a levantar-se de uma cadeira sem ajuda, mantém a capacidade de subir escadas, recupera o equilíbrio perante um tropeção ou consegue realizar autonomamente as tarefas mais simples. O movimento é, por isso, também um investimento na longevidade funcional. Quando uma aula fortalece a musculatura estabilizadora do tronco e das pernas, trabalha a mobilidade ou desafia o equilíbrio, não está apenas a responder às exigências do presente. Está a construir recursos físicos para o futuro. Essa preocupação atravessa as diferentes modalidades da Ent’Artes. O Barre pode desenvolver força, alinhamento e estabilidade; o PBT trabalha o controlo do centro do corpo; a Flexibilidade procura preservar a amplitude dos movimentos; o Body Balance concentra-se no equilíbrio e na estabilidade; a Barra de Solo permite aprofundar o controlo corporal; e a dança integra ritmo, coordenação, memória, resistência e expressão. Não se trata de procurar um corpo capaz de realizar tudo na perfeição. Trata-se de construir um corpo mais preparado para continuar a participar na vida. Não é preciso ter uma capacidade antes de começar Muitos adultos aproximam-se da dança ou do Barre convencidos de que não têm flexibilidade, coordenação, idade ou o “corpo certo”. Outros afastam-se antes de experimentar. No caso do Barre, Joana Palmeiro identifica ainda um preconceito entre alguns homens, que associam a modalidade a uma prática exclusivamente feminina. Mas força, mobilidade, equilíbrio e coordenação não são condições prévias. São capacidades que podem ser desenvolvidas através da prática. Não é necessário chegar com flexibilidade para começar a trabalhá-la, nem ter equilíbrio para entrar numa aula que o desafia. Começa-se precisamente para desenvolver aquilo que ainda não se tem. “A maior barreira raramente é física. É, muitas vezes, a ideia que criámos sobre aquilo que somos capazes de fazer.” Por isso, o ponto de partida não deve ser a perfeição, mas a curiosidade. O corpo adapta-se, aprende e evolui. Aquilo que hoje parece uma limitação pode tornar-se o início de uma transformação. Fedra Rodrigues, médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia: “Da puberdade à menopausa, o corpo feminino não permanece igual” A relação da mulher com o movimento não pode ser desligada das transformações que atravessam o seu corpo ao longo da vida. Puberdade, idade adulta, gravidez, pós-parto, perimenopausa e menopausa apresentam necessidades diferentes. Fedra Rodrigues, ginecologista e obstetra, explica que, durante a puberdade, se constrói uma parte importante da massa óssea e muscular. Nesta fase, a dança e o Studio Training podem contribuir para o desenvolvimento da coordenação, da consciência corporal e da confiança. Na idade adulta, marcada frequentemente pelo sedentarismo, por longas horas de trabalho sentado e por queixas associadas à postura, torna-se importante preservar a força e a mobilidade. O fortalecimento dos glúteos e da musculatura do tronco, o trabalho postural e a manutenção da amplitude dos movimentos podem ajudar o corpo a responder melhor às exigências quotidianas. Já na perimenopausa e na menopausa, a diminuição dos estrogénios acelera a perda de massa óssea e muscular, podendo afetar a força, o equilíbrio e a composição corporal. O trabalho de força, estabilidade e coordenação ganha, por isso, uma importância acrescida na preservação da autonomia e na redução do risco de quedas. As diferentes modalidades podem acompanhar estas mudanças. O Barre permite fortalecer pernas e glúteos; o PBT contribui para o controlo do centro do corpo; a Flexibilidade ajuda a preservar a amplitude dos movimentos; o Body Balance trabalha equilíbrio e estabilidade; e a dança integra ritmo, coordenação, memória e resistência física. Mas os benefícios não se esgotam na dimensão física. Ao longo das diferentes fases da vida, estas práticas podem ajudar a mulher a substituir uma relação centrada na aparência por uma relação baseada na funcionalidade. A pergunta deixa de ser apenas “como está o meu corpo?” e passa a incluir “o que consigo fazer com ele?”, “que capacidades quero preservar?” e “como posso continuar a mover-me com confiança?”. Gravidez: adaptar não significa parar Durante muitos anos, o repouso foi apresentado quase como a resposta automática à gravidez. Hoje, sabe-se que, na ausência de contraindicações médicas, manter a atividade física pode trazer benefícios para a mãe e para o bebé. Segundo Fedra Rodrigues, o exercício pode ajudar a controlar o aumento de peso, reduzir o risco de diabetes gestacional e hipertensão, melhorar o sono, diminuir dores lombares e pélvicas e contribuir para o bem-estar físico e emocional. O problema surge quando a mulher é colocada perante dois extremos: parar completamente por medo ou tentar manter, sem alterações, a intensidade praticada antes da gravidez. “A melhor estratégia é adaptar, não parar”, defende. Muitas mulheres conseguem manter grande parte da rotina no primeiro trimestre, sobretudo quando já praticavam exercício regularmente. À medida que a gravidez avança, porém, o volume abdominal aumenta, o centro de gravidade altera-se, as articulações tornam-se mais laxas e o pavimento pélvico fica sujeito a uma sobrecarga crescente. O treino deve acompanhar estas transformações. Modalidades como Barre, Body Balance ou PBT podem continuar a trabalhar técnica, coordenação, força, mobilidade e postura, desde que os exercícios sejam adaptados à condição e à experiência de cada mulher. Progressivamente, poderá ser necessário reduzir saltos repetidos, acrobacias, mudanças bruscas de direção, cargas excessivas ou alongamentos muito intensos. A prioridade deixa de ser a performance. Passa a ser a preparação de um corpo saudável para as exigências da gravidez, do parto e da recuperação pós-parto. Dor, falta de ar intensa, tonturas ou exaustão não devem ser interpretadas como sinais de um treino bem conseguido. São manifestações que exigem atenção. A gravidez não é o momento para bater recordes, mas também não precisa de ser vivida com medo do movimento. No pós-parto, recuperar não é regressar rapidamente ao corpo anterior Poucas fases da vida feminina são acompanhadas por uma pressão estética tão intensa como o pós-parto. Ainda antes de a mulher recuperar do nascimento de um filho, já lhe é pedido que “recupere a forma”, como se o corpo pudesse regressar automaticamente ao ponto onde estava nove meses antes. Mas o que aconteceu durante a gravidez e o parto não foi superficial. A parede abdominal alongou-se para acomodar o crescimento do bebé. É normal existir algum afastamento dos músculos retos abdominais, conhecido como diástase, que faz parte da adaptação fisiológica da gravidez. Na maioria das mulheres, este afastamento melhora espontaneamente. Mais importante do que medir apenas a distância entre os músculos é perceber se a parede abdominal voltou a desempenhar corretamente a sua função, estabilizando o tronco durante o movimento. O pavimento pélvico, por sua vez, esteve sujeito a uma sobrecarga progressiva durante a gestação e pode sofrer um estiramento significativo durante o parto vaginal. Quando estas estruturas ainda não recuperaram, podem surgir perdas de urina, dor pélvica, desconforto durante as relações sexuais, sensação de peso ou de “bola” na vagina, dificuldade em controlar o abdómen ou instabilidade do tronco. Embora sejam frequentes, estas manifestações não devem ser normalizadas como um preço inevitável da maternidade. O momento certo não é igual para todas Não existe um prazo universal para o regresso à dança ou ao Studio Training. Mais importante do que contar semanas é perceber se o corpo recuperou o suficiente para responder às exigências da modalidade. Antes do regresso aos saltos, às coreografias mais exigentes ou às mudanças rápidas de direção, a mulher deve conseguir caminhar, subir escadas, pegar no bebé, agachar-se e realizar exercícios de menor impacto sem dor, perdas de urina, sensação de peso vaginal ou dificuldade em controlar a parede abdominal. O abaulamento da parede abdominal, a dor persistente e a sensação de instabilidade são também sinais que não devem ser ignorados. “O objetivo não é voltar a treinar o mais cedo possível, mas voltar no momento certo”, sublinha Fedra Rodrigues. Quando existem sintomas, insistir num treino mais intenso pode agravá-los. Uma avaliação especializada e um plano de recuperação adaptado não atrasam o regresso à atividade. Criam condições para que aconteça com maior segurança, confiança e menor risco de desenvolver problemas persistentes. Recuperar o corpo é também recuperar espaço para si O pós-parto não transforma apenas a parede abdominal, a postura ou o pavimento pélvico. Pode alterar profundamente a identidade da mulher. Durante algum tempo, quase toda a atenção se concentra no bebé. O corpo passa a ser vivido através da gestação, da alimentação, do cansaço, da recuperação e das necessidades de outra pessoa. Muitas mulheres deixam temporariamente de se reconhecer ou de encontrar espaço para existir fora do papel de mãe. Regressar à dança ou ao Studio Training pode, então, significar mais do que voltar a fazer exercício. Pode ser uma forma de reservar tempo para si, recuperar autonomia e redescobrir o prazer do movimento. A dança acrescenta uma dimensão expressiva que não existe quando o único objetivo é alterar medidas ou recuperar uma determinada imagem. Permite trabalhar emoções, criatividade, confiança e presença. Associada ao fortalecimento e à consciência corporal proporcionados pelo Studio Training, pode contribuir para uma recuperação mais completa, física e emocionalmente. Esse regresso deve, contudo, acontecer sem pressão nem comparações. Cada mulher recupera ao seu ritmo e cada experiência de maternidade é diferente. O propósito não deve ser regressar ao corpo anterior à gravidez como se nada tivesse acontecido. Deve ser conhecer, respeitar e voltar a confiar no corpo que existe agora. Quando a mulher recupera a confiança no seu corpo e volta a sentir prazer no movimento, torna-se mais fácil reencontrar espaço para si própria. Esse reencontro pode ser tão importante como a própria recuperação física. Filipa Sá Carneiro, psiquiatra da criança e do adolescente: “Quando o corpo fala antes de existirem palavras” A importância do movimento não começa na idade adulta. Numa geração que passa cada vez mais tempo sentada, diante de ecrãs e exposta a estímulos rápidos, o espaço dedicado ao corpo tornou-se menor. As crianças permanecem várias horas sentadas na escola. Os adolescentes prolongam esse tempo diante de telemóveis e computadores. Os adultos vivem frequentemente num estado de alerta permanente, divididos entre trabalho, responsabilidades familiares, tarefas domésticas e expectativas difíceis de cumprir. Esta vida “da cabeça para cima” tem consequências. As emoções não são apenas processos mentais. Manifestam-se através do corpo e não podem ser completamente dissociadas da saúde física. Quando o corpo deixa de ter espaço para explorar, brincar, correr, dançar ou simplesmente sentir, perde-se uma importante via de autorregulação emocional e sensorial. A dança e as modalidades de Studio Training permitem recuperar essa ligação. Ao trabalharem consciência corporal, coordenação, equilíbrio, força, respiração e controlo do movimento, ajudam crianças, adolescentes e adultos a reconhecer melhor os seus estados internos e a regular as emoções de forma mais saudável. Quando os adultos vivem em alerta permanente Para muitos adultos, uma aula pode representar um dos poucos momentos da semana em que conseguem verdadeiramente abrandar. Durante algum tempo, o foco deixa de estar na lista de tarefas, nas preocupações do dia seguinte ou nos problemas que ainda precisam de ser resolvidos. Regressa à respiração, ao movimento, à postura e ao equilíbrio. Esta possibilidade de regulação pode ter efeitos que ultrapassam a própria pessoa. Pais mais cansados, ansiosos ou emocionalmente esgotados tendem a ter menor disponibilidade para brincar, escutar ou responder com calma aos desafios dos filhos. Não porque sejam maus pais, mas porque o stress crónico diminui a capacidade de autorregulação emocional. As crianças, por sua vez, regulam-se em grande medida através da relação com adultos emocionalmente disponíveis. Criar espaço para que os pais também cuidem do corpo, abrandem e recuperem presença pode, por isso, refletir-se na vida familiar. Sentir antes de conseguir explicar Uma criança dificilmente dirá que está ansiosa com a mesma clareza de um adulto. Pode dizer que lhe dói a barriga. Pode ficar mais agitada quando está cansada, mais irritável quando está preocupada ou mais retraída quando ainda não consegue compreender aquilo que sente. “O corpo da criança fala.” A dança oferece-lhe uma linguagem alternativa. Através do movimento, da postura, da respiração e da expressão corporal, a criança aprende gradualmente a reconhecer sinais internos que antes eram confusos. Aprende a escutar o corpo. Segundo Filipa Sá Carneiro, uma das mais-valias do Ent’Artes Studio Training é precisamente a sua base formativa e integrativa, proveniente do ballet e da dança. O trabalho de equilíbrio, ritmo, força e coordenação torna-se uma ferramenta para o desenvolvimento de competências de autorregulação. Este processo é particularmente importante porque a consciência corporal é um dos pilares da inteligência emocional. “Só conseguimos regular aquilo que conseguimos reconhecer.” Aprender a falhar sem desistir Na dança, uma sequência raramente resulta à primeira tentativa. O corpo precisa de observar, experimentar, falhar, repetir e corrigir. É um processo incompatível com a gratificação imediata a que crianças e adultos se habituaram no ambiente digital. Os filmes deram lugar a vídeos; os vídeos tornaram-se conteúdos cada vez mais curtos; e qualquer dificuldade parece poder ser ultrapassada com um simples movimento do dedo. Depois, é pedido às crianças que permaneçam concentradas numa aula, tolerem a frustração e aceitem que aprender exige tempo. A dança e as modalidades baseadas nos seus princípios treinam precisamente essas capacidades: concentração, esforço, repetição, resiliência e tolerância à frustração. A parentalidade positiva, lembra Filipa Sá Carneiro, não deve ser confundida com permissividade ou ausência de limites. Crescer implica aprender a adiar desejos, aceitar regras e enfrentar obstáculos sem esperar que outra pessoa os remova. Numa aula, falhar um movimento não significa ser incapaz. Significa estar em processo de aprendizagem. Essa experiência pode transferir-se para a escola, para as relações e para outros desafios: tentar novamente, aceitar uma correção, persistir quando o resultado não é imediato e descobrir que a competência se constrói. Quando a atividade corresponde aos interesses da criança, a repetição e o esforço deixam de ser apenas uma exigência e passam a integrar uma aprendizagem na qual ela deseja permanecer. Um espaço de proteção ou mais um lugar de comparação? A dança pode ajudar a construir uma relação positiva com o corpo, mas também pode intensificar inseguranças quando é ensinada num ambiente excessivamente crítico, competitivo ou centrado na aparência. Na adolescência, essa diferença torna-se particularmente relevante. É uma fase marcada pela comparação, pela insatisfação corporal e pela pressão das redes sociais. Comentários sobre o peso, seleção baseada apenas em características físicas, crítica constante ou valorização exclusiva de um determinado tipo de corpo podem aumentar o risco de ansiedade, perturbações do comportamento alimentar e dificuldades relacionadas com a imagem corporal. Um ambiente protetor faz o contrário. Valoriza o esforço, a progressão individual, a diversidade corporal e aquilo que cada corpo consegue aprender, criar e expressar. O feedback existe, mas é construtivo. A exigência técnica não desaparece, mas não é utilizada para humilhar. Na Ent’Artes, essa preocupação traduz-se na procura de segurança psicológica, no respeito pela diversidade corporal e na valorização do percurso de cada aluno. “Na Ent’Artes estamos preocupados em formar pessoas. Formar bailarinos é apenas um efeito colateral positivo desse caminho da aprendizagem pela dança e pelo movimento.” Pertencer sem deixar de ser quem se é Uma escola de dança é também um espaço social. Para uma criança tímida, um adolescente isolado ou um adulto que sente dificuldade em encontrar o seu lugar, pertencer a um grupo pode ter um impacto profundo. A pertença é uma necessidade humana fundamental. Na infância e na adolescência, sentir-se aceite, ou, pelo contrário, permanentemente excluído, influencia a construção da autoestima e pode funcionar como fator de proteção ou de vulnerabilidade psicológica. Na Ent’Artes, algumas pessoas encontram amizades, adultos de referência e um espaço onde podem partilhar dificuldades, progressos e objetivos comuns. Para certos alunos, pode mesmo ser um dos primeiros lugares onde sentem que conseguem existir sem ter de esconder quem são. O Studio Training procura estender essa experiência a quem não pretende seguir um percurso centrado no ballet ou na dança, mas reconhece no movimento uma forma de regulação, expressão, fortalecimento e confiança, sem uma ênfase tão acentuada na técnica do ballet clássico. Mais do que aquilo que se vê ao espelho Não é necessário ter o “corpo certo”, flexibilidade, coordenação ou experiência para começar. Estas capacidades não são pré-requisitos. São precisamente algumas das razões para experimentar. Na Ent’Artes, a dança e o Studio Training atravessam diferentes idades e momentos da vida. Podem ajudar uma criança a identificar aquilo que sente, um adolescente a construir uma relação menos punitiva com o corpo, um adulto a interromper o estado de alerta, uma grávida a continuar ativa com segurança, uma mulher a recuperar depois do parto ou alguém a preservar a autonomia à medida que envelhece. O corpo adapta-se. Aprende. Cria novas ligações. Ganha força, mobilidade e confiança. Mas talvez o benefício mais importante do movimento seja recordar-nos de que o corpo não é apenas aquilo que os outros veem. É o lugar a partir do qual vivemos, sentimos, crescemos e continuamos a descobrir aquilo que ainda somos capazes de fazer. BARRE Terça-feira: 19h30–20h30 Quarta-feira: 7h45–8h45 Body Balance Quarta-feira: 19h30–20h30 PBT – Nível Aberto Quinta-feira: 20h45–21h30 Flexibilidade Sábado: 10h30–11h15 Dança Contemporânea Adultos Segunda-feira: 21h00–22h00 Jazz Adultos Terça-feira: 20h00–21h30 Sevilhanas & Flamenco Sexta-feira: 19h15–20h30 Ballet Adultos | Iniciação Sexta-feira: 21h00–22h00 Ballet Adultos | Intermédio Quarta-feira: 21h00–22h00 Ballet Adultos + Aula de Pontas | Intermédio Sábado: 09h00–10h30 Morada: Rua Dr. Manuel de Oliveira 23 R/C, Dume 4700-056 Braga Contacto: 964 693 247 Facebook: Ent’ Artes – Escola de Dança Instagram: @entartes_escoladedanca Contacto: 964 693 247 Youtube: Ent’Artes Escola de Dança Marco Ivan: entre a arquitetura, o automobilismo e o compromisso com Braga Os rostos da RSO Architecture
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