EMPRESAS & EMPRESÁRIOS/Mobilidade Da mobilidade elétrica à bilhética digital: 12 meses TUB contados na primeira pessoa By Revista Spot | Dezembro 19, 2025 Janeiro 2, 2026 Share Tweet Share Pin Email Em 2025, os Transportes Urbanos de Braga viveram um ano de decisões técnicas, gestos humanos e escolhas que mudam, diariamente, a vida de quem utiliza os transportes urbanos todos os dias. O que fica, quando olhamos para trás, não é apenas uma lista de projetos. É um traço comum: a mobilidade como serviço público com cultura interna. Sustentável, sim. Digital, cada vez mais. Mas, sobretudo, mais consciente do impacto social, na segurança de quem trabalha na linha da frente, na confiança do passageiro, na qualidade do ar, na ética e na forma como uma empresa municipal se posiciona localmente e começa a ser reconhecida internacionalmente. Por isso, este balanço faz-se como deve ser, pelas vozes de quem o construiu. Janeiro: Capital Portuguesa da Cultura. “Quando a cidade enche, a mobilidade não pode falhar” – Albino Simões, Fiscalização Transporte Público No dia 25 de janeiro, Braga abriu oficialmente as portas à Capital Portuguesa da Cultura. A Avenida Central encheu-se de gente como se a cidade tivesse decidido sair de casa ao mesmo tempo. Houve encontros marcados e encontros por acaso, famílias, grupos de amigos, turistas de mapa na mão e residentes a tentar manter a rotina. E, num dia assim, o transporte público deixa de ser “apenas transporte”, torna-se infraestrutura emocional. Ou funciona, ou a cidade sente. Albino Simões, da área de fiscalização do transporte público, descreve uma operação preparada com antecedência e articulada com a equipa da Braga’25, com linhas e interfaces definidos para responder a um fluxo extraordinário a partir da Avenida Robert Smith (Minho Center), E.Leclerc e Estádio Municipal. A tarifa especial de 1€ (ida e volta) trouxe adesão imediata e, com ela, uma exigência redobrada no terreno: orientar sem confundir, esclarecer sem atrasar, manter a fluidez sem perder o lado humano. A equipa esteve preparada para acolher e apoiar visitantes locais, nacionais e internacionais, prestando esclarecimentos não só sobre percursos e interfaces, mas também sobre a própria programação associada ao arranque da Braga’25. “Quando a cidade enche, a mobilidade não pode falhar”, resume Albino Simões. E falhar, aqui, não é apenas um autocarro atrasado. É uma cadeia de pequenas descoordenações que, somadas, transformam entusiasmo em stress. Há um detalhe simbólico que diz muito sobre esta ação, no âmbito do projeto Trajetos Comunicantes, algumas viaturas integraram instalações sonoras, uma iniciativa que cruzou mobilidade e cultura. Não foi “um extra”, foi um teste real à clareza da informação, à capacidade de acolher públicos diferentes, à forma como a fiscalização pode ser também um ponto de contacto humano numa cidade em festa. Para garantir clareza e acessibilidade, esta informação foi divulgada em vários abrigos, identificando de forma explícita quais as linhas e autocarros onde o sistema sonoro estava disponível. Albino Simões resume a aprendizagem que este evento trouxe: “em grandes eventos, fiscalizar não é apenas controlar, é ajudar a cidade a respirar”. E isso implica planeamento, comunicação no terreno, equipas flexíveis e uma postura proativa perante residentes, visitantes nacionais e turistas estrangeiros, com rigor, eficiência e sentido de missão. No final, o objetivo cumpriu-se no essencial: segurança, controlo e fluidez, para que a mobilidade estivesse à altura da dimensão cultural e turística que Braga acolheu. Fevereiro: TUBaFlorestar, “Sustentabilidade que se vê, pertença que se sente” – Cristina Gago, Departamento Sistemas Gestão e Sustentabilidade Fevereiro trouxe o projeto TUBaFlorestar, uma iniciativa de responsabilidade social integrada no Eixo 4 do Plano Estratégico e de Sustentabilidade 2030 (PES 2030), com foco em pessoas, qualidade de vida e planeta. É a sustentabilidade a sair do papel e a ganhar território, com impacto visível, continuidade e uma lógica de comunidade. Em Tadim, mais de 20 trabalhadores juntaram-se à Junta de Freguesia para plantar árvores e espécies autóctones e devolver à população um espaço requalificado, com mesas, bancos e até um baloiço panorâmico. No Parque Industrial de Celeirós, a intenção foi igualmente clara: numa zona com maior emissão de poluentes, a criação de um mini bosque ganha ainda mais relevância, hoje e, sobretudo, no futuro, como ação de mitigação e como gesto de regeneração do espaço onde se trabalha e circula diariamente. Cristina Gago, de Sistemas, Gestão e Sustentabilidade, coloca o projeto no lugar certo: “sustentabilidade como prática contínua e mensurável”, alinhada com compromissos como a plantação anual de 500 árvores, assegurada através da alocação de 1% da receita EUB, a integração no programa act4Nature e a ambição de reduzir em 60% as emissões de CO₂ até 2030. Os mini-bosques de Tadim a Celeirós, e outros que se seguirão, representam, assim, a operacionalização do PES 2030: compensar impactos associados à operação, reforçar biodiversidade e requalificar territórios, sem perder o lado pedagógico de “fazer para inspirar”. Mas o detalhe mais humano é o que dá identidade ao projeto: a figura do Embaixador, um colaborador residente ou natural da freguesia intervencionada, que acompanha, cuida e monitoriza o espaço. Não é apenas manutenção, é pertença. É um modelo que aproxima a empresa das comunidades, estimula o voluntariado interno, reduz o risco de abandono e prova que sustentabilidade também é compromisso social, um antes e um depois que se vê e, ao mesmo tempo, um convite para tornar a sustentabilidade um hábito partilhado, não um discurso distante. Março: TUB assinam contrato com Fundo Ambiental para aquisição de 38 novas viaturas elétricas – Vitória Cidre, Departamento Financeiro Março foi mês de bastidores com impacto estrutural: contrato com o Fundo Ambiental para aquisição de 38 novas viaturas elétricas e instalação de 19 postos duplos de carregamento. Este é um daqueles marcos que explicam, com números, uma mudança estrutural, trata-se da 4.ª candidatura dos TUB para aquisição e renovação de veículos descarbonizados e respetivas infraestruturas, consolidando uma estratégia ambiental que procura, por um lado, diminuir a intensidade carbónica da mobilidade urbana em Braga e, por outro, reforçar a qualidade e a eficiência do serviço público. O projeto foi aprovado no âmbito do Fundo Ambiental, Descarbonização dos Transportes Públicos, a 19 de março de 2024, com financiamento do PRR, inserido num investimento total que ultrapassa 20 milhões de euros. Segundo Vitória Cidre, responsável do Departamento Financeiro, “esta é a continuidade de um caminho feito de sucessivas candidaturas e de experiência acumulada na captação de financiamento, incluindo projetos no âmbito do Portugal 2020/POSEUR.” Essa experiência tem escala: no ciclo Portugal 2020, através do POSEUR, os TUB submeteram e ganharam três candidaturas (POSEUR I, II e III), num total de investimentos superiores a 31 milhões de euros. Vitória sublinha que os TUB têm uma operação que, no pico, disponibiliza cerca de 125 viaturas e que a transição para veículos limpos já é uma realidade consolidada: atualmente, o parque de veículos limpos inclui 75 viaturas (32 a gás e 43 elétricas). Com o reforço agora contratado, a ambição deixa de ser apenas “ter autocarros elétricos”, passa por aproximar a operação de um patamar em que a grande maioria da frota funciona com zero ou baixas emissões, com impactos diretos no ruído, na qualidade do serviço e na previsibilidade dos custos de operação. Com a entrada de 38 elétricos, os TUB estimam alcançar cerca de 90% da operação com zero ou baixas emissões, 113 viaturas com melhor performance ambiental e eficiência energética, ficando, assim, apenas uma percentagem residual de veículos movidos a fontes fósseis. E aqui entra a parte que nem sempre é dita: a sustentabilidade não é só ambiental. É também financeira. Um investimento desta dimensão tem de ser sustentável no tempo, com ganhos na exploração e manutenção, com gestão energética inteligente, com acesso a instrumentos de financiamento, com reforço da atratividade do serviço, crescimento potencial da procura e, em consequência, a transferência modal do transporte individual para o transporte público, tornando-o uma alternativa real ao automóvel. Abril: Prémio Cinco Estrelas, confiança do público como métrica diária – Equipa ETP, Luciano Duarte Em abril, os TUB são distinguidos com o Prémio Cinco Estrelas Regiões 2025 na categoria de Transportes Públicos. Parece um selo. Mas, para quem está na operação, é mais do que isso: é um espelho que devolve exigência, porque valida o que se faz bem e, ao mesmo tempo, aumenta a responsabilidade de manter o nível todos os dias. Luciano Duarte, da SPRECO (Planeamento de Redes, Execução e Controlo da Operação), garante que “o prémio é consequência de um trabalho integrado entre pessoas, processos e foco no cliente. Desde o profissionalismo dos motoristas aos serviços de apoio, passando por monitorização permanente e análise de indicadores de desempenho, leitura contínua do feedback dos passageiros e resposta rápida a imprevistos.” Ser distinguido pelo público como um serviço “Cinco Estrelas” reforça a confiança na marca, mas também eleva a responsabilidade: a avaliação positiva, diz, nasce de consistência operacional, de rotinas bem desenhadas e de uma cultura de rigor que não se vê numa fotografia, mas sente-se na regularidade das viagens. Há uma frase implícita na sua visão: “um serviço público de excelência não se faz com sorte. Faz-se com método. Com formação. Com segurança. Com frota renovada. Com uma cultura de melhoria contínua que se sente na regularidade do dia a dia, precisamente onde é mais difícil ser consistente.” E é aí que Luciano aponta os fatores internos decisivos: o compromisso diário das equipas, “dos motoristas aos serviços de apoio”, a capacidade de medir o que acontece em tempo real, corrigir desvios, antecipar constrangimentos e aprender com o utilizador. A aposta contínua na formação e na segurança, a par da renovação da frota, garante conforto, fiabilidade e confiança, elementos que, no fim, contam mais do que qualquer campanha. E quando se pergunta o que vem a seguir, a resposta aponta para um centro claro: inovação útil. Digitalizar processos para gerir melhor. Tornar a operação mais inteligente, preditiva e integrada, com sistemas de monitorização que otimizem o planeamento e reforcem a fiabilidade. Continuar a investir numa mobilidade mais limpa, com renovação progressiva da frota com veículos de baixas ou zero emissões. E, sobretudo, melhorar a experiência do passageiro através de soluções digitais que facilitem o uso do transporte público e reforcem a informação ao passageiro, tornando o serviço mais previsível e simples de utilizar. Maio: “Não há lugar para a violência”, quando a mobilidade também é segurança e respeito – Marketing e Comunicação, Inês Macedo Maio trouxe um dos temas mais sensíveis do setor: agressões verbais e físicas contra motoristas. A campanha “Não há lugar para a violência” nasce como resposta a essa realidade e assume uma premissa inegociável: o transporte público é um espaço de respeito mútuo. Inês Macedo, do departamento de Marketing e Comunicação, enquadra a campanha como aquilo que ela é: uma linha clara. O transporte público tem de ser um espaço de convivência e civilidade. Um lugar onde cabe toda a gente, menos a violência. E, por isso, a mensagem foi colocada onde faz mais sentido: no dia a dia da operação, junto de quem conduz e de quem viaja, em suportes visíveis e repetidos, para que a regra seja simples de entender e impossível de ignorar. Este é um dos momentos em que a comunicação deixa de ser “imagem” e passa a ser proteção. Proteção de quem conduz. Proteção do ambiente de trabalho. E proteção de um princípio que sustenta tudo o resto, sem segurança e dignidade, não há serviço público que aguente a exigência diária. A campanha reafirma uma política de tolerância zero, lembrando que agressões e ameaças não são “incidentes normais” de uma cidade em movimento, são comportamentos inaceitáveis, com impacto humano, operacional e coletivo. A campanha não resolve o problema sozinha, mas cumpre um papel decisivo: nomeia o que estava a acontecer, educa, sensibiliza e afirma uma cultura institucional que não normaliza o inaceitável. Ao mesmo tempo, reforça uma ideia essencial: quando se protege quem trabalha, melhora-se também a experiência de quem viaja, porque uma mobilidade segura é, antes de tudo, uma mobilidade com respeito. Junho: Braga entra no circuito global da mobilidade – Sandra Cerqueira, Administradora dos Transportes Urbanos de Braga eleita para órgão dirigente da UITP Em junho, a administradora Sandra Cerqueira é eleita para o órgão dirigente da UITP, a maior organização mundial do setor do transporte público. Não é apenas uma distinção pessoal. É uma mudança de escala para a instituição: Braga passa a estar representada onde se cruzam ideias, tendências, conhecimento e parcerias internacionais. Sandra fala deste momento como consequência de um esforço coletivo continuado ao longo de anos, “uma consecução que resulta de um esforço coletivo que temos desenvolvido, ao longo destes últimos 12 anos, ao comando da gestão desta empresa municipal, para o seu crescimento, prosperidade, posicionamento e visibilidade, numa dimensão local, nacional e agora com afirmação internacional.” E, num plano mais pessoal, sublinha o significado acrescido de ser uma eleição entre pares: é o reconhecimento, por outras entidades do setor, do valor, da capacidade e das competências dos TUB para os representar e ser também a sua voz “num espaço privilegiado, onde se trocam ideias, se gera conhecimento e experiência de vanguarda, se encontram e promovem soluções de mobilidade sustentável, e se estabelecem parcerias importantes.” E explica o que torna a UITP relevante: não é um título, é uma rede com 140 anos de existência, 1900 membros associados e presença em mais de 100 países, reunindo autoridades públicas e governamentais, operadores, indústria, academia, investigação e associações do setor. Um organismo catalisador que defende o transporte público, gera conhecimento e cria uma rede de contactos e cooperação internacional, permitindo que cada território aprenda com os outros e acelere a transição para uma mobilidade mais ecológica, amiga do ambiente e das pessoas, com uma matriz energética mais sustentável e alinhada com os limites do planeta. A partir daqui, o valor é duplo: aprender e contribuir. Aprender com outras geografias sobre transformação digital e inovação, segurança e proteção, cibersegurança, economia e financiamento no transporte público, mercado de trabalho e transição para o net zero, avaliando o que funciona, como se implementa e que benefícios concretos já foram alcançados noutros contextos. E contribuir com experiência própria: desde logo na sustentabilidade ambiental, com a experiência acumulada nos últimos anos na eletrificação da frota, num caminho que aponta para cerca de 70% da frota movida a emissões nulas, com redução de ruído, de CO₂ e de outros poluentes atmosféricos. Mas não só. Sandra Cerqueira destaca também projetos e parcerias inovadoras com dimensão inclusiva, como o transporte escolar, o School Bus para Todos e o transporte de crianças com necessidades educativas especiais e uma abordagem cada vez mais centrada no cliente, onde a experiência do passageiro é tratada como indicador-chave de desempenho, suportando a melhoria contínua nos níveis de serviço, na qualidade, no conforto e na segurança. Por fim, sublinha o alinhamento das metas e ações com referências globais da década para a sustentabilidade, através do Plano Estratégico e de Sustentabilidade, e a contribuição direta para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial o ODS 11 e o ODS 13. A visão que Sandra Cerqueira deixa é nítida: a cidade do futuro não se constrói sem um transporte público eficiente, acessível e inclusivo, com prioridade nas políticas públicas e com capacidade de inovação orientada para pessoas. Porque um operador público não é apenas um prestador de serviço, é um pilar de qualidade de vida. Do ponto de vista ambiental, um autocarro pode substituir dezenas de viaturas individuais, reduzindo tráfego, ruído e emissões. Do ponto de vista social, a mobilidade é um direito fundamental e a porta de acesso a outros direitos, como educação, saúde e serviços essenciais. E, do ponto de vista tecnológico, o caminho passa por ferramentas que tornem a operação mais eficaz, melhorem a informação ao público e aumentem a eficiência energética. Não há cidade sustentável e desenvolvida para todos onde ninguém fica para trás, sem um sistema de transporte público planeado, robusto e verdadeiramente prioritário. Julho: ISO 37001, ética como sistema, transparência como cultura – Edite Loureiro, departamento jurídico Julho traz um marco menos mediático, mas estruturante: a certificação ISO 37001:2016, norma internacional para Sistemas de Gestão Anticorrupção. Em tempos de investimento significativo, de escrutínio e de responsabilidades acrescidas, este passo funciona como uma garantia adicional de transparência e confiança. Edite Loureiro, do Departamento Jurídico, explica o que está em causa: não é apenas “mais uma certificação”. É uma transformação de paradigma que exige procedimentos, investigação, monitorização e mitigação de risco, envolvendo toda a empresa. E surge num contexto muito concreto: nos últimos anos, os Transportes Urbanos de Braga têm concretizado cada vez mais projetos com grande investimento e exigência de controlo. “No âmbito do POSEUR, foram concretizados três projetos que ascenderam no total de investimento a mais de 30 milhões de euros. E, neste momento, os TUB estão a executar um projeto financiado pelo Fundo Ambiental/PRR, com investimento global de mais de 20 milhões de euros, bem como outro apoiado pela Estrutura de Missão Recuperar Portugal, na ordem dos 75 500 000 €.” Perante esta escala, mesmo com mecanismos já existentes, “configurou-se necessário a existência de uma garantia adicional”. Edite enumera o ecossistema de controlo que já enquadra a organização: fiscalização por entidades externas como o Tribunal de Contas e a IGF, auditorias semestrais efetuadas pelo ROC, e reportes regulares para autoridades e entidades como o Município, a CIM Cávado, a DGAL, o IMT e a AMT. A ISO 37001 vem, assim, reforçar a gestão corrente e a que decorre destes investimentos, respondendo à necessidade de mitigar riscos inerentes de forma mais estruturada e transversal. Ora, não obstante a existência de um Sistema Integrado de Gestão já bastante cimentado, esta certificação exigiu “uma mudança de paradigma, uma transformação profunda e fundamental” na forma como se abordava a temática da corrupção. Na prática, significou criar um modelo de gestão cujo objetivo essencial é transparência, confiança e compromisso de todos os que trabalham na empresa e interagem com ela. Esse esforço traduziu-se na criação e implementação de inúmeros procedimentos de controlo no Sistema de Gestão Anticorrupção, para investigar, monitorizar, prevenir e mitigar riscos, implicando o envolvimento de toda a empresa e de todos os trabalhadores. E há uma preocupação importante, dita com honestidade: como reforçar transparência sem tornar o quotidiano insuportável com burocracia. A certificação é um ponto de partida mais do que uma meta. Um Sistema de Gestão Anticorrupção, lembra Edite, é “um sistema em constante evolução e adaptação”, especialmente numa empresa em franco crescimento e com novas áreas de atuação. Numa era em que a informação prolifera sem controlo de veracidade, o desafio passa por instituir uma cultura de transparência que proteja a empresa, os trabalhadores e o interesse público, sem acrescentar peso ao dia a dia. É nesse equilíbrio que o sistema continuará a ser desenhado: eficaz, ajustado ao crescimento e focado na mitigação real do risco, sem perder capacidade de execução. Agosto: Braga Metro Bus, o futuro também se desenha – Rui Martins e Gilberto Queirós Em agosto, os TUB apresentam a identidade visual do Braga Metro Bus. Pode parecer “apenas uma marca”, mas a verdade é outra, uma marca, neste contexto, é um mapa emocional. Ajuda a orientar, a confiar, a reconhecer um sistema novo como algo próximo e legível e a transformar uma promessa técnica numa experiência que as pessoas conseguem perceber à primeira vista. Rui Martins explica o conceito base: pontos que se ligam e se cruzam, inspirados na malha viva da cidade. Um símbolo com cinco pontos, quatro para as futuras linhas e um central para o cidadão. A ideia é simples e poderosa: mobilidade como rede, como encontros, como diversidade, como progresso. Esses “pontos que se cruzam” representam ligações entre pessoas, lugares e oportunidades, traduzindo a função do BRT como elemento estruturante do território urbano. Cada ponto pode ser lido como um polo de mobilidade, um destino relevante ou um momento da jornada do utilizador; o cruzamento entre eles comunica intermodalidade, proximidade e fluidez, aquilo que um sistema desta natureza tem de garantir para ser realmente transformador. A identidade surge modular e contemporânea para existir onde tem de existir: nos autocarros, nas estações, na sinalização, nos canais digitais. E, sobretudo, para reforçar uma mensagem: o Metro Bus não é apenas um novo nome. É uma transformação ambiciosa que pretende tornar o transporte público mais rápido, mais fiável e mais fácil de usar, alinhado com uma cidade que cresce e se projeta. A marca foi desenhada para ser intuitiva, reconhecível e consistente, ajudando as pessoas a orientarem-se, a confiar no sistema e a integrá-lo naturalmente no dia a dia, criando uma experiência coesa e clara em todos os pontos de contacto. No fundo, mais do que um símbolo, o Braga Metro Bus representa a capacidade dos TUB em liderar uma mudança de escala na mobilidade urbana: um passo decisivo para melhorar a qualidade de vida em Braga e tornar o transporte público uma escolha cada vez mais natural para milhares de pessoas. Setembro: School Bus Para Todos, mobilidade escolar como investimento de longo prazo – Inês Rodrigues e Vera Fernandes, Gestão e Apoio Comercial Setembro é o mês em que os TUB entram no território mais sensível, e mais estratégico, de uma cidade: a mobilidade das crianças. O School Bus Para Todos é inaugurado na EB 2/3 de Palmeira, com presença institucional e comunidade escolar, e apresenta também uma mascote: o TUBIAS, que traz leveza e pedagogia a um serviço que é, na verdade, muito sério. Vera Fernandes, de Gestão e Apoio Comercial, descreve o diagnóstico que sustenta o projeto: no diálogo com famílias, escolas e autarquia, tornou-se evidente a necessidade de um transporte escolar seguro, confortável e adaptado às rotinas das crianças, ao mesmo tempo que se reduzia a dependência do automóvel particular e o congestionamento nas imediações dos estabelecimentos de ensino. Muitas famílias manifestaram a importância de um serviço previsível, com horários estáveis e percursos planeados especificamente para alunos, facilitando a organização diária e criando confiança no sistema. A diferença está no detalhe que tranquiliza: viagens acompanhadas por vigilantes especializados, apoio na entrada e saída, supervisão no atravessamento de vias, e uma experiência mais estruturada e protegida para os mais novos. Cada viagem é acompanhada por estes vigilantes, que asseguram supervisão constante e proteção em todos os momentos, desde o embarque ao desembarque, garantindo um elevado padrão de segurança. Os veículos estão ainda preparados para oferecer um conforto adequado, contribuindo para uma experiência mais agradável, inclusiva e sustentável. Este modelo dedicado não só tranquiliza as famílias como também cria um ambiente organizado e protegido para os alunos. E aqui o impacto é maior do que o serviço: é cultural. Ensinar desde cedo que o transporte coletivo é uma escolha segura, normal e responsável e que a cidade pode organizar-se melhor se formar hábitos melhores. É precisamente nesse ponto que o TUBIAS entra como peça estratégica: concebido como uma figura próxima do universo infantil, tornou-se rapidamente um elemento-chave na comunicação do projeto e um verdadeiro “embaixador” da mobilidade sustentável. A mascote ajuda a transmitir mensagens de forma leve e visualmente apelativa, facilitando o envolvimento das crianças, seja em atividades escolares, materiais pedagógicos ou ações públicas. Ao mesmo tempo, permite comunicar regras de segurança, incentivar boas práticas e criar identificação emocional com o serviço, aproximando as crianças do transporte coletivo e reforçando, a longo prazo, uma cultura de mobilidade mais responsável e consciente. Outubro: Seguro de saúde para todos – Vânia Barbosa, Direção do Departamento de Gestão de Pessoas Segurança e Ambiente Outubro marca um ponto de viragem interno: os TUB atribuem seguro de saúde a todos os trabalhadores, gratuito e universal, independentemente do regime contratual, no enquadramento das medidas de conciliação e do compromisso assumido em processo negocial. É uma decisão com peso real porque toca no essencial: a segurança de quem trabalha, a previsibilidade de quem cuida, e a sensação de que a empresa não deixa ninguém para trás quando o tema é saúde. Vânia Barbosa, da área de Gestão de Pessoas, Segurança e Ambiente, lê este passo como aquilo que ele representa: um investimento no bem-estar e uma proposta de valor enquanto entidade empregadora. O impacto esperado vai além do benefício, pretende proporcionar maior tranquilidade e segurança, com acesso facilitado a cuidados de saúde, incentivando uma abordagem mais preventiva e contribuindo para um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Há também um subtexto relevante: numa organização com realidades contratuais diferentes, esta medida afirma um princípio de justiça interna, tratar todos por igual naquilo que é essencial. Do ponto de vista motivacional, Vânia sublinha que o seguro de saúde reforça o sentimento de valorização e reconhecimento, mostrando uma preocupação genuína com as pessoas para lá do desempenho. O melhor retorno, diz, mede-se no envolvimento, no compromisso e na satisfação no trabalho. E, no plano da retenção, assume-se como um benefício diferenciador, que fortalece a proposta de valor da empresa enquanto entidade empregadora, contribuindo para a fidelização de talento, a redução da rotatividade e o reforço de uma cultura baseada no cuidado, inclusão e responsabilidade social. E quando se pergunta o que vem a seguir, Vânia aponta para o que faz sentido num mundo de exigência crescente: dar continuidade a políticas de conciliação e flexibilidade sempre que as funções o permitam, reforçar práticas de igualdade de oportunidades e não discriminação, e elevar a saúde mental e a prevenção do stress laboral a prioridades claras. A par disso, investir na escuta ativa, fortalecer o diálogo interno e criar condições que promovam segurança, desenvolvimento profissional contínuo e reconhecimento como prática, não como exceção. Porque um ambiente laboral justo e saudável não se anuncia: constrói-se, medida a medida, até se tornar cultura. Novembro: A frota elétrica exige manutenção e infraestrutura inteligente – Humberto Serra e João Marques, Engenharia Equipamentos e Manutenção Em novembro, a notícia tem geografia longa: uma comitiva dos TUB visita as instalações da Yutong, na China, para acompanhar a produção dos novos autocarros 100% elétricos que reforçarão a frota no final de dezembro de 2025. O objetivo não é simbólico. É técnico. É contratual. É qualidade. A visita, realizada entre 21 e 24 de outubro, com a presença de técnicos dos TUB, teve como missão acompanhar a construção da nova série e exercer um direito previsto em contrato: fiscalizar em fábrica. João Marques, de Engenharia, Equipamentos e Manutenção, explica o essencial: fiscalizar em fábrica é auditar e inspecionar fases de produção para garantir conformidade e intermutabilidade dos elementos da série adjudicada. O que se avalia não são “pormenores”: são pilares. A equipa acompanhou diferentes áreas de produção e a submissão das viaturas a ensaios rigorosos, assegurando que o adjudicatário cumpriu o projeto aprovado e as especificações exigidas, desde a segurança e durabilidade das baterias de tração, à qualidade da estrutura e carroçaria, passando por performance e conforto, sistemas de bordo e validações técnicas críticas. No fundo, a visita trouxe uma garantia prática: reduzir risco antes da entrega, confirmar critérios de qualidade no ponto onde eles ainda podem ser verificados e corrigidos, e assegurar que a frota chega com o desempenho e a robustez contratados. E depois há a parte que quase nunca entra na conversa pública: eletrificar uma frota muda o coração da manutenção. A renovação com 35 autocarros elétricos, 10 MIDI e 25 STANDARD, coloca desafios tecnológicos e logísticos imediatos. A ambição passa por evoluir para manutenção condicionada e preditiva, com diagnóstico de alta tensão e novas rotinas de monitorização: análise de vibrações, termometria e termografia, e leitura contínua de parâmetros como SoC (State of Charge) e SoH (State of Health) das baterias. A isto soma-se a necessidade de telemetria e gestão de dados, porque a manutenção passa a depender de informação e não apenas de quilómetros. E, claro, competências. Formação especializada, teórica e prática, para equipas de manutenção e operação, e preparação de ferramentas e equipamentos adequados para intervenções em alta tensão, com novos requisitos de segurança, procedimentos e cultura técnica. Na infraestrutura, a mudança é radical: deixa de ser uma questão de “espaço e combustível” para ser uma questão de gestão energética complexa. Carregamento inteligente, pré-condicionamento, planeamento de energia, reorganização do ambiente de trabalho e adaptação de ferramentas para lidar com diagnóstico de sistemas de alta tensão e software. É aqui que o futuro se torna real: quando a tecnologia exige novas competências e a empresa se prepara, por dentro, para as ter. Dezembro: Bilhética Digital, a modernização que se sente na palma da mão – Nuno Ferreira e Rui Martins, Inovação e TUB Consulting Dezembro fecha o ano com um gesto decisivo de modernização: a Bilhética Digital na nova versão da app TUBmobile, inaugurada com presença institucional. A lógica é clara: validar digitalmente, de forma simples, segura e integrada. Entrar no autocarro, ler o QR Code junto ao motorista, identificar automaticamente autocarro, linha, hora e local de partida. Terminar a viagem na app e deixar que o sistema calcule o valor com base no trajeto real, incluindo transbordos. Rui Martins traduz esta mudança com foco na experiência: menos fricção. Menos preocupações. Menos dúvidas. Para o passageiro, a transformação está na conveniência e era esse o objetivo desde o início do desenvolvimento: deixa de ser necessário confirmar, antes de sair de casa, se tem o bilhete certo, se leva moedas ou onde pode comprar um título de transporte. A validação passa a ser um ato natural: entra, valida com o telemóvel e segue viagem mais rápido, mais intuitivo e sem ansiedade logística. Do lado da operação, a mudança sente-se na agilidade e na fluidez: menos tempo perdido com incertezas, menos pontos de atrito na entrada, mais controlo e melhor integração de informação em tempo real sobre o que está a acontecer na rede. No fundo, uma melhoria silenciosa mas decisiva: quando o processo de pagamento é simples, o serviço ganha regularidade e a viagem torna-se mais previsível para todos. E há uma frase que funciona como argumento imediato para quem ainda paga “como sempre pagou”: hoje, muita gente consegue seguir caminho sem carteira, mas quase ninguém segue sem telemóvel. A bilhética digital encontra o cidadão onde ele já está e oferece uma solução simples e acessível, pensada para fazer parte do dia a dia, com benefício claro: validar em segundos, com segurança, e pagar de forma justa pelo percurso efetivo, com transbordos incluídos. E, em 2026, há ainda mais novidades a caminho para todos, sem perder o princípio que torna tudo mais forte: simplicidade com benefício imediato. Um ano coerente: sustentabilidade, cultura interna e confiança pública Quando se junta tudo o que aconteceu, percebe-se que 2025 não foi apenas “um ano com projetos”. Foi um ano com coerência estratégica. A Administração identifica três símbolos fortes dessa evolução: a expansão do School Bus, a atribuição do seguro de saúde e o lançamento da bilhética digital. Três decisões diferentes, mas com a mesma assinatura: elevar qualidade, tratar pessoas com justiça e modernizar o serviço para responder ao presente. O ponto comum dos 12 projetos é o alinhamento com o Plano Estratégico e de Sustentabilidade: ações concretas que materializam metas e dão corpo a uma visão de mobilidade sustentável, eficiente e centrada no cidadão. E, por dentro, o ano reforça cultura: tolerância e respeito (com a campanha contra a violência), ética institucional (ISO 37001), compromisso ambiental (TUBaFlorestar) e cuidado com o bem-estar das equipas (seguro de saúde). No fim, a história de 2025 nos TUB resume-se a uma empresa municipal a tornar-se mais madura e uma cidade a ganhar mobilidade com mais humanidade. Morada: Transportes Urbanos de Braga E.M.,Rua Quinta de Sta. Maria, Apartado 2383, 4700-244 Braga Contacto: 253 606 890 Facebook: Tub – Transportes Urbanos de Braga Instagram: @tub.pt www.tub.pt Natal celebra-se em ‘família’, com os rostos que dão alma à Taberna Belga Por trás da IA e da automatização, há pessoas: a Kwalit e os rostos que levam Braga ao mundo
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