CASA & DESIGN “Construir é apenas o início. O que distingue uma obra é aquilo que permanece depois de estar concluída” By Revista Spot | Agosto 2, 2026 Agosto 2, 2026 Share Tweet Share Pin Email Uma obra pode parecer simples quando vista de fora: um projeto, uma equipa e um prazo para cumprir. Mas, à medida que aumentam a dimensão dos projetos, o verdadeiro desafio passa a ser garantir que nada se perde pelo caminho. Entre decisões que o comprador nunca vê, equipas que trabalham em diferentes pontos do país e um mercado onde investidores e moradores nem sempre procuram o mesmo, Rui Pedro Silva defende uma construção assente no pragmatismo, na responsabilidade e nas relações. Porque uma empresa não cresce apenas quando assume obras maiores, mas quando consegue levar consigo as pessoas e os valores que a fizeram chegar até ali. As casas diminuíram porque as famílias também mudaram Durante décadas, a habitação portuguesa foi pensada para um modelo relativamente previsível: um casal, filhos, vários quartos e uma permanência prolongada na mesma casa. Hoje, as famílias são mais pequenas, há mais pessoas a viver sozinhas, o trabalho invade o espaço doméstico e os preços tornam cada metro quadrado mais difícil de pagar. Esta transformação já é visível nos projetos que chegam ao mercado. “As tipologias alteraram-se. Antigamente falava-se sobretudo em T3 e T4. Agora procura-se mais T2, T1 e até T0. As famílias são mais pequenas e as pessoas já não procuram necessariamente casas tão grandes”, observa Rui Pedro Silva. A redução das áreas não resulta apenas de uma mudança cultural. É também uma consequência direta do preço do solo, dos custos de construção e da necessidade de colocar o valor final dentro da capacidade financeira do comprador. Mas uma casa mais pequena não pode ser simplesmente uma casa maior à qual foram retirados metros. Exige outra organização, maior flexibilidade e uma compreensão mais fina da forma como os espaços são utilizados. Uma divisão pode ter de ser simultaneamente escritório, quarto de hóspedes e zona de estudo. A arrumação deixa de ser um complemento para se tornar parte estrutural do projeto. A luz, a acústica e a circulação ganham importância quando várias funções convivem numa área reduzida. Construir as casas certas não significa, portanto, repetir tipologias mais pequenas. Significa perceber que a vida deixou de obedecer a uma planta fixa. Há dois clientes dentro da mesma casa Uma parte relevante da nova construção chega ao mercado através de investidores que compram para arrendar ou revender. Esse capital permite viabilizar empreendimentos e antecipar vendas, mas introduz uma diferença importante na forma como o imóvel é avaliado. “Há dois clientes: o investidor e o cliente final”, resume Rui Pedro Silva. O primeiro analisa a rentabilidade, a liquidez, o prazo e a capacidade de valorização. O segundo vai descobrir, todos os dias, se a casa aquece demasiado, se ouve o vizinho, se existe arrumação suficiente, se os materiais envelhecem bem e se a fatura energética corresponde ao desempenho prometido. “O investidor não olha da mesma forma para os detalhes. Quem compra para viver exige mais e, muitas vezes, prefere fazer um esforço para ter uma solução melhor.” Esta diferença também se reflete na forma como a obra é acompanhada. Um projeto vendido maioritariamente a investidores permite reproduzir soluções, reduzir alterações e concentrar a comunicação. O comprador final tende a envolver-se mais nas escolhas e a olhar para cada decisão a partir da utilização quotidiana da casa. Nenhum dos modelos é, por si só, melhor do que o outro. Exigem apenas abordagens diferentes e uma compreensão clara de quem será o verdadeiro utilizador do edifício. O Norte tornou-se uma escola de execução A G&G nasceu em Braga, num território onde a construção ultrapassa largamente a atividade das empresas que executam as obras. À volta delas existe uma rede de engenharia, arquitetura, materiais, metalomecânica, madeira, pedra, cerâmica, caixilharia, mobiliário e conhecimento acumulado. “Temos aqui bons nomes e empresas com muita qualidade. Braga tornou-se uma referência e o Norte tem uma capacidade muito forte nesta área”, considera Rui Pedro Silva. Esta concentração criou uma espécie de laboratório informal. As empresas cresceram lado a lado, os profissionais circularam entre projetos, os fornecedores foram obrigados a responder a novas exigências e o conhecimento deixou de existir apenas dentro de cada organização. O Norte não se tornou forte porque encontrou uma única fórmula. Tornou-se forte porque construiu um ecossistema. Para Rui Pedro Silva, esse conhecimento deve agora ganhar escala nacional. A atividade da G&G já não se limita a Braga e envolve projetos em diferentes pontos do país. A empresa apresenta-se como parceira nas áreas da Construção, Engenharia, Arquitetura, Reabilitação e Gestão de Projetos, trabalhando com entidades públicas e investidores privados. Cerca de 60% da sua atividade corresponde a obra pública e 40% a obra privada. A expansão geográfica aumenta a dimensão da empresa, mas também a responsabilidade de garantir que a cultura de execução se mantém. A tecnologia vê a obra. As pessoas continuam a construí-la Há poucas décadas, acompanhar uma obra distante exigia deslocações permanentes. Hoje, fotografias, vídeos, chamadas, plataformas digitais e grupos de comunicação permitem seguir em tempo quase real aquilo que acontece a centenas de quilómetros. “Hoje conseguimos estar aqui sentados e perceber o que se passa numa obra noutro ponto do país”, reconhece Rui Pedro Silva. Dentro da própria G&G, esta transição acontece entre diferentes gerações e formas de trabalhar. Há profissionais habituados ao papel, às encomendas escritas e a métodos consolidados ao longo de muitos anos. Ao mesmo tempo, os elementos mais jovens chegam com maior proximidade às ferramentas digitais, à inteligência artificial e a novas formas de organizar e partilhar informação. Mas ver não é o mesmo que saber interpretar. Uma imagem pode mostrar o avanço da execução; não substitui o encarregado que reconhece um erro, o diretor de obra que antecipa uma incompatibilidade ou o profissional experiente que percebe que determinada solução não funcionará como previsto. “Temos de ter pessoas muito responsáveis em cada local. Caso contrário, isto não funciona. O fator humano continua a diferenciar.” O futuro da construção não dependerá, por isso, de escolher entre experiência e tecnologia. Dependerá da capacidade de juntar o conhecimento de quem aprendeu no terreno às ferramentas de uma geração preparada para trabalhar de outra forma. Quando todos participam Uma obra cruza promotores, arquitetos, engenheiros, projetistas de especialidades, construtores, fornecedores, fiscalização e entidades públicas. A construção do futuro exigirá modelos mais integrados, nos quais o conhecimento de quem executa chegue mais cedo ao projeto e as consequências das decisões sejam compreendidas antes de entrarem no estaleiro. É neste contexto que Rui Pedro Silva valoriza uma dimensão por vezes desconsiderada num setor cada vez mais digital: a confiança entre as pessoas. “As relações humanas são muito importantes nesta área. Muitos negócios fazem-se num café ou num restaurante. Não é no WhatsApp que se constrói essa relação.” Na G&G, a presença digital funciona sobretudo como um cartão de visita. O site e as redes sociais mostram projetos, apresentam a empresa e ajudam a consolidar a sua imagem, mas Rui Pedro Silva não lhes atribui o crescimento do negócio. “Na G&G, o boca a boca continua a funcionar melhor do que as próprias redes sociais.” Uma recomendação, uma relação construída ao longo de vários projetos ou a forma como uma empresa responde quando surge um problema continuam a ter um valor que nenhuma publicação consegue substituir. A tecnologia tornou a comunicação mais rápida. A confiança continua a ser aquilo que permite atravessar os momentos em que a obra não decorre exatamente como estava previsto. O que a obra pública e a privada podem aprender uma com a outra A experiência da G&G nos dois universos oferece a Rui Pedro Silva uma leitura particular do setor. A obra pública exige procedimentos mais formais, documentação, fiscalização e uma relação constante com regras de contratação. Pode ser mais lenta, mas obriga as empresas a criar estrutura e capacidade de resposta. “A obra pública dá visibilidade e fortalece muito a empresa”, afirma. A obra privada tende a permitir maior rapidez na decisão, negociação direta e flexibilidade. Ao mesmo tempo, pode ficar mais exposta a alterações sucessivas, expectativas pouco definidas e pressão para reduzir custos. O futuro deveria aproximar as melhores caraterísticas dos dois modelos: levar maior agilidade à obra pública e mais previsibilidade, preparação e disciplina à privada. Para a G&G, trabalhar nos dois territórios significou também diversificar a experiência, reforçar equipas e demonstrar capacidade para responder a projetos com exigências, dimensões e finalidades muito distintas. Reabilitar é impedir que a cidade comece sempre de novo Portugal precisa de novas casas, mas tem também edifícios devolutos, estruturas desatualizadas e centros urbanos que perderam residentes. A reabilitação surge como uma resposta evidente, embora esteja longe de ser simples. Uma construção antiga traz consigo patologias escondidas, redes obsoletas, alterações sem registo e estruturas que nem sempre correspondem ao que os documentos indicam. Recuperar pode exigir maior capacidade técnica do que construir de raiz. “Estamos a fazer um projeto muito interessante para a Cáritas. É uma reabilitação e está a dar-nos muito gosto”, conta Rui Pedro Silva. A G&G assume a reabilitação como uma das suas áreas de atividade, com atenção ao desempenho dos edifícios e à preservação da sua identidade. No seu portefólio surgem intervenções de recuperação e ampliação, a par de projetos novos de habitação, comércio e serviços. Reabilitar, contudo, não significa conservar tudo sem critério. Significa perceber o que deve permanecer, o que precisa de ser transformado e como um edifício pode responder a novas funções sem perder a sua identidade. Uma cidade sustentável não é aquela que nunca muda. É aquela que não precisa de começar sempre de novo. “Quando crescemos, crescemos todos” A G&G encontra-se numa fase em que o crescimento já não se mede apenas pelo número de projetos. Mede-se pela capacidade de manter a ligação entre as pessoas quando a equipa aumenta, as obras se dispersam e as decisões se tornam mais complexas. Rui Pedro Silva sabe que crescer pode afastar uma liderança daquilo que inicialmente distinguiu a empresa. Mais processos, níveis hierárquicos e geografias podem trazer capacidade, mas também fragmentar a cultura. É essa distância que procura evitar. “Eu gosto de manter os mesmos elementos e de crescer com o mesmo diretor, o mesmo encarregado, o mesmo engenheiro e o mesmo orçamentista. Nós sozinhos não conseguimos fazer absolutamente nada.” A afirmação mais reveladora do seu pensamento sobre o futuro da G&G não fala de faturação, dimensão ou número de obras. “Quando crescemos, crescemos todos. Não sou só eu que cresço. Se eu estou bem, gosto que toda a gente esteja bem.” Para Rui Pedro Silva, preservar a proximidade não significa impedir a profissionalização da empresa. Significa garantir que o aumento da estrutura não transforma as pessoas em funções anónimas e que quem ajudou a construir o percurso encontra espaço para crescer dentro dele. “Não quero perder essa ligação. Quero continuar a ser a mesma pessoa e a lidar com todos da mesma forma. É diferente trabalhar com três pessoas ou com vinte. Torna-se mais difícil, mas é isso que temos de proteger.” Essa proximidade também se mede na forma como as pessoas se sentem quando chegam ao trabalho. Rui Pedro Silva não fala da cultura da G&G através de conceitos abstratos. Fala de continuar disponível, de conhecer quem trabalha consigo e de não permitir que a responsabilidade, a dimensão da empresa ou o dinheiro criem uma distância artificial. Não quer que o crescimento o leve a deixar de falar com o António, com o Joaquim ou com o Sousa. Não quer trocar o contacto diário com as equipas por uma liderança fechada e inacessível. E admite que não gosta da solidão nem da importância frequentemente associadas a quem ocupa determinados cargos. Prefere continuar rodeado pelas pessoas que ajudaram a construir o percurso. Portugal precisará de construir muito nos próximos anos. Precisará de empresas maiores, processos mais rápidos, profissionais mais qualificados e tecnologias capazes de reduzir falhas e desperdícios. Mas o futuro da construção não será definido apenas pelo número de casas que conseguirmos levantar. Será definido pelas casas que continuarem confortáveis e eficientes dentro de décadas. Pelas cidades que recuperarmos antes de ocupar mais território. Pelas empresas que souberem distinguir onde podem reduzir custos e onde não podem aceitar compromissos. E pela capacidade de fazer crescer, juntamente com cada projeto, as pessoas que o tornam possível. “Porque construir, há muita gente a construir. A diferença começa naquilo que permanece quando a obra acaba”, conclui. Morada: Centro Empresarial de Braga Edifício B3, 4705-319 Ferreiros, Braga Contacto: (+351) 253 400 456 (chamada para rede fixa nacional) Facebook: G&G – Construções e Investimentos lda Instagram: @gg_construcao_ Site: ggconstrucao.pt No Astória, os fins de tarde de verão começam às 17h30 e sobem até ao rooftop “O futuro da Medicina Estética passa por uma abordagem cada vez mais preventiva”
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