Saúde Infantil “O colo não é mimo. É o início do desenvolvimento do cérebro do bebé” By Revista Spot | Setembro 27, 2025 Setembro 27, 2025 Share Tweet Share Pin Email O cérebro humano demora 20 a 25 anos a completar-se, mas é nos primeiros meses que se formam milhões de ligações decisivas. O colo, tantas vezes desvalorizado, é um dos estímulos mais poderosos para esse desenvolvimento. “Dar colo não estraga, organiza o sistema nervoso”, explica Mariana Cruz, enfermeira e osteopata pediátrica. A sua experiência hospitalar levou-a a perceber que muitas angústias dos pais não se resolvem apenas com prescrições médicas. Daí nasceu o projeto Mais Ternura, que alia experiência clínica, osteopatia e massagem infantil para apoiar famílias num dos momentos mais exigentes da vida. Estudos recentes demonstram que o contacto ‘pele-a-pele’ regula respiração e batimentos cardíacos, promove o sono e reduz o stress. Mais do que aliviar cólicas, refluxo ou choro, Mariana traz às famílias respostas simples num mundo de excesso de informação: menos culpa, mais presença, menos comparações, mais conexão. “Quando nasce um bebé, renasce uma família inteira e é aí que começa o meu trabalho”, garante. O que é que a levou a unir a enfermagem à osteopatia e a criar o projeto Mais Ternura, centrado no colo, no vínculo e no empoderamento das famílias? A pediatria sempre foi uma escolha natural para mim. Trabalhei no serviço de internamento de pediatria do Hospital de Braga e depois no serviço de Internamento e Urgência Pediátrica do Hospital Santa Maria em Barcelos. Foi em contacto direto com as famílias que percebi que podia fazer mais, ajudar mais, embora ainda não soubesse exatamente como. Um dia deparei-me com vídeos de consultas de osteopatia pediátrica e comecei a investigar a especialidade, que até então desconhecia. Foi aí que decidi embarcar nesta aventura, conciliando trabalho e estudo durante quatro anos. Durante esse percurso, tirei também o curso de instrutora de massagem infantil pela Associação Portuguesa de Massagem Infantil, o que me trouxe ainda mais conhecimento sobre o toque terapêutico. No meu contacto diário com as famílias, percebi algo que todas tinham em comum, independentemente da sua condição de saúde: dúvidas, medos, necessidade de serem ouvidas e abraçadas. Foi assim que, em 2024, nasceu o projeto Mais Ternura, com a vontade de ser um porto seguro para as famílias, alicerçado nos meus conhecimentos de saúde infantil, seja na área clínica de Enfermagem ou de Osteopatia. Quando nasce um bebé, nasce também uma mãe, um pai, um irmão, uma avó, todos à sua volta renascem. Muitas vezes sentimos que tudo o que sabíamos já não basta, que apesar da experiência, não sabemos o que fazer com um bebé ou criança nos braços. Hoje, as novas famílias vivem na era do que gosto de chamar, em tom de brincadeira, “tudo ou nada”: por um lado, ouvem conselhos das avós e bisavós; por outro, têm acesso imediato à informação da internet, que muitas vezes dá respostas instantâneas sobre tudo. É neste equilíbrio delicado entre tradição e informação rápida que surgem dúvidas, medos e a necessidade de apoio. É exatamente para apoiar as famílias nesse contexto que nasceu o Mais Ternura, cujo símbolo, duas lontras, representa colo, carinho, segurança e ternura: o suporte que os pais precisam, mesmo nos dias mais complicados. Muitos pais ainda ouvem a frase “não dês demasiado colo, senão estragas o bebé”. Hoje, a ciência já mostrou o contrário. De que forma o colo regula o sistema nervoso e contribui para o desenvolvimento saudável do bebé? Para responder a esta pergunta, é importante saber que o cérebro humano demora cerca de 20 a 25 anos até completar a sua formação. No entanto, é durante a gestação e sobretudo nos primeiros anos de vida que a sua atividade está em maior crescimento. Nesta fase, criam-se milhões de ligações entre as células nervosas: as que são mais estimuladas consolidam-se, enquanto as menos usadas desaparecem. Estes processos de desenvolvimento cerebral dependem da genética, da epigenética (fatores externos que podem influenciar a expressão genética) e do ambiente. Por isso, o ambiente, os cuidados e as experiências precoces têm um impacto profundo no futuro cognitivo, emocional e social da criança. O cérebro de um bebé é extremamente imaturo: tem apenas cerca de 25% do tamanho que terá em adulto, ao contrário do cérebro de outros primatas, que nasce muito mais desenvolvido. Essa imaturidade não é uma fraqueza, mas uma oportunidade: o cérebro é altamente plástico, capaz de se adaptar e aprender a partir das experiências do dia a dia. Hoje sabemos que o colo não estraga o bebé. Pelo contrário, é um estímulo fundamental para o seu desenvolvimento neurológico. O contacto pele com pele regula funções vitais como respiração, batimentos cardíacos e temperatura. Estudos com eletroencefalograma mostram que bebés que recebem colo têm sinais de maturação cerebral mais rápida e melhor organização do sono. O colo estimula também a libertação de ocitocina, conhecida como a hormona do amor que promove o bem-estar e reduz o cortisol (hormona do stress) facilitando a regulação emocional do bebé e proporcionando calma e segurança, protegendo o cérebro imaturo dos efeitos do stress tóxico. Quando o colo, o toque, a voz e o olhar se repetem diariamente, constroem-se circuitos cerebrais ligados à regulação emocional e ao “cérebro social”, base da empatia, da confiança e das relações futuras. Do ponto de vista do apego, a qualidade do vínculo influencia diretamente a maturação do hemisfério direito do cérebro, responsável pela gestão das emoções. Assim, cada vez que um bebé recebe colo, aprende a passar do estado de alerta para o estado de segurança, e essa repetição organiza o sistema nervoso criando uma base sólida para um desenvolvimento neurológico e emocional saudável. Dar colo não estraga: dar colo organiza e fortalece o cérebro em crescimento. As cólicas continuam a ser uma das maiores angústias dos pais nos primeiros meses. Que fatores menos óbvios, para além da alimentação materna, podem estar na origem das cólicas e de que forma a sua consulta ajuda a identificar cada caso? Primeiramente, é importante perceber que nem todo o choro do bebé é cólica. Muitas vezes, para os pais, parece que o bebé já nasce com cólicas. Contudo, segundo a literatura, a cólica surge apenas após os 15 dias de vida e, pela minha experiência clínica, até um pouco mais tarde. Nos primeiros dias, devido à imaturidade cerebral e digestiva, os bebés podem ter períodos de choro difíceis de decifrar e que, por exclusão, acabam por ser chamados de cólicas. Na realidade, são muitas vezes confundidas com disquesia, refluxo ou obstipação. É importante reforçar que a cólica é considerada um diagnóstico de exclusão: só deve ser assumida quando não existem outras causas médicas ou funcionais que justifiquem o choro A cólica existe, mas tem caraterísticas próprias: trata-se de uma dor aguda, contínua e difícil de consolar, frequentemente acompanhada por flexão dos punhos, rubor da face e distensão abdominal. Para além da alimentação materna, sabemos hoje que existem vários fatores menos óbvios que podem influenciar o aparecimento das cólicas: a alimentação dos pais na preconceção, a microbiota da mãe e a sua dieta durante a gravidez, a microbiota vaginal, o tipo de parto, complicações pós-parto como internamentos ou uso de antibióticos, o microbioma intestinal do bebé, o tipo de alimentação do bebé, a hiperestimulação durante o dia e a própria imaturidade do sistema digestivo e neurológico. Na consulta, o meu papel é ajudar os pais a perceber quais destes fatores podem estar a contribuir para o desconforto do bebé e, em conjunto, encontrar estratégias para aliviar e prevenir as crises. Ao mesmo tempo, é fundamental dar apoio emocional: as cólicas não afetam apenas o bebé, mas são também uma das principais fontes de angústia e ansiedade para os pais. O objetivo é, por isso, cuidar do bebé e empoderar as famílias para que consigam lidar com as cólicas de forma mais confiante. O termo popular “hora da bruxa” descreve o choro inconsolável ao fim da tarde. A ciência valida este fenómeno? Como distinguir se estamos perante cólica, fadiga ou outra necessidade do bebé? A expressão “hora da bruxa” vem de uma tradição popular medieval europeia que se referia ao período da noite, entre as 3h e as 4h da manhã, em que se acreditava que as bruxas tinham mais poder. No século XX, este conceito foi adaptado popularmente ao contexto pediátrico para descrever o período de choro inconsolável dos bebés ao final da tarde/início da noite (normalmente entre as 17h e as 23h). Apesar de ser uma expressão de origem popular, a ciência parece validar a tendência deste padrão. Contudo não podemos dizer que é um diagnóstico clínico. Estudos clássicos mostraram que o choro segue um padrão circadiano, sendo mais intenso ao final da tarde e início da noite, com pico por volta das 6 semanas de vida e redução após os 3-4 meses. A ciência associa esta “hora da bruxa” a vários fatores: imaturidade do sistema nervoso, sobrecarga sensorial, ritmo circadiano em maturação, possível desconforto digestivo. Evidência recente reforça que nos primeiros meses de vida a autorregulação noturna do bebé é limitada. Por exemplo, uma revisão de 2022 mostra que o ritmo circadiano (sono-vigília e produção hormonal, como melatonina) ainda está em desenvolvimento nos primeiros dois a três meses. Outro estudo que acompanhou bebés desde os 2 dias até aos 2 anos observou que, logo após o nascimento, os bebés acumulam cansaço muito rapidamente, mas a capacidade de lidar com esse cansaço, ou seja, de manter o sono sem despertares frequentes, só vai sendo adquirida progressivamente com a maturação do cérebro. Isto ajuda a compreender porque muitos bebés parecem especialmente vulneráveis ao choro no fim do dia, ainda não têm mecanismos maduros de regulação neuronal, hormonal e comportamental Para compreendermos a causa deste choro, devemos fazer uma retrospetiva do dia do bebé: ficou em casa ou esteve exposto a muitos estímulos? Dormiu bem ou os sonos foram interrompidos? Houve visitas, consultas, convívio com a família? O irmão mais velho chegou a casa com muita energia? Estes fatores, muitas vezes invisíveis, podem pesar no final do dia. Depois, é essencial observar o bebé: está a chorar agitado, mas relaxa ao colo? Ou está rígido, com barriga dura, arqueando o tronco para trás, inconsolável mesmo no colo? Este tipo de análise é trabalhado com os pais desde a primeira consulta, para que se sintam confiantes na gestão do choro e consigam prevenir ou ajustar as rotinas conforme a reatividade do bebé. Muitas vezes trata-se apenas de cansaço e necessidade de autorregulação, através de colo, ambiente calmo, contenção e pele com pele. O refluxo é frequentemente confundido com cólicas. Quais são os sinais de alerta que os pais devem observar para perceber se se trata de um refluxo normal ou de uma condição que exige avaliação médica especializada? O refluxo é uma condição muito comum nos bebés e acontece sobretudo devido à imaturidade do sistema digestivo e do funcionamento da válvula que separa o esófago do estômago. Na prática médica descrevem-se dois tipos: o refluxo fisiológico, conhecido como o “bolsar” logo após a mamada, e a doença de refluxo, que já traz complicações como dor, inflamação do esófago, recusa alimentar ou perda de peso. Na consulta, para facilitar a compreensão dos pais, costumo explicar que o refluxo pode apresentar-se de diferentes formas. Existe o fisiológico imediato, que é o bolsar logo após a mamada, geralmente sem desconforto. Há também o fisiológico tardio, que surge mais tarde (por vezes até 1h após a mamada), já com leite parcialmente digerido e que pode causar irritabilidade ou extensão do pescoço. Outra forma é o refluxo oculto, que não tem regurgitação visível, mas pode manifestar-se com tosse, engasgamentos, língua esbranquiçada horas após a mamada, movimentos de mastigação, irritabilidade durante a alimentação ou mesmo recusa alimentar. Este é o que mais se confunde com as cólicas, exatamente por não se “ver” o leite a regressar. Embora este conceito ainda não esteja formalmente descrito nas guidelines, já começa a ser referido em revisões clínicas. Finalmente existe o refluxo patológico, que corresponde à doença de refluxo e que exige atenção médica, porque pode provocar vómitos persistentes, perda de peso, atraso no desenvolvimento, esofagite ou mesmo complicações respiratórias. De uma forma prática, os pais devem estar atentos a sinais de alarme como: regurgitação abundante ou com sangue, vómitos em jato, recusa alimentar persistente, perda de peso ou ganho de peso inadequado, irritabilidade constante ou dificuldade em respirar. Nestes casos, é essencial a avaliação pela equipa médica. A osteopatia pode ser uma ajuda importante no alívio do desconforto e na melhoria da qualidade de vida do bebé, mas é fundamental distinguir os casos fisiológicos, que fazem parte do desenvolvimento, daqueles que são patológicos e precisam de acompanhamento médico especializado. Na sua consulta, o foco não está apenas em aliviar sintomas, mas em capacitar os pais. Quais são as principais ferramentas práticas que os pais levam consigo depois de uma consulta de gestão de cólicas? Na saúde, o foco nunca deve ser apenas o alívio imediato dos sintomas, é fundamental compreender a causa para podermos prevenir e promover o bem-estar. Como enfermeira e osteopata, quando uma família me procura, a minha missão é, não só aliviar as suas preocupações, mas sobretudo torná-los autónomos e conhecedores do seu bebé. Capacitar e empoderar famílias é, de facto, a minha missão. Em cada consulta, os pais levam consigo ferramentas práticas e conhecimento: aprendem a reconhecer sinais e sintomas no seu bebé, a distinguir diferentes situações clínicas e a responder de forma adequada às suas necessidades. Partilho estratégias simples, que vão desde métodos de relaxamento até técnicas manuais suaves que promovem a funcionalidade e o conforto do bebé. Acima de tudo, o que os pais mais referem é que se sentem seguros. E, no meio de tantas dúvidas que a parentalidade traz, sentir-se seguro é muitas vezes o primeiro passo para viver esta fase com mais calma e confiança. Cada vez mais estudos apontam para os benefícios do toque e da massagem infantil no desenvolvimento cognitivo, emocional e até no crescimento cerebral. Que evidências científicas mais recentes destacaria neste campo? O toque e a massagem infantil são muito mais do que um momento de mimo, são verdadeiros estímulos ao desenvolvimento global do bebé. Hoje sabemos que o contacto ‘pele-a-pele’ e a massagem promovem uma melhor regulação fisiológica, ajudando no sono, na digestão e até na estabilidade da frequência cardíaca. Além disso, fortalecem o vínculo entre pais e bebé e contribuem para um ambiente emocional mais seguro. Nos últimos anos, vários estudos reforçaram estes benefícios. Por exemplo, uma revisão sistemática de 2023 com bebés prematuros mostrou que a massagem feita pelas próprias mães promove não só maior ganho de peso, mas também uma redução do stress materno, fortalecendo a relação mãe-bebé. Outro estudo de 2022 avaliou a eficácia da massagem em bebés saudáveis e concluiu que esta prática contribui para um melhor crescimento físico e para a melhoria da qualidade do sono. Mais recentemente, uma revisão publicada em 2024 destacou como o toque afetivo está ligado a alterações neurobiológicas que favorecem o desenvolvimento cognitivo e emocional precoce, sublinhando inclusive a influência positiva no desenvolvimento cerebral. Portanto, podemos afirmar que a ciência valida cada vez mais a importância do toque e da massagem como estratégias simples, de baixo custo e grande impacto no bem-estar e no desenvolvimento do bebé. Vivemos numa era de hiperestimulação. Que estratégias recomenda para proteger o sono do bebé e ajudá-lo a regular-se num ambiente cheio de estímulos artificiais desde os primeiros dias de vida? As estratégias simplificam-se quando percebemos que nos primeiros dias de vida os únicos estímulos de que o bebé realmente precisa são: colo, alimentação e o cheiro dos pais. Dentro do útero o bebé estava num ambiente calmo, quente, com embalo, pouca luz e sons suaves. Cá fora tudo é novo: barulhos, luzes, movimentos, visitas, o simples som da televisão ou uma ida ao supermercado… Por isso, para o ajudar a autorregular-se, devemos recriar esse ambiente de segurança: pele com pele, calor, aconchego, embalo, voz calma e ruídos suaves. É importante distinguir entre hiperestimulação (excesso de brinquedos, luzes, sons e atividades) e estimulação sensorial terapêutica, que é suave, previsível e segura. A primeira fragiliza o bebé e prejudica o sono; a segunda ajuda-o a sentir-se protegido e a organizar o seu sistema nervoso. Estudos recentes em bebés prematuros mostram, por exemplo, que estímulos controlados como o toque, a massagem e a voz calma dos pais melhoram a qualidade do sono e reduzem o stress fisiológico. Nos primeiros dias e semanas, o bebé não precisa de brinquedos nem de músicas constantes, o essencial são os cuidados básicos e o vínculo com os pais. A partir das 6 semanas de vida, estudos mostram que os bebés começam a demonstrar maior interesse por estímulos visuais e auditivos, como focar o olhar, responder a sons familiares e participar em interações sociais mais conscientes. Nessa fase, podemos introduzir pequenas atividades como imagens contrastantes, música suave ou brinquedos simples, sempre por curtos períodos e respeitando os sinais do bebé. Assim, protegemos o sono e o ajudamos a regular-se num mundo cheio de estímulos, sem o sobrecarregar. Com o ritmo acelerado e as redes sociais a criarem comparações constantes, muitos pais vivem sentimentos de culpa e insegurança. Que mensagem considera mais importante deixar às famílias que se sentem “no limite”? Parem, respirem fundo e abracem-se. Não é só o bebé que precisa de colo, nós adultos também. Eu costumo dizer aos pais, em tom de brincadeira: ‘Se todos nós tivéssemos mais colo, o mundo estaria seguramente melhor.’ Tal como o pele-a-pele regula o bebé, ajuda-nos a nós a regular também. Quando nasce um bebé, nasce também um novo casal, que precisa de se sentir e acolher. É normal não sabermos tudo e nunca seremos perfeitos, mas cada pai e cada mãe são os melhores do mundo para aquele bebé. Cuidar dele com amor é o primeiro ingrediente para serem os melhores pais do mundo. Vivemos num mundo em que os pais são constantemente confrontados com padrões de parentalidade, seja através das redes sociais, seja pelas expectativas sociais. Muitas vezes, a comparação é inconsciente e surge da insegurança ou do medo de errar. Por isso é tão importante empoderar as famílias, dar-lhes ferramentas e confiança nos cuidados ao bebé, para que não se sintam afetadas pelo julgamento ou comparação com outros, e consigam valorizar os progressos do seu bebé. A parentalidade não é sobre perfeição, mas sobre presença, atenção e afeto. Vê a integração entre enfermagem, osteopatia, nutrição e outras áreas como o caminho para uma abordagem mais completa à saúde do bebé? Para mim, o cuidado ao bebé não tem outro caminho que não seja o da parceria de cuidados. Na sociedade atual, com tanto conhecimento científico em diversas áreas de especialidade, o único caminho possível é o cuidado holístico e integrativo. O bebé é o ser mais imaturo, e ao longo do seu crescimento vai precisar de apoio de diferentes especialidades. Como imagina o futuro do cuidado infantil nos próximos anos? No futuro, gostaria de imaginar que estas especialidades chegassem a todas as famílias, que o Serviço Nacional de Saúde oferecesse não só apoio médico e de enfermagem, mas também osteopatia, terapia da fala, nutrição, entre outras especialidades, sem barreiras burocráticas ou necessidade de referenciação. Ter acesso a uma equipa multidisciplinar desde o primeiro mês de vida poderia prevenir muitos problemas e apoiar o desenvolvimento pleno do bebé. O que é que continua a movê-la e a apaixoná-la mais nesta área feita, acima de tudo, de “relações humanas”? Trabalhar com relações humanas é sentir cada história como se fosse nossa, sorrir e festejar pequenas vitórias juntos, e mesmo nos dias difíceis, persistir quando as respostas que procuramos não surgem imediatamente. Saber que tenho um impacto positivo numa das fases mais desafiantes e importantes da vida de uma família, e ver esse cuidado refletido tanto no bebé como nos pais, mais confiantes, famílias mais unidas, é o que me inspira todos os dias. Nesta sociedade que por vezes parece fria e cheia de regras, é poder sonhar, quebrar padrões e reviver todos os dias a felicidade de ser criança. E mesmo com o passar dos anos, cada bebé continua a ensinar-me algo novo e a renovar a minha paixão por esta área. Instagram: @marianacruz_enf.osteo Agendamentos: https://linktr.ee/enf_marianacruz Da cozinha real às redes sociais: a nutricionista que conquistou as famílias com lancheiras saudáveis para crianças “O bebé fala com o corpo muito antes de usar a voz”
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