ÉS DE BRAGA/Eventos Chefs, street food, uma app com IA que nos guia pelo copo e mais de 200 cervejas artesanais: o HOPEN está de regresso a Braga By Revista Spot | Maio 25, 2026 Maio 26, 2026 Share Tweet Share Pin Email De 29 a 31 de maio, o Jardim do Campo das Hortas transforma-se no grande ponto de encontro da cerveja independente. Há mais de 200 cervejas, 28 produtores nacionais, um chef com Estrela Michelin, street food, concertos, DJ sets, final da Champions, workshops, bicicletas, crossfit cervejeiro e uma app com inteligência artificial para ajudar até quem acha que “não gosta de cerveja”. O HOPEN está de volta e traz novidades Há festivais que se anunciam pelo cartaz. No HOPEN, o primeiro sinal talvez seja o copo de vidro na mão, o jardim cheio, o som a crescer ao fim da tarde e aquela estranha democracia de uma mesa onde cabem uma IPA intensa, uma lager fresca, uma sidra de maçã local, uma cerveja sem álcool, uma pizza napolitana, um petisco de chef e alguém que só passou “para ver”, mas acaba por ficar. Entre os dias 29 e 31 de maio de 2026, o Jardim do Campo das Hortas, junto ao Arco da Porta Nova, volta a ser o epicentro da cultura cervejeira nacional. Braga recebe a maior edição de sempre do HOPEN Braga Beer Festival, com 28 cervejeiras nacionais com fábrica própria e mais de 200 cervejas artesanais para provar, num evento de entrada gratuita que quer atrair cerca de 40 mil visitantes. Mas chamar-lhe apenas festival de cerveja começa a saber a pouco. Um festival que já não cabe no copo O HOPEN nasceu da cerveja, mas cresceu para lá dela. Hoje é também gastronomia, música, tecnologia, mobilidade, sustentabilidade, convívio e cidade. Filipe Macieira, um dos responsáveis da Letra e da organização, diz que essa ambição esteve lá desde o princípio: “Sempre quisemos associar a cerveja à comida e a estes momentos de interação ao ar livre.” A frase ajuda a perceber o espírito do evento. O HOPEN não quer que o visitante entre, prove duas cervejas e vá embora. Quer que fique. Que atravesse o fim de tarde, jante no recinto, ouça uma banda, descubra uma harmonização, faça perguntas a um cervejeiro, participe num quiz, veja a final da Champions ou acabe a noite numa after party. “O nosso objetivo é manter aqui as pessoas durante o máximo tempo possível”, resume Filipe. “O espaço convida. Não é necessário sair daqui para ir jantar e regressar.” E o espaço, de facto, conta. O Campo das Hortas tem aquela localização rara, suficientemente central para parecer inevitável, suficientemente aberto para permitir que Braga respire. Ali, a cerveja deixa de ser apenas bebida e passa a ser pretexto para ocupar a cidade. O artesanal levado a sério Num tempo em que a palavra “artesanal” aparece colada a quase tudo, o HOPEN insiste numa regra: só entram marcas 100% artesanais, independentes e com fábrica própria. Não é detalhe técnico. É identidade. “É inegociável”, diz Filipe Macieira. “Desde o início quisemos ter essa diferenciação.” A razão, explica, não é apenas romântica. É também económica e política, no sentido mais prático da palavra, defender produtores que trabalham em pequena escala, com margens apertadas, longe do músculo financeiro das grandes marcas. “Uma marca internacional pode financiar um evento. Uma marca de cerveja artesanal não tem essa capacidade”, lembra. Para Filipe, o HOPEN existe também para criar um palco justo. “Queremos dar importância ao produtor artesanal, porque sabemos as dificuldades que passa para manter a sua empresa sustentável.” A recompensa, diz, chega no fim: “O que nos dá mais prazer é ouvir os cervejeiros dizerem que este é o evento anual que mais rentabilidade traz às suas empresas.” Mais de 200 cervejas A escala impressiona: 28 marcas, muitas delas com cerca de dez referências cada. Há cervejas simples, frescas e fáceis de beber; há cervejas com fruta; há receitas maturadas em barrica; há estilos mais ácidos, mais amargos, mais vínicos, mais densos, mais leves. Há cervejas para quem sabe exatamente o que procura e para quem chega sem vocabulário cervejeiro nenhum. Filipe gosta dessa amplitude: “Há cervejas quase ao preço de uma cerveja industrial e há cervejas maturadas em barrica, com 10 ou 12% de álcool, para um apreciador diferente e para um momento diferente.” Entre as novidades, destaca uma criação da Letra em parceria com a Brighops, de Bragança, a BRABRA, que descreve como talvez “a cerveja mais portuguesa” que já produziram, com cerca de 95% de matérias-primas nacionais. Haverá ainda propostas mais fora da caixa, incluindo cervejas com inspiração em sabores de cocktail e um espaço dedicado a bebidas alternativas. Porque, no HOPEN, a pergunta deixou de ser apenas “que cerveja queres?”. Agora também pode ser: “e se não quiseres cerveja?”. Para quem bebe, para quem não bebe e para quem ainda não sabe Uma das grandes novidades desta edição é o stand dedicado a bebidas alternativas, cocktails de sidra com a DUURA, kombuchas, cervejas sem álcool e opções sem glúten. A ideia é simples e inteligente: ninguém fica de fora. “Sabemos que há muitos grupos de amigos que vêm ao HOPEN e não queremos que uma pessoa que não consuma álcool não se possa divertir”, explica Filipe. O festival lê, assim, uma mudança evidente no consumo: há mais curiosidade, mais moderação, mais restrições alimentares, mais vontade de experimentar sem ficar preso às categorias clássicas. Também por isso, a organização reforça a inclusão no recinto, com o Lounge Nova Arcada, pensado para pessoas com mobilidade reduzida, e um aumento de 30% no número de lugares sentados. Num festival onde se quer que as pessoas fiquem horas, conforto é parte da experiência. O Lounge conta ainda com atividades para os mais novos, como pinturas faciais, brindes e muita animação. A cerveja chega à cozinha de autor O momento mais esperado da programação gastronómica acontece na sexta-feira, às 19h, com o showcooking de António Loureiro, chef do restaurante A Cozinha, distinguido com Estrela Michelin. A presença do chef é uma espécie de declaração de intenções: a cerveja artesanal quer sentar-se à mesa da alta cozinha sem pedir desculpa. Filipe Macieira fala do chef com familiaridade e respeito. Conhecem-se há anos, antes ainda de A Cozinha se tornar uma referência. O convite, diz, foi aceite de imediato. “O facto de o António Loureiro ter aceitado este desafio serve também como encorajamento para outros chefs fazerem o mesmo.” A provocação é clara, se há cartas de vinho cuidadas, porque não cartas de cerveja artesanal produzida localmente? Para Filipe, a cerveja tem uma vantagem gastronómica pouco explorada. “Temos acidez, amargor, doçura, textura. A cerveja tem um potencial de harmonização brutal.” Além de António Loureiro, o programa inclui showcookings com a Cervelogia e Miguel Barbosa, do El Olivo, uma parceria entre a Alquimia Interiores e a Cerveja Letra. A isto junta-se uma das maiores áreas de street food de sempre do festival, com 14 operadores e sabores que prometem atravessar geografias, da pizza napolitana a propostas africanas, passando por comida de rua pensada para acompanhar copos, conversas e sunsets. Da app ao copo: tecnologia para beber melhor Para quem olha para uma lista de 200 cervejas e entra em pânico, há uma solução: a app do HOPEN. Nela, os visitantes podem consultar cervejas disponíveis, participar em quizzes, provas cegas, sorteios e usar uma ferramenta de sommelier com inteligência artificial. A ideia não é substituir o cervejeiro. É aproximar o visitante de um universo que, para muitos, ainda parece técnico ou intimidante. Filipe dá um exemplo saboroso, “imagina que alguém diz à app: ‘não gosto de cerveja, só gosto de vinho Alvarinho’. A app pode sugerir uma cerveja maturada em barrica, com notas vínicas, mais ácida, e encaminhar a pessoa para esse produtor.” Também pode funcionar com comida: “Quero comer pizza. Que cerveja aconselhas?” A tecnologia, aqui, não serve para tornar o festival frio. Serve para o tornar mais acessível. Música, Champions e crossfit cervejeiro O programa é quase uma pequena cidade dentro da cidade. Sexta-feira arranca com abertura às 16h, brinde com cervejeiros e entidades, apresentação sobre novas tecnologias no mercado da cerveja artesanal, cocktails sunset, showcooking, DJ set, concerto dos Memories Band e after party no Juno Bar. Sábado começa cedo para quem tiver coragem: às 11h há BrewFit, uma espécie de crossfit cervejeiro com a Rust CrossFit. Seguem-se o passeio Cycle Chic com a Braga Ciclável, apresentação de novas cervejas, quiz cervejeiro, showcooking, concerto dos Rejected Grants, DJ set e after party no Lustre. A final da Liga dos Campeões será transmitida no recinto no dia 30 de maio. Domingo desacelera sem perder ritmo: workshop para aprender a produzir cerveja em casa, sessão sobre aproveitamento de subprodutos cervejeiros, DJ set em vinil com Arrepiar Records Brasil, showcooking com El Olivo e Cerveja Letra, prova cega e concerto da Banda O.BRA. Filipe sublinha a diversidade do cartaz: “Por dia temos sempre um DJ que inicia o sunset e depois uma banda.” No domingo, a programação ganha também uma vibração brasileira, assumida pela organização como parte da cultura que já se vive em Braga. Um eco-evento com copos que voltam O HOPEN assume-se como eco-evento e volta a apostar nos copos de vidro reutilizáveis. Quem ainda tiver copos de edições anteriores pode levá-los e comprar apenas o selo necessário para degustar. Não é apenas uma medida prática, é memória material do festival. “Ainda tenho copos da edição de 2019 que uso regularmente”, conta Filipe. “Estou a interagir com a marca, estou a lembrar-me do festival.” A sustentabilidade vai mais longe. A organização elimina plásticos de uso único e promove uma lógica de economia circular aplicada aos resíduos cervejeiros. Este ano, haverá uma sessão dedicada à valorização de subprodutos como bagaço de malte e resíduos de lúpulo. Filipe fala em transformar esses resíduos em pão, bolachas, snacks, gelados ou nachos. “Muitas vezes, este aproveitamento traz valor acrescentado ao setor e permite escoar um subproduto.” E porque um festival mais sustentável também se constrói na forma como se chega até ele, o HOPEN reforça este ano a aposta na mobilidade responsável através de uma parceria com os Transportes Urbanos de Braga. Nos dias 29, 30 e 31 de maio, estará disponível a Tarifa Especial HOPEN: por apenas 1 euro, os passageiros sem passe poderão fazer a viagem de ida e volta, reduzindo carros na cidade e tornando o acesso ao festival mais simples, económico e amigo do ambiente. Braga no mapa, a dois minutos da estação O HOPEN também quer ser uma porta de entrada na cidade. A localização junto à estação de comboios ajuda: quem vem do Porto chega a Braga em cerca de 40 minutos e está no recinto poucos minutos depois. Para Filipe, isso é parte do crescimento do evento: “Sentimos que, de ano para ano, muita gente vem do Porto. É uma forma de exportar este festival.” No fundo, o HOPEN mostra uma Braga menos previsível. Uma cidade histórica que não vive apenas de pedra, igrejas e tradição, mas também de copos de vidro, música ao pôr do sol, chefs, produtores independentes e uma geração de consumidores mais curiosa. Entre uma cerveja portuguesa feita quase toda com matérias-primas nacionais, uma kombucha, uma pizza, uma prova cega, uma app que recomenda estilos e uma banda composta por investigadores de nanotecnologia, o HOPEN parece dizer que a cultura cervejeira já não é nicho. É território, mesa, rua e jardim. E, durante três dias, Braga bebe-se assim: devagar, com espuma, música e vontade de ficar. Informações práticas HOPEN – Braga Beer Festival 2026 Datas: 29, 30 e 31 de maio de 2026 Local: Jardim do Campo das Hortas, Braga, junto ao Arco da Porta Nova Entrada: gratuita Consumo: condicionado à utilização do copo oficial Horários: sexta-feira, 16h-02h; sábado, 15h-02h; domingo, 15h-24h Destaques: mais de 200 cervejas artesanais, 28 cervejeiras nacionais, showcookings, street food, concertos, DJ sets, final da Champions League, workshops, BrewFit, Cycle Chic, app com IA, bebidas sem álcool e sem glúten, lounge inclusivo e eco-evento. Três dias para brindar à amizade, ao som, ao sabor e à vida. Facebook: Hopen – Beer Festivals Instagram: @hopenbeerfestivals Morada fábrica Cerveja LETRA: Avenida Prof. Machado Vilela, nº 147 4730-684 Vila Verde Contacto: 964 212 951 Facebook: Cerveja LETRA Instagram: @cervejaletra Site: cervejaletra.pt “Vieram pelo desporto equestre e ficaram a viver em Portugal. 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