CLÍNICAS DENTÁRIAS “A boca é uma das primeiras testemunhas da qualidade do nosso sono” By Revista Spot | Agosto 1, 2026 Agosto 1, 2026 Share Tweet Share Pin Email A boca pode estar a contar, todas as noites, a história de como dormimos, respiramos e suportamos o stress. Dentes desgastados, dores de cabeça ao acordar, estalidos na mandíbula, tensão cervical ou um ressonar persistente são pistas que não terminam na cavidade oral. Edite Menezes construiu a sua prática precisamente a partir dessa leitura mais ampla: o que muda quando deixamos de tratar dentes isolados e começamos a observar a pessoa inteira? Especializada em Ortodontia, Oclusão, disfunções da articulação temporomandibular e apneia do sono, defende uma Medicina Dentária capaz de reconhecer aquilo que o sorriso nem sempre mostra. Na clínica que dirige, cruza diferentes áreas para compreender não apenas onde dói, mas porquê. Porque, muitas vezes, é na boca que o corpo começa a denunciar, silenciosamente, que alguma coisa deixou de funcionar em equilíbrio. O seu percurso levou-a a interessar-se por áreas como a oclusão, as disfunções da articulação temporomandibular e a apneia do sono. Como nasceu esta visão multidisciplinar da Medicina Dentária? A medicina dentária sempre me fascinou pela sua capacidade de transformar sorrisos, mas, ao longo da minha prática clínica, percebi que muitos problemas dos meus pacientes não terminavam nos dentes. Pessoas que procuravam tratamento por desgaste dentário, dores de cabeça, dores na face, estalidos na articulação ou dificuldade em dormir tinham, muitas vezes, uma origem comum relacionada com a oclusão, as disfunções da articulação temporomandibular ou até com perturbações do sono, como a apneia. Essa curiosidade levou-me a aprofundar conhecimentos nesta área, tendo realizado a especialização em Oclusão dentária, distúrbios da ATM e apneia do sono na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto. Esta formação permitiu-me compreender de forma ainda mais aprofundada a relação entre a mordida, a função da articulação temporomandibular, a qualidade do sono e a saúde geral dos pacientes. Foi precisamente nesse percurso que percebi que queria exercer uma medicina dentária mais abrangente, olhando para cada pessoa como um todo e não apenas para os dentes. A abertura da Clínica Médica e Dentária Dra. Edite Menezes nasceu dessa visão. Quis reunir diferentes áreas da saúde no mesmo espaço para proporcionar um acompanhamento multidisciplinar, onde os profissionais trabalham em conjunto e conseguem oferecer um diagnóstico mais completo e um plano de tratamento verdadeiramente integrado. A boca pode revelar detalhes sobre a forma como um paciente dorme? Sem dúvida. A boca pode revelar muito sobre a forma como dormimos. Muitas vezes, é durante uma consulta de rotina que identificamos sinais que o próprio paciente nunca associou ao sono. Desgaste dentário acentuado, fraturas frequentes de dentes ou restaurações, marcas na língua, sensibilidade dentária, tensão muscular, dores na mandíbula ou dores de cabeça ao acordar podem ser indicadores de bruxismo ou até de uma perturbação respiratória, como a apneia do sono. O médico dentista está numa posição privilegiada para detetar estes sinais precocemente, porque a cavidade oral é, muitas vezes, o primeiro local onde estas alterações se manifestam. Através de uma avaliação clínica detalhada, conseguimos identificar fatores de risco e, sempre que necessário, encaminhar o paciente para uma abordagem multidisciplinar, trabalhando em conjunto com outras especialidades médicas. Hoje sabemos que um sono de qualidade é fundamental para a saúde geral. Identificar sinais que podem estar a comprometer o descanso, a qualidade de vida e até a saúde cardiovascular do paciente, permitindo uma intervenção precoce que faz uma diferença significativa no seu bem-estar. Estamos a atribuir demasiado depressa o bruxismo ao stress? O stress é, sem dúvida, um fator importante e pode contribuir para o bruxismo, mas não deve ser encarado como a única explicação. Durante muitos anos, criou-se a ideia de que quem range ou aperta os dentes está simplesmente mais stressado, mas hoje sabemos que a realidade é muito mais complexa. O bruxismo é uma condição multifatorial. Pode estar associado ao stress e à ansiedade, mas também a alterações da qualidade do sono, perturbações respiratórias como a apneia obstrutiva do sono, determinados medicamentos, hábitos de vida e até a fatores neurológicos. Por isso, limitar o diagnóstico apenas ao stress pode atrasar a identificação da verdadeira causa e, consequentemente, o tratamento mais adequado. O papel do médico dentista é precisamente fazer essa avaliação global. Não nos limitamos a observar o desgaste dos dentes; procuramos compreender o contexto clínico do paciente, os seus hábitos de sono, a sua história médica e os sinais que possam indicar outras patologias. Ressonar continua a ser demasiado normalizado? Sim, acredito que o ressonar continua a ser demasiado normalizado. Embora nem todo o ressonar signifique que exista uma doença, nunca deve ser desvalorizado, sobretudo quando acompanhado de outros sintomas. Sinais como pausas na respiração durante o sono, engasgamentos ou despertares súbitos, sonolência excessiva durante o dia, cansaço ao acordar, dores de cabeça matinais, dificuldade de concentração ou hipertensão arterial podem levantar a suspeita de apneia obstrutiva do sono, uma patologia que, quando não tratada, pode ter consequências importantes para a saúde cardiovascular, metabólica e para a qualidade de vida. O diagnóstico é confirmado através de um estudo do sono, como a polissonografia ou a poligrafia respiratória, e deve envolver uma abordagem multidisciplinar. Dependendo de cada caso, podem participar médicos especialistas em Medicina do Sono, Pneumologia, Otorrinolaringologia, Neurologia e Medicina Dentária. O médico dentista tem um papel fundamental, quer na deteção precoce dos sinais de alerta durante a consulta, quer no tratamento de doentes com apneia obstrutiva do sono ligeira a moderada ou daqueles que não toleram a terapia com CPAP. Nestes casos, os dispositivos de avanço mandibular, quando corretamente indicados e ajustados, podem ser uma solução eficaz, melhorando a permeabilidade das vias aéreas durante o sono. Cada vez mais, a medicina dentária assume um papel que vai além da saúde oral. Ao identificarmos precocemente sinais de perturbações do sono e trabalharmos em equipa com outras especialidades, conseguimos contribuir para um diagnóstico atempado e para uma melhoria significativa da saúde e da qualidade de vida dos nossos pacientes. Quando é que uma alteração da mordida deixa de ser apenas um problema dentário? A mordida deixa de ser apenas um problema dentário quando começa a comprometer a função e o bem-estar do paciente. A oclusão não diz respeito apenas à forma como os dentes encaixam, mas ao equilíbrio de todo o sistema mastigatório, que envolve os dentes, os músculos da mastigação, a articulação temporomandibular e até a forma como respiramos e engolimos. Ao longo do meu percurso académico procurei aprofundar precisamente esta visão integrada da medicina dentária. Realizei o Mestrado em Ortodontia, que me permitiu compreender de forma aprofundada a influência da posição dos dentes e dos maxilares na função, na estabilidade da mordida e na saúde oral. Posteriormente, especializei-me em Oclusão dentária consolidando conhecimentos sobre a relação entre a mordida, a articulação temporomandibular, a função muscular e as perturbações do sono. Quando este equilíbrio é alterado, podem surgir sintomas como desgaste dentário, fraturas frequentes de dentes ou restaurações, dores musculares na face, limitação na abertura da boca, estalidos ou dor na articulação temporomandibular, dores de cabeça e dificuldade em mastigar. Muitas vezes, os pacientes convivem com estes sintomas durante anos sem imaginarem que a origem pode estar na forma como o seu sistema mastigatório funciona. Hoje acredito que a medicina dentária não deve limitar-se a tratar dentes isoladamente. O nosso objetivo é compreender a causa dos problemas e devolver equilíbrio e função. Quando conseguimos restabelecer uma oclusão estável e funcional, não estamos apenas a melhorar a mastigação. Estamos a aliviar dor, a proteger os dentes do desgaste, a preservar a articulação temporomandibular e, em muitos casos, a melhorar significativamente a qualidade de vida dos nossos pacientes. Quantas dores passam por diferentes especialidades antes de chegarem à articulação temporomandibular? Infelizmente, muitas. É frequente recebermos pacientes que passaram por várias especialidades antes de se identificar a articulação temporomandibular como a origem dos seus sintomas. Consultam o médico de família, o otorrinolaringologista por dor junto ao ouvido, o neurologista por dores de cabeça, o fisioterapeuta por tensão cervical, sem imaginarem que todos estes sinais podem estar relacionados com uma disfunção da ATM. Isto acontece porque as disfunções da articulação temporomandibular manifestam-se de formas muito diferentes e os sintomas são, muitas vezes, semelhantes aos de outras patologias. Dor facial, estalidos ao abrir ou fechar a boca, limitação dos movimentos mandibulares, dificuldade em mastigar, dores de cabeça, tensão nos músculos da face e do pescoço ou até zumbidos podem ter origem na ATM, mas nem sempre essa hipótese é considerada numa fase inicial. Acredito que o grande desafio passa por aumentar a sensibilização para estas patologias e reforçar a colaboração entre especialidades. Quanto mais cedo identificarmos uma disfunção da ATM, maior é a probabilidade de conseguirmos um tratamento eficaz, menos invasivo e com um impacto muito positivo na qualidade de vida do paciente. Afinal, a dor nunca deve ser encarada como normal, e ouvir atentamente o paciente continua a ser o primeiro passo para um diagnóstico correto. Podemos ter dentes perfeitamente alinhados e uma boca que não funciona bem? Sem dúvida. Podemos ter dentes perfeitamente alinhados e, ainda assim, uma boca que não funciona de forma equilibrada. Um sorriso bonito é importante, mas a estética, por si só, não garante saúde nem estabilidade a longo prazo. Ao longo do meu percurso, compreendi que um tratamento de excelência deve começar pela função. Antes de alinharmos dentes, devemos perceber como o paciente mastiga, como os dentes contactam entre si, como funciona a articulação temporomandibular, qual o padrão respiratório e se existem hábitos ou alterações que possam comprometer a estabilidade do tratamento. Hoje sabemos que um sorriso bonito só é verdadeiramente bem-sucedido quando assenta numa mordida funcional e equilibrada. Se tratarmos apenas aquilo que se vê, sem compreender a forma como todo o sistema funciona, corremos o risco de surgirem recidivas, desgaste dentário, dor muscular ou articular e até dificuldades na mastigação. Na minha prática clínica, procuro sempre conjugar estética, função e saúde. Esse é o verdadeiro conceito de um sorriso saudável: um sorriso bonito, mas também funcional, equilibrado e capaz de promover uma melhor qualidade de vida. A clínica reúne áreas como Fisioterapia, Osteopatia, Psicologia, Nutrição e Terapia da Fala. O que muda quando o médico dentista deixa de trabalhar sozinho? Acredito que a medicina atual deve ser cada vez mais colaborativa. Nenhum profissional, por mais experiente que seja, consegue responder sozinho a todas as necessidades de um paciente. Foi precisamente essa convicção que esteve na origem da Clínica Médica e Dentária Dra. Edite Menezes. A abordagem multidisciplinar faz toda a diferença. A colaboração com a fisioterapia e a osteopatia pode ser essencial na reabilitação muscular e postural; a terapia da fala desempenha um papel importante em alterações da deglutição, da respiração e das funções orais; a psicologia pode ajudar a controlar fatores emocionais que influenciam o bruxismo e a dor crónica; e a nutrição contribui para a saúde geral e para hábitos que favorecem o sucesso dos tratamentos. Quando diferentes profissionais partilham conhecimento e trabalham em conjunto, conseguimos compreender o paciente na sua globalidade e não apenas tratar um sintoma. Muitas vezes, aquilo que parece ser apenas um problema dentário é apenas uma parte de uma realidade muito mais complexa. Essa é a identidade da nossa clínica: colocar o paciente no centro de uma equipa multidisciplinar, onde cada profissional acrescenta valor ao diagnóstico e ao tratamento. Acredito que é esta integração de conhecimentos que nos permite oferecer cuidados mais completos, personalizados e com resultados mais consistentes e duradouros. Nas crianças, que sinais podem revelar que a boca, a respiração e o sono não estão a evoluir de forma equilibrada? Nas crianças, é fundamental perceber que a boca, a respiração, a mastigação e o sono estão profundamente interligados. Muitos sinais que parecem pequenos ou passageiros podem ser importantes pistas de que algo não está a evoluir de forma equilibrada. A respiração oral, o ressonar frequente, um sono agitado, despertares durante a noite, transpiração excessiva enquanto dorme, dificuldade em manter a atenção durante o dia, cansaço, alterações na postura, dificuldades na mastigação, fala ou deglutição podem ser sinais de alerta. Também algumas alterações no crescimento dos maxilares, como uma mordida aberta, mordida cruzada ou um palato mais estreito, podem estar relacionadas com padrões respiratórios e funcionais inadequados. A diferença entre uma caraterística normal do desenvolvimento e uma situação que necessita de intervenção está, sobretudo, na persistência dos sinais e no impacto que têm na qualidade de vida da criança. A avaliação precoce permite identificar fatores que podem influenciar o crescimento facial, a posição dos dentes, a mastigação, a respiração e até o desempenho escolar e o bem-estar emocional. O papel do médico dentista, especialmente com formação em ortodontia e oclusão, é reconhecer estes sinais, acompanhar o desenvolvimento e, quando necessário, trabalhar em conjunto com outras áreas, como otorrinolaringologia, terapia da fala, fisioterapia e outras especialidades. Na infância, intervir no momento certo pode fazer uma grande diferença. O objetivo não é apenas corrigir dentes, mas permitir que a criança cresça com uma respiração adequada, uma função equilibrada e uma melhor qualidade de vida. O que precisa de mudar para que a boca seja reconhecida também como uma fonte de informação sobre o sono, a respiração, a dor e a saúde global? Durante muitos anos, a medicina dentária foi associada sobretudo ao tratamento da dor, das cáries ou de problemas visíveis. Embora essa intervenção continue a ser essencial, acredito que precisamos de evoluir para uma visão mais preventiva e integrada, em que a consulta de medicina dentária seja também uma oportunidade para avaliar a saúde global do paciente. A cavidade oral é uma verdadeira janela para o organismo. Através de sinais como desgaste dentário, alterações da mordida, tensão muscular, limitações da articulação temporomandibular, padrões respiratórios, alterações na deglutição ou sinais associados ao sono, o médico dentista pode identificar situações que vão muito além dos dentes. Essa mudança passa por educar os pacientes para que percebam que uma consulta não deve acontecer apenas quando existe dor. A prevenção, o diagnóstico precoce e a avaliação da função são fundamentais para evitar problemas mais complexos no futuro. Ao longo do meu percurso, fui consolidando esta visão: a boca não funciona de forma isolada. Está ligada à respiração, ao sono, à postura, à mastigação e ao equilíbrio de todo o organismo. É também por essa razão que acredito tanto numa abordagem multidisciplinar. Quando diferentes áreas trabalham em conjunto, conseguimos compreender melhor cada paciente e oferecer respostas mais completas. O futuro da medicina dentária passa por deixarmos de olhar apenas para dentes e começarmos a olhar para pessoas. Uma boca saudável não é apenas aquela que não tem dor; é uma boca que funciona bem, que contribui para o bem-estar e que nos pode dar sinais importantes sobre a saúde geral do paciente. Morada: Rua ferreira de castro, 105 Contacto: 917 625 911 (chamada para a rede móvel nacional) Instagram: @clinica.editem Facebook: Clínica Médica e Dentária Dra Edite Menezes Ricardo Costa: “É quando tudo corre bem que mais precisamos de recordar de onde viemos” “Porque é que as mulheres que nunca se permitem falhar acabam tantas vezes por perder o controlo à mesa?”
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