SAÚDE Ana Azevedo lançou a Digital Care a agência de marketing digital especializada em saúde e bem-estar By Revista Spot | Dezembro 9, 2025 Dezembro 16, 2025 Share Tweet Share Pin Email Há momentos em que a clareza surge de forma inesperada. Para Ana Azevedo, aconteceu no instante em que percebeu que a comunicação digital na área da saúde não refletia o rigor, a empatia e a responsabilidade que diariamente se vivem ao balcão de uma farmácia ou dentro de uma clínica. Havia um desfasamento evidente entre o cuidado presencial e a forma como esse cuidado era traduzido online. Foi nesse espaço que nasceu a Digital Care: uma agência que olha para a saúde e o bem-estar não como tendências, mas como territórios que exigem precisão, sensibilidade e autenticidade. Ao unir design, estratégia e profundo conhecimento do setor, Ana criou um modelo de comunicação que eleva marcas, profissionais e projetos, devolvendo-lhes voz, coerência e propósito. A Digital Care afirma-se, assim, como uma nova forma de comunicar saúde: mais humana, mais pensada e, acima de tudo, mais responsável. Quando o cuidado da saúde chegou ao digital Designer gráfica de formação e “criativa desde sempre”, como gosta de dizer, Ana Azevedo nunca imaginou que o seu propósito profissional nasceria de uma simples encomenda online numa farmácia. Numa conversa improvável entre amigas, à porta do armazém da GoFarma, lançou quase em tom de brincadeira a frase que mudaria o seu percurso. Não podia prever que, apenas um mês depois, a 3 de março de 2022, estaria a integrar a equipa da Farmácia Pipa e da GoFarma, mergulhando num universo que desconhecia, mas onde viria a descobrir a combinação perfeita entre criatividade, estratégia e cuidado. Nunca tinha trabalhado em farmácias. Em poucas semanas parecia que sempre lá tinha estado. “Eu conhecia as marcas todas, interessava-me por perceber detalhadamente cada produto das áreas de dermocosmética, suplementação, OTC, puericultura. De repente, já estava a fazer formações de lançamento de produtos para entender mesmo tudo.” Foi aí que percebeu duas coisas fundamentais: a complexidade do negócio das farmácias e o contraste entre o cuidado ao balcão e a incoerência do digital. “Onde havia empatia, escuta e proximidade na vida real, havia desorganização, ruído e ausência de identidade no digital”, partilha. A janela digital das farmácias Enquanto desenhava campanhas e materiais, Ana começou a olhar com atenção para o Instagram das farmácias. E o diagnóstico não deixou margem para dúvidas. “Empatia zero, design zero, profissionalismo zero. As farmácias são delicadas, queridas, recebem-nos quase como psicólogos e depois vamos à página e aquilo não transmite nada. Transmite desorganização”, resume. Daqui nasce a semente da Digital Care: fazer da presença digital das farmácias e marcas de saúde uma extensão coerente do cuidado que já existe no espaço físico. “Eu costumo dizer que o Instagram é a janela digital da farmácia. Se entrasse numa farmácia e tivesse os produtos todos misturados, sem lógica, eu estranharia. No digital é igual. Quero que a ‘casa digital’ seja tão organizada, leve e clean quanto a farmácia física.” Clean, coerente, com propósito. Num mundo em que a atenção é um bem escasso, a estratégia de Ana passa por reduzir ruído e aumentar clareza. “Um feed cheio de barulho visual não transmite confiança.” Rebranding estratégico: fazer com as marcas voltem a respirar Na Digital Care, o rebranding não é um capricho estético. É quase reabilitação clínica de marca. “Chegou-me uma farmácia que tinha trabalhado com outra agência e sentia que as redes tinham morrido. Um post aqui, outro ali, zero coerência. A pergunta foi: ‘E agora, Ana, o que é que fazemos?’ A resposta foi simples: vamos reerguer isto”, conta. O processo começa quase sempre pelo essencial: identidade. “Começo pelo logotipo, pelas cores, pela linha gráfica. Depois construo conceito, tom de voz, propósito. Muitos negócios já existem há anos, eu não os invento, no fundo pego no melhor que têm e dou-lhes ‘os melhores nutrientes’ para crescerem de forma saudável.” Rebranding, aqui, é devolver alma a uma marca que perdeu voz. “O que faz hoje uma marca voltar a respirar é coerência, verdade e coragem para se reposicionar. Quando a comunicação volta a alinhar com o que realmente se faz dentro da empresa, tudo muda.” “Daqui nasce a semente da Digital Care: fazer da presença digital das farmácias e marcas de saúde uma extensão coerente do cuidado que já existe no espaço físico” Entre literacia e venda: comunicar sem perder ética Saúde e bem-estar são áreas sensíveis. Não basta comunicar, é preciso saber como comunicar. Ana recusa a lógica do “post por post” ou da campanha gritante que cansa em vez de informar. “Só campanhas, campanhas, campanhas… isso não funciona. Podemos vender, mas temos de acrescentar valor. Em vez de dizer ‘promoção da vitamina C’, eu prefiro um conteúdo do género: ‘Que suplementos devo tomar nesta altura do ano?’ E depois apresento os produtos, explico, educo. A venda está lá, mas vem embrulhada em literacia.” É aqui que a fronteira entre marketing e ética se torna crítica, sobretudo no trabalho com médicos, clínicas de harmonização facial, psicólogos ou outros profissionais de saúde. “Na saúde temos de ter muita sensibilidade. Eu ‘leio’ a pessoa. Pelo perfil, já sei que tipo de linguagem gráfica, que tom, que exposição faz sentido. Há médicos que querem rosto, há outros que não. O meu trabalho passa por respeitar a ética deles e, ao mesmo tempo, traduzir o seu valor para o público.” Para muitos profissionais que têm medo de “se vender”, a Digital Care funciona como intérprete. Não se trata de transformar o médico num influencer, mas de lhe dar uma identidade digital alinhada com a sua prática clínica. Empatia como vantagem competitiva Num mercado saturado de informação, Ana acredita que a empatia é, de facto, um novo luxo do marketing, sobretudo em saúde. “Eu gosto de humanizar as páginas. Quando faz sentido, mostrar a farmacêutica, a médica, a equipa. As pessoas confiam em rostos, não em logotipos. E também quero que os meus clientes sintam isso na relação comigo: todos sabem quem é a Ana, falam comigo diretamente. Não são ‘mais um’ numa agência.” Mais do que prestação de serviço, Ana insiste numa lógica de parceria. Reúne regularmente com clientes para ouvir ideias, dúvidas, intuições. “Digo-lhes: mandem-me ideias, mesmo as que acham ridículas. Eu escuto, traduzo e transformo em comunicação. É assim que a marca fica viva.” A identidade da Digital Care cabe, para ela, numa frase: “Quero que olhem para a Digital Care como uma mais-valia e um membro da equipa, alguém em quem podem confiar para cuidar da marca, como eles cuidam das pessoas.” Inteligência artificial Na era da automação e da inteligência artificial, a tentação de substituir criatividade por ferramentas rápidas é grande. “Para mim a inteligência artificial não é inimiga nem salvadora. É uma ferramenta. Se for bem usada, ajuda imenso; se for mal usada, cria a ilusão de que tudo se faz sozinho e não faz.” Na Digital Care, a tecnologia entra como apoio: ideias, automatização, moodboards. Nunca como substituto da sensibilidade, da leitura do cliente, do contexto ético e emocional em que se comunica saúde. “Não se trata de transformar o médico num influencer, mas de lhe dar uma identidade digital alinhada com a sua prática clínica” Uma agência boutique, remota e sem fronteiras A Digital Care nasceu oficialmente quando Ana decidiu despedir-se e dedicar-se a 100% ao projeto, em maio deste ano. Desde então, cresceu, mas com um princípio inegociável: crescer mantendo a proximidade e a essência. “Quero muito que isto cresça, tenho metas claras, mas não quero uma estrutura pesada e distante. Quero que a Digital Care seja uma família digital.” Hoje, trabalha com farmácias, ginásios, clínicas de estética, clínicas de referência e projetos de marca pessoal em vários pontos do país. A equipa é híbrida e distribuída. “Tenho equipas espalhadas por todo o país. Prova que não precisamos de estar todos no mesmo código postal para crescermos juntos.” Clientes, também, podem estar em qualquer lugar. Se for preciso deslocar-se, Ana vai. Se não for, o digital faz o resto. O futuro: vídeo, marca pessoal e coerência À noite, quando o dia já pedia pausa, Ana encontra-se muitas vezes a ver feeds, páginas, referências internacionais. “Gosto de ver como estão a apresentar produtos, que linguagem se está a usar. Ter vários clientes na mesma área obriga-me a ser mais criativa, a diversificar ângulos, a evitar repetições.” Vê o vídeo como tendência incontornável, sobretudo em saúde, onde mostrar pessoas, vozes e processos aumenta a confiança. “O vídeo humaniza. Uma imagem estática pode ser poderosa, mas o movimento aproxima. Gosto de misturar: um post mais técnico, outro mais emocional, alternância entre produto e serviço, sempre com storytelling.” Outra grande frente de futuro é a marca pessoal na saúde. “Há uma lacuna enorme. Muitos médicos excelentes têm pouca ou nenhuma presença digital trabalhada. As pessoas perguntam ‘conheces um bom cirurgião?’ e a resposta ainda depende demasiado do passa-palavra. A marca pessoal bem feita pode mudar isso.” Talvez o que torna a Digital Care especialmente credível no universo da saúde seja a forma como Ana espelha, na própria vida, o que comunica. “Se represento saúde e bem-estar, também eu tenho de estar bem”, diz. Fala de terapia quinzenal, de quatro idas ao ginásio por semana, de uma atenção constante ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional. “Consegui conciliar a minha vida pessoal com a profissional. Estão coerentes. E isso, para mim, é fundamental.” “Outra grande frente de futuro é a marca pessoal na saúde. Muitos médicos excelentes têm pouca ou nenhuma presença digital trabalhada” Mais do que métricas, confiança No fim, a métrica que realmente importa não cabe num dashboard. As relações prolongam-se, ganham intimidade, mudam à medida que o próprio setor da saúde e bem-estar se transforma. A Digital Care acompanha, adapta, reescreve, recomeça. Se tivesse de resumir o que quer que cada projeto transmita, mais do que likes ou alcance, Ana responde sem hesitar: “Quero que quem veja sinta confiança. Que perceba que aquela marca cuida, é organizada, é humana. E que saiba que, por trás, há alguém a tratar da janela digital com o mesmo detalhe com que eles tratam das pessoas.” É, no fundo, isso que torna esta agência diferente: num mundo de ruído, a Digital Care não se limita a comunicar, cuida. Instagram: digitalcare_agency A Dona Petisca diz olá ao Inverno com o lançamento de uma francesinha, as míticas papas de sarrabulho e segredos de Natal que aquecem a alma “A importação automóvel aumentou em Portugal e, em 2025, a eletrificação e a digitalização reinventaram o setor”
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