SAÚDE “Algumas técnicas de harmonização facial têm também uma função terapêutica importante, aliviando desconfortos como o bruxismo ou sorriso gengival” By Revista Spot | Julho 31, 2025 Julho 31, 2025 Share Tweet Share Pin Email Hoje, a ortodontia já não é apenas sobre sorrisos alinhados ou estética. É uma ciência integrada que liga mastigação, respiração e postura numa dinâmica complexa que influencia todo o organismo. Dentes desalinhados afetam não só a boca, mas também o equilíbrio muscular, a saúde das articulações e o desenvolvimento facial. A respiração oral, por exemplo, pode alterar o crescimento ósseo e provocar problemas que vão muito além do aspeto do sorriso. Nesta entrevista, com Mariana Amorim, médica dentista com especialização em ortodontia e harmonização orofacial, falamos de tratamentos que priorizam a função antes da estética, de tecnologias 3D que antecipam resultados e de cuidados multidisciplinares que transformam vidas. Hoje em dia, a ortodontia ultrapassa a questão estética. Como é que a função mastigatória, a respiração e até a postura estão interligadas com o alinhamento dentário? Todos estes fatores estão profundamente interligados com o alinhamento dentário e têm impacto direto não só na saúde oral, mas na saúde como um todo. Dentes desalinhados dificultam uma mastigação eficiente, o que pode provocar sobrecarga muscular e articular. A respiração pela boca, bastante comum em crianças, altera a posição da língua e pode comprometer o crescimento adequado dos ossos da face, conduzindo a deformações e a problemas de oclusão. Também a postura, sobretudo da cabeça e do pescoço, interfere na posição da mandíbula e da língua, influenciando o desenvolvimento e o encaixe dos dentes. Na sua prática, como conjuga a ortodontia com a harmonização facial? A combinação entre ortodontia e harmonização facial deve ser feita com rigor, ética e personalização, respeitando sempre a individualidade e a beleza natural de cada rosto. O ideal é começar por corrigir a função, alinhamento dentário, oclusão, postura, através da ortodontia. Só depois, e se necessário, é que se deve ponderar uma intervenção estética complementar, discreta e harmoniosa. Tudo deve ser feito com critério, sem excessos, com o objetivo de valorizar traços naturais e promover equilíbrio, nunca transformar ou descaraterizar. Há uma crescente preocupação com a estética facial em idades cada vez mais jovens. De que forma a ortodontia preventiva pode contribuir para um desenvolvimento facial equilibrado e saudável desde cedo? A ortodontia preventiva, iniciada ainda na infância, desempenha um papel essencial ao orientar o crescimento ósseo e muscular da face. Permite corrigir precocemente hábitos prejudiciais, como a respiração oral, a sucção do dedo ou o uso prolongado da chupeta, que podem comprometer o desenvolvimento adequado das estruturas faciais. Ao atuar de forma precoce, promove-se um crescimento mais harmonioso, contribuindo para uma estética facial natural e saudável desde os primeiros anos de vida. Esta intervenção pode evitar problemas mais graves no futuro, como, por exemplo, a necessidade de cirurgia ortognática. Em que casos considera fundamental uma abordagem multidisciplinar para alcançar resultados realmente transformadores? A abordagem multidisciplinar é essencial em situações mais complexas, que envolvam alterações esqueléticas, dificuldades respiratórias, distúrbios da fala, hábitos orais persistentes ou preocupações estéticas marcadas. Nestes casos, a colaboração entre ortodontista, pediatra, otorrinolaringologista, terapeuta da fala, entre outros profissionais, permite uma avaliação mais abrangente e um plano de tratamento integrado, eficaz e verdadeiramente transformador. Um exemplo particularmente exigente é o da fenda lábio-palatina, uma malformação congénita que exige o acompanhamento conjunto de cirurgião, ortodontista, terapeuta da fala, otorrino e psicólogo, assegurando não apenas o equilíbrio funcional e estético, mas também o bem-estar emocional da criança. Quais os riscos da banalização da harmonização facial em mãos não médicas? Que critérios o público deve ter em mente na hora de escolher um profissional? A banalização da harmonização facial, sobretudo quando realizada por profissionais não médicos, representa um risco significativo para a saúde e segurança dos pacientes. Procedimentos como a aplicação de toxina botulínica ou preenchimentos com ácido hialurónico exigem um conhecimento profundo da anatomia facial, domínio técnico apurado e capacidade para agir prontamente em caso de complicações, competências que só médicos devidamente formados e certificados possuem. Os riscos incluem infeções, reações adversas, obstrução vascular que pode levar a necroses ou mesmo cegueira, assimetrias faciais e resultados estéticos indesejados ou permanentes. Além disso, a ausência de acompanhamento clínico adequado pode agravar estas complicações. Ao escolher um profissional, o público deve confirmar que este é médico com formação específica em medicina estética, inscrito na Ordem dos Médicos ou na Ordem dos Médicos Dentistas, conforme o caso. É igualmente fundamental avaliar a experiência, a reputação, os resultados anteriores e assegurar a utilização de produtos aprovados pelas autoridades de saúde. A harmonização facial pode oferecer benefícios estéticos e funcionais, mas deve ser sempre realizada com responsabilidade, conhecimento e máxima segurança. A ortodontia invisível ganhou destaque nos últimos anos. Além da estética, que vantagens e limitações observa nesta tecnologia em termos de saúde oral e funcionalidade? A ortodontia invisível, realizada através de alinhadores transparentes, é uma opção eficaz e muito apreciada pelo seu caráter discreto, mas, na minha opinião, não substitui em todos os casos os aparelhos convencionais. Entre as suas vantagens estão a discrição, a possibilidade de remoção para higiene oral facilitada, maior conforto em comparação com aparelhos fixos, menor risco de lesões na cavidade oral e maior liberdade alimentar. As consultas tendem a ser mais rápidas e espaçadas, o que pode ser um benefício adicional para muitos pacientes. Contudo, as limitações passam pela menor eficácia em casos ortodônticos mais complexos, a necessidade de um uso disciplinado, cerca de 22 horas por dia, e o risco de perda ou dano dos alinhadores. Além disso, o controlo de certos movimentos dentários mais exigentes é, por vezes, mais limitado face aos aparelhos fixos, embora ainda seja possível obter bons resultados com planeamento adequado. Como vê o futuro da harmonização facial? A inteligência artificial e os scanners 3D já estão a mudar a forma como se planeiam tratamentos? O futuro da harmonização facial promete ser cada vez mais preciso, seguro e personalizado. A inteligência artificial e os scanners 3D já estão a revolucionar o planeamento dos tratamentos, permitindo análises faciais detalhadas e simulações realistas dos resultados finais, algo que os pacientes valorizam muito, pois podem visualizar previamente as alterações. Estas tecnologias aumentam a previsibilidade, minimizam riscos e contribuem para resultados mais naturais e eficazes, adaptados a cada rosto. Certas técnicas de harmonização, como o preenchimento labial ou a toxina botulínica, podem ter também uma função terapêutica, por exemplo, no bruxismo ou sorriso gengival? Algumas técnicas de harmonização facial, como o preenchimento labial e a aplicação de toxina botulínica (Botox), vão muito além do âmbito estético e têm também uma função terapêutica importante. No caso do bruxismo, a toxina botulínica é aplicada nos músculos da mastigação, especialmente no masseter, reduzindo a força excessiva com que o paciente range os dentes. Isto alivia dores, protege os dentes e as articulações temporomandibulares. Também pode ser utilizada para corrigir o sorriso gengival, ao controlar a elevação excessiva do lábio superior, equilibrando o sorriso e reduzindo a exposição da gengiva. O ácido hialurónico, usado no preenchimento labial e perioral, pode corrigir assimetrias funcionais, melhorar o selamento dos lábios, essencial em casos de respiração oral ou dificuldades na fala, e até aliviar desconfortos em pessoas com lábios finos ou retraídos. Assim, quando aplicadas por profissionais qualificados, estas técnicas melhoram não só a estética, mas também a funcionalidade e o conforto do paciente. Em que medida a autoestima e a saúde emocional dos pacientes se transformam ao longo do processo ortodôntico e estético? Há algum caso que a tenha marcado especialmente? Ao longo do tratamento ortodôntico e estético, é comum observar uma melhoria significativa na autoestima e na saúde emocional dos pacientes. À medida que o sorriso e a harmonia facial se vão ajustando, os pacientes sentem-se mais confiantes e satisfeitos com a sua imagem, o que se traduz numa maior facilidade em contextos sociais e numa autoestima reforçada. Esta transformação impacta positivamente o seu bem-estar emocional e a qualidade de vida. Recordo-me, por exemplo, de uma paciente que sofria de transtornos relacionados com a sua autoimagem. Em paralelo com o acompanhamento psiquiátrico adequado, e com alguns tratamentos estéticos que realizei, conseguimos, com toda a delicadeza necessária, melhorar a sua confiança e autoestima, levando-a a socializar novamente, algo que não fazia há vários anos. Foi um caso particularmente marcante, pois conseguimos ajudar a transformar a vida dessa pessoa para melhor. Que mensagem deixaria a quem deseja melhorar o sorriso ou a harmonia facial, mas tem receio de parecer artificial ou mudar demasiado? Melhorar o sorriso ou a harmonia facial não significa, nem deve significar, recorrer a resultados exagerados ou artificiais. Hoje em dia, os tratamentos são cada vez mais naturais, personalizados e focados na valorização da beleza individual. Gostaria de destacar a importância da medicina estética regenerativa, um campo que tem ganho grande relevância e que defendo com entusiasmo. Em vez de alterar traços de forma exagerada, como era comum no passado com preenchimentos abundantes, esta abordagem estimula a regeneração natural da pele e dos tecidos, respeitando a fisionomia única de cada pessoa. Assim, conseguimos alcançar um rejuvenescimento equilibrado, subtil e harmonioso, sem excessos nem aparência artificial. O objetivo é SEMPRE realçar a beleza individual, respeitando as caraterísticas próprias de cada paciente, ajudando-o a alcançar a sua melhor versão. Instagram: @dra_mariana_amorim | @ortodontia_marianaamorim Há 10 anos, esta healthtech de Braga mudou a forma como se consome saúde em Portugal “Com apenas uma agulha, ecografia de alta precisão e a técnica certa podemos transformar a qualidade de vida de um doente”
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