PRONUNCIA DO NORTE/Restaurantes Alex Davico: O arquiteto que ensinou Braga a saborear uma Itália de verdade By Revista Spot | Agosto 8, 2025 Agosto 8, 2025 Share Tweet Share Pin Email No coração de Braga pulsa uma Itália autêntica viva, imperfeita, apaixonada. Alex Davico, arquiteto antes de ser empresário da restauração, não abriu um restaurante. Criou um universo. O La Piola não nasceu para agradar, mas para ser fiel: aos ingredientes, às histórias, ao calor de uma casa italiana onde se come devagar e se vive depressa. Recusou atalhos. Não adaptou receitas, educou paladares. O espaço é mais do que bonito, tem alma, a equipa é família e a experiência, mais que gastronómica, é sensorial. Alex não gere um negócio, cultiva uma cultura. Fala de food cost com a mesma paixão com que fala de tomates San Marzano. Porque aqui, números convivem com intuição. Sonha com formatos nómadas, produtos próprios, talvez. Mas sempre com uma certeza: o futuro da restauração é humano, sensível e real. E começa numa mesa onde se partilha mais do que comida partilha-se tempo. Como se constrói uma experiência italiana que já se fundiu com a alma de Braga? A decisão mais importante foi manter-nos fiéis à autenticidade da cozinha italiana. Desde o início que resistimos à tentação de adaptar os pratos ao paladar local. Apostámos numa experiência 100% italiana, tanto nos ingredientes como na atmosfera. Investimos continuamente no espaço, tornando-o acolhedor e fiel à ideia de uma verdadeira casa italiana. E nunca descuramos a formação da equipa, a qualidade dos produtos e a inovação cuidada, porque acreditamos que a consistência constrói marcas duradouras. O que define hoje o La Piola? A identidade do La Piola assenta na autenticidade, na simplicidade bem feita e no espírito familiar. Queremos que os clientes se sintam acolhidos, como se estivessem em casa de amigos em Itália. Mais do que uma refeição, oferecemos uma viagem sensorial, com sabores, aromas e um ambiente que remete às tradições italianas. Valorizamos a verdade dos sabores, o respeito pelas origens e a partilha genuína à mesa. A restauração é um projeto inacabado? Penso que esse mindset vem da minha formação enquanto artista plástico e arquiteto. Sempre tive uma visão integrada, onde tudo está ligado: o espaço, o funcionamento, a experiência das pessoas. Quando abri o La Piola, percebi que não bastava ter uma boa ementa. Era preciso criar um conceito com identidade, pensar no negócio como um todo: da equipa aos fornecedores, da comunicação à operação diária. A restauração é muito mais do que servir refeições, é criar uma cultura. Que propósito o move atualmente? O meu propósito é levar as pessoas a conhecerem a verdadeira Itália através da comida, mas também inspirar uma forma mais consciente de estar na restauração. O La Piola tem uma dimensão cultural, porque traz para Braga produtos e tradições que muitas vezes não são conhecidos. Além disso, procuramos ter um impacto positivo no dia a dia da nossa equipa e da comunidade, com práticas responsáveis e uma gestão mais humana. Quais são os maiores desafios enquanto gestor? O maior desafio é compreender e acompanhar essa mudança de mentalidade. A nova geração procura equilíbrio, propósito e valorização. Temos vindo a ajustar a nossa forma de liderar, apostando numa comunicação aberta, valorizando o contributo individual e investindo em formação. É mais desafiante, mas também mais enriquecedor, porque permite criar equipas mais coesas e motivadas. Tenho a sorte de contar com uma equipa estável, o que é raro no setor. O chef João e o Miguel, responsável da sala, estão ao meu lado há quase uma década, e essa continuidade tem sido essencial. Conhecemo-nos bem, partilhamos uma visão e trabalhamos com respeito e espírito de entreajuda. Claro que os desafios atuais existem, novas expectativas, maior procura por equilíbrio, mas isso reforça ainda mais a importância de construir relações duradouras e oferecer boas condições para que as pessoas queiram ficar. No fundo, liderar bem é cuidar bem das pessoas. Porquê apenas Braga e não outros locais? O La Piola tem uma alma muito própria, difícil de replicar em escala sem perder autenticidade. Estamos abertos a explorar formatos mais pequenos, eventos ou experiências pop-up, desde que consigamos manter o mesmo nível de exigência e qualidade. O crescimento só faz sentido se for coerente com os nossos valores. Há indicadores de performance que não podem faltar no seu dia a dia? Acompanho indicadores como o ticket médio, a rotação de mesas, o controlo do food cost, a rentabilidade dos pratos e, claro, a satisfação do cliente: tanto presencialmente como nas plataformas digitais. Mas também damos grande importância à atmosfera da casa: o ambiente entre a equipa, o ritmo de trabalho e a fluidez do serviço. A gestão é feita com números, mas também com sensibilidade. Está a construir uma marca, um legado, ou a abrir caminho para um novo modelo de gestão no setor? Diria que é uma combinação dos três. Quero que o La Piola seja uma marca com identidade e longevidade, que represente autenticidade e qualidade. Ao mesmo tempo, acredito que é possível contribuir para uma nova forma de gerir na restauração, mais profissional, estruturada e humana. A minha ambição é criar algo com valor real, que inspire outras abordagens no sector. O consumidor mudou? Aprendemos que o cliente de hoje valoriza mais do que o prato, procura uma experiência global. Está mais informado, mais exigente e mais atento a cada detalhe. Isso levou-nos a investir na comunicação, no serviço, na apresentação dos pratos e na experiência digital. Na apresentação de ementas variadas e com pratos novos a cada estação. O takeaway, por exemplo, ganhou nova importância, e procurámos manter a mesma qualidade e cuidado fora do restaurante. A escuta ativa foi fundamental para essa adaptação. Até onde gostava de levar o La Piola? Vejo o La Piola a continuar fiel à sua essência, mas a aprofundar ainda mais a experiência que oferece. Estamos a explorar novos formatos mais leves, talvez produtos próprios ou eventos temáticos que permitam levar o sabor da nossa casa italiana a outros contextos. Mas sempre com a mesma filosofia: crescer com consistência, com qualidade e com propósito. Morada: Rua D. Afonso Henriques nº 33, Braga Facebook: La Piola Instagram: @lapiolabraga Site: lapiola-braga.pt Das viagens pelo mundo às marisqueiras típicas portuguesas… Quem disse que o marisco não pode ser reinventado? O Docamar é a maior prova disso A portuguesa Pure Jeans está a reescrever o futuro da indústria têxtil com denim de ADN português
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