Saúde Infantil “A pergunta não é apenas ‘que sintomas tem esta criança?’, mas sobretudo ‘como vive esta criança?’” By Revista Spot | Maio 1, 2026 Maio 2, 2026 Share Tweet Share Pin Email A infância tornou-se um lugar paradoxal. Nunca soubemos tanto sobre desenvolvimento infantil e, ao mesmo tempo, talvez nunca tenhamos deixado tão pouco espaço para uma criança ser criança. Entre expectativas, tendências alimentares, ecrãs e uma pressão silenciosa para que tudo aconteça depressa demais, cresce também a urgência de olhar para a saúde infantil com mais profundidade. Daniela Sacramento, pediatra com visão integrativa, observa este cenário com a experiência de quem acompanha crianças há mais de duas décadas e com a inquietação de quem não se contenta em silenciar sintomas. A sua abordagem não rejeita a medicina convencional; procura antes ampliá-la, integrando ciência, prevenção, hábitos de vida e contexto familiar. Nesta entrevista, fala-se da saúde infantil como uma construção, dos primeiros mil dias de vida à imunidade, da PHDA ao excesso de estímulos. Houve uma altura em que tratar, medicar e controlar sintomas deixou de lhe parecer suficiente. O que mudou no seu olhar sobre a criança e sobre a própria Pediatria? A Pediatria foi sempre uma escolha muito clara para mim. Desde a faculdade que sentia uma ligação especial ao universo da criança, à forma como tudo está ainda em construção, em desenvolvimento, em possibilidade. Sou médica há 22 anos e pediatra há 21, e comecei por seguir uma prática mais clássica da Pediatria Geral, tendo depois aprofundado a área da Alergologia Pediátrica. Durante muitos anos, acompanhei crianças com asma, alergias e outras condições recorrentes. Tratava, medicava, controlava sintomas, mas ficava frequentemente com a sensação de que havia algo por compreender. Muitas vezes, parecia que estávamos apenas a silenciar o alarme de um incêndio, sem perceber verdadeiramente onde estava o fogo. Essa inquietação acompanhou-me durante muito tempo. Foi essa procura por respostas mais profundas que me levou à Medicina Integrativa. Primeiro, através de formações em suplementação e noutras abordagens complementares; mais tarde, de forma mais estruturada, através da pós-graduação em Pediatria Integrativa. Foi aí que senti que tinha encontrado uma forma de cuidar que fazia sentido para mim. A Pediatria com visão integrativa permite olhar para a criança desde o início da vida com outra amplitude: prevenir, compreender o terreno, fortalecer o organismo, reduzir intervenções desnecessárias sempre que possível e tratar de forma mais duradoura. Para mim, o essencial é não olhar apenas para a doença, mas para a criança que existe antes e para além dela. Fala de uma medicina mais natural e descomplicada, mas sempre assente em ciência. Num tempo em que a palavra “integrativo” é usada de forma muitas vezes vaga, o que distingue, para si, uma Pediatria com visão integrativa de uma visão mais superficial ou pouco rigorosa? Uma Pediatria com visão integrativa séria não exclui a medicina convencional. Pelo contrário, complementa-a, amplia-a e procura recuperar uma visão mais global da prática médica, que em muitos aspetos se foi perdendo. Não se trata de substituir tratamentos necessários, nem de recusar a ciência. Trata-se de perceber que a saúde de uma criança não se resume à ausência de doença. Uma criança pode não ter um diagnóstico formal e, ainda assim, não estar verdadeiramente bem. Por isso, é fundamental compreender como dorme, como se alimenta, como se relaciona na escola, como se sente em casa, se brinca, se se movimenta, se passa tempo ao ar livre, se está hidratada e se tem uma rotina equilibrada. O sono, por exemplo, é inegociável. A alimentação, o vínculo familiar, a atividade física, o contacto com a natureza e o ambiente emocional fazem parte da construção da saúde infantil. Uma abordagem integrativa rigorosa olha para estes fatores sem perder a segurança clínica. Para mim, o grande diferencial está aí: não é tratar apenas com medicação, nem rejeitá-la quando ela é necessária. É saber escolher a melhor ferramenta, no momento certo, para aquela criança e para aquela família. Os primeiros dias e o primeiro mês de vida do bebé continuam a ser um território de enorme fragilidade, dúvidas e insegurança para muitas famílias. O que é que ainda tende a ser subestimado nesta fase? Os primeiros dias de vida fazem parte de uma janela muito maior e absolutamente decisiva: os primeiros mil dias, que começam ainda antes do nascimento, desde a conceção, e se prolongam até aos dois anos de idade. É um período de enorme plasticidade, em que o organismo da criança está em plena formação. Nesta fase, o sistema nervoso central está a desenvolver-se, a imunidade está a construir-se e muitos padrões biológicos começam a estabelecer-se. Aquilo que acontece neste período pode influenciar a saúde da criança durante muitos anos. Por isso, não podemos olhar para o recém-nascido apenas a partir do momento em que nasce. O cuidado começa muito antes, idealmente ainda na preparação da gravidez. É importante perceber como está a saúde da mãe, como se alimenta, que hábitos tem, que medicação usa, como dorme, como gere o stress e em que ambiente vive. Hoje sabemos que a expressão genética é profundamente influenciada pelos fatores ambientais, e é aí que entra a epigenética. Ou seja, não estamos apenas perante uma fase delicada. Estamos perante uma fase fundadora. Cuidar bem dos primeiros dias, dos primeiros meses e até do período antes da gravidez pode ter um impacto muito significativo no desenvolvimento, na imunidade, no equilíbrio emocional e na saúde futura da criança. A amamentação continua a ser, para muitas mulheres, um lugar de exaustão, culpa e ambivalência. O que é que uma abordagem pediátrica mais próxima, mais informada e mais humana pode mudar logo nesse início? Pode mudar muito. A amamentação é um processo natural, mas isso não significa que seja sempre fácil. Muitas mães chegam a esta fase exaustas, inseguras, cheias de dúvidas, com dores, medo, alterações hormonais e uma enorme pressão emocional. Estão a conhecer o bebé, a adaptar-se a uma nova realidade e, muitas vezes, sentem que têm de acertar imediatamente. É precisamente nesse momento que o apoio de um bom profissional faz diferença. A mãe precisa de alguém que a oriente, que a tranquilize, que a ajude tecnicamente e que não a julgue. Muitas desistências da amamentação acontecem não por falta de vontade, mas por falta de acompanhamento adequado. Também é importante compreender que o bebé não procura o peito apenas porque tem fome. Procura vínculo, conforto, segurança, contacto. Durante muito tempo, esteve dentro da barriga da mãe, num ambiente protegido, e ao nascer continua a precisar dessa proximidade. É normal que queira colo, toque e presença. O leite materno tem benefícios amplamente reconhecidos para a saúde do bebé e também da mãe, mas a amamentação não pode ser vivida como uma imposição ou como um lugar de culpa. Deve ser acompanhada com informação, sensibilidade e respeito. Hoje há muita informação disponível, mas também muita desinformação. Entre opiniões de familiares, redes sociais e conselhos contraditórios, a mãe pode sentir-se perdida e vulnerável. Uma abordagem pediátrica mais humana ajuda precisamente a protegê-la desse ruído, a devolver-lhe confiança e a criar condições para que a amamentação aconteça da forma mais serena possível. Na alimentação infantil, e em particular na introdução alimentar, multiplicam-se modelos, tendências e convicções absolutas. No meio desse ruído, o que é que importa verdadeiramente e que erros vê repetir-se quando a alimentação é vivida mais com ansiedade do que com escuta da criança? Hoje, as orientações na alimentação infantil são muito mais amplas do que eram no passado. A introdução alimentar pode começar de várias formas: com sopa, com alimentos mais inteiros, através do método BLW ou até com uma abordagem mista. Mas, para mim, o mais importante é perceber que não existe uma fórmula única para todas as famílias e para todas as crianças. Antes de dizer “tem de ser assim”, é preciso compreender a dinâmica daquela casa. Quem cuida da criança? Vai para a creche? Fica com os avós? Os pais sentem-se seguros? Há disponibilidade para acompanhar uma refeição com calma? Uma criança que vai cedo para a creche, por exemplo, pode precisar de iniciar a alimentação de uma forma mais adaptada à realidade da instituição, porque nem sempre é possível fazer BLW num contexto em que há muitas crianças para alimentar. Também há famílias em que os avós têm um papel muito presente e sentem medo do engasgamento. E esse medo deve ser ouvido, não ignorado. A introdução alimentar não deve transformar-se numa fonte de tensão ou de culpa. Deve ser um processo progressivo, seguro e ajustado à realidade da criança. Além disso, é fundamental observar os sinais de prontidão. Nem todos os bebés estão preparados ao mesmo tempo para agarrar os alimentos, levá-los à boca e gerir texturas diferentes. Há bebés mais curiosos, outros mais cautelosos, uns com maior coordenação, outros que precisam de mais tempo. O erro mais comum é transformar a alimentação numa ideologia. A criança não precisa de pais perfeitos nem de um método perfeito. Precisa de adultos atentos, tranquilos, informados e capazes de respeitar o seu ritmo. Cólicas, bronquiolites, dores de crescimento, noites mal dormidas… A infância está cheia de situações frequentes que geram grande ansiedade nas famílias. O que é que hoje lhe parece mais dramatizado e o que é que, pelo contrário, continua a ser desvalorizado? Na infância, é muito difícil generalizar. Cada criança é única e a mesma queixa pode ter significados muito diferentes de caso para caso. Uma bronquiolite pode ser ligeira numa criança e mais preocupante noutra. Uma dor que parece ser “de crescimento” pode ser apenas isso, mas também pode esconder outra situação que merece investigação. Uma noite mal dormida pode ser uma fase, mas também pode estar ligada a desconforto, alimentação, ansiedade, respiração ou rotina. Por isso, mais do que dizer que determinados sintomas são sempre dramatizados ou sempre desvalorizados, acredito que o essencial é prestar atenção. Ouvir a mãe, o pai, a família. Muitas vezes, os pais conhecem sinais muito subtis da criança que não aparecem imediatamente numa observação clínica. Sabem quando aquele choro é diferente, quando aquela prostração não é habitual, quando há algo que não bate certo. A mãe, em particular, tem muitas vezes uma leitura muito fina do filho. E nós, profissionais de saúde, temos de valorizar isso. Não podemos responder sempre com “é normal, vai passar”, da mesma forma que também não devemos transformar cada sintoma numa urgência. O equilíbrio está em perceber o contexto: como está a criança no geral, se brinca, se se alimenta, se descansa, se respira bem, se há sinais persistentes ou alterações fora do seu padrão habitual. A infância exige esse olhar atento, porque estamos muitas vezes perante crianças pequenas que ainda não conseguem explicar o que sentem. Para mim, a maior riqueza está nessa escuta. A família ensina-nos muito sobre a criança. E uma boa consulta começa precisamente aí. Antes de tratar, é preciso compreender. Tem abordado temas ligados ao neurodesenvolvimento, como a PHDA. Sente que hoje existe mais atenção a estes sinais? O que é que pais e educadores continuam, ainda assim, a interpretar mal? Sinto que hoje existe, muitas vezes, pouca tolerância para aquilo que faz parte do desenvolvimento normal de uma criança. Recebo frequentemente pais preocupados porque a escola ou a educadora sugeriu que a criança é hiperativa, quando estamos a falar, por exemplo, de uma criança de seis anos que acabou de sair da pré-escola e entrou no primeiro ano. É uma transição enorme. Uma criança pequena não deixa de ser criança porque entrou na escola. Precisa de brincar, de se mexer, de explorar, de testar limites, de aprender a regular-se. Nem todas conseguem ficar sentadas durante muito tempo, em silêncio, concentradas, como se fossem todas iguais. E essa expectativa de uniformização preocupa-me. Naturalmente, há crianças que precisam de avaliação, acompanhamento e, em alguns casos, tratamento. A PHDA existe e deve ser levada a sério. Mas também é verdade que há muitos rótulos precipitados e uma tendência para medicalizar comportamentos que, antes de tudo, precisam de ser compreendidos. É importante olhar para o contexto. Como dorme aquela criança? Como se alimenta? Tem tempo ao ar livre? Vive exposta a muitos ecrãs? Está num ambiente demasiado exigente? Sente-se emocionalmente segura? Existem défices nutricionais, como ferro, vitamina D ou magnésio, que possam interferir na energia, na atenção ou no comportamento? Tudo isto deve ser avaliado antes de reduzir a criança a um diagnóstico. Também é essencial respeitar diferentes perfis. Há crianças mais calmas, outras mais intensas, umas mais sensoriais, outras mais impulsivas. Isso não significa automaticamente patologia. A medicação, quando é necessária, pode ter um papel importante. Mas deve ser usada com muito critério, após uma avaliação cuidadosa e sempre acompanhada de outras estratégias. O que não podemos é apagar a criança. O objetivo não é torná-la mais conveniente para os adultos. É ajudá-la a desenvolver-se melhor, sem deixar de ser quem é. Numa altura em que muitos pais oscilam entre procurar ajuda por tudo e adiar demasiado a observação médica, o que é que gostaria que soubessem reconhecer melhor em casa? Gostava que os pais compreendessem melhor que a febre, por exemplo, é uma resposta natural do organismo. Não é uma doença em si mesma. É um mecanismo de defesa perante um agente externo, como um vírus ou uma bactéria. Claro que deve ser vigiada e controlada, mas nem sempre é motivo para correr imediatamente para a urgência. O mais importante é olhar para o estado geral da criança. Está ativa? Brinca? Alimenta-se minimamente? Responde bem? Está hidratada? Ou, pelo contrário, está muito prostrada, sonolenta, com dificuldade em respirar, sem urinar, com mau estado geral ou com sinais que preocupam? Essa leitura é fundamental. Muitas vezes, os pais ficam ansiosos porque não sabem o que observar. E é aí que uma boa relação com o pediatra faz toda a diferença. Ter um profissional de confiança, a quem possam recorrer para esclarecer dúvidas, enviar uma fotografia de uma lesão de pele ou perceber se determinado sintoma exige observação, pode evitar muitas idas desnecessárias à urgência. E as idas à urgência também têm riscos, a criança pode ir por uma situação simples e ficar exposta a outros vírus, outras infeções e ambientes de stress. Por isso, é tão importante dar ferramentas às famílias. A consulta pediátrica não deve ser apressada. Deve haver tempo para explicar, responder a dúvidas e orientar. Os pais precisam de sair da consulta mais seguros, mais informados e mais capazes de agir em casa perante situações comuns. Para mim, isto é essencial: empoderar os pais com conhecimento. Não para substituírem o médico, mas para saberem distinguir melhor o que pode ser acompanhado com serenidade, o que deve ser vigiado e o que exige ajuda imediata. Quando os pais se sentem apoiados, a ansiedade diminui e a criança também beneficia dessa tranquilidade. Como se encontra o equilíbrio entre uma abordagem mais natural, a prevenção e o rigor científico, num tempo em que muitos pais procuram respostas rápidas? Sinto que vivemos muito nessa pressa. Há uma procura constante por respostas rápidas, por uma medicação que resolva, por uma solução imediata. Mas a saúde de uma criança constrói-se com consistência, acompanhamento e uma visão de longo prazo. A vacinação, por exemplo, é fundamental. As crianças devem ser vacinadas, porque a vacinação é uma das grandes ferramentas de prevenção em saúde infantil. Mas também é importante que os pais compreendam que não podemos olhar apenas para a vacina, para o medicamento ou para a resposta pontual. Se os pilares de saúde não estiverem cuidados, a criança continuará mais vulnerável. E esses pilares começam muitas vezes no mais simples: alimentação, sono, hidratação, contacto com a natureza, exposição solar adequada, movimento, equilíbrio emocional e ambiente familiar. Uma criança que come muitos alimentos ultraprocessados, que quase não ingere fruta, legumes ou comida verdadeira, que dorme mal e passa pouco tempo ao ar livre, tende a ter um organismo mais inflamado e menos preparado para responder bem. Isso pode refletir-se em infeções de repetição, alergias, alterações intestinais e outros desequilíbrios. A suplementação também pode ter lugar, mas nunca deve ser banalizada. Deve ser individualizada, avaliada caso a caso e usada quando faz sentido. O mesmo se aplica às abordagens complementares. Integrar não é substituir a medicina convencional. Integrar é ampliar o olhar, usando todas as ferramentas disponíveis com critério, segurança e responsabilidade. Gosto muito de uma definição que aprendi na Pediatria com visão integrativa: é uma medicina personalizada, preventiva, preditiva, participativa e poderosa. Para mim, isto resume muito bem esta abordagem. Personalizada, porque cada criança é única; preventiva, porque devemos atuar antes da doença instalada; preditiva, porque podemos reconhecer riscos; participativa, porque a família tem um papel ativo; e poderosa, porque pequenas mudanças bem orientadas podem transformar profundamente a saúde. Ao mesmo tempo, é preciso falar de medicina natural com rigor. Natural não significa inofensivo. E convencional não significa sempre suficiente. A fronteira está precisamente aí: não cair nem no extremo da medicalização automática, nem no extremo de rejeitar a medicina baseada na evidência. O caminho mais sério é respeitar a ciência e recuperar pilares básicos que, durante muito tempo, foram senso comum: brincar na rua, apanhar sol com segurança, mexer o corpo, comer bem, dormir bem, beber água e viver num ambiente menos artificial. A Pediatria com visão integrativa, quando é bem feita, não é uma medicina alternativa. É uma medicina complementar, com base clínica, que procura ir à origem dos desequilíbrios e não apenas responder ao sintoma visível. Olhando para a infância de hoje, o que é que mais a preocupa: o excesso de estímulos, a alimentação, o cansaço dos pais, o ruído digital ou a medicalização precoce? E que mudança cultural lhe parece hoje mais urgente para proteger melhor as crianças? Preocupa-me tudo isso, porque está tudo interligado. A criança de hoje cresce muitas vezes num ecossistema de excesso: excesso de ecrãs, de estímulos, de pressa, de alimentos ultraprocessados e, em alguns casos, de medicação. Ao mesmo tempo, falta sono, tempo ao ar livre, silêncio, rotina e presença. Os ecrãs são, sem dúvida, uma preocupação muito grande, sobretudo nas crianças pequenas. Estamos a falar de uma fase de enorme plasticidade cerebral, em que o cérebro está em plena construção. Aquilo a que a criança é exposta nesta etapa tem impacto no desenvolvimento, na atenção, no comportamento, no sono e até na forma como se relaciona com o mundo. Também me preocupa a forma como se reage aos sintomas. Às vezes, perante uma febre, há uma tendência para medicar de forma automática, sem olhar primeiro para o estado geral da criança. Claro que a medicação tem o seu lugar e deve ser usada quando é necessária, mas não pode ser a única resposta. Temos de perguntar mais: porque é que esta criança adoece tanto? O que se passa no seu corpo, na sua rotina, no seu ambiente? A alimentação é outro ponto central. Hoje, muitos produtos destinados às crianças parecem inofensivos, mas estão cheios de aditivos, aromatizantes, edulcorantes e ingredientes que nada têm a ver com comida verdadeira. E isto tem consequências. O intestino, a imunidade, o metabolismo, a pele, as alergias, a energia e até o comportamento estão profundamente ligados. A mudança cultural mais urgente é deixarmos de olhar para a saúde infantil apenas quando a doença aparece. Temos de voltar à prevenção. E prevenir, muitas vezes, não é complicado: é regressar ao básico. Comer melhor, dormir melhor, brincar mais, mexer o corpo, reduzir ecrãs, respeitar ritmos, ouvir a criança e acompanhar as famílias com tempo. Também acho essencial devolver confiança aos pais. Num tempo em que educar se tornou também navegar entre excesso de informação, culpa e medo, as famílias precisam de profissionais que expliquem, orientem e ofereçam ferramentas, não apenas prescrições. Uma consulta pediátrica não deveria ser apenas um momento para tratar sintomas, mas também para educar, prevenir e fortalecer a família. No fundo, proteger melhor as crianças passa por mudar a mentalidade. Não podemos continuar a formar crianças cada vez mais medicalizadas, estimuladas e desligadas do corpo, da natureza e dos seus próprios ritmos. Se queremos adultos mais saudáveis, temos de começar na infância, com escolhas simples, consistentes e profundamente transformadoras. Instagram: @dradanisacramento “A nova medicina estética defende a prevenção, a naturalidade e a qualidade da pele. O MF Signature Regeneration Program nasce desta nova visão” “A alimentação começa na barriga da mãe, nas escolhas da família, nos ritmos da casa, nas crenças que se repetem à mesa”
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