ÉS DE BRAGA/Osteopatia “A dor é, muitas vezes, o último sinal de alerta. Antes dela, há indícios mais subtis que não devemos ignorar” By Revista Spot | Julho 26, 2025 Julho 28, 2025 Share Tweet Share Pin Email A exaustão prolongada e a dor crónica tornaram-se uma presença silenciosa na rotina de muitos portugueses, mesmo quando os resultados médicos indicam que “está tudo bem”. Esta aparente contradição tem raízes profundas na forma como o corpo humano responde ao stress, às emoções e a padrões disfuncionais de movimento e postura. Paulo Veloso, osteopata e docente, explica: “O corpo é um sistema em permanente comunicação, onde a dor nem sempre corresponde diretamente à origem do problema.” Nesta entrevista, destaca a importância da escuta ativa e da colaboração interdisciplinar entre profissionais de saúde para um diagnóstico e tratamento eficazes. Defensor de uma osteopatia ética, crítica e sustentada em evidência científica sólida, sublinha a necessidade urgente de ampliar a literacia da população em saúde, oferecendo estratégias para quem vive com doenças crónicas. Uma reflexão pertinente para quem procura compreender e transformar a sua relação com o próprio corpo. Para quem nunca foi a um osteopata: como decorre uma primeira consulta consigo? Na primeira consulta, começo por ouvir atentamente o motivo que levou o paciente a procurar-me. Este momento inicial é fundamental e privilegio uma escuta ativa, dando espaço para que a pessoa fale livremente sobre as suas queixas e partilhe o seu historial clínico. Acredito que ninguém conhece melhor o seu corpo do que o próprio paciente, por isso valorizo muito esta partilha. Em muitos casos, quando o problema não é complexo, consigo chegar a um diagnóstico apenas com base nesta conversa. Após essa fase inicial, conduzo a consulta de forma a recolher outras informações relevantes, sobretudo se o paciente não as tiver referido espontaneamente. Quando há dor, por exemplo, procuro saber exatamente onde se localiza, há quanto tempo surgiu, se foi consequência de algum trauma ou esforço, e como evolui ao longo do dia. Se for necessário, investigo ainda a presença de outros sintomas como formigueiros, perda de força, inchaço, febre, tosse ou tonturas. Sempre que disponíveis, analiso também exames complementares de diagnóstico, para perceber se os dados clínicos coincidem com as queixas atuais. Depois, realizo o exame físico, onde procuro identificar, através da palpação, a zona exata da dor ou disfunção. Posso recorrer a testes ortopédicos, avaliação neurológica, medição da tensão arterial, auscultação cardíaca e pulmonar, bem como à análise da mobilidade articular e da textura dos músculos, tendões e ligamentos. Com base em toda a informação recolhida, elaboro um diagnóstico. Se estiver tudo reunido e não houver contraindicações, avançamos para o tratamento osteopático. Nos casos em que deteto sinais que justificam uma avaliação médica urgente, ou que exijam a intervenção de outra especialidade, faço o encaminhamento adequado, geralmente com um relatório que resume os sinais e sintomas observados. É importante sublinhar que cada consulta é única e, por isso, pode seguir um rumo diferente, dependendo da complexidade e das particularidades de cada caso. Porque é que tantas vezes a dor aparece num sítio, mas a causa está noutro? Pode partilhar um exemplo prático disso? A dor nem sempre se manifesta no local onde está a sua verdadeira origem. Isso acontece porque o corpo humano funciona como um sistema integrado, no qual músculos, articulações, nervos, órgãos e fáscias estão em constante comunicação e influência mútua. A dor pode ter origem em diferentes sistemas: pode ser somática, quando está associada a alterações nas estruturas musculoesqueléticas, ou visceral referida, quando decorre de disfunções em órgãos internos, mas se manifesta noutras zonas do corpo. Além disso, existem mecanismos de compensação, quando uma parte do corpo não funciona bem, outras estruturas podem assumir um esforço adicional, acabando por ficar sobrecarregadas e dolorosas, mesmo sem serem a origem do problema. Um exemplo bastante comum é o da coxartrose, ou artrose da anca. Apesar de se esperar dor na própria anca, é frequente os pacientes queixarem-se de dor no joelho do mesmo lado ou até na articulação sacroilíaca do lado oposto. Isto pode acontecer porque músculos estabilizadores da bacia, como o glúteo médio, ficam sobrecarregados, ou devido à inervação partilhada entre a anca e o joelho, como é o caso do nervo obturador, que participa na articulação coxofemoral e também na cápsula articular do joelho. Assim, mesmo com um joelho estruturalmente saudável, pode surgir dor referida a partir da anca. Nestes casos, a osteopatia pode ter um papel importante no alívio dos sintomas, especialmente em fases em que ainda não há indicação para cirurgia ou colocação de prótese. Outro exemplo, este mais grave e fora do âmbito do tratamento osteopático, é a cólica renal. Muitas vezes, os pacientes procuram consulta por dores na lombar baixa, no abdómen ou na virilha, sem perceberem que a origem pode estar nos rins. A dor é intensa, em pontada, e os doentes mostram-se geralmente muito agitados, sem conseguirem encontrar uma posição confortável, um sinal de alerta importante. A suspeita pode ser confirmada com a realização do sinal de Murphy renal, uma percussão com o punho na zona do rim que, se provocar dor aguda, indica possível patologia renal e necessidade de encaminhamento urgente para o hospital. Há ainda outros quadros de dor referida com origem em situações potencialmente graves, como aneurismas da aorta abdominal, que podem causar dor nos glúteos e pernas, ou casos de dor cardíaca que se manifesta em regiões distantes. Por isso, o papel do osteopata não é apenas aliviar a dor, mas também reconhecer sinais de alarme e garantir que o paciente é corretamente encaminhado sempre que necessário. Trabalhamos sentados, com stress e pouco tempo para cuidar de nós. Que sinais começa a dar o corpo quando está em sobrecarga, mesmo antes de a dor aparecer? Hoje em dia, é comum vivermos num ritmo acelerado, passarmos longas horas sentados, lidarmos com níveis elevados de stress e termos pouco tempo para cuidar de nós. No entanto, o corpo costuma dar sinais de sobrecarga muito antes de surgir dor. A dor, na verdade, é frequentemente o último alerta, antes dela, há indícios mais subtis que não devemos ignorar. Rigidez ao acordar, sensação de tensão muscular constante (sobretudo no pescoço, ombros ou zona lombar), perda de mobilidade, fadiga inexplicável, necessidade frequente de mudar de posição para aliviar o desconforto, e até sensações como formigueiro, dormência leve ou uma sensação de peso nos braços e costas, são alguns dos sinais físicos que o corpo pode dar quando começa a ressentir-se. Também é comum surgirem dores de cabeça ao final do dia, muitas vezes associadas à tensão acumulada. Embora não seja a minha área de especialidade, é importante referir que também podem surgir sinais emocionais e mentais, como maior irritabilidade ou dificuldade em concentrar-se, manifestações que mostram como o corpo e a mente estão interligados. O essencial é perceber que estes sinais são pedidos de ajuda. Quanto mais cedo forem reconhecidos, mais simples será restabelecer o equilíbrio. Não devemos esperar por dores intensas ou limitações funcionais para agir. Pequenas mudanças diárias, como pausas para alongamentos, introdução de atividade física regular e uma avaliação osteopática, podem ter um impacto significativo no bem-estar geral e prevenir problemas maiores no futuro. “Tenho uma má postura”, ouvimos isto tantas vezes. O que é afinal uma má postura? E será que estar “direito” o tempo todo é mesmo o melhor para o corpo? Esta é uma frase que ouvimos quase todos os dias em consulta. Mas é importante esclarecer: não existe uma “postura perfeita” e milagrosa. O corpo humano foi concebido para se mover, adaptar e variar. Permanecer sempre “direito” ou tentar forçar uma posição idealizada pode, na verdade, gerar mais tensão do que benefício. A chamada “má postura” não é, portanto, uma posição específica, mas sim qualquer posição mantida durante demasiado tempo, sem variação e frequentemente associada a sintomas como dor, desconforto ou tensão muscular. O verdadeiro problema não está em estar curvado durante alguns minutos, mas sim em passar horas numa mesma posição, seja ela qual for, sem pausas, sem consciência corporal e sem mobilidade. Inclusive, manter-se constantemente “direito”, com os ombros puxados para trás e o tronco em contração, pode originar rigidez, fadiga e dores nas regiões cervical e lombar. O corpo precisa de movimento, de alternância entre posições e de um equilíbrio saudável entre tonicidade e relaxamento. Por isso, é essencial fazer pausas frequentes ao longo do dia, idealmente a cada 30 a 60 minutos, mesmo que seja apenas para se levantar e andar por um ou dois minutos. Atividades que promovam mobilidade e força funcional também são fundamentais. Procurar variedade postural no dia a dia faz toda a diferença: cada vez mais pessoas recorrem, por exemplo, a secretárias elevatórias ou substituem a cadeira tradicional por bolas de pilates, que estimulam contrações dinâmicas e promovem o movimento natural do corpo. Mais do que rigidez, o que o corpo pede é variedade e liberdade para se ajustar. Para quem faz exercício e começa a sentir dores persistentes ou lesões recorrentes: como é que a osteopatia pode ajudar a prevenir e melhorar o desempenho físico? Praticar exercício físico traz inúmeros benefícios, mas também coloca exigências no corpo, sobretudo se houver desequilíbrios ou compensações. Quando surgem dores persistentes ou lesões recorrentes, é sinal de que o corpo não está a conseguir lidar com as exigências do treino de forma equilibrada. A osteopatia entra aqui como uma ferramenta essencial de otimização e tratamento. Para isso, realizamos uma avaliação global e individualizada de forma a tratar o local da dor e a origem da mesma caso esta não esteja relacionada com o local da dor. Neste sentido, identificamos e tratamos zonas de rigidez e restrições de mobilidade de forma a evitar sobrecargas que acabem por gerar dor ou inflamação. Assim, com maior mobilidade e fluidez, o corpo gasta menos energia e está mais eficiente, o que se traduz em melhor desempenho e menor risco de lesão. Ainda assim, é importante referir que a osteopatia não substitui o treino nem o reforço muscular, mas é obviamente um complemento essencial para quem quer treinar com consistência, sem limitações e com mais consciência corporal. Como lida com casos em que os exames estão normais, mas a pessoa sente dores reais? A osteopatia pode fazer diferença nestas situações? Esta é uma das razões mais comuns que levam as pessoas a procurar um osteopata: já passaram por todas as fases convencionais, exames como raio-X, ressonâncias ou análises, que não revelam alterações significativas, mas a dor persiste: real, limitante e muitas vezes frustrante. É fundamental reforçar que: a dor é real, mesmo quando os exames estão normais. Os exames de imagem são ferramentas essenciais, mas não captam tudo. Não medem, por exemplo: tensões musculares, restrições articulares ou alterações no sistema nervoso autónomo, todos eles fatores que podem causar ou perpetuar a dor. E é aqui que a osteopatia se distingue: A osteopatia vai além da imagem e baseia-se numa avaliação funcional e clínica muito detalhada. O osteopata tem uma formação sólida em anatomia, fisiologia e fisiopatologia, o que permite compreender o funcionamento global do corpo e das suas estruturas, de forma individualizada. Somos cuidadosos e exaustivos na procura da causa, e não apenas do sintoma. Um exemplo prático: Uma dor lombar ou dorsal persistente pode não ter origem na coluna propriamente dita, mas sim numa cicatriz abdominal antiga, disfunção pélvica ou até em alterações viscerais. A osteopatia considera todas estas possibilidades e, frequentemente, a origem do problema não é complexa, apenas ainda não foi devidamente identificada. O objetivo é, então, restaurar mobilidade, equilíbrio e a capacidade natural do corpo para se autorregular, o que resulta muitas vezes em alívio significativo da dor, sem necessidade de medicação. Sinais de stress no corpo são cada vez mais comuns. Como é que a osteopatia pode ajudar nestes casos? E o que pode o paciente fazer em casa para colaborar com o tratamento? Vivemos num ritmo cada vez mais acelerado, e o corpo, inevitavelmente, acaba por somatizar o excesso de stress diário. É crescente o número de pessoas que chegam à consulta com sinais evidentes de sobrecarga como tensão muscular persistente (especialmente na região cervical, ombros e lombar), cefaleias, com ou sem associação a bruxismo, dificuldade em relaxar, sensação de fadiga, mesmo após períodos de descanso. Estes sintomas são extremamente comuns e refletem uma resposta do organismo a um estado de alerta contínuo, que compromete tanto o bem-estar físico como emocional. No entanto, antes de se atribuírem diretamente ao stress, é fundamental realizar uma anamnese detalhada, de forma a excluir outras causas clínicas, nomeadamente patologias reumatológicas ou disfunções da tiróide. A osteopatia pode ser um apoio essencial nestes casos, atuando no alívio das tensões musculares e da rigidez articular. O tratamento incide frequentemente em zonas como o pescoço, base do crânio, diafragma e região torácica, áreas muitas vezes afetadas em contextos de stress. Para além do tratamento em consulta, recomendo habitualmente, consoante os sintomas, a introdução de uma rotina regular de exercício físico, como Pilates ou Yoga, duas a três vezes por semana. Estas práticas não só promovem uma melhor mobilidade como também ajudam a reduzir o foco nos problemas do dia a dia. Quando se deteta alguma fragilidade emocional ou suspeita de patologia do foro psicológico ou psiquiátrico, é importante proceder ao devido encaminhamento para um psicólogo ou psiquiatra, garantindo uma abordagem integrada e centrada na pessoa. Importa reforçar que a osteopatia não trata apenas dores, trata pessoas. Trabalha em articulação com podologistas, fisioterapeutas e outros especialistas. O que muda para o paciente quando existe este trabalho em conjunto? A colaboração entre osteopatas, podologistas, fisioterapeutas, médicos e outros profissionais de saúde permite uma abordagem mais completa, integrada e verdadeiramente centrada na pessoa. Quando trabalhamos em equipa, conseguimos observar o paciente de forma mais abrangente, não apenas tratando sintomas isolados, mas também identificando e intervindo nas causas profundas do problema. Esta articulação entre especialidades permite maior precisão no diagnóstico e na definição do plano terapêutico, ao integrar diferentes perspetivas clínicas; intervenções mais eficazes e complementares, com terapias que se potenciam entre si; recuperações mais rápidas e sustentáveis e melhor comunicação e acompanhamento, o que gera maior confiança e segurança para o paciente. No final, quem ganha mais com este modelo de trabalho é, naturalmente, o paciente que recebe um cuidado mais completo, eficaz e personalizado. O trabalho em equipa traduz-se numa abordagem verdadeiramente multidisciplinar à saúde. É com esta visão que, enquanto osteopata, não hesito em encaminhar os meus pacientes para outras especialidades, sempre que considero que o tratamento mais adequado, ou mesmo a definição precisa do diagnóstico, requer uma avaliação complementar. Nessas situações, envio normalmente um relatório clínico com a minha análise e observações, solicitando a colaboração do profissional mais indicado. É precisamente com este espírito de cooperação que estou a iniciar uma fase de expansão no meu consultório, com o objetivo de integrar outras especialidades e garantir um acompanhamento mais articulado e eficaz a quem me procura. Como explica ao paciente o que está a acontecer no corpo dele? E por que razão essa explicação pode ser tão transformadora quanto o próprio tratamento? A comunicação é, de facto, uma parte essencial do tratamento. Explicar ao paciente o que está a acontecer no seu corpo é dar-lhe compreensão sobre o seu processo de recuperação e confiança no profissional que escolheu para o acompanhar. Durante a consulta, procuro sempre traduzir os achados clínicos e diagnósticos para uma linguagem simples e acessível, recorrendo a analogias e exemplos do quotidiano. Isso permite que o paciente compreenda de forma clara a origem dos seus sintomas, sejam eles de natureza osteopática ou associados a uma patologia médica. Mesmo nos casos em que o problema identificado não possa ser tratado diretamente por mim, considero fundamental explicar ao paciente o que significa o diagnóstico e, sempre que necessário, encaminhá-lo para a especialidade mais adequada. Além disso, uma boa comunicação reduz a ansiedade, aumenta a adesão às orientações terapêuticas e estimula a responsabilização no autocuidado. O paciente deixa de ser um recetor passivo e torna-se um participante ativo no seu processo terapêutico. Por tudo isto, comunicar é, sem dúvida, tratar, porque uma informação clara, empática e bem transmitida também alivia, motiva e transforma. Há esperança para quem vive com dor ou desconforto há anos? Que mensagem deixa a quem acha que já “tentou de tudo”? Sim, há esperança, mesmo nos casos crónicos. Viver com dor ou desconforto durante anos pode ser profundamente desgastante, tanto física como emocionalmente. É natural que, após várias tentativas sem resultados duradouros, muitas pessoas comecem a acreditar que “já tentaram de tudo” ou que simplesmente têm de se resignar à dor. Mas isso nem sempre é verdade. Cada corpo é único e, muitas vezes, o que falta não é “mais um tratamento”, mas sim um profissional que esteja verdadeiramente disponível para ouvir, compreender e adaptar a abordagem às necessidades reais do paciente. É comum encontrar pessoas que tomam medicação diariamente, durante meses ou até anos, para aliviar sintomas persistentes, mas que ainda não sabem exatamente a origem desses sintomas ou se existe uma solução real para o seu problema. Muitas vezes, não lhes foi explicada a causa ou qual a causa, nem se o tratamento que seguem é o mais adequado, ou se poderiam beneficiar de outras abordagens. Pessoalmente, não aceito facilmente a ideia de que “não há mais nada a fazer”. Recuso-me a desistir de procurar se existe algo, dentro da minha área ou através da colaboração com outros profissionais, que possa melhorar a condição daquela pessoa. Coloco todo o meu conhecimento ao serviço do paciente e mantenho um compromisso constante com a atualização e o estudo, para conseguir, sempre que possível, encurtar o caminho até ao alívio e à melhoria da sua qualidade de vida. Mesmo nos casos mais complexos, há sempre algo que podemos fazer para melhorar qualidade de vida, aliviar sintomas e restaurar alguma funcionalidade. Pequenas melhorias consistentes podem transformar profundamente o dia a dia. Há sempre espaço para recuperar, nem que seja um pouco de conforto, que para muitos já faz toda a diferença. Como professor e clínico, que competências considera essenciais para os novos osteopatas? O que falta ainda consolidar no ensino para que haja uma prática crítica, ética e cientificamente fundamentada? A transição do ensino para a prática clínica é, sem dúvida, um dos momentos mais desafiantes e também mais transformadores na formação de um osteopata. Como professor e clínico, acredito que os futuros profissionais devem desenvolver, desde cedo, não apenas competências técnicas, anatómicas e fisiopatológicas, mas também pensamento crítico, empatia e capacidade de escuta ativa. É fundamental que o novo osteopata saiba observar o paciente de forma global, interpretar sinais e sintomas clínicos de forma integrada e, acima de tudo, reconhecer os seus próprios limites. Essa consciência exige humildade e uma postura colaborativa com outras especialidades da saúde. Saber quando e para onde encaminhar é uma competência clínica essencial. Na CESPU, procuramos formar osteopatas não só com excelente domínio técnico, mas também com um conhecimento sólido de anatomia, fisiologia e patologia, o que lhes permite reconhecer prontamente situações clínicas que exigem avaliação hospitalar urgente ou o apoio de exames complementares de diagnóstico e outras áreas médicas. Contudo, há ainda áreas do ensino que precisam de ser consolidadas. É essencial estimular o pensamento crítico e o espírito de investigação, para que os novos profissionais não se limitem à prática clínica, mas contribuam ativamente para o desenvolvimento científico da osteopatia. É igualmente importante atrair investimento para a criação de grupos de investigação, assegurando mais recursos e tempo para que clínicos e docentes possam produzir conhecimento de forma consistente e rigorosa. A osteopatia é ainda uma profissão jovem em Portugal, a licenciatura teve início apenas em 2016 e, por isso, há um caminho de consolidação a percorrer. Em países como a Bélgica, o ensino e a investigação estão mais avançados, existindo inclusive vários doutorados na área. Em Portugal, essa realidade está ainda em fase embrionária, mas há potencial e vontade para evoluir rapidamente. Formar osteopatas vai muito além de ensinar técnicas: trata-se de formar profissionais conscientes, responsáveis e preparados para pensar, refletir e adaptarem-se à complexidade da prática clínica, sempre com foco na pessoa que têm diante de si. É isso que transforma não só a prática individual, mas também a evolução da profissão. É também a nossa missão, enquanto professores, contribuir para a construção de uma osteopatia moderna, baseada na evidência e livre de dogmas. É urgente ultrapassar ideias retrógradas como a de que os osteopatas “estalam ossos”, “colocam os ossos no sítio” ou “curam doenças”. Estas crenças não refletem a realidade da osteopatia atual e podem criar obstáculos na opinião pública e no reconhecimento profissional. Felizmente, Portugal conta hoje com uma das legislações mais sólidas da Europa no que diz respeito à osteopatia, o que garante condições legais e institucionais favoráveis ao crescimento da profissão. Por isso, acredito que o avanço será não só rápido, como sustentado. É com esse compromisso que continuo a trabalhar, em colaboração com as associações de osteopatia nacionais, para elevar o nível da profissão e consolidar o seu lugar no sistema de saúde português. Morada: Praça das Lavradeiras Nº 9 R/C, 4925-179 Viana do Castelo Instagram: @pauloveloso.osteopata Facebook: OsteoVita Sta Marta – Dr. Paulo Veloso | Paulo Veloso – Osteopatia WhatsApp: 910 231 698 “A maioria das mulheres só atinge o orgasmo com estimulação do clitóris e pensa que isso é anormal” “O conceito de protocolo padrão tende a desaparecer em medicina estética, porque cada rosto envelhece de forma única”
ÉS DE BRAGA “O sofrimento psíquico não se encaixa em respostas automáticas nem desaparece com frases feitas” Fala-se cada vez mais de ansiedade, de exaustão e de saúde emocional. Mas falar mais nem sempre significa compreender melhor….
ÉS DE BRAGA A Arte de Maria Helena Há pessoas que passam a vida inteira a adiar-se e há outras que nunca deixam de se procurar. Maria Helena…
EMPRESAS & EMPRESÁRIOS / ÉS DE BRAGA “O erro mais comum no digital é acreditar que o tráfego pago resolve tudo” Num ecossistema digital em constante mudança, João Silva destaca-se como uma das vozes mais lúcidas e pragmáticas do marketing de…