Cirurgia “O lifting moderno deixou de ser uma cirurgia centrada apenas na pele” By Revista Spot | Fevereiro 9, 2026 Fevereiro 12, 2026 Share Tweet Share Pin Email Há um paradoxo silencioso a atravessar a cirurgia plástica contemporânea: nunca se falou tanto de naturalidade num tempo tão obcecado por resultados rápidos. Entre filtros, perdas de peso aceleradas por fármacos e um novo léxico estético imposto pelas redes sociais, o corpo tornou-se território de decisão clínica, ética e cultural. É neste contexto que João Matos Martins posiciona a sua prática. Para o cirurgião plástico, estética e reconstrução pertencem ao mesmo contínuo, guiado por anatomia, função e segurança. Dizer “não” faz parte do método quando a pressa substitui o critério ou quando o desejo nasce fora do corpo real. Com o aumento do uso de fármacos anti-obesidade, chegam mais queixas de “face vazia”, flacidez e pele que já não acompanha a velocidade da balança. E há pedidos que chegam à consulta com a rapidez de um “scroll”: menos volume, mais definição, um rosto “limpo” como os que aparecem nas redes. Só que o corpo não é um filtro, tem pele, ligamentos, cicatrizes, metabolismo e história. No fim, a pergunta decisiva não é “como vou ficar na fotografia?”, mas “como vou viver com isto daqui a dez anos?” “Improving looks, changing lives” é o seu lema. Onde é que acaba a estética e onde começa a reconstrução? Adotei esse lema uma vez que, na minha prática clínica, estética e reconstrução não são áreas opostas, mas partes de um mesmo contínuo. A cirurgia reconstrutiva molda a minha forma de pensar: respeito absoluto pela anatomia, pela função e pela segurança do doente. Quando faço cirurgia estética, levo esse rigor comigo. O objetivo não é transformar pessoas, mas repor equilíbrio, naturalidade e coerência com a idade e a história de cada um. Na minha prática, estética e reconstrução não são mundos separados. Que sinais o fazem recusar um procedimento? Dizer “não” faz parte do meu trabalho. A cirurgia plástica não deve ser uma resposta impulsiva ou emocional. Quando identifico expectativas desalinhadas, motivações externas ou pressa excessiva, paro. Uma boa cirurgia começa sempre numa consulta honesta e responsável, mesmo que isso signifique não operar. Como protege os seus doentes da estética de tendência? As redes sociais criaram um novo vocabulário estético e uma padronização visual que nem sempre respeita a diversidade anatómica e o envelhecimento natural. O papel do cirurgião é tentar traduzir desejos em possibilidades seguras, respeitando limites biológicos e resultados sustentáveis no tempo. Não trabalho para tendências nem para algoritmos. Trabalho para pessoas reais, com anatomias reais e um futuro para viver com aquele rosto ou corpo. Cabe-me proteger os doentes da estética de moda e explicar o que é possível, seguro e duradouro. A tendência passa; o resultado fica. Com os novos fármacos anti-obesidade e a rapidez de algumas perdas de peso, tem visto mais queixas de “face vazia” e flacidez? Com a utilização crescente de fármacos anti-obesidade e perdas de peso rápidas, têm surgido mais queixas de perda de volume facial e flacidez. Estabilizar o peso, observar e respeitar a anatomia individual de cada um é importante para decidir se e quando intervir, seja através de um procedimento cirúrgico ou minimamente invasivo. O que é que mudou na última década no lifting facial? O lifting moderno deixou de ser uma cirurgia centrada apenas na pele. Hoje envolve o tratamento dos planos profundos, ligamentos, músculos e volume, com o objetivo de reposicionar estruturas e devolver naturalidade ao rosto. Hoje, falar de lifting é falar de estrutura. O objetivo não é esticar, mas reposicionar e devolver suporte. Quando bem indicado, e por vezes conjugado com blefaroplastia, enxertos de gordura ou outros procedimentos, os resultados podem ser naturais, discretos e sem estigmas de cirurgia. A Blefaroplastia é uma das cirurgias do momento? A blefaroplastia tem ganho popularidade pelo impacto que tem no olhar, com pouco tempo relativo de recuperação no pós-operatório imediato. Apesar de parecer simples, é uma cirurgia com pouca margem de erro. Os erros mais comuns incluem excesso de remoção de pele ou gordura e negligência da função ocular, o que pode resultar num olhar pouco lubrificado com problemas de visão a longo prazo. A Rinoseptoplastia é, acima de tudo, estética com função? A cirurgia nasal como outras cirurgias plásticas deve integrar forma e função. Um nariz esteticamente agradável que não respira bem é um insucesso clínico. A rinoseptoplastia exige planeamento rigoroso. Não existe nariz bonito que não respire bem. A função respiratória nunca pode ser sacrificada pela estética. O objetivo é um nariz equilibrado, funcional e que pareça sempre ter pertencido àquele rosto. A toma de fármacos anti-obesidade tem aumentado a procura por cirurgias corporais? Após grandes perdas de peso, tem aumentado a procura por cirurgias corporais como abdominoplastias, body lifts e lifting de membros ou mama. Os fármacos anti-obesidade vieram dar um impulso ainda maior a uma área que já de si estava em expansão devido à massificação da cirurgia bariátrica. A cirurgia de contorno corporal, após estas grandes flutuações de peso, vem devolver melhorias na autoestima dos pacientes e muitas vezes até mesmo na higiene. Para operar com segurança, exijo peso estabilizado, bom estado nutricional, avaliação da massa muscular e do risco trombótico. Muitas vezes, é necessário explicar que cirurgias por etapas são mais seguras do que a tentativa de “fazer tudo de uma vez” embora seja possível combinar alguns procedimentos. Nestas doentes, o que pesa mais na decisão entre mastopexia isolada, mastopexia com implante ou soluções com gordura/enxertos? Não existe uma solução universal. A decisão é individualizada e baseada nos tecidos disponíveis. A decisão entre mastopexia isolada, mastopexia com implante ou outras soluções dependem da qualidade da pele, do volume remanescente e da base mamária. Outros aspetos como o desejo da paciente são também tidos em conta dentro de limites anatómicos. A minha experiência em reconstrução mamária oncológica ajuda-me a lidar melhor com assimetrias, deformidades e outros desafios mantendo expectativas realistas e apresentando bons resultados, mesmo em contexto estético. Como aborda a cirurgia genital sem reforçar inseguranças? Abordo a cirurgia íntima com especial cuidado ético. A cirurgia genital exige uma abordagem cuidadosa, tanto na linguagem como na indicação, para não reforçar inseguranças artificiais. A distinção entre sofrimento funcional e pressão estética é essencial. Instagram: @dr.joaomatosmartins Facebook: Dr. João Matos Martins Marcações por WhatsApp ou SMS: 935 479 388 Site: joaomatosmartins.com “Com os veículos híbridos e elétricos já não estamos apenas a gerir resíduos e metal, estamos a gerir energia armazenada” “Numa era de filtros, e agora de IA, muitos pacientes chegam com imagens de referência totalmente irreais”
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